sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Meio Ambiente ou Marketing e Consumismo - Seriam estes os presentes que as crianças mais querem


Quem já não participou de uma conversa animada entre amigos quando o assunto eram fatos vividos na infância? Volta e meia, essas recordações acontecem e raramente o que nos salta primeiro à lembrança são os presentes que ganhamos, exceto quando vinham carregados de alguma história ou significado especial.
No entanto, como em todos os anos, muitos pais e familiares estarão às voltas nestas festas com a busca de presentes para suas crianças. É claro que a intenção de fazê-las felizes é a maior razão de tantos sacrifícios de tempo ou dinheiro, porém, presenteá-las com algo valioso e inesquecível, gastando o mínimo e ainda gerando recordações que as acompanharão para sempre, também é perfeitamente possível. A questão é o quanto estamos determinados a resgatar das mãos do marketing o conceito de felicidade com o qual ele tenta revestir produtos e serviços diversos.
Diferentemente desta felicidade artificial que o marketing tanto propaga, as crianças, quando livres no seu brincar, encontram prazer e alegria em coisas que quase nem percebemos. Numa viagem rápida pela própria imaginação, elas mergulham em cenários cuja beleza nenhum brinquedo – ainda mais concebido e fabricado por adultos – pode reproduzir.
Forçando um pouco a memória, talvez nos recordemos de uma boneca de pano ou do carrinho de lata que alguém nos ajudou a fazer. Provavelmente nos volte à memória a euforia com a qual acordávamos para uma viagem de férias ou mesmo para a casa de um parente mais próximo. Ir encontrar os avós, fosse no aeroporto ou num ponto de ônibus, podia nos render horas de expectativa. Enfileirar cadeiras na sala para apresentar à família envolvida uma risonha e mambembe peça teatral era um espetáculo e tanto. Construir um brinquedo com o envolvimento de um adulto então, melhor que não ficasse pronto tão cedo a fim de prolongar um momento tão bom. Exemplos assim são fragmentos minúsculos do arsenal de ideias que podemos colocar em prática, usando o tempo que iremos gastar percorrendo lojas nos shoppings atrás de objetos que perderão a felicidade que prometem antes mesmo que a inclemente fatura do cartão de crédito nos seja entregue.
Se perguntarmos, hoje, a uma criança alvejada por comerciais sobre o que ela deseja ganhar, na maioria das vezes, sua resposta será automática, além de praticamente em coro com milhões de outras crianças que estarão pedindo por um mesmo produto, da mesma marca, do mesmo tamanho ou até da mesma cor. E isto sem que nos debrucemos a pensar sobre o quanto essa padronização do desejo pode afetar a construção da identidade dos pequenos e, mais tarde, suas próprias convicções adultas.
Ante a perspectiva de ver nossas crianças crescerem desejando o que o marketing deseja para elas, é de pasmar o contrassenso expresso nas assinaturas de tantos comerciais; “Para você que sabe o que quer” ou “Quem sabe o que quer, vai mais longe!”. Neste contexto contraditório das vendas, essas assinaturas são ocas de fundamento, ao passo que podem se tornar verdadeiras se estivermos com nossas crianças, nomeando suas características individuais e gerando condições para sua expressão própria.
Dado o bombardeio diário e das bem engendradas mensagens endereçadas aos pontos mais frágeis das crianças, provavelmente a maioria delas prefira os produtos anunciados muito mais do que os presentes marcados pelo afeto e pela correspondência com seus anseios legítimos. Cabe, no entanto, àqueles que realmente querem o melhor para elas, não abrir mão do que acreditam. Nada é mais convincente para uma criança do que ver nos adultos de quem elas dependem a convicção de que ser é melhor do que ter e a alegria de construir junto com elas uma felicidade possível e uma história de infância rica de inventividade e ternura que elas não se cansarão de lembrar e contar.
Crianças e o futuro do nosso planeta
A educação que se recebe em casa é o que determina as atitudes e as posturas dos filhos frente ao mundo. Uma criança que aprende o respeito e valores dentro de casa, através do exemplo de seus pais, crescerá e se tornará um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive no respeito ao nosso planeta. A educação das crianças cada dia está sendo levada a sério pelas creches, escolas, avós, irmãos mais velhos, companheiros do colégio e do pátio, além dos meios de comunicação.
Como eu posso garantir o desenvolvimento sustentável? Com atitudes simples, como fechar a torneira enquanto escova os dentes, não demorar no banho, jogar o lixo nos locais apropriados, comprar carros movidos a combustíveis alternativos, engajar-se em movimentos de ajuda comunitária, não depredar o patrimônio natural, limpar o quintal de sua casa, tratar com respeito as pessoas diferentes de você, e por aí vai.
Promover o desenvolvimento sustentável significa conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e o fim da pobreza. Em outras palavras, todos precisam gerar riquezas com o objetivo de distribuí-las do modo equilibrado, a fim de melhorar a qualidade de vida de todos, mas levando em conta a qualidade ambiental do Planeta.
As metas do desenvolvimento sustentável são estas: satisfação das necessidades básicas da população, solidariedade para com as gerações futuras, preservação dos recursos naturais, elaboração de um sistema social que garanta emprego, segurança social e respeito a outras culturas, programas educativos e participação de cada um de nós nessa preservação.
Se realmente queremos deixar um mundo melhor para nossos filhos, a melhor coisa a fazermos é formar nas nossas crianças uma consciência ecológica desde cedo. Nosso planeta agradece. 

Fonte: Maria Helena Masquetti - Psicologa

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Estamos bebendo água com pH impróprio para consumo


A água é essencial à vida. Especialistas indicam que precisamos sempre nos hidratar para evitar uma série de complicações e doenças. A água que consumimos precisa ter necessariamente 3 características. A seguir: ela precisa ser inodora, ou seja, não possuir cheiro; incolor, que significa não possuir cor; e insípida, ou desprovida de gosto.
Outra característica importante da água é o pH. O pH é uma escala que vai do 0 ao 14 utilizada para medir o potencial de hidrogênio e indica a acidez ou a basicidade de uma solução líquida.
Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, o pH da água deve estar entre 6,0 e 9,5. Mas, um estudo publicado pela engenheira agrônoma Érika Ferreira, para obtenção do título de especialista em Gestão Ambiental pelo Núcleo de Meio Ambiente da Universidade Federal do Pará, mostrou que nenhuma das marcas analisadas no Laboratório de Recursos Hídricos do Instituto de Geociências da UFPA estão dentro desses padrões recomendados.
“Água precisa ter um pH acima de 6,5 para ser potável. Abaixo disso, não é água potável, podendo, inclusive, causar problemas de saúde. Se consumida durante dez, vinte anos, pode causar problemas gástricos, como gastrites, úlceras e câncer de estômago”, advertiu o professor Milton Matta, que orientou o estudo.
Esses níveis de pH apresentam um grande risco para o consumidor. O estudo reforça que as empresas que produzem as águas analisadas precisam se adequar aos padrões o quanto antes.
Além disso, o estudo evidencia que existe uma ausência no monitoramento nesse processo de produção, o que poderia evitar que águas com pH impróprio para o consumo fossem produzidas e comercializadas.
Sempre que for comprar água, verifique o índice de pH, indicado no rótulo. Isso pode fazer com que você compre apenas águas dentro dos padrões recomendáveis e assim evite doenças a longo prazo. 

