quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Cortinas de Lodo


Também conhecidas como barreiras de lodo, são usadas para evitar que sedimentos de construção poluam as águas. Cortinas de lodo são barreiras de proteção utilizadas em um ambiente marinho para controlar a poluição causada por sedimentos em suspensão, como o solo lodoso ou pó de pedra.
Quando o escoamento da água ou atividade de construção cria sedimentos nos cursos de água, cortinas de limo são usadas para conter estes sedimentos em suspensão. Ao limitar o sedimento a uma área específica, o resto do canal está protegido contra os efeitos nocivos da poluição.
Em muitas áreas do mundo, o uso da cortina de limo é regulamentado pelos governos para controlar a poluição dos cursos de água.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) e a Lei da Água Limpa foram desenvolvidas para controlar a poluição dos recursos naturais, incluindo os rios e a água. A Lei da Água Limpa especificamente determina o uso de cortinas de limo como uma barreira para conter e reduzir a poluição causada pela construção e procedimentos de estabilização da linha costeira.
Cortinas de limo são também chamadas de barreiras de lodo. Estas formas de proteção estão disponíveis em modelos flutuantes e fixos.
TIPOS
Cortinas de lodo flutuante estão disponíveis em três tipos.
As do tipo I são projetadas para uso em águas calmas. Aplicações de águas calmas incluem pequenos lagos ou canais. Este tipo de cortina de lodo é bem adequado para controle de poluição de sedimentos causados, pelo escoamento da água da chuva associado com a construção ou atividade agrícola em local próximo.
As cortinas flutuantes do tipo II são concebidas para uso em águas médias. Este modelo é mais robusto do que o tipo I. Ele é usado em rios e córregos com uma corrente mais perceptível e atividade de superfície. O II é comumente usado durante a construção ou demolição de pontes para o controle de sedimentos criados durante os esforços de estabilização da linha costeira.
A cortina de lodo flutuante tipo III serve para uso em águas agitadas e cursos de água intercostal. Estas cortinas de limo são projetadas para implantação em áreas que têm altas correntes e atividade pesada de superfície. Comumente vistas em áreas onde há grandes construções perto do canal ou em casos de desastre ambiental, a III é adequada para a limpeza de derramamentos industriais e o controle do escoamento pesado. Modelos III personalizados são muito usados na limpeza e contenção de derramamentos de petróleo.
Barreiras de lodo estacadas e cercas de limo são usadas para o controle de sedimentos em áreas de água muito rasa com corrente muito limitada e nenhuma atividade de superfície. Este tipo é comumente usado em valas na estrada ou canais muito rasos para controlar o escoamento de construção de estradas ou erosão. Ele é projetado para limitar sedimentos em um só lugar, mas não é construído para suportar os mesmos níveis de corrente e atividade de superfície das cortinas de lodo flutuantes.
 
Fonte: Flávia Saad

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Dia da Sobrecarga da Terra: já usamos todos os recursos naturais do ano


Consumo de recursos é totalmente insustentável
Um relatório histórico pede ação imediata, depois de revelar níveis crescentes de consumo e o colapso da biodiversidade. A humanidade está usando atualmente 50 por cento a mais de recursos que o planeta pode fornecer, e até 2030 a capacidade combinada de dois planetas não vai dar conta de apoiar a demanda global, a menos que sejam feitas na mudança dos padrões de consumo.
Esta é a preocupante conclusão do mais recente relatório Planeta Vivo, da WWF, uma checagem sobre a saúde de 2.600 espécies em todo o mundo, que mostra um declínio de 30 por cento em biodiversidade nos últimos 40 anos. Ela ecoa as advertências feitas na última edição, de outubro de 2010.
Entramos oficialmente no “vermelho” nesta terça-feira, 19 de agosto de 2014. Em apenas oito meses, a humanidade estourou o orçamento de recursos naturais disponível para 2014, revela a organização internacional Global Footprint Network (GFN). Isso significa que, a partir de agora, tudo o que for consumido até o fim do ano não será reposto pela natureza.
Medido há 14 anos, o Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day, em inglês) alerta quando a pegada ecológica da humanidade excede a capacidade do planeta de repor recursos naturais e absorver resíduos, incluindo o dióxido de carbono (CO2).
Este ano, a efeméride chegou ainda mais cedo. Em 2000 a data caiu em 01/10, e no ano passado foi em 20/08. Segundo a GFN, precisaríamos de um planeta Terra e meio para fechar a conta com saldo positivo. Isso porque também entram no cálculo o desmatamento, a escassez de água, erosão do solo, perda de biodiversidade e o aumento das emissões de CO2 na atmosfera.
Pior: tudo indica que a nossa “dívida ecológica” vai piorar se continuarmos nesse ritmo. Projeções sobre população, uso de energia e produção de alimentos sugerem que a humanidade vai precisar de duas Terras até 2030.
“O uso dos recursos naturais acima da capacidade do planeta está se tornando um dos principais desafios do século 21. É um problema tanto ecológico quanto econômico”, acredita Mathis Wackernagel, presidente da GFN e cocriador da métrica de cálculo da pegada ecológica.
Para resolver o problema, todo mundo tem que entrar na dança!
 
Fonte: www.super.abril.com.br

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A biodiversidade corre perigo


