São Paulo está sem lei florestal
São diversos os pontos existentes
nesta lei paulista que claramente são piores em termos de proteção ambiental em
relação à nova Lei Florestal Brasileira. Como sabemos as leis estaduais devem
servir de regulamentação local ao que foi determinado no âmbito federal e podem
ser mais restritivas, mas nunca mais permissivas. As normas estaduais podem
proteger mais o meio ambiente e não o contrário.
Foi exatamente essa a
interpretação do Ministério Público de São Paulo ao classificar a lei paulista
de inconstitucional e propor a ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) que
teve aceita pela Justiça uma liminar que suspende a implementação da referida
lei no Estado. Também é importante destacar que a manifestação do MP/SP não se
baseia nas quatro ADINs em curso no âmbito federal e que questionam diversos
artigos da Lei 12.551/12 (nova Lei Florestal).
O #MaisFlorestasPRASaoPaulo
concorda com essa decisão, e acredita que este é um momento para aprimorar a
legislação do Estado e acelerar sua aplicação. Para isso devem ser revistos
alguns dos pontos questionados pelo MP.
O principal é o artigo 27, que
assume os conceitos da não proteção da vegetação nativa, em especial do
Cerrado, pelas antigos Códigos Florestais de 1934 e 1965, além de permitir uma
ampla anistia da recomposição das Reservas. Em vez disso, acreditamos que as
legislações anteriores protegiam, sim, as várias formas de vegetação nativa e
que a proteção ambiental não deve retroceder. E sim garantir a devida proteção
ao Cerrado paulista, bioma tão degradado.
Outro ponto que deve ser
destacado é que dá o prazo de 20 anos para recompor as Áreas de Proteção
Permanentes (APPs), como as matas ciliares e também para se fazer as
compensações de Reserva fora do imóvel (por servidão, Cotas de Reserva
Ambiental e doação de terras em Unidades de Conservação). Consideramos que o
prejuízo ambiental causado por essa medida é enorme, pois posterga o prazo de
sua implantação e transforma exceções em regra criando uma situação praticamente
de letra morta da lei paulista no longo prazo e inviabilizando ações em grande
escala para a recuperação florestal dos mananciais.
Mais uma vez lembramos que a
crise hídrica não acabou, ainda continuamos precisando de florestas para
proteção do clima e das nascentes.
O Movimento
#MaisFlorestasPRASaoPaulo redigiu um manifesto de apoio a ação do MP e a
liminar da justiça dirigido às autoridades do estado e da sociedade paulista e
se coloca à disposição para fazer parte das futuras discussões para que tenhamos
em nosso estado uma lei florestal que contemple os maiores interesses em prol
de um meio ambiente saudável e equilibrado para todos os paulistas. O Movimento
também acredita que, ao contrário do que se poderia imaginar, esse adiamento da
lei não traz qualquer prejuízo no processo de implantação do Programa de
Regulamentação Ambiental do Estado, ao contrário, pois da forma que foi
elaborada, poderia ser questionada em futuro próximo.
Por fim, essa suspensão, abre a
possibilidade de servir para que seja aberto, efetivamente, um processo amplo
de discussão com todos os setores interessados diretamente no tema e que levem
em conta os interesses de todos os paulistas.
ESCLARECENDO
Quem somos - O #MaisFlorestaPRASaoPaulo é um movimento de
instituições, pessoas e coletivos que reconhecem a importância das florestas
para a qualidade de vida dos paulistas e trabalha para que políticas públicas,
como o Programa de Regularização Ambiental do Estado (o PRA), viabilizem um
real aumento de cobertura florestal. O movimento se iniciou em janeiro de 2016,
quando um grupo de instituições e pessoas, insatisfeitas como os resultados e
processo de construção deste Programa, se articula para reivindicar por maior
transparência e objetividade nas normas de sua implementação.
O #MaisFlorestaPRASaoPaulo atua
de forma articulada com o Observatório do Código Florestal, buscando tratar de
forma mais específica das questões no âmbito do Estado de São Paulo.
Organizações apoiadoras - SOS Mata Atlântica, Rede de ONGs da Mata
Atlântica, IPÊ, Iniciativa Verde, Pacto pela Restauração da Mata Atlântica,
SPVS, SOS Cuesta de Botucatu, Jean Paul Metzger (USP), Ricardo Ribeiro
Rodrigues (USP), TNC, Associação Ambientalista Copaíba, Apoena, Associação
Cunhambebe, WRI Brasil e o ISA – Instituto Socioambiental.
Fonte: Reinaldo Canto e Roberto Resende - Iniciativa Verde



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