Fonte: Gustavo Teixera - Jornal Ciência

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Educação para a sustentabilidade: dos métodos às questões da vida real


Fala-se muito sobre a transversalidade na Educação. Esse diálogo surgiu a partir da análise crítica dos métodos de ensino, que envolvem o que se compreende por aprendizagem e também os conteúdos que são ensinados durante o processo de educação formal.
Analisando especificamente a Educação Ambiental, é possível observar que a prática educativa está relacionada à possibilidade de estabelecer uma relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados, com métodos, e às questões da vida real e suas transformações.  Ou seja, aprender na realidade e da realidade, construindo um espaço novo de aprendizagem e de debates frente aos conflitos socioambientais.
Assim, torna-se indispensável olhar a questão socioambiental na íntegra, valorizando a necessidade de relação com diferentes disciplinas e conteúdos. Isso sem esquecer a aplicação desses conhecimentos, de forma imediata, principalmente no entorno escolar. A questão socioambiental está diretamente ligada à realidade mais próxima, do cotidiano, da vida social dos nossos alunos.
Explorando a característica transversal do meio ambiente, nesse processo educativo, fica clara a necessidade da integração do aprendizado de conteúdos com valores e atitudes positivas na construção de um efeito multiplicador. O processo de avaliação da educação para a sustentabilidade, do ponto de vista do cidadão, deve considerar um recorte do quadro socioambiental em que a comunidade escolar vai além dos resultados pedagógicos: ela colabora com o enraizamento da escola na comunidade. Isso significa trabalhar os vínculos de identidade com o entorno socioambiental.
Diante disso, é preciso considerar a relação da escola com o ambiente em que ela se insere. Acreditamos que o corpo social da escola exerce intervenções na realidade local, sendo conectado com as questões mais amplas da sociedade e com os movimentos de defesa da qualidade do ambiente, incorporando-os às suas práticas e relacionando-os aos seus objetivos.
Deste modo, é desejável que a prática da transversalidade vá além das ações pedagógicas em sala de aula, ou seja, os alunos devem conhecer a realidade local, estabelecendo relações e contatos para fins educativos. É possível trabalhar todo o currículo com práticas socioambientais. Essa é a premissa da transversalidade, com ênfase na visão global e com ações locais, bem como na construção da identidade do sujeito planetário de uma sociedade globalizada, que precisa e deve valorizar as riquezas naturais e culturais do seu entorno. 

Fonte: Rodrigo Berté - UNINTER

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Melhoramento genético & Modificação genética


Qual a diferença entre melhoramento genético e modificação genética?
São duas técnicas completamente diferentes. Os transgênicos são produzidos pela modificação genética, e nunca por melhoramento genético.
O melhoramento genético é uma técnica de biotecnologia empregada há milênios para diversos propósitos. Está baseado na combinação genética de duas plantas da mesma espécie por meio de cruzamento sexual ou, em alguns casos, entre plantas de espécies diferentes, mas do mesmo gênero, com grandes semelhanças entre si. Os descendentes desse cruzamento são selecionados, escolhendo-se apenas aqueles indivíduos que tenham as características desejadas, como maior produtividade, resistência a insetos ou doenças. O melhoramento genético trabalha com a diversidade genética dentro de uma mesma espécie.
Já a modificação genética ou transgenia, também conhecida como engenharia genética, é uma técnica de biotecnologia que foi introduzida em 1973. Na transgenia, sequências do código genético são removidos de um ou mais organismos e inseridos em outro organismo, de espécie diferente. A principal implicação da transgenia é a quebra da barreira sexual entre diferentes espécies, permitindo cruzamentos impossíveis de ocorrerem naturalmente, como entre uma planta e um animal, uma bactéria e um vírus. A inserção de genes exóticos em uma planta, por exemplo, pode resultar em efeitos imprevisíveis em seus processos bioquímicos e metabólicos. 

Fonte: Greenpeace.org

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Engenharia Genética - A Ciência da Vida


A engenharia genética, a ciência que tem possibilitado a realização de experimentos na área da genética, com resultados surpreendentes sobre a vida. Pela sua relação direta ou indireta com o meio ambiente, a engenharia genética não poder deixar de ter atenção dos ambientalistas e estudiosos do direito ambiental.
Com a divulgação em quase todos os meios de comunicação dos resultados do Projeto Genoma Humano e o grande interesse sobre os transgênicos, a engenharia genética passou a ser alvo de atenção como ciência moderna. Mas, há séculos a humanidade vem fazendo o cruzamento de plantas e animais com a finalidade de melhorá-los para sua utilização e consumo. No fundo tratam-se de experiências genéticas feitas de maneira rudimentar, mas atualmente com o desenvolvimento da biotecnologia, a melhora genética passou a ser feita de forma cientifica, através de técnicas desenvolvidas por biotecnologia conhecida como engenharia genética.
Engenharia genética pode ser definida como o conjunto de técnicas capazes de permitir a identificação, manipulação e multiplicação de genes dos organismos vivos. Através desta nova ciência é possível a manipulação do DNA, ou seja, do ácido desoxirribonuclético que existe nas células dos seres vivos e assim recombinar genes, alterando-os, trocando-os ou adicionando genes de diferentes origens e criando novas formas de vida. A engenharia genética possibilita:
- Mapear o sequenciamento do genoma das espécies animais, incluindo o ser humano (Genoma Humano) e dos vegetais;
- A criação de seres clonados (copiados);
- Desenvolver a terapia genética;
- Produzir seres transgênicos.
Estas novas possibilidades no campo da genética passaram a preocupar governos e grande parte das sociedades envolvidas, pois se o processo for mal direcionado poderá prejudicar o patrimônio genético, inclusive irremediavelmente. Por este motivo já há previsão legal tutelando as atividades desta nova ciência.
Controle legal é pela Constituição Federal, art. 225, §1º, II; Lei 8.974, de 5/1/95 (Lei da Biossegurança).
No Brasil o controle legal da engenharia genética está previsto no art. 225, §1º, II da Constituição Federal, onde diz que é dever do Poder Público preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do país e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético. Assim, o Poder Público tem o dever de preservar a diversidade e integridade do patrimônio genético, bem como o dever de fiscalizar os pesquisadores que manipulam material genético e ainda é obrigado a controlar os métodos, atividades e comercialização de produtos ou substâncias que possam causar danos ao meio ambiente, incluindo aí os relacionados à manipulação genética.
Já, a Lei 8.974, de 5/1/95 (Lei da Biossegurança) veio regulamentar os incisos II e V do parágrafo 1º do citado artigo constitucional, estabelecendo normas para uso das técnicas de engenharia genética e liberação no meio ambiente de organismos geneticamente modificados.
O que possibilita a engenharia genética
A - Mapeamento do sequenciamento genômico:
Genoma: todo o material genético contido nos cromossomos de um organismo é conhecido como genoma. Pode ainda ser definido como o conjunto de genes de uma espécie.
Gene: é a unidade de DNA com capacidade de sintetizar uma proteína. DNA é uma molécula em forma de hélice dupla composta por pares nitrogenadas e que tem capacidade de armazenar todas as informações necessárias para a criação de um ser vivo. Graças aos avanços da biotecnologia e através da engenharia genética é possível fazer o mapeamento e sequenciamento genômico de animais e vegetais. O Genoma Humano após muitos anos de estudos e de muito investimento que envolveu EUA, Reino Unido, França, Japão etc, chegou a seus primeiros resultados.
Decepção genética: conforme publicado amplamente na imprensa em geral, os primeiros resultados do Projeto Genoma saíram com uma grande surpresa para a comunidade científica e o mundo em geral: não temos tantos genes quanto imaginávamos; aliás temos o mesmo número que o milho e o dobro da mosca-das-frutas. Isto põe uma ducha de água fria na tese daqueles que pensam que o ser humano é superior a todos as outras formas de vida do nosso planeta. De outro lado, reforça a tese de alguns de que somos iguais a todos os animais, diferenciando-se apenas em algumas formas de desenvolvimento de partes do corpo, como o cérebro, o que não quer dizer nada em termos biológicos.
Os resultados do Projeto Genoma levam a concluir que o ser humano deve ter mais humildade zoológica e assim passar a tratar os demais seres com mais respeito, afinal não são superiores a nenhum deles. Daí, se deve dar mais atenção e proteger melhor o meio ambiente com os elementos que o formam.
B - Clonagem:
É a cópia de uma molécula de DNA recombinante, contendo um gene ou outra seqüência de DNA que se quer estudar. É a reprodução assexuada a partir de uma célula mãe, utilizando células geneticamente idênticas entre si e a célula progenitora. A palavra clonagem vem do grego "klón" que significa "broto".
C - Terapia genética ou gênica:
É o tratamento baseado na introdução de genes "sadios" , para que possa gerar proteínas saudáveis e substituir as defeituosas.
D - Transgênicos:
Um dos experimentos e resultados da engenharia genética que têm trazido mais polêmica é a questão da produção de transgênicos na agricultura com a finalidade de se evitar pragas, maior resistência às intempéries para aumentar a produção.
Estes organismos geneticamente modificados e conhecidos pela sigla OGMs estão levando os cientistas, ambientalistas, produtores, juristas entre outros, a muita discussão sobre a sua real utilização e conveniência. Em grande parte da Europa há rejeição oficial e da população aos OGMs, enquanto os EUA, Argentina, Canadá, China, México e Austrália adotam em sua política agrícola este tipo de produto.
Em nosso país a questão está no ápice da discussão, havendo contundentes segmentos pró e outros não menos contundentes contra. Os que estão contra a utilização dos OGMs argumentam que por serem modificados geneticamente os produtos não são naturais, perigosos e são potencialmente danosos ao ambiente, inclusive já se fala em "poluição genética". Já os favoráveis dizem que não há prova de danos à saúde humana e ao ambiente.
De qualquer forma, a discussão ainda vai longe, pois faltam elementos técnicos de experimentação científica capaz de dar subsídios concretos e seguros quanto aos efeitos destes produtos, principalmente por se tratar de novas tecnologias e produtos.
O patrimônio genético poderá estar comprometido se não houver na engenharia genética uma manipulação ou utilização consciente, sadia, correta, legal e ética dos recursos que o compõem. Por isso a comunidade científica, o Poder Público e os cidadãos conscientes devem ficar atentos e fiscalizar a aplicação das novas técnicas da engenharia genética, seus resultados e produtos, bem conhecer os termos de sua tutela jurídica e utilizar dos mecanismos legais de proteção através da ação civil pública, em se constatando cientificamente perigo ou dano ao meio ambiente. Aí pode ter aplicação um dos mais importantes princípios do direito ambiental: o princípio da precaução. 