Este é o alerta do estudo publicado recentemente por nove cientistas, na revista Science, entre eles Clinton Jenkins, da Universidade do Tennessee, que está no Brasil a convite do Instituto de Pesquisas Ecológicas. Ele revela que, hoje, a extinção de espécies no mundo, provocada pelo homem, é mil vezes maior que a taxa natural.
A taxa atual de extinção das espécies é mil vezes maior do que a taxa natural. Essa é uma das principais conclusões do artigo publicado recentemente na revista Science, fruto de pesquisa feita por nove cientistas. Um deles é Clinton Jenkins, doutorado em ecologia pela Universidade de Tennessee. Contemplado com bolsa do Capes pelo programa Ciência Sem Fronteiras, Jenkis está morando no Brasil como professor convidado do Ipê - Instituto de Pesquisas Ecológicas*, organização brasileira que atua na conservação da biodiversidade.
Do que trata esse estudo publicado na Science
É um resumo de pesquisas sobre biodiversidade dos últimos dez anos feitas por vários pesquisadores. Com ele, criamos um mapa da biodiversidade mostrando as taxas de extinção, a incidência e os riscos de vários grupos — como aves, mamíferos, anfíbios, peixes e plantas.
Também constatamos que, hoje, a taxa de extinção de espécies é mil vezes maior que a taxa natural. A natureza promove uma extinção entre 0,1 e 1 espécie por milhão de espécies por ano. Ou seja, num universo de um milhão de espécies, apenas uma espécie, no máximo, será extinta a cada ano. Mas hoje, neste mesmo universo, está ocorrendo a extinção de mil espécies por ano.
Quantas espécies existem no planeta?
A gente tem uma ideia, mas não sabe exatamente quantas são — cinco, dez, vinte milhões... Mas é verdade que temos um número mais aproximado de alguns grupos. Aves, por exemplo, são cerca de dez mil espécies. Mas os insetos podem ter milhões de espécies. Por isso, quando falamos de extinção temos que usar essas medidas relativas.
Qual é a causa desse aumento de extinção?
É a ação do homem. Quinze anos atrás foram feitas pesquisas que apontavam uma taxa de extinção cem vezes maior do que a natural. Na maioria dos casos, a queda da biodiversidade é causada pela perda de habitat, o desflorestamento, para dar lugar a cidades e a áreas cultiváveis. Também contribuem a introdução de espécies exóticas, que competem com as naturais, e a prática da caça  pelo homem.
Quais as espécies mais ameaçadas?
A dos anfíbios. Esse grupo está passando por um grande problema, uma doença. Na verdade é um fungo que está dizimando os anfíbios, conhecido como BD (Batrachochytrium dendrobatidis). Ninguém entende exatamente como esse fungo funciona e há vários cientistas pesquisando possibilidades de controlá-lo. É um fato novo que provavelmente tem conexão com a humanidade, mas ninguém sabe exatamente porque esse problema surgiu agora.
Quais são as regiões mais vulneráveis?
As regiões tropicais, em geral, são as mais vulneráveis porque possuem mais diversidade biológica. As grandes prioridades hoje são os Andes Tropicais, a ilha de Madagascar, algumas regiões do sudeste da Ásia como Indonésia, e a Mata Atlântica, no sul do Brasil.
Qual é o problema da Mata Atlântica?
É uma das regiões que mais preocupam, porque lá provavelmente já foram extintas algumas espécies. Mas muitas delas podem ser salvas se fizermos um grande esforço, preservando as nascentes da floresta, restaurando algumas áreas e, muito importante, criando conexões entre as matas remanescentes. Há muita fragmentação, muitas florestas isoladas, e isso é muito ruim porque nas florestas isoladas as espécies vão gradualmente desaparecendo. É preciso eliminar esses corredores entre as áreas de florestas.
Qual foi o método empregado para fazer a pesquisa?
Nós utilizamos ferramentas novas para abordar o problema. E hoje ainda há algumas ferramentas que permitem a colaboração pública. Ou seja, qualquer um pode monitorar a biodiversidade, tirar fotos de uma espécie e postar na internet para os pesquisadores identificarem. Dessa maneira, estamos criando um banco de dados com milhões de espécies. É quase um museu virtual. Nós usamos o site iNaturalist* para fazer nossa pesquisa, combinando dados sobre algumas espécies com distribuição restrita, ou seja, endêmicas, com dados sobre a distribuição das espécies em geral e, também, com as informações sobre áreas em que ocorrem desmatamentos. Desta forma, pudemos avaliar os riscos de cada espécie.
Quer dizer que hoje temos muito mais informações sobre biodiversidade?
Sim. E sobre extinções também. Sabemos quais espécies estão em risco e quais partes do mundo são mais importantes. O monitoramento já não é mais um trabalho exclusivo de cientistas, mas de qualquer pessoa que tenha interesse. E monitorar é muito importante.  O desmatamento da Amazônia foi reduzido em 70-80% nos últimos anos graças, em grande parte, ao monitoramento criado pelo governo.
Porque a biodiversidade é importante?
Essa é uma boa pergunta. A importância depende do interesse de cada um, as pessoas têm motivos diferentes. Certamente, a biodiversidade tem valor para a medicina e a economia. Na verdade, ainda não conhecemos o valor, a importância da biodiversidade. Mas, sem dúvida, há um aspecto ético: estamos eliminando essa riqueza do mundo para as gerações futuras. Ninguém quer que, daqui a cem anos, nos acusem de termos eliminado essa preciosidade.  

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Como alimentar o mundo e ainda produzir biocombustíveis


Turbinando as plantas
Um organismo fotossintetizante utiliza a luz solar e o dióxido de carbono para produzir açúcares que alimentam o organismo, liberando oxigênio para a atmosfera.
Mas a fotossíntese é um processo relativamente ineficaz, geralmente capturando apenas cerca de 5% da energia disponível, dependendo de como a eficiência é medida.
No entanto, algumas espécies de plantas, algas e bactérias evoluíram para se tornar mais eficientes, otimizando mecanismos que reduzem as perdas de energia ou melhorando a disponibilização do dióxido de carbono para as células durante a fotossíntese.
Existem inúmeros projetos de pesquisas tentando dar uma mãozinha à evolução, desenvolvendo técnicas para otimizar ainda mais a fotossíntese - sem contar as tentativas reproduzi-la sinteticamente por meio da fotossíntese artificial.
Três dessas equipes acabam de ganhar a confiança - e o dinheiro - da Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NSF) e do Conselho de Pesquisas em Ciências Biológicas e Biotecnológicas do Reino Unido (BBSRC) para prosseguirem em suas abordagens para aumentar a eficiência da fotossíntese.
O objetivo de longo prazo é desenvolver métodos para aumentar a produtividade de culturas importantes, plantadas para a produção de alimentos e biocombustíveis sustentáveis.
Fotossíntese plug-and-play
Alguns micróbios unicelulares captam a energia solar e a convertem em combustível para sua autorreplicação.
O conceito de fotossíntese plug-and-play (conectar e funcionar, em tradução livre) visa distribuir a captura e a conversão de energia para dois ambientes diferentes, de modo que cada ambiente possa ser otimizado para máxima eficiência em seu respectivo papel.
O objetivo da equipe da Dra. Anne Jones, da Universidade Estadual do Arizona, é captar a energia não utilizada, que é dissipada, usando para isso uma célula fotossintética, que transferirá a energia gerada para uma segunda célula para a produção de combustível.
Para fazer essa transferência de energia, a equipe pretende dar um novo uso aos nanofios bacterianos, pequenos fios condutores de eletricidade encontrados em algumas bactérias, com funções que não são ainda completamente compreendidas.
Esses fios serão manipulados por bioengenharia para formar uma ponte elétrica entre as células solares e as células produtoras de combustível - os fios vão conduzir a energia de uma para a outra.
MAGIC - Abordagem Multi-Nível para Geração de Dióxido de Carbono
O objetivo é projetar uma bomba de dióxido de carbono alimentada por luz que irá aumentar a disponibilidade de dióxido de carbono para a enzima que promove a fotossíntese e, assim, aumentar a eficiência fotossintética.
Através da engenharia genética, a equipe já reprojetou uma proteína sensível à luz, chamada halorodopsina, encontrada em um micróbio unicelular chamado Natronomonas pharaonis, que ajuda o micróbio a manter o equilíbrio químico correto bombeando cloreto.
A forma geneticamente modificada da proteína, em vez de bombear cloreto, bombeia dióxido de carbono, que está presente como bicarbonato nas células.
Para avaliar a eficácia da sua bomba alimentada por luz, a equipe implantou-a em uma vesícula artificial. Essa vesícula contém um corante cujo brilho é proporcional aos níveis de dióxido de carbono no interior da vesícula.
A equipe pretende usar o novo financiamento para incorporar a bomba em células de plantas para determinar se o aumento na disponibilidade de dióxido de carbono irá aumentar o crescimento das plantas.
O projeto MAGIC (Multi-Level Approaches for Generating Carbon Dioxide) é coordenado pelo professor John Golbeck, da Universidade do Estado da Pensilvânia.
CAPP - Combinando Algas e Fotossíntese Vegetal
A Chlamydomonas, uma alga unicelular, tem seu próprio pirenoide, uma estrutura esférica que ajuda a alga a assimilar carbono para melhorar sua eficiência fotossintética.
O objetivo da equipe é transplantar o pirenoide e seus componentes associados da alga para plantas superiores, com a esperança de melhorar a eficiência fotossintética dessas plantas e, assim, sua produtividade.
Até agora, a equipe identificou novos componentes do pirenoide e fez progressos no desenvolvimento de um sensor à base de proteínas que será usado para comparar os níveis de bicarbonato em vários compartimentos celulares nas algas.
Esse sensor será usado para ajudar a explicar o mecanismo de concentração de carbono da alga e ajudar a avaliar a eficácia do pirenoide depois de ele ter sido transplantado para as plantas. 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Crescimento da população, consumo e impacto ambiental