Fonte: Ambiente Brasil

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Lei Estadual e Federal que proíba o fracking é uma necessidade


Lei Municipal é um passo importante, porém avançar em uma Lei Estadual e Federal que proíba o fracking é uma necessidade, o alerta é da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil – que defende uma legislação  nacional para o banimento do fraturamento hidráulico no país.
A devastação provocada pelo fracking faz com que vários países no mundo estejam proibindo a tecnologia para sempre, como Alemanha, Itália, Noruega, os  estados de Nova York (Estados Unidos) e Victória (Austrália).
O fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida – e coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org, Juliano Bueno de Araujo, alerta para o fato de que mesmo com a aprovação e sanção do modelo de Projeto de Lei para proibir operações de fracking, inclusive a pesquisa sísmica, as cidades não estão efetivamente protegidas.
“A aprovação da Lei municipal ajuda na defesa, mas o perigo ainda nos ronda. A mobilização não pode acabar, pois se nenhuma cidade no entorno não adotar a mesma legislação a contaminação é certa”, garante Juliano.
Ele cita como exemplo o município de Toledo, no Paraná, que nesta sexta-feira, 16, aprovou projeto de Lei em caráter de urgência para impedir os testes sísmicos e a pesquisa para exploração do gás de xisto através do fraturamento hidráulico, método não convencional conhecido como fracking. A cidade já tinha desde 2013 uma legislação proibindo a tecnologia, mas que não contemplava a pesquisa. Outras cidades do estado também estão nessa situação e precisam atualizar a normatização. Na próxima segunda-feira, 19 Dezembro 2016, o prefeito Beto Lunitti, deve sancionar a legislação aprovada por unanimidade pela Câmara.
Diante da presença ostensiva dos caminhões vibradores contratados pela Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) na região Oeste do Paraná, grande produtora de grãos e animais para corte, não há segurança para a população, nem para a produção de alimentos, nem para os recursos naturais.
O que é FRACKING
A fratura hidráulica, também chamada de fracking, é uma prática que está sendo muito utilizada por companhias de petróleo e gás para aumentar suas produções, e vem gerando bastante polêmica.
Este tipo de extração agride gravemente o meio ambiente por se tratar um processo que consiste na perfuração e injeção de fluídos químicos no solo para elevar a pressão, fazendo com que haja fratura das rochas e a liberação do gás natural.
Nos fluídos usados existem cerca de 600 produtos tóxicos, incluindo agentes cancerígenos. Cada poço pode ser fraturado até 18 vezes e são necessários de 400 a 600 caminhões tanque de água para cada operação. O fluído que é usado é deixado a céu aberto para evaporar, tornando o ar contaminado e contribuindo para o surgimento de chuvas ácidas.
Durante o processo as águas subterrâneas próximas, usadas para abastecer cidades da região, também ficam poluídas. Houve mais de mil casos de contaminação próximos a área de perfuração.
Veto a pesquisas
A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou em novembro projeto de Lei que suspende por dez anos o licenciamento para operações de fracking, mas permite os testes e pesquisas em seu artigo 3º.
A COESUS pleiteia a sanção da Lei mas com o veto ao artigo, pois entende que as pesquisas abrem caminho para a contaminação dos aquíferos e solo, representando uma barreira fitossanitária para toda a comercialização da produção de todo o Estado.
Juliano argumenta que “a ausência de uma legislação estadual sancionada que proíba os testes e as pesquisa não nos garante a proteção da contaminação”.
Várias lideranças políticas, religiosas e dos movimentos organizados, setor produtivo e academia científica estão se manifestando contra as pesquisas sísmicas, indicando ao Governador Beto Richa que é fundamental o veto para a salvaguardar a vida dos paranaenses e a nossa economia. O prefeito Beto Lunitti está empenhado em articular um movimento para que os municípios do Oeste do Paraná encaminhem ofício ao governador.
O fundador da COESUS lembra que desde 2015 há um projeto de lei na Câmara Federal de autoria do prefeito eleito de Londrina, Deputado Federal Marcelo Belinati, que está com a tramitação parada nas comissões.
“Temos que aprovar Leis municipais banindo o fracking, mas a mobilização não pode parar. Inclusive, os gestores públicos, parlamentares e população devem permanecer vigilantes para que os testes e a pesquisa não aconteçam em suas cidades. Ao mesmo tempo, precisamos pressionar os governos Estadual para vetar o artigo 3º da lei e o Congresso Nacional para que aprove uma legislação banindo o fracking definitivamente do país”, completa. 

Fonte: Silvia Calciolari - COESUS

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Oceanos pedem ajuda


Pesca irregular coloca 475 espécies marinhas em perigo de extinção no Brasil. A vida marinha do Brasil está em risco pela pesca predatória. Desde 2011, o governo brasileiro não faz acompanhamentos nem divulga dados oficiais sobre a pesca gerando prejuízo as espécies marítimas.
Entre os impactos mais comuns estão a pesca excessiva onde pesqueiras usam técnicas pouco sustentáveis e irregulares, a captura de fauna acompanhante onde cada ano 7 milhões de toneladas de organismos marinhos são capturados acidentalmente por estarem nas áreas de pesca sendo jogados mortos de volta ao mar e a destruição de habitats entre estes corais e outros provocados pela poluição de plásticos, mercúrios, antibióticos e vazamento de óleo.
Para desenvolver políticas públicas no setor é preciso que o governo incentive atividades, regule preços e estoque, uma ação hoje inexistente no país. Para os especialistas da ONG Oceana, organização internacional dedicada a proteger a biodiversidade dos oceanos, no Brasil não é possível saber quantos barcos ou pescadores existem, nem quanto é capturado de cada espécie ou desembarcado e descartado no mar.
Neste sentido o governo e a sociedade não conseguem ter referencias da sobrepesca de uma espécie. “Precisamos coletar dados e monitorar dados, isso é importante para garantir a continuidade da atividade, evitando o colapso das pescarias e garantir que os estoques não ficarão ameaçados” explica Wagner Filho, integrante da Oceana.
Com o objetivo de sensibilizar os ministros com a atividade pesqueira e a coleção de dados sérios a Oceana criou a campanha #Oceanospedemajuda que iniciou no mês de dezembro e se prolongará ao longo de 2017 até alcançar os objetivos planejados. Um destes objetivos é garantir o compromisso dos ministros Blairo Maggi, da Agricultura, e Jose Sarney Filho do Meio Ambiente de divulgar em 2017 dados da pesca e desembarque. Até o momento, só o ministro Blairo Maggi cedeu a campanha.
O projeto mostra a urgência dos ecossistemas marítimos, nos quais é necessário evitar pescar acima da capacidade de reposição ou dos estoques para manter o equilíbrio ecológico.
No Brasil existem entre as espécies aquáticas 475 em perigo de extinção, sendo 100 espécies de peixes marinhos ameaçados pela pesca excessiva. Dentro deste grupo encontra-se também raias, tubarões, garoupas, entre outras.
As espécies não estão inclusas na Lista Nacional de Espécies de Peixes e Invertebrados Aquáticos Ameaçados de Extinção da portaria 445/2014 do Ministério do Meio Ambiente, no entanto o Tribunal Regional Federal reverteu o julgamento e a lista passa a vigorar com nova publicação ano que vem proibindo a captura das espécies com exceção de 14 delas que podem ser capturadas até 1 de março de 2017. Esta situação além de levar ao colapso das pescarias pode gerar fortes prejuízos econômicos e sociais.
Segundo dados do IBAMA os estudos consolidados da pesca brasileira vão até 2007, monitoramento que foi interrompido com a criação do Ministério da Pesca. Atualmente só o Estado de São Paulo realiza estes levantamentos, insuficientes para desenvolver políticas públicas no setor.
Para participar da campanha os interessados podem mandar um e-mail, ou marcar os ministros Sarney e Maggi no Facebook ou no Twitter. Está disponível também um vídeo no portal Oceano pede ajuda. Os internautas podem também usar os próprios perfis para criar novos posts e tuites sobre a temáticas. Para os organizadores o projeto já é de extrema importância para a conservação dos recursos pesqueiros no Brasil e pretendem manter a campanha até que as informações sejam coletadas e divulgadas adequadamente, independentemente dos esforços e tempo de duração. 

Fonte: Katherine Rivas - Envolverde

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Desmistificando o Cadastro Ambiental Rural


O Cadastro Ambiental Rural está gerando dúvidas agora que os mapas mostrando as propriedades cadastradas estão abertos na internet. Uma delas é sobre a própria legalidade de deixar esses mapas acessíveis a todos.
A transparência é prevista por lei – mais especificamente, pelo Código Florestal. Quando os ruralistas no Congresso alteraram essa lei, em 2012, as multas por desmatamento ilegal praticado antes de 2008 puderam ser anistiadas. A mudança reduziu em 50% a vegetação nativa por restaurar. Na época, o CAR foi criado justamente para monitorar o cumprimento da lei, para que os próprios produtores pudessem se beneficiar da anistia. O texto do código deixa claro que se trata de um registro público.
“O novo Código Florestal trouxe alguns incentivos, que ainda precisam ser regulamentados. para beneficiar os produtores que buscam a regularização. Mas só será possível acessar tais benefícios com um cadastro efetivo e transparente”, diz Adriana Ramos, coordenadora do Programa de Política e Direito socioambiental do Instituto Socioambiental.
Outra dúvida é se essa transparência viola a privacidade dos produtores. Isso não acontece porque informações pessoais continuam inacessíveis ao público em quase todos os Estados. Mesmo dados como CPF e número de matrícula da propriedade podem e devem ser abertos a todos, como ocorre no Estado do Pará. Não se trata de um monitoramento em tempo real das atividades em curso dentro das propriedades, nem de imagens do interior das instalações de uma propriedade. Por serem imagens de satélite, são muito semelhantes ao que já está disponível, por exemplo, pelo Google Earth.
O conjunto de dados do CAR é estratégico por constituir uma base de dados para o controle, monitoramento e combate ao desmatamento. Mas não revelam qualquer informação estratégica para a concorrência, como também se afirmou nos últimos dias. Pelo contrário: o CAR facilita a vida de quem já opera em cadeias rastreadas, como é o caso dos milhares de produtores rurais que já são monitorados pelas grandes indústrias alimentícias e empresas de commodities, preocupadas em garantir a origem do produto que compram.
Apenas aqueles que desmatam não querem que o cadastro seja acessível ao mercado. Mas, para quem cumpre a lei, o cadastro traz justiça: ele separa o joio do trigo. 

Fonte: Envolverde

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

COP13 encerra com perspectiva positiva sobre proteção de biodiversidade


A Cúpula das Nações Unidas sobre Biodiversidade terminou neste sábado (17 Dezembro 2016) no balneário mexicano de Cancún, após 14 dias de trabalho, com uma “perspectiva positiva” sobre os avanços para se atingir um maior número de metas de Aichi.
Assim afirmou à Agência Efe o secretário-executivo do Convênio sobre a Diversidade Biológica (CBD), Braulio Ferreira de Souza Dias, que disse que nos últimos dias se viram esforços consideráveis para progredir, visto que há uma maior consciência sobre o problema.
Desde o dia 4 de dezembro 2016 até este sábado 17 dezembro 2016, Cancún acolheu a Conferência das Partes do Convênio sobre Diversidade Biológica (COP13) e seus dois protocolos, o de Cartagena sobre segurança da biotecnologia (COP-MOP8) e o de Nagoia sobre acesso aos recursos genéticos (COP-MOP2).
Mais de 6.500 delegados de 196 países participaram do diálogo, que incluiu analistas, autoridades e sociedade civil. Pela primeira vez, além do setor ambiental se contemplaram os agrícola, florestal, pesqueiro e turístico.
“Se conseguirmos que os setores econômicos, que são os grandes usuários da biodiversidade, mudem suas práticas para outras mais sustentáveis, haverá uma menor pressão sobre os recursos naturais e portanto mais rapidamente poderemos equilibrar a perda e a compensação”, afirmou o secretário-executivo.
“Não há uma solução milagrosa, é preciso avançar em todas as frentes, sou otimista”, avaliou Braulio.
O que está sobre a mesa de discussão, explicou, terá uma repercussão direta na sociedade, e implica mudar o comportamento do consumidor e os sistemas de produção, assim como reduzir os impactos negativos sobre a biodiversidade.
Também reforçar todo o sistema de estímulos econômicos e subsídios, e reformar o marco legal em muitos países, por mencionar algumas ações.
“Não são coisas pequenas, não se podem conseguir da noite para o dia, é um processo de longo prazo e é preciso ser persistente”, avaliou.
Para o secretário-executivo, entre as metas de biodiversidade estabelecidas em 2010 em Aichi (Japão), uma que reporta avanços rápidos é a 11, sobre a criação de Áreas Naturais Protegidas terrestres e marinhas; a qual, estimou: “Vamos conseguir no final da década”.
Por outro lado, a meta 16, sobre a divisão equitativa dos lucros e vinculado com o Protocolo de Nagoia, também avança: “Agora já temos mais de 90 membros e também há mais de 40 países que avançaram em consultas nacionais, e esperamos que no próximo ano muitos mais países queiram participar do protocolo”.
“Os países estão levando em conta o capital natural, há algumas semanas se aprovou a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável com 17 objetivos; há mais atenção nos componentes”, afirmou Braúlio.
Em contraste, ele considerou que a meta 20, relacionada com a mobilização de recursos financeiros, é uma meta “difícil de atingir”, especialmente depois da crise econômica de 2008.
No entanto, lembrou que hoje em dia “as transferências internacionais dos países desenvolvidos para apoiar os países em desenvolvimento estão aumentando”.
Entre as outras metas catalogadas como “difíceis” Bráulio incluiu a 10, sobre ecossistemas muito vulneráveis; a 12, sobre a extinção dos espécies; e a 13, que aborda a perda de variedade genética em plantas e animais.
Os territórios indígenas e comunidades locais constituem grandes áreas de oportunidade, já que nele se encontra a maior biodiversidade do planeta.
“A área física ocupada por esses territórios é maior que a região de áreas protegidas no mundo”, por isso – afirmou Bráulio – foram importantes as mudanças que países como Filipinas, Irã, Madagascar e França fizeram para modernizar seu marco legal com o objetivo de reconhecer estas superfícies naturais.
Durante a COP13 se visibilizou a necessidade de que, para chegar a cumprir as metas de Aichi, se inclua nas decisões os indígenas e as comunidades locais, e não só os governos.
No marco do evento se apresentou o estudo “Perspectivas sobre a biodiversidade local”, que conclui que os povos indígenas têm conhecimento “de primeira mão” sobre o estado da biodiversidade no terreno, por isso que suas contribuições são “vitais”.
Além disso, de maneira prévia à cúpula, ministros de 190 países realizaram durante dois dias uma sessão de alto nível que concluiu com a adoção da Declaração de Cancún.
Com ela, os ministros se comprometeram a fazer “esforços adicionais” encaminhados a que se cumpram as metas de biodiversidade e acertaram medidas para acelerar seu cumprimento, entre elas mobilizar recursos financeiros. 