Os cientistas (inclusive os líderes nacionais) temem que o aumento da população esgote os recursos e provoque uma catástrofe social ou econômica se não for contido. A maior parte da população mundial deve aumentar em desenvolvimento durante o século XXI. Esses enfrentam desafios, incluindo baixos níveis de educação, padrões precários de saúde, pobre, pobreza, habitação, esgotamento de recursos naturais, guerras, dominação econômica e política por outros países. No entanto, a relação entre a população e o ambiente é complexa. Os impactos das sociedades humanas sobre possuem três elementos principais interligados: Tamanho da população, riqueza ou consumo e tecnologia. Uma versão expandida da equação separa a tecnologia em dois fatores: Recursos intensidade (quantos recursos são usados para produzir cada unidade de consumo) e de resíduos de intensidade (a quantidade de resíduos que cada unidade de consumo gera) também consideram a sensibilidade do ambiente.
Em 1950 a população do mundo era de 2,5 bilhões, passando a seis bilhões de habitantes em 2000. Os países que tem o maior crescimento populacional são os africanos, liderados pela Libéria (4,50% ao ano), Burundi (3,90%) e Saara Ocidental (3,72%). Na maior parte do mundo, todavia, o crescimento populacional está diminuindo ao longo dos últimos 20 anos. É sintomático que duas nações, as quais concentram 2,6 bilhões de habitantes (37% da população terrestre), têm atualmente índice vegetativo baixo: a Índia com 1,46%, e a China com 0,58%. O Brasil também reduziu sua taxa vegetativa drasticamente nas últimas duas décadas, atualmente em 1,24% ao ano.
A redução do crescimento da população mundial ainda não se fez notar com tanta clareza, já que grande parte das pessoas nascidas nos últimos 50 a 70 anos ainda continua viva. O que se espera é que a redução do crescimento vegetativo médio seja perceptível a partir da metade deste século quando, segundo previsões, a população humana deverá alcançar os nove bilhões e lentamente decair, segundo algumas fontes. A ONU (Organização das Nações Unidas), todavia, prevê que a população continuará a aumentar, chegando a aproximadamente 11 bilhões no final do século. O maior crescimento ocorrerá no continente africano, cuja população deverá chegar aos 4,2 bilhões de habitantes até 2100.
O problema do aumento da população não é apenas o da falta de alimentos, como se temia no passado. Estes são e poderão ser produzidos em quantidades suficientes para abastecer o mundo. A tragédia da fome é relacionada com a especulação financeira sobre safras futuras, a falta de recursos, a corrupção e os conflitos, que privam populações do acesso aos meios de produção e compra dos alimentos básicos.
O impacto do crescimento populacional é mais amplo. Refere-se aos recursos naturais necessários para alimentar, dessedentar, vestir, transportar, aquecer, refrigerar, iluminar e divertir centenas de milhões de seres humanos, que também almejam uma vida melhor. Segundo um estudo do instituto americano Wolfensohn Center for Development, em 2030 aproximadamente cinco bilhões de pessoas, cerca de 2/3 da população global, poderão pertencer à classe média mundial, dispondo de 10 a 100 dólares por pessoa por dia (dependendo do país) para gastar.
O efeito que esta demanda por produtos provocará no meio ambiente é imenso: mineração, agricultura, criação de gado, pesca, indústrias de todos os tipos, construção civil, transportes e fornecimento de energia e água. Além disso, há que se considerar a geração de resíduos de todas estas atividades e o impacto no solo, nas águas e na atmosfera, aumentando as emissões de gases de efeito estufa e acelerando as mudanças climáticas. A expansão das atividades econômicas aumentará a pressão sobre os ecossistemas remanescentes, apressando a destruição de espécies, muitas delas extintas antes de terem sido estudadas.
Cientistas recomendam que para evitar o aumento descontrolado da população, principalmente em países pobres, seja incentivada a educação das mulheres, proporcionando-lhes mais liberdade individual, acesso à informação e a métodos contraceptivos. Esta política deveria ser acompanhada de planejamento familiar esclarecido, livre da tutela do Estado, da religião, de grupos de pressão ou membros da família. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

14 de Agosto: Dia do Combate à Poluição


No dia 14 de agosto comemora-se o dia de combate à poluição. Nesse dia, busca-se orientar as pessoas sobre os diversos tipos de poluição e as principais formas de combatê-los.
A poluição é a degradação das características naturais do meio ambiente, sejam elas físicas, químicas ou biológicas. Isso acontece em razão da remoção ou adição de substâncias que prejudicam a natureza, seja no ar, no solo ou na água.
Em virtude do crescimento populacional em todo o mundo, o homem necessita construir novas cidades, moradias, comércios e com isso vai ocupando as áreas reservadas à natureza, para sua sobrevivência e para criar condições de vida.
Desmatam áreas arborizadas para construir indústrias e com isso, retiram boa parte do oxigênio que respiramos, despejando resíduos dessas indústrias sobre nossos rios e mares.
Porém, essa destruição tem causado sérios problemas, pois o bem estar do homem está relacionado com a manutenção e preservação do meio ambiente. Quanto mais se destrói o ambiente, menos condições de vida se têm. Essas condições podem não aparecer hoje, mas as gerações futuras sofrerão as consequências de todos os prejuízos causados à natureza na atualidade.
A poluição das águas, além de resíduos industriais, pode acontecer através de produtos agrícolas, como os venenos e também pela falta de rede de esgoto nas cidades, onde as fezes correm a céu aberto, chegando aos rios e mares. Nas localidades onde não há água tratada, ou redes de saneamento básico, a mesma água contaminada por fezes humanas e animais é a que vai para as casas da população, para o preparo dos alimentos, bem como para beber, tomar banho, lavar roupas, etc., causando a contaminação das pessoas.
Além dos homens, os animais aquáticos sofrem muito com a poluição dos rios, pois o oxigênio das águas é eliminado, fazendo com que não tenham como respirar.
A poluição do ar é causada, principalmente, nos grandes centros urbanos, com a grande movimentação de carros, pela queima de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural), pela grande quantidade de indústrias, pela geração de energia, etc. Além desses, os produtos sprays, como desodorantes, inseticidas, medicamentos, também liberam substâncias que destroem a camada de ozônio do planeta.
A poluição do ar tem causado o aumento das doenças respiratórias, principalmente nas crianças. Com a chegada do período do inverno, clima frio e seco, doenças como bronquites e pneumonias são mais frequentes, em razão do excesso de poluição a que estamos sujeitos. Além disso, as doenças cardiovasculares também têm aumentado muito em face do excesso de poluição.
A poluição do solo também acontece em razão dos produtos agrícolas, onde usam venenos para matar as pragas das lavouras, levando-os para as camadas superficiais da terra, contaminando também animais, vegetais e a água.
Elementos radioativos também têm sido descartados de qualquer forma, causando a poluição do solo. Pilhas, baterias de celulares, baterias de carros, dentre outros, soltam metais pesados como Níquel, Mercúrio e Cádmio, aumentando essa contaminação.
Além desses tipos de poluição, temos convivido com a poluição sonora, causadora de doenças da modernidade, como o estresse. O barulho intenso das grandes cidades não permite que as pessoas descansem o necessário, causando-lhes irritabilidade e cansaço mental. Isso, ao longo dos tempos, poderá acarretar doenças, pois o corpo fica fragilizado, diminuindo a resistência física das pessoas. 