Fonte: G1

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Meio ambiente e educação ambiental nas escolas públicas


O modo como o homem vem utilizando os recursos naturais de forma inadequada tem levado a muitas consequências, sobretudo para o meio ambiente que cada vez mais vem sendo degradado, onde o ser humano tem visado apenas o lucro em detrimento da degradação ambiental. Diante dessa situação, se faz necessária uma educação ambiental que conscientize as pessoas em relação ao mundo em que vivem para que possam ter acesso a uma melhor qualidade de vida, mas sem desrespeitar o meio ambiente, tentando estabelecer o equilíbrio entre o homem e o meio. A educação ambiental deve ser um exercício para a cidadania.
A expressão “Educação Ambiental” (E.A.) surgiu apenas nos anos 70, sobretudo quando surge a preocupação com a problemática ambiental. A partir de então surge vários acontecimentos que solidificaram tais questões, como a Conferência de Estocolmo em 1972, a Conferência Rio-92 em 1992, realizada no Rio de Janeiro, que estabeleceu uma importante medida, Agenda 21, que foi um plano de ação para o século XXI visando a sustentabilidade da vida na terra, dentre outros.
A sobrevivência humana sempre esteve ligada ao meio natural. Mas com o padrão desenvolvimentista de acumulação e concentração de capital, verifica-se uma apropriação da natureza de forma inadequada, onde se retira dela muito além do necessário ao sustento humano em nome do capitalismo que só visa o lucro, provocando desequilíbrio na relação do homem com o meio natural, onde o processo de degradação tem aumentado cada vez mais, comprometendo a qualidade de vida da sociedade. Desta maneira se faz necessário medidas urgentes em todo mundo quanto a uma conscientização das pessoas que a levem a gerar novos conceitos sobre a importância da preservação do meio ambiente no dia-dia, e a educação ambiental é uma ferramenta que contribuirá significativamente neste processo de conscientização.
Educação ambiental na educação básica
As questões ambientais vêm adquirindo uma grande importância na nossa sociedade. Estudos acerca dos problemas ambientais surgem a partir de novos paradigmas que visam uma direção mais sistêmica e complexa da sociedade. Nesse contexto a escola emergiu suas discussões sobre a educação ambiental, com um processo de reconhecimento de valores, em que as novas práticas pedagógicas devem ser responsáveis na formação dos sujeitos de ação e de cidadãos conscientes de seu papel no mundo. Portanto a EA deve estar presente em todos os segmentos e níveis da educação formal de maneira que seja desenvolvida com uma prática educativa integrada, contínua e permanente.
Como perspectiva educativa, a educação ambiental deve estar presente, permeando todas as relações e atividades escolares, desenvolvendo-se de maneira interdisciplinar, para refletir questões atuais e pensar qual mundo queremos, e, então, por em prática um pensamento ecologista mundial. A Educação Ambiental não deve se destinar como uma nova disciplina do currículo escolar, precisa ser uma aliada do currículo, na busca de um conhecimento integrado que supere a fragmentação tendo em vista o conhecimento.
Na educação infantil, a apresentação de temas ambientais na educação deve dar ênfase em uma perspectiva geral, sendo bastante importante que atividades sejam desenvolvidas com os educandos, de forma a estimulá-los, tendo em vista que nesta fase as crianças são bastante curiosas e é comum uma maior integração e participação das mesmas, onde a aprendizagem neste sentido deve ser contínua. A partir disso, é importante que sejam apresentados temas pertinentes que levam a uma conscientização, de maneira que esta criança dissemine tal conhecimento, pois é comum uma criança ao adquirir um novo conhecimento repassar principalmente para seus familiares. Sendo assim, é importante que sejam apresentadas praticas ecologicamente corretas para incutir uma conscientização a cerca do meio ambiente desde cedo, e a escola tem a responsabilidade de dar suporte para o desenvolvimento de uma educação Ambiental de qualidade, estabelecendo o meio ambiente como patrimônio de todos, desenvolvendo atividades artísticas, experiências práticas, atividades fora de sala de aula, projetos, etc., conduzindo os alunos a serem agentes ativos e não passivos e meros espectadores.
Desafios
Considerando a importância da temática ambiental é necessário que se desenvolvam conteúdos, ou seja, meios que possam contribuir com a conscientização de que os problemas ambientais dizem ser solucionados mediante uma postura participativa de professores, alunos e sociedade, uma vez que a escola deve proporcionar possibilidades de sensibilização e motivação para um envolvimento ativo dos mesmos. Outro desafio é que se faz necessário que sejam proporcionadas aos educadores condições para que possam trabalhar temas e atividades de educação ambiental que possam conduzir a práticas pedagógicas, materiais didáticos, guias curriculares e projetos que incentivem o debate, a reflexão sobre as questões ambientais e a construção de uma consciência crítica.
É importante a articulação de ações educativas voltadas para a preservação do meio ambiente e a escola é o espaço mais indicado e privilegiado para implementação dessas atividades, uma vez que, ela através da Educação Ambiental deve levar o aluno a buscar valores que conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente,  conscientizando-os de forma a tentar gerar novos conceitos e valores sobre a natureza, alertando sobre o que se pode e deve ser feito para contribuir na preservação do meio,  tentando assim, estabelecer um equilíbrio entre homem e natureza na busca por um mundo melhor, e desta forma possa disseminar tal conhecimento para a sociedade.
Infelizmente, nem sempre a Educação Ambiental é desenvolvida como deveria, onde não há efetivamente o desenvolvimento de uma prática educativa que integre disciplinas. O modo como a Educação Ambiental é praticada nas escolas e nas salas de aulas, é através de projeto especial, extracurricular, sem continuidade, descontextualizado, fragmentado e desarticulado. Professores não recebem estímulos, e a comunidade escolar não dá o suporte que deveria de modo a deixar uma grande lacuna de conhecimento para os alunos tornando-se apenas ouvintes e não praticantes, quando deveriam ser estimulados através de atividades e projetos a exercer essa consciência a partir de sua realidade e comunidade. Outro fato é que nas escolas publicas a situação é ainda mais agravante, pois como sabemos a educação esta sucateada e não oferece condições adequadas para o desenvolvimento de uma educação eficaz e de boa qualidade. 

Fonte: Ambito Juridico

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Manguezais sofrem com a expansão imobiliária e o agronegócio


A área costeira brasileira é um lugar dinâmico e belo. Espaço intranquilo, onde as ondas se chocam contra a terra, recuando e voltando a atacar. Na maré baixa, surgem amplas planícies margeadas por pequenas árvores de ramos retorcidos, folhas lustrosas e raízes que se assemelham a longos dedos agarrando a lama. Essa vegetação é nomeada de mangue e o ecossistema classificado como manguezal. Mesmo sem possuir uma grande variedade de espécies vegetais, a forma como suas árvores se adaptaram às constantes investidas do mar e ao solo instável transformou-as em exemplos extraordinários dentro da botânica.
Na maré cheia, a floresta de mangue tem suas raízes cobertas por água repleta de larvas e pequenos seres juvenis que encontram condições adequadas para se desenvolverem nos seus primeiros dias de vida, o que justifica o apelido de berçário marinho atribuído pelos pesquisadores de ambientes costeiros e pelas comunidades tradicionais de pescadores. As raízes são cobertas de algas e ostras, com caramujos e insetos equilibrando-se à procura de alimento. No solo lamoso, caranguejos de diversos formatos e tamanhos aventuram-se fora de suas tocas e se assustam com as investidas das garças, que madrugam revirando pequenas poças com seus bicos finos.
O pescador solitário segura a rede, esperando por um cardume descuidado. Logo, outros moradores locais assumirão seus postos em busca sustento e de um complemento da renda familiar. O manguezal é a vida das comunidades tradicionais, que aprendem a usar as variações da maré como a unidade de tempo que regula as atividades diárias.
Apesar de sua importância biológica e social, esse ecossistema tem sofrido constantes e crescentes investidas da expansão imobiliária e da agroindústria. Durante estudo iniciado em 2010 pela US Geological Survey, pesquisadores criaram mapas com fotos de satélites para localizar densidades relativas de manguezais em todo o globo. Descobriram que as estimativas anteriores, realizadas pela FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, subestimaram a degradação ao longo de décadas. A extensão atual dos manguezais no mundo é de provavelmente metade daquela que uma vez já existiu. Além disso, apenas 6,9% dos manguezais mundiais são protegidos por lei.
No Brasil, eles são preservados por diversos instrumentos legais, sendo caracterizados como Área de Preservação Permanente (APP). Porém, em 1995, o Estado de Pernambuco aprovou lei que dispõe sobre a Política Florestal Estadual, a qual permitia o corte de árvores em APP para execução de obras de utilidade pública ou interesse social e desde que não existisse nenhuma outra área alternativa para realização do projeto.
Com o intuito de realizar levantamento inédito das autorizações concedidas por essa lei estadual, a bióloga Patrícia Ferreira Tavares e o professor da Universidade Federal de Pernambuco, Clemente Coelho Júnior, conduziram estudo a partir de dados do próprio site da Assembleia Legislativa do Estado. Foram identificadas 12 autorizações, a partir de 1997, totalizando quase sete milhões de metros quadrados de manguezais desmatados. Grande parte, durante a gestão do ex-governador Eduardo Campos, morto em 2014 num acidente de helicóptero, quando em campanha presidencial.
Metade dessas autorizações contemplava as obras de construção e ampliação do Complexo Industrial Porto de Suape, totalizando 97% da área desmatada (6,5 milhões de m2) e foram respaldadas por Decretos Estaduais que validaram sua utilidade pública. Nesse contexto, o estudo do Professor Clemente questiona, por exemplo, a relevância de se eliminar uma área com mais de 470 mil m2, para a implantação de um moinho de trigo.
“Desmatamento para construções de moinhos de trigo aponta para a pouca eloquência destas autorizações em prol de ações que não contemplam a preservação de um ecossistema ameaçado. Ele poderia ter sido construído em outras áreas fora da APP. Essa política de adotar medidas baseadas na geração de empregos e renda com danos ao meio ambiente – sem considerar os prejuízos causados pelo desmatamento de manguezais e usando dispositivos legais duvidosos – é, no mínimo, contraditória”.
Licenciamento ambiental e compensação
Para a execução de empreendimentos e atividades considerados potencialmente causadores de significativa degradação ambiental, é necessária a elaboração prévia do Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (EIA/RIMA). Ainda é prevista compensação ambiental que consiste na preservação ou na recuperação de ecossistema semelhante, em uma área mínima correspondente àquela degradada.
Os autores do trabalho alertam para a possível confusão em se usar a compensação ambiental como uma espécie de “venda do direito de desmatar”. No caso em questão, o Estado de Pernambuco propôs preservar o ecossistema manguezal criando duas Unidades de Conservação em áreas de manguezal que já são Áreas de Proteção Permanente (APP), ou seja, áreas protegidas por lei.
Com o Novo Código Florestal, aprovado em 2012, outros Estados do País também podem autorizar o desmatamento de APP para a realização de obras, as quais podem ser justificadas mediante a classificação pelo próprio governo como sendo de utilidade pública ou interesse social. Para o Professor Clemente, o que torna a situação ainda mais preocupante é o fato de a nova legislação não considerar a faixa de transição entre o mangue e as outras vegetações continentais – conhecida como Apicum – como parte integrante do ecossistema manguezal, uma vez que ela possui elementos de fauna e flora que interagem com o mangue. Para ele, a nova lei facilita interpretações deturpadas na caracterização dos limites das áreas consideradas como de preservação.
A pesquisa ainda aponta a grande relevância dos manguezais como um dos sistemas mais produtivos do mundo, fonte de matéria orgânica, constituindo a base da cadeia alimentar de espécies marinhas de importância econômica e ecológica.
“Não é de interesse social a qualidade ambiental e a segurança alimentar dessas comunidades litorâneas tradicionais? Todos esses fatores são considerados quando se autoriza o desmatamento de um ecossistema tão produtivo? Acredito que aterrar mangue, modificar cursos de rios, escavar a terra, sejam engenharias ultrapassadas do séc. XIX”, argumenta o professor. 