Fonte: Jussara de Barros

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O poder da natureza e a importância de preservá-la


Engana-se quem pensa que o homem é capaz de dominar a natureza, prova disso são as inúmeras tragédias naturais que vêm aumentando com o decorrer dos anos. São terremotos, tsunamis, enchentes, furacões, tornados, vulcões e muito mais. Tudo vem a demonstrar que estamos vivendo em desequilíbrio com a natureza, e não estamos respeitando sua força avassaladora.
A natureza está por aqui bem antes do surgimento da espécie humana, portanto, se torna a dona de tudo. E, como seres humanos, encontramos em nossa tecnologia e evolução um ego que não cabe em nós, acreditando que podemos fazer e desfazer da Terra sem que soframos nenhum tipo de consequência.
As consequências têm se mostrado extremamente negativas, culminando com a morte de milhares de pessoas ao redor do mundo, acabando com perspectivas e alegrias de muitas famílias.
O poder da natureza
Na Medicina - Além da natureza ter esse poder de mover e remover terras, de proporcionar destruição e transformação de lugares e coisas, ela ainda pode transformar a vida das pessoas. A natureza tem um poder curativo muito grande a começar pelo contato com a mesma, causando um inúmero bem estar, proporcionando sensação de conforto, alegria e equilíbrio.
A natureza, através de suas plantas, raízes e flores também tem poder de curar e tratar muitas doenças, sem que haja a necessidade de usar medicamentos convencionais, feitos em laboratórios. Por exemplo, grande parte dos índios não tem acesso a medicamentos e, por isso, tratam seus doentes usando chás e unguentos com propriedades medicinais, sendo capazes de cicatrizar ferimentos, diminuir febre e cortar diarreia.
Essa medicina alternativa, feita a base de produtos naturais, já ganhou o mundo e, muitas pessoas têm deixado de lado os medicamentos industrializados para se tratar apenas com plantas e ervas. Claro que todos nós sabemos que há determinadas doenças que precisam mesmo de tratamentos convencionais, e, além disso, as ervas medicinais precisam ser usadas com todo o cuidado, pois, ainda que sejam naturais são uma forma de medicamento, portanto, merecem atenção.
Na Alimentação - Os produtos naturais são os mais adequados para que se tenha uma alimentação saudável, especialmente por serem compostos basicamente de fibras e vitaminas. Há bastante tempo que os alimentos têm sido usados como fonte de vida e saúde, já que cada um deles carrega em si uma maneira de auxiliar no melhor funcionamento do organismo.
O uso indiscriminado de alimentos industrializados tem levado a um aumento de uma sociedade obesa e doente. Esses alimentos carregam uma carga imensa de sódio e gorduras, causando doenças como diabetes, colesterol, pressão alta e muito mais, e, muitas delas podem levar a ataques cardíacos e derrames cerebrais, muito deles fatais.
A natureza e a produção de alimentos funcionais
Alimentos funcionais são aqueles naturais ou ainda aqueles que são enriquecidos a partir de aditivos alimentares, tais como minerais, vitaminas, substâncias dietéticas, Ômega 3, culturas bacterianas, antocianinas, fibras (prebióticos, probioticos, dentre outras)carboidratos que possam auxiliar na manutenção da saúde e na diminuição do contágio de doenças. Pesquisadores da área ainda estão buscando avaliar os contras e prós do uso constante de alimentos funcionais na alimentação das pessoas, buscando sempre uma melhor qualidade de vida.
Classificação - De uma maneira generalizada, podem ser classificados em 04 classes básicas: diminuidores de riscos cardiovasculares, compostos antioxidantes, reguladores da parte do organismo relacionada ao trato gastrointestinal e ainda aqueles ligados às funções psicológicas e comportamentais.
Em outros países os alimentos funcionais mais conhecidos e consumidos são os sucos enriquecidos com vitaminas, os iogurtes com probioticos e ainda o pão enriquecido a partir da inclusão dos ácidos graxos ômega 3.
Origem desses alimentos - Essa concepção de alimentos funcionais fora introduzida, num primeiro momento, no Japão, ainda nos anos 80, sendo relacionada a uma forma de cardápio mais individualizada, buscando uma melhor saúde, um estilo de vida, e levando em consideração também o sexo da pessoa e sua necessidade para encontrar alimentos que lhe fazem bem e que lhe fazem mal.
De acordo com a Anvisa o alimento funcional é caracterizado, como um ingrediente ou alimento que, além de cumprir com suas funções basicamente nutricionais, quando ingerido, fazendo parte da alimentação cotidiana, causa benéficos efeitos para a saúde.
Os mesmos tem sido constante alvo de estudos e embora não sejam capazes de promover a cura das doenças, contém substâncias naturais que são capazes de reduzir ou de prevenir o risco de determinadas enfermidades.
Antes de passar a ingerir os alimentos funcionais, é importante que se faça uma consulta a um nutricionista para que as porções e escolhas dos alimentos sejam bem feitas, cumprindo com as necessidades originais de cada pessoa.
O poder da natureza e religião
Há bastante tempo que a Natureza é vista como uma deusa, por isso é respeitada por muitos povos, que inclusive ainda acreditam que a mesma é composta por seres Elementais, que refletem todo o poder da natureza. Esses seres são invisíveis aos olhos humanos, e habitam um universo próprio, mas totalmente relacionado àquele que vivemos, porém, contam com sua filosofia, suas leis, objetivos e forma de viverem a vida especialmente particular.
Podem ser comparados a espíritos que têm uma direta ligação com os elementos naturais.
Esses seres são por isso, denominados espíritos da natureza, já que vivem em permanente contato com a flora e a fauna, as quais possuem a incumbência de defender.
O termo Elemental carrega o significado de “Espírito Divino”, são os espíritos que povoam a natureza. Eles são seres dinamizadores das energias que formam e integram aos Elementais da Natureza.
A denominação de elementais origina-se dos quatro elementos presentes na natureza, que são: Água, Terra, Fogo e Ar, e tinham verdadeiramente, duas formas: a “física”, aquela que era passível de sofrer avaliação através dos sentidos e ainda aquela “espiritual”, ligada a parte de sua essência. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ameaças à Água