Fonte: Gualter Pedrini - Conexão Planeta

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Antropoceno: Uma nova era


Segundo o Quinto Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de Março de 2014, durante o Século 21 os impactos das mudanças climáticas deverão reduzir o crescimento econômico, tornar mais difícil a redução da pobreza, agravar a insegurança alimentar e criar novas “armadilhas” de pobreza, principalmente em áreas urbanas e regiões castigadas pela fome. Um aumento maior na temperatura do Planeta acarretará danos consideráveis à economia mundial. As populações mais pobres serão as mais afetadas, pois a intensificação dos eventos climáticos extremos, dos processos de desertificação e de perdas de áreas agricultáveis levará à escassez de alimentos e de oferta de água potável, à disseminação de doenças e a prejuízos na infraestrutura econômica e social.
A concentração de gases que produzem o Efeito Estufa na atmosfera atingiu seus níveis mais elevados desde 800 mil anos, o que dá uma ideia do impacto atual na biosfera. Segundo os cientistas do IPCC, as mudanças climáticas trariam impactos graves, extensos e irreversíveis, se não forem “controladas”, o que supõe medidas impositivas e obrigatórias como as que foram adotadas no Acordo sobre o clima, discutido em Paris em Dezembro de 2015 e ratificado em Abril último com a sua entrada em, vigor no dia 4 deste mês (Novembro 2016).
Há um certo consenso de que o aumento da temperatura global não deve ultrapassar 2ºC, sob pena de consequências imprevisíveis no que se refere a eventos climáticos extremos, como secas, inundações, desertificação, calor intenso, redução da produção agrícola, aumento no preço dos alimentos etc. Desde a Conferência RIO-92, porém, a ação dos “céticos do clima”, muitos deles ligados ao poderoso lobby da indústria do petróleo, conseguiu barrar os avanços que seriam necessários para evitar a situação alarmante em que nos encontramos hoje. O atraso foi tamanho que há, entre os cientistas, os que temem uma elevação de temperatura de até 4°C!
Segundo o cientista brasileiro Carlos Nobre, a cada hora, 9 mil pessoas se somam à população mundial, 1.700 toneladas de nitrogênio são lançadas na atmosfera e 4 milhões de toneladas de CO2 são emitidas – sendo que 50% delas são absorvidas pela vegetação e também pelos oceanos, que estão cada vez mais ácidos, prejudicando a vida marinha. Neste mesmo intervalo de tempo, 1.500 hectares de florestas são derrubados no mundo – comprometendo a absorção de carbono, que começa a se concentrar ainda mais nos oceanos e na atmosfera, aumentando o Efeito Estufa – e três espécies entram em extinção – velocidade 1.000 vezes maior do que o processo natural.
As mudanças climáticas e a perda da biodiversidade já desencadearam um processo de destruição de recursos naturais que ameaça as condições de vida humana no Planeta. Segundo Paul Crutzen – Prêmio Nobel de Química 1995 – já entramos em uma nova era geológica, o Antropoceno, em que o homem começa a destruir suas condições de existência no Planeta.
Em 2002, o historiador John McNeill alertou em seu livro “Algo de Novo Sob o Sol” (Something New Under the Sun) que a humanidade vem se aproximando perigosamente das “fronteiras planetárias”, ou seja, os limites físicos além dos quais pode haver colapso total da capacidade de o Planeta suportar as atividades humanas. Os eventos climáticos extremos não cessam de confirmar sua advertência: secas, inundações, desertificação, falta d’água, temperaturas excessivas, desastres naturais, refugiados ambientais.
Em Setembro de 2009, um artigo da revista Nature (A safe operating space for humanity – Rockström et alii) afirma que pode estar sob grave ameaça a longa era de estabilidade – conhecida como Holoceno – em que a Terra foi capaz de absorver, de maneira mais ou menos suave, perturbações internas e externas. Um novo período, o Antropoceno, vem emergindo desde a Revolução Industrial e seu traço característico é a centralidade das ações humanas sobre as mudanças ambientais globais.
No 38º Encontro Anual da ANPOCS, em outubro de 2014, Caxambu – MG, um documento do Grupo de Trabalho sobre Política Internacional afirmava que “o advento do Antropoceno traz consigo o fim da estabilidade geobiofísica do Planeta, quebrando a matriz de estabilidade e linearidade que é o pressuposto para previsões do futuro com base em acontecimentos do passado. A não linearidade é a nova realidade, porque é característica de sistemas complexos tais como os sistemas geobiofísicos”. (O sistema internacional no Antropoceno: o imperativo da governança global e de um novo paradigma geopolítico de Larissa Basso e Eduardo Viola). Os autores advertem que, como as fronteiras planetárias estão sendo ultrapassadas, a solução seria caminhar na direção de uma governança global que ultrapassasse os atuais limites do soberanismo para um sistema internacional baseado no pós-soberanismo.
Fases do Antropoceno
Dois anos antes, em Dezembro de 2007, na revista Ambio da Real Academia de Ciências da Suécia, Paul Crutzen detalhou os impactos que marcam a entrada no antropoceno. Com Will Steffen, especialista em problemas ambientais da Universidade Nacional de Canberra, Austrália, e John McNeill, professor de história na School of Foreign Service em Washington, ele publicou um artigo intitulado “O antropoceno: os humanos estão prestes a fazer submergir as grandes forças da natureza?” Após ter modificado, nestes últimos 50 anos, seu ambiente como nunca o fizera antes, perturbando o sistema climático e deteriorando o equilíbrio da biosfera, a espécie humana, transformada numa “força geofísica planetária”, deve agora agir muito rapidamente para limitar os desgastes.
De acordo com ele, essa era se iniciou por volta de 1800, com a chegada da sociedade industrial, caracterizada pela utilização maciça de hidrocarbonetos. Desde então, não cessa de crescer a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, causada pela combustão desses produtos. A acumulação dos gases do efeito-estufa contribui para o aquecimento global. A primeira fase do Antropoceno vai de 1800 a 1945 ou 1950 e corresponde, portanto, à formação da era industrial.
A segunda fase vai de 1950 a 2000 ou 2015 e vem sendo chamada de “A Grande Aceleração”. Entre 1950 e 2000, a população humana dobrou de 3 para 6 bilhões de pessoas e o número de automóveis passou de 40 para 800 milhões! O consumo dos mais ricos se destacou do restante da Humanidade, alimentado pela disponibilidade geográfica de petróleo abundante e barato no contexto do pós-Segunda Guerra e pela difusão de tecnologias inovadoras que catalisaram um vasto processo de consumo de massa (como os automóveis modernos, as TVs etc.).
Na atual fase 2 da Era Antropocênica (1945-2015), registrou-se uma aceleração considerável das atividades humanas exageradas sobre a natureza. “A grande aceleração se encontra em estado crítico”, afirmaram Crutzen, Steffen e McNeill no artigo citado, porque 60% dos serviços fornecidos pelos ecossistemas terrestres já enfrentam degradação.
Vemos hoje uma combinação explosiva entre os dilemas da crise ecológica global e os dilemas da desigualdade global. Um grupo de 2 bilhões de pessoas dispõe de padrão de consumo elevado e se apropria dos consequentes benefícios materiais, enquanto 4 bilhões vivem na pobreza e 1 bilhão na miséria absoluta.
Numa terceira fase, a partir de 2000 ou, segundo alguns, de 2015, a humanidade toma consciência do Antropoceno. Na realidade, a partir dos anos 1980, os seres humanos começam a tomar progressivamente consciência dos perigos que sua atividade produtiva cada vez mais intensa gerava para o “sistema Terra”. Trata-se de perigos para a própria humanidade que não poderia sobreviver com a destruição dos recursos naturais.
Opções
A humanidade teria três escolhas para a terceira fase da Era Antropocênica. A primeira consiste em manter as mesmas atitudes e esperar que a economia de mercado e o espírito humano de adaptação cuidem dos problemas ambientais. Segundo os autores citados acima, esta opção oferece “riscos consideráveis”: quando forem decididas medidas adequadas de combate aos problemas pode ser “tarde demais”.
A segunda opção, a de atenuação, tem por objetivo reduzir consideravelmente a influência humana sobre o Planeta, por meio de uma melhor gestão ambiental, com novas tecnologias, uso mais sábio de recursos e restauração de áreas degradadas, mas isso requer “importantes mudanças no comportamento dos indivíduos e nos valores sociais”.
Caso isso não se prove possível, existe uma polêmica terceira opção: o uso de geoengenharia para alterar o clima e combater o aquecimento global. A opção envolveria manipulações bastante poderosas do meio ambiente em escala mundial, com o objetivo de contrabalançar as atividades humanas. Por exemplo, já existem planos para reter o gás carbônico em reservatórios subterrâneos, ou espalhar na atmosfera partículas que reflitam a luz solar, refrigerando a temperaturas. Mas isso envolve elevados riscos, pois “o remédio pode ser pior que a doença”.
Outros caminhos podem surgir. Do lado otimista, há quem afirme que, em 15 anos, não haverá mais produção de carros movidos a combustível. Todos os novos carros seriam elétricos. O custo para recarregar baterias seria 80% mais barato do que os atuais combustíveis fósseis. O preço barato do petróleo, a continuar, inviabilizaria investimentos na produção via pré-sal ou gás de xisto. A Europa, os EUA e a China já fazem grandes investimentos na pesquisa e produção de energia alternativa, principalmente solar. Por outro lado, o preço do petróleo baixo “pode ter o efeito de tornar mais lento o crescimento de renováveis nos próximos anos” (“A Proposta do Brasil para a COP-21 Vai Ser Ruim”, artigo de Eduardo Viola na revista ECO 21, Agosto 2015).
Enquanto isso, na época, no Brasil, o Ministro de Minas e Energia anunciou a criação de novas usinas térmicas a carvão e gás, altamente poluentes. O Ministério da Agricultura queria avançar sobre Terras Indígenas e Parques Nacionais para uso do agronegócio, atropelando a biodiversidade. O então Ministro de Assuntos Estratégicos demitiu dois economistas especializados em sustentabilidade que não é considerado assunto estratégico. E o Ministério do Meio Ambiente silenciava como de costume.
 Os acordos vazios e sem compromissos assinados pelos presidentes do Brasil e dos EUA não enganaram ninguém. O Brasil ainda está entre os dez maiores emissores mundiais de Gases de Efeito Estufa. Encontra-se, portanto, no grupo de países que deve assumir compromissos substanciais de reduções de suas emissões. Mas ainda prevalecia no Governo a rejeição a energias alternativas por “falta de escala”.
Não há visão de futuro. A sustentabilidade desapareceu até mesmo dos discursos oficiais. A COP-21 poderia ter sido uma grande oportunidade para o Brasil ressurgir das cinzas e propor medidas eficazes de combate às mudanças climáticas que ameaçam a humanidade pelo abuso e destruição irresponsável dos recursos naturais. Mas isso exige liderança e consciência da importância da sustentabilidade. 

Fonte: Liszt Vieira - Doutor em Sociologia/Professor da PUC-Rio

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Emissões de metano crescem e ameaçam luta contra aquecimento global