Escassez & Desperdício
Escassez - O desenvolvimento desordenado das cidades, aliado à ocupação de áreas de mananciais e ao crescimento populacional, provoca o esgotamento das reservas naturais de água e obriga as populações a buscar fontes de captação cada vez mais distantes. A escassez é resultado do consumo cada vez maior, do mau uso dos recursos naturais, do desmatamento, da poluição, do desperdício, da falta de políticas públicas que estimulem o uso sustentável, a participação da sociedade e a educação ambiental.
Desperdício - Resultado da má utilização da água e da falta de educação sanitária. O desconhecimento, a falta de orientação e informação aos cidadãos são os principais fatores que levam ao desperdício, que ocorre, na maioria das vezes, nos usos domésticos, ou seja, na nossa própria casa. Existem também as perdas decorrentes da deficiência técnica e administrativa dos serviços de abastecimento de água, provocadas, por exemplo, por vazamentos e rompimentos de redes. Essas perdas também se devam à falta de investimentos em programas de reutilização da água para fins industriais e comerciais, pois a água tratada, depois de utilizada, é devolvida aos rios sem tratamento, em forma de efluentes, esgotos e, portanto, poluída.
Estima-se que o desperdício de água no Brasil chegue a 70%.
Onde gastamos nossa água
Em casa - em média, 78% do consumo de água é gasto no banheiro.
No banho: Um banho demorado chega a gastar de 95 a 180 litros de água limpa. Banhos de no máximo cinco a quinze minutos economizam água e energia elétrica. Abra o chuveiro, molhe-se, feche-o, ensaboe-se e depois abra para enxaguar, ao invés de passar o tempo todo com o chuveiro ligado.
Na escovação dos dentes: Escovar os dentes com a torneira aberta gasta até 25 litros. Escove primeiro depois abra a torneira apenas o necessário para encher um copo com a quantidade adequada para o enxágue.
Na descarga: Uma válvula de vaso sanitário no Brasil chega a consumir vinte litros de água tratada quando acionada uma única vez. Aperte apenas o tempo necessário e não jogue lixo no vaso.
Na torneira: Uma torneira aberta gasta de doze a vinte litros/minuto. Pingando, 46 litros/dia.
Na lavagem de louças: Lavar as louças, panelas e talheres com a torneira aberta o tempo todo acaba desperdiçando até 105 litros. O certo é primeiro escovar e ensaboar e depois enxaguar tudo de uma só vez.
Na lavagem de carros: Com a mangueira aberta o tempo todo consome-se, em média, seiscentos litros; com balde, aproximadamente sessenta litros.
Má utilização - Uma das atividades que mais desperdiça água é a irrigação por canais ou por aspersão, em decorrência de métodos ultrapassados e ineficientes. O não reuso da água para atividades industriais também é outro exemplo que mais se relaciona ao desperdício e à falta de políticas públicas eficientes de controle e gestão.
Desmatamento - Em áreas de mata ciliar, que protege as margens dos rios, lagos e nascentes,  provoca sérios problemas de assoreamento dos corpos d´água, carregamento de materiais e resíduos que comprometem a qualidade das águas. Nas áreas de nascentes e cabeceiras, o desmatamento acarreta o progressivo desaparecimento do manancial. Sem cobertura vegetal e proteção das raízes das árvores, as margens dos corpos d´água desbarrancam ocasionando o transbordamento, enchentes e o desvio do curso natural das águas.
Poluição - Durante séculos o homem utilizou os rios como receptores dos esgotos das cidades e dos efluentes das industrias que reúnem grande volume de produtos tóxicos e metais pesados. Essa prática resultou na morte de enormes e importantes rios - no estado de São Paulo o maior exemplo é rio Tietê que corta o estado de leste a oeste, com 1.100 quilômetros de extensão, seguido dos rios Jundiaí, Piracicaba, Pinheiros e outros bastante degradados e castigados pela poluição. Além da poluição direta, por lançamento de esgotos, falta de sistemas de tratamento de efluentes e saneamento, há a chamada poluição difusa, que ocorre com o arrasto de lixo, resíduos e diversos tipos de materiais sólidos que são levados aos rios com a enxurrada. Ao "lavar a atmosfera", a chuva também traz poeira e gases aos corpos d'água.
Nas zonas rurais, os maiores vilões da água são os agrotóxicos utilizados nas lavouras, seguidos do lixo que é jogado nas águas e margens de rios e lagos, além das atividades pecuárias como a suinocultura, esterqueiras e currais, construídos próximos aos corpos d´água.
Há ainda os acidentes com transporte de cargas de resíduos perigosos e tóxicos, rompimento de adutoras de petróleo, óleo, de redes de esgoto e ligações clandestinas. Em algumas regiões, as fossas negras e os lixões podem contaminar os lençóis de água subterrânea.
A crise mundial da água e a desigualdade social
A escassez de água no mundo é agravada em virtude da desigualdade social e da falta de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais. De acordo com os números apresentados pela ONU - Organização das Nações Unidas - fica claro que controlar o uso da água significa deter poder.
As diferenças registradas entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento chocam e evidenciam que a crise mundial dos recursos hídricos está diretamente ligada às desigualdades sociais. Em regiões onde a situação de falta d´água já atinge índices críticos de disponibilidade, como nos países do Continente Africano, a média de consumo de água por pessoa é de dezenove metros cúbicos/dia, ou de dez a quinze litros/pessoa. Já em Nova York, há um consumo exagerado de água doce tratada e potável, onde um cidadão chega a gastar dois mil litros/dia.
Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. A irrigação corresponde a 73% do consumo de água, 21% vai para a indústria e apenas 6% destina-se ao consumo doméstico. Um bilhão e 200 milhões de pessoas (35% da população mundial) não têm acesso a água tratada. Um bilhão e 800 milhões de pessoas (43% da população mundial) não contam com serviços adequados de saneamento básico. Diante desses dados, temos a triste constatação de que dez milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas pela água.
Doenças de veiculação hídrica
Transmitidas diretamente através da água, geralmente em regiões desprovidas de serviços de saneamento: cólera, febre tifóide, febre paratifóide, desinteria bacilar, amebíase ou desinteria amebiana, hepatite infecciosa, poliomielite.
Transmitidas indiretamente através da água: esquistossomose, fluorose, malária, febre amarela, bócio, dengue, tracoma, leptospirose, perturbações gastrointestinais de etiologia escura, infecções dos olhos, ouvidos, gargantas e nariz.
Até o ano 2000, relatórios do Banco Mundial apontavam que seria necessário investir US$ 800 bilhões em tratamento e abastecimento de água para minimizar as desigualdades sociais e enfrentar a situação de falta de saneamento básico, como uma importante ferramenta de saúde pública.
Segundo Martin Gambril, representante do Banco Mundial o valor econômico da água é fator fundamental na busca do desenvolvimento sustentável. "O caso do Rio Nilo, na África, é o exemplo mais evidente de que o valor da água não é só o econômico e sim uma questão de sobrevivência total. O governo do Egito já declarou ao governo da Etiópia, de onde vem mais de 80% da água do Rio Nilo, que se a Etiópia tirar mais uma gota desse rio, isso seria interpretado como uma declaração de guerra. É o extremo da crise e dos conflitos pelo uso da água".
A Agenda 21, elaborada durante a Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, a Eco-92, dedicou um capítulo especial à questão da água, onde preconiza o uso sustentável dos recursos hídricos, orientando todas as nações para a extrema necessidade de recuperar e garantir a qualidade das águas. Porém, passados quase dez anos, o mundo volta a discutir o mesmo tema, pois ainda assistimos à constante degradação dos rios, dos mananciais superficiais e subterrâneos e a padrões não sustentáveis de consumo de água.
Para reverter esse quadro, a Agenda 21 preconiza que é fundamental a participação efetiva de toda sociedade na gestão dos recursos hídricos. Do II Fórum Mundial da Água, realizado em março de 2000, em Haia, na Holanda, surge o documento denominado "Visão 21- Água para o Povo", com intuito de fazer com que até o ano de 2025 todos os povos tenham acesso às condições básicas de saneamento de abastecimento de água.
No Brasil dos contrastes, segunda maior potência em reserva de água doce do mundo, onde convivemos com situações de seca semelhantes às dos países que praticamente não têm água, a questão dos recursos hídricos e do saneamento toca profundamente nas relações de poder e de participação da sociedade nos processos de decisão. A mais importante conclusão é de que o acesso à água para atender às necessidades básicas é direito de todos.
A questão fundamental para garantir esse direito não é tecnológica, nem a falta de recursos financeiros, mas essencialmente a falta de comunicação para que todos possam ter acesso à informação adequada e de modo apropriado. Podemos concluir dizendo que a questão vital da água, a erradicação da miséria em todo o mundo, principalmente a partir do acesso às condições mínimas de higiene, saneamento e água potável.
Nota
A Sabesp calcula que o Estado de São Paulo, perde diariamente 40% da água tratada, o que representa cerca de 1,3 bilhão de litros/dia: daria para abastecer duas cidades do porte de Curitiba. 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

EBOLA


Se contraído, o Ebola é uma das doenças mais mortais que existem. É um vírus altamente infeccioso que pode matar mais de 90% das pessoas que o contraem, causando pânico nas populações infectadas.
A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) tratou centenas de pessoas com a doença e ajudou a conter inúmeras epidemias ameaçadoras.
“Eu estava coletando amostras de sangue de pacientes. Nós não tínhamos equipamentos de proteção suficientes e eu desenvolvi os mesmo sintomas”, diz Kiiza Isaac, um enfermeiro ugandense. “No dia 19 de novembro de 2007, recebi a confirmação do laboratório. Eu havia contraído Ebola”.
Fatos
A primeira vez que o vírus Ebola surgiu foi em 1976, em surtos simultâneos em Nzara, no Sudão, e em Yambuku, na República Democrática do Congo, em uma região situada próximo do Rio Ebola, que dá nome à doença.
Morcegos frutívoros são considerados os hospedeiros naturais do vírus Ebola. A taxa de fatalidade do vírus varia entre 25 e 90%, dependendo da cepa.
“MSF foi para Bundibugyo e administrou um centro de tratamento. Muitos pacientes receberam cuidados. Graças a Deus, eu sobrevivi. Depois da minha recuperação, me juntei a MSF”, conta Kiiza.
Estima-se que, até janeiro de 2013, mais de 1.800 casos de Ebola tenham sido diagnosticados e quase 1.300 mortes registradas.
Primeiramente, o vírus Ebola foi associado a um surto de 318 casos de uma doença hemorrágica no Zaire (hoje República Democrática do Congo), em 1976. Dos 318 casos, 280 pessoas morreram rapidamente. No mesmo ano, 284 pessoas no Sudão também foram infectadas com o vírus e 156 morreram.
Há cinco espécies do vírus Ebola: Bundibugyo, Costa do Marfim, Reston, Sudão e Zaire, nomes dados a partir dos locais de seus locais de origem. Quatro dessas cinco cepas causaram a doença em humanos. Mesmo que o vírus Reston possa infectar humanos, nenhuma enfermidade ou morte foi relatada.
MSF tratou centenas de pessoas afetadas pelo Ebola em Uganda, no Congo, na República Democrática do Congo, no Sudão, no Gabão e na Guiné. Em 2007, MSF conteve completamente uma epidemia de Ebola em Uganda.
O que causa o Ebola
O Ebola pode ser contraído tanto de humanos como de animais. O vírus é transmitido por meio do contato com sangue, secreções ou outros fluídos corporais.
Agentes de saúde frequentemente são infectados enquanto tratam pacientes com Ebola. Isso pode ocorrer devido ao contato sem o uso de luvas, máscaras ou óculos de proteção apropriados.
Em algumas áreas da África, a infecção foi documentada por meio do contato com chimpanzés, gorilas, morcegos frutívoros, macacos, antílopes selvagens e porcos-espinhos contaminados encontrados mortos ou doentes na floresta tropical.
Enterros onde as pessoas têm contato direto com o falecido também podem transmitir o vírus, enquanto a transmissão por meio de sêmen infectado pode ocorrer até sete semanas após a recuperação clínica.
Ainda não há tratamento ou vacina para o Ebola.
Sintomas
No início, os sintomas não são específicos, o que dificulta o diagnóstico.
A doença é frequentemente caracterizada pelo início repentino de febre, fraqueza, dor muscular, dores de cabeça e inflamação na garganta. Isso é seguido por vômitos, diarreia, coceiras, deficiência nas funções hepáticas e renais e, em alguns casos, sangramento interno e externo.
Os sintomas podem aparecer de dois a 21 dias após a exposição ao vírus. Alguns pacientes podem ainda apresentar erupções cutâneas, olhos avermelhados, soluços, dores no peito e dificuldade para respirar e engolir.
Diagnóstico
Diagnosticar o Ebola é difícil porque os primeiros sintomas, como olhos avermelhados e erupções cutâneas, são comuns.
Infecções por Ebola só podem ser diagnosticadas definitivamente em laboratório, após a realização de cinco diferentes testes.
Esses testes são de grande risco biológico e devem ser conduzidos sob condições de máxima contenção. O número de transmissões de humano para humano ocorreu devido à falta de vestimentas de proteção.
“Agentes de saúde estão, particularmente, suscetíveis a contraírem o vírus, então, durante o tratamento dos pacientes, uma das nossas principais prioridades é treinar a equipe de saúde para reduzir o risco de contaminação pela doença enquanto estão cuidando de pessoas infectadas”, afirma Henry Gray, coordenador de emergência de MSF durante um surto de Ebola em Uganda em 2012.
“Nós temos que adotar procedimentos de segurança extremamente rigorosos para garantir que nenhum agente de saúde seja exposto ao vírus, seja por meio de material contaminado por pacientes ou lixo médico infectado com Ebola”.
Tratamento
Ainda não há tratamento ou vacina específicos para o Ebola.
O tratamento padrão para a doença limita-se à terapia de apoio, que consiste em hidratar o paciente, manter seus níveis de oxigênio e pressão sanguínea e tratar quaisquer infecções. Apesar das dificuldades para diagnosticar o Ebola nos estágios iniciais da doença, aqueles que apresentam os sintomas devem ser isolados e os profissionais de saúde pública notificados. A terapia de apoio pode continuar, desde que sejam utilizadas as vestimentas de proteção apropriadas até que amostras do paciente sejam testadas para confirmar a infecção.
MSF conteve um surto de Ebola em Uganda em 2012, instalando uma área de controle entorno do centro de tratamento.
O fim de um surto de Ebola apenas é declarado oficialmente após o término de 42 dias sem nenhum novo caso confirmado. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Aquífero Alter do Chão