O aumento nos últimos 10 anos das emissões de metano, potente gás do efeito estufa, ameaça tornar a luta contra o aquecimento global ainda mais difícil, disseram pesquisadores nesta segunda-feira (12 dezembro 2016).
“Deve-se tentar quantificar e reduzir as emissões de metano urgentemente”, afirmaram em um editorial esses pesquisadores, que coordenaram um balanço mundial realizado por 81 cientistas de 15 países.
Depois de uma leve diminuição entre 2000 e 2006, a concentração de metano na atmosfera aumentou 10 vezes mais rapidamente na década seguinte, afirma o estudo, publicado na revista científica Earth System Science Data.
“Manter o aquecimento abaixo dos 2°C já é um desafio considerável”, afirmaram, em referência ao objetivo da comunidade internacional estabelecido no final de 2015 no Acordo de Paris.
“Tal objetivo se tornará cada vez mais difícil se as emissões de metano não forem reduzidas forte e rapidamente”, alertaram.
Os pesquisadores trabalham com várias hipóteses para explicar este aumento, como a exploração dos combustíveis fósseis ou, mais provavelmente, as atividades agrícolas.
As concentrações aumentaram cada vez mais rápido desde 2007, com uma forte aceleração em 2014 e 2015.
A tal ponto que nenhum dos cenários intermediários do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a autoridade científica de referência sobre o clima, mostrou esta evolução.
“A velocidade de aumento se aproxima de maneira preocupante ao cenário mais pessimista”, ressalta Marielle Saunois, da Universidade de Versailles Saint Quentin, em uma coletiva de imprensa em Paris.
O metano, o segundo principal gás de efeito estufa relacionado com as atividades humanas, depois do dióxido de carbono (CO2), contribui com 20% do aquecimento atual.
Até agora, os esforços contra as mudanças climáticas se concentraram no CO2, emitido em grande parte a partir de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás), e que representa 70% dos gases de efeito estufa.
No entanto, o metano é 28 vezes mais poderoso do que o CO2, embora permaneça menos tempo no ar, cerca de 10 anos.
Grande potencial de ação – O metano é mais difícil de se controlar do que o CO2, porque está mais difuso e provém em grande parte de fontes naturais, como zonas úmidas e formações geológicas.
No entanto, de acordo com o estudo, 60% das emissões de metano estão vinculadas às atividades humanas, sendo que 36% delas procedem da agricultura, da pecuária e do tratamento de resíduos.
Os pesquisadores priorizam essa hipótese para explicar o aumento das emissões. Segundo a FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o número de cabeças de gado passou de 1,3 bilhão em 1994 para a 1,5 bilhão 20 anos depois.
Mas eles também não excluem o papel dos combustíveis fósseis neste aumento.
No total, 21% das emissões de metano se devem à exploração de carvão, petróleo e gás, dado que, desde sua extração até suas redes de distribuição, os vazamentos de metano são muito frequentes.
“A partir dos anos 2000, há uma grande exploração de carvão na China, e a exploração de gás nos Estados Unidos também está em aumento”, afirma Saunois.
Por outro lado, o permafrost, o solo congelado das altas latitudes, também pode liberar metano quando se funde.
Apesar deste ser um dos grandes temores dos climatologistas, nesta fase ainda “não vemos um aumento anormal das concentrações”, diz o pesquisador e coautor Philippe Bousquet, acrescentando que estas “emissões podem aumentar com o tempo, mas isso ocorrerá ao longo de décadas”.
Em relação ao forte aumento das emissões nestes dois últimos anos, os cientistas não encontram explicações.
“Pode ser de origem natural”, diz Bousquet. “Mas se se prolonga por mais do que três ou quatro anos, seria necessariamente humano”, acrescenta.
Embora não se saiba a origem exata, pode-se adotar medidas para reduzir ou capturar metano: metanizadores nas fazendas, modificação dos protocolos de irrigação dos arrozais, evitar os vazamentos, etc.
“Podemos reduzir estas emissões mais facilmente, de maneira menos coercitiva, do que as de CO2, apoiando ao mesmo tempo a inovação e o emprego. Portanto, não devemos renunciar a isto”, insiste Philippe Bousquet. 

Fonte: G1

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Avanço rumo às diretrizes agroambientais


Dezembro 2016: A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apresentou as diretrizes voluntárias para políticas agroambientais, para ministros e representantes de países da América Latina e do Caribe, durante evento paralelo à reunião da 13º Conferência das Partes (COP 13) do Convênio sobre a Diversidade Biológica, em Cancun, no México. As diretrizes visam a combater os impactos da deterioração ambiental e promover uma agricultura sustentável diante das mudanças climáticas na região, um fator fundamental para erradicar a fome e a pobreza rurais.
As diretrizes servem como guia para que os países criem políticas que promovam padrões de produção e de consumo sustentáveis, que possibilitem transformar seus modelos de produção agrícola para garantir a sustentabilidade de seu desenvolvimento e cumprir o Acordo de Paris. Segundo a FAO, a transição para um futuro sustentável requer atuar nas complexas interações entre a economia, a sociedade, a agricultura e os ecossistemas naturais.
Os países da América Latina e do Caribe compartilham desafios ambientais comuns, que incluem a adaptação da agricultura às mudanças climáticas, a conservação da biodiversidade, a adequada gestão da água e dos solos e a mitigação das emissões de gases de efeito estufa. As diretrizes foram apresentadas em um evento paralelo à COP 13, promovido pelas mexicanas Comissão Nacional para o Conhecimento e o Uso da Biodiversidade (Conabio), Secretaria da Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Rural, Pesca e Alimentação (Sagarpa), Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat) e a ong Razonatura.
Proteger os recursos que sustentam a segurança alimentar
Na América Latina e no Caribe, 37% da superfície é utilizada para atividades agropecuárias, o que representa grandes desafios para a produção sustentável e o cuidado com o ambiente. Segundo a FAO, a região vive uma crescente pressão sobre os recursos naturais, os quais sustentam a produção de alimentos e a segurança alimentar.
As diretrizes apresentadas no marco da COP 13 informam que os impactos da deterioração ambiental e da mudança climática afetam sobretudo os setores sociais mais vulneráveis. Os agricultores familiares, os pescadores artesanais, os pequenos produtores florestais, os povos indígenas e as comunidades tradicionais são os que dependem de maneira mais direta dos recursos naturais para a sua subsistência e segurança alimentar.
A agricultura familiar na região representa 75% do total das unidades produtivas e em alguns países supera os 90%, englobando uma população de 60 milhões de pessoas, o que faz com que a proteção do ambiente e dos recursos naturais dos quais se depende seja crucial para o desenvolvimento atual e futuro.
O que são as diretrizes voluntárias
As diretrizes voluntárias para as políticas agroambientais têm sido preparadas por meio de um amplo processo de consultas entre autoridades e especialistas da região, com o apoio do Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO. A aplicação dessas diretrizes poderá ampliar os potenciais benefícios ambientais das atividades agropecuárias, florestais, pesqueiras e aquícolas, reduzir seus impactos sobre os ecossistemas e melhorar a disponibilidade de alimentos e a segurança alimentar e nutricional.
Os países da região, com o apoio da FAO, promoverão essas diretrizes voluntárias como um guia para melhorar as políticas partir de um enfoque agroambiental que vincula sociedade, território, ambiente e economia de maneira mais integrada e harmônica. As políticas que nascerem dessas diretrizes serão formuladas mediante a interação com os diferentes atores locais e visam a promover o desenvolvimento rural com o enfoque territorial e segundo princípios de conservação e manejo sustentável dos recursos naturais.
Recursos preciosos sob ameaça
A América Latina e o Caribe dispõe de 15% da superfície total de terras agrícolas no mundo, recebe quase 30% das chuvas e gera 33% da lixiviação mundial. Entretanto, a rápida exploração de minerais, gás, florestas e campos está produzindo mudanças dramáticas no uso da terra: atualmente, a região sofre 14% da degradação mundial dos solos, cifra que chega a 26% na Mesoamérica.
Mesmo com a diminuição do desmatamento nas últimas décadas, a região ainda tem a segunda taxa mais alta mundial, e a cada ano mais de dois milhões de hectares de florestas são perdidas. Nas últimas três décadas, a extração de água vem multiplicando-se na região com um ritmo muito superior à média mundial, a maior parte sendo utilizada na agricultura.
Em tempo: Redução de agrotóxicos vira Projeto de Lei
O dia 8 de dezembro 2016 foi marcado por uma vitória significativa da sociedade civil no Congresso Nacional. A Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA), que agora se torna um Projeto de Lei (PL).
O PNARA foi apresentado como sugestão de PL por uma rede de entidades e movimentos sociais no início de novembro ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), que se comprometeu em criar uma comissão específica para analisar a matéria.
“Vamos trabalhar para criar uma Comissão Especial, para que a gente faça esse debate num ambiente exclusivo para discutir o tema, que é urgente na vida das famílias brasileiras”, afirmou Maia na época. Com a aprovação do PNARA, o texto deixa de ser apenas uma sugestão à Câmara para se tornar de fato um PL.
“Agora vamos cobrar o compromisso feito por Rodrigo Maia para assegurar esse espaço de discussão de um tema tão importante. As organizações e movimentos sociais vão trabalhar juntas para assegurar que uma Comissão Especial seja instalada. Os brasileiros não querem mais comer agrotóxicos e o PNARA caminha exatamente nesse sentido”, defende Marina Lacôrte, da campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil.
Dentre as entidades e movimentos citados estão a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) e o Greenpeace. 

Fonte: Envolverde e FAO