Quando o assunto é água subterrânea, logo nos lembramos do aquífero Guarani, que até então era a maior reserva de água doce do planeta. Ao que tange a sua localização, encontra-se na América do Sul, abrange partes dos seguintes países: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Com finalidades diversas, como por exemplo, o abastecimento público, da agropecuária e indústria.
Atualmente surge no cenário hídrico o aquífero Alter do Chão, localiza-se inteiramente no Brasil, na Região Norte, especificadamente nos estados do Amazonas, Pará, Amapá. Segundo alguns pesquisadores é o maior aquífero em volume de água do mundo.
Uma enorme dimensão física formada por fauna, flora, rios e diversos ecossistemas, componentes fundamentais de manutenção do equilíbrio dinâmico da Terra e de relevância estratégica para toda a humanidade: não é de hoje que a região amazônica atrai olhares do mundo inteiro. A biodiversidade da maior floresta tropical do planeta é tida como uma fonte inestimável de possibilidades econômicas à espera de estudos e descobertas. E é nesse cenário que se localiza o Aquífero Alter do Chão, uma reserva com cerca de 86,4 quatrilhões de litros de água subterrânea, suficiente para abastecer a população mundial em cerca de 100 vezes.
É isso mesmo: 86,4 quatrilhões de litros de água potável, localizados em uma formação geológica sob os Estados do Amazonas, Pará e Amapá. Esse número impressionante foi obtido com base em pesquisas realizadas pelo professor André Montenegro Duarte, do Instituto de Tecnologia, da Universidade Federal do Pará, como resultado da sua tese de Doutorado em Geociências, que investigou a potencialidade das águas na Amazônia. A tese, orientada pelo professor Francisco Matos de Abreu, do Instituto de Geociências da UFPA, indicou números preliminares, os quais ainda necessitam de confirmação.
O Grupo de Pesquisa em Recursos Hídricos, integrado por André Montenegro, Francisco Matos e ainda pelos pesquisadores Milton Mata (UFPA), Mário Ribeiro (UFPA) e Itabaraci Nazareno (Universidade Federal do Ceará/UFC), prossegue as investigações, mas necessita de recursos financeiros para confirmar as informações iniciais reunidas com base no cruzamento de dados provenientes da perfuração de poços para a pesquisa petrolífera e poços de extração de água construídos em Santarém, Manaus e outras localidades.
“Os poços da pesquisa de petróleo perfurados pela Petrobras, por exemplo, foram fontes importantes de informação, porque, sendo bastante profundos, fornecem indicações sobre a espessura dos aquíferos. Já com os poços para abastecimento, chegamos a parâmetros hidrogeológicos fundamentais para se ter ideia do volume e da produtividade de água do Alter do Chão”, explica o orientador da pesquisa, professor Francisco Matos. Cerca de 40% do abastecimento de água de Manaus é originário do aquífero Alter do Chão, como também é o caso de Santarém e de outras cidades situadas sobre a Bacia Sedimentar Amazônica.
Protegida da contaminação
O aquífero é um tipo de formação geológica capaz de armazenar e liberar a água. Há outras unidades que podem armazenar, mas não permitem que a água que está dentro delas seja utilizada. Para fazer uma analogia, o aquífero seria como uma esponja, como as que servem para lavar louças em casa. A esponja fica cheia d’água, mas se ela for movimentada ou pressionada, a substância é liberada.
O nome Alter do Chão se dá em referência a uma das mais belas praias do País, situada na região de Santarém. Segundo Francisco Matos, a existência desse aquífero já é conhecida na literatura da área desde a década de 50. “Ainda não temos uma avaliação exata sobre a sua real extensão e a quantidade de água que contém. A novidade da pesquisa de André Montenegro é, justamente, o valor apontado de 86,4 quatrilhões de litros de água, que é, realmente, uma coisa fabulosa em termos de reserva”, ressalta o professor Francisco Matos.
As águas subterrâneas representam a maioria das águas no mundo. “Se você pensar, por exemplo, no caso da Amazônia, as águas visíveis, ou seja, as contidas nos rios, lagos, chuvas, representam 16% do total existente, enquanto 84% correspondem à água subterrânea”, explica o professor. Isso quer dizer que os aquíferos são grandes depósitos de água de qualidade, pois as águas subterrâneas são muito mais protegidas do que as águas superficiais, uma vez que estão menos sujeitas a processos externos de contaminação.
É assim que os aquíferos da Amazônia, na relação que estabelecem com as outras formas de ocorrência de água, dentro do chamado ciclo hidrológico, agregam grande valor ambiental, econômico e estratégico. Além do Alter do Chão, outro aquífero importante na região é o denominado Pirabas, situado em profundidades entre 100 e 120 metros. Ele oferece água de excelente qualidade na Região Metropolitana de Belém e é responsável por, aproximadamente, 20% do abastecimento público.
No Brasil, há outros aquíferos importantes, como é o caso do Guarani, considerado o maior aquífero nacional e com grande valor estratégico, pois está em uma região com grande demanda de água, abrangendo os Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, estendendo-se à Argentina, ao Paraguai e ao Uruguai. No Nordeste, estão os aquíferos Urucuia (BA), Serra Grande(PI) e Cabeças (MA).
Valor estratégico da reserva
Extrapolando o contexto amazônico e analisando o contexto mundial, a água é um recurso que, em grande parte do planeta, está se tornando escasso. Do total de água existente no mundo, 97,5% são de águas que se encontram nos oceanos, ou seja, água salgada, restando apenas 2,5% de água doce, dos quais, 1,75% se encontra em calotas e geleiras polares. Sobra, portanto, tão somente 0,75% que ainda precisa ser repartido entre cerca de seis bilhões de pessoas (total de habitantes da Terra).
Em se tratando dessa escassez, o pesquisador da UFPA André Montenegro Duarte, com base nas pesquisas realizadas acerca do aquífero Alter do Chão, propõe um conceito que visa a preservação das águas mundiais denominado valor do “não uso”. Esse conceito surgiu há, mais ou menos, 60 anos, mas ainda é muito pouco difundido, tanto no meio econômico como na sociedade em geral. A definição parte do princípio de que os recursos naturais têm um valor de uso, direto ou indireto, como é o caso da água e, o de “não uso”, que é o valor de existência desse bem.
Isso quer dizer que o recurso ganha valor e importância pelo simples fato de ser mantido na natureza. “Para citar um exemplo, pensemos no Rio Amazonas, cuja extensão é imensa. Além dos recursos em fauna e flora que nele podemos encontrar ou mesmo da própria água que contém, o Rio tem um imenso potencial de transporte. Esses aspectos lhe conferem valor econômico. E justamente devido à riqueza que oferece, o Rio Amazonas também tem valor só por existir”, explica André Montenegro. No caso do aquífero Alter do Chão, as dimensões impressionantes que possui permitem que seja utilizado de forma sustentável como recurso econômico e, ao mesmo tempo, como reserva estratégica.
Em outras palavras, o conceito do “não uso” gira em torno da consciência da sociedade de que o recurso natural pode ter uma grande valia por ser preservado. E complementa o pesquisador: “o mundo, e a Amazônia de um modo especial, não pode ser visto apenas como um local do qual se retira o que se precisa ou o que pode gerar lucro, uma vez que é um sistema muito suscetível a danos. É grandioso, mas muito frágil. Nós temos tanta abundância de recursos naturais que o ‘não uso’ deles pode possibilitar uma agregação de valor e uma lógica econômica que privilegie um desenvolvimento mais justo e igualitário”. A UFPA tem trabalhado para gerar essa consciência.
Recuperação da reserva
Oliveira faz um alerta para a exploração comercial da água no Aquífero Alter do Chão. "A água dessa reserva é potável, o que demanda menos tratamento químico. Por outro lado, a médio e longo prazo, a exploração mais interessante é da água dos rios, pois a recuperação da reserva é mais rápida. A vazão do Rio Amazonas é de 200 mil m³/segundo. É muita água. Já nas reservas subterrâneas, a recarga é muito mais lenta.
Ele destaca a qualidade da água que pode ser explorada no Alter do Chão. "A região amazônica é menos habitada e por isso menos poluente. No Guarani, há um problema sério de flúor, metais pesados e inseticidas usados na agricultura. A formação rochosa é diferente e filtra menos a água da superfície. No Alter do Chão as rochas são mais arenosas, o que permite uma filtragem da recarga de água na reserva subterrânea", disse Oliveira. 

Fonte: Jéssica Souza

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Aquífero Guarani


Nos últimos anos, uma das grandes preocupações ambientais tem sido a escassez da água. Uma preocupação que foi amenizada com a descoberta do Aquífero Guarani, considerado a maior reserva de água doce e potável do mundo. Talvez o único com água potável a 2 mil metros de profundidade, uma vez que outros aquíferos como os da Arábia Saudita, do Egito, da Líbia, da Austrália, da França (Paris) e do Arizona, nos Estados Unidos, similares geologicamente, apresentam altas taxas de salinidade, tornando-os impróprios para o consumo humano.
A denominação Aquífero Guarani é uma homenagem à nação Guarani, uma tribo indígena que habitava toda essa região nos primórdios do período colonial, e foi dada após um segundo acordo comercial entre os países, em que se localiza. Inicialmente havia recebido a denominação de Aquífero Gigante do Mercosul. Na Argentina e no Uruguai, o aquífero era reconhecido como Formación Taquarembó e, no Paraguai, como Formación Misiones.
Muitos estudos devem ser realizados para possibilitar a utilização racional e o estabelecimento de estratégias de preservação eficientes. Atualmente estão sendo perfurados muitos poços para a exploração da água subterrânea sem a devida preocupação com sua proteção, sendo cada caso ou problema tratado isoladamente.
Diante da demanda por água doce, faz-se necessário o entendimento amplo do sistema hídrico Aquífero Guarani de forma a gerenciar e proteger este recurso. Para tanto, é necessário organizar os dados e informações existentes, de forma que seja possível integrar a utilização dos bancos de dados dos diversos países abrangidos pelo Aquífero, permitindo identificar as áreas mais frágeis que deverão ser protegidas. A divulgação dessas informações é ferramenta fundamental para a implementação e consolidação de um sistema de gestão adotado em nível nacional ou internacional, um desafio para todos os países contemplados pelo aquífero.
A água do aquífero é considerada potável em quase toda a sua extensão, sendo raros os pontos onde as suas águas apresentam, originalmente, teores de salinidade e enriquecimento em flúor acima do limite de potabilidade.
Essa característica se deve a vários fatores, dentre eles:
1) presença de mineral, dióxido de silício (SiO²), que não reage com a água;
2) diferente das demais unidades hidrogeológicas do Planeta, os sedimentos que formam o Aquífero Guarani não sofreram influência marinha. Devido a isso, existe a ausência de altos teores de salinidade;
3) clima úmido existente a partir do Período Cretáceo (há cerca de 135 milhões de anos), propiciando a recarga (infiltração) e a descarga de volumes significativos de águas, o que proporcionou a formação de grande volume, um “mar” de água doce, que se acumulou no subsolo. Atualmente, as precipitações (chuva) variando de 1.000 a 2.400 mm anuais, fizeram com que esta região do continente Sul-Americano se transformasse, potencialmente, em uma das regiões mais ricas em recursos hídricos subterrâneos do mundo.
O ciclo de renovação das águas do aquífero é relativamente muito mais curto do que o calculado para as demais unidades geológicas correlacionáveis nos outros continentes do globo terrestre, que além da influência marinha, apresentam um tempo para renovação de fluxo da água da ordem de dezenas de milhares de anos.
Apesar das características descritas, há uma significativa preocupação entre os cientistas com relação às áreas de recarga, áreas consideradas mais vulneráveis, devendo ser objeto de programas de planejamento e gestão ambiental permanentes para se evitar a contaminação da água subterrânea e sobre-exploração do Aquífero com o consequente rebaixamento do lençol freático, o impacto nos corpos de água superficiais e, consequentemente, no desenvolvimento socioeconômico e ambiental das regiões de que faz parte.
O Aquífero Guarani localiza-se no Centro-Leste do Continente Sul-Americano, abrangendo uma área próxima de 1,2 milhão de km².
A área de distribuição se estende por quatro países:
Brasil: 840 mil km²
Argentina: 225 mil km²
Paraguai: 71,7 mil km²
Uruguai: 58,5 mil km²
No Brasil ocorre em 8 Estados:
Mato Grosso do Sul: 213,2 mil km²
Rio Grande do Sul: 157,6 mil km²
São Paulo: 155,8 mil km²
Paraná: 131,3 mil km²
Goiás: 55 mil km²
Minas Gerais: 51,3 mil km²
Santa Catarina: 49,2 km²
Mato Grosso: 26,4 mil km²  

Fonte: Regiane Schio

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O processo de Educação Ambiental


O tratamento da Educação Ambiental como tema transversal no currículo da Escola leva ao aprofundamento das fontes teóricas que fundamentam sua teoria e sua prática pedagógica.
A Educação ambiental, como processo que consiste em propiciar às pessoas uma compreensão crítica e global do ambiente, que busca elucidar valores, assim como desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição consciente e participativa a respeito das questões relacionadas com a conservação e a adequada utilização dos recursos naturais, deve ter como objetivos a melhoria da qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e do consumismo desenfreado.
A Educação Ambiental visa a construção de relações sociais, econômicas e culturais capazes de respeitar e de incorporar as diferenças (minorias étnicas, populações tradicionais), a perspectiva da mulher e a liberdade para decidir caminhos alternativos de desenvolvimento sustentável respeitando-se os limites dos ecossistemas, substrato de nossa própria possibilidade de sobrevivência como espécie (MEDINA,1998).
A Educação Ambiental apresenta-se como uma das alternativas de transformação da Educação no âmbito de um novo paradigma em construção e de novas formas de pensar, de interpretar e de agir no mundo, capaz de possibilitar a superação da visão positivista, instrumental e tecnocrática que caracteriza a civilização contemporânea e que se manifesta através da crise global e generalizada deste início de século.
Acreditamos que atualmente a Educação Ambiental pode ser fundamenta numa reelaboração teórica e prática dos princípios de três perspectivas teóricas emergentes. Em primeiro lugar, a teoria crítica, supressora da visão técnica e instrumental; em segundo, a concepção de uma perspectiva complexa da realidade do conhecimento e dos processos de ensino-aprendizagem; e por último, os aportes do construtivismo no sentido amplo do termo, como processo individual e social de construção de conhecimentos significativos (MEDINA,1996).
É reconhecido que as experiências compartilhadas, o diálogo e a reflexão coletiva são alguns dos fatores que contribuem para a construção de sentidos livremente compartilhados. Aceita-se a existência de várias direções possíveis para o desenvolvimento sustentável, concebendo-se o futuro como uma possibilidade em aberto. Ao mesmo tempo, percebe-se claramente que a imposição social, política, econômica ou cultural de significados conduz à dominação e à alienação vigentes na atualidade.
A Educação Ambiental é um instrumento imprescindível para a consolidação dos novos modelos de desenvolvimento sustentável, com justiça social, visando a melhoria da qualidade de vida das populações envolvidas, em seus aspectos formais e não formais, como processo participativo através do qual o indivíduo e a comunidade constroem novos valores sociais e éticos, adquirem conhecimentos, atitudes, competências e habilidades voltadas para o cumprimento do direito a um ambiente ecologicamente equilibrado em prol do bem comum das gerações presentes e futuras.
No momento em que a educação brasileira postula como objetivo central a formação dos cidadãos, os princípios anteriormente mencionados não nos parecem hoje suficientes.
Em sua aplicação na prática pedagógica, as concepções iniciais da Educação Ambiental têm derivado para uma relativa ingenuidade ideológica, orientando a Educação Ambiental para uma simples sensibilização das pessoas em relação à Natureza, como já analisamos em nosso trabalho sobre a vertente ecológica da Educação Ambiental. Observando-se, também, um maior ou menor grau de trivialização conceitual dos temas ambientais e um certo indutismo pedagógico, limitado à observação do meio (MEDINA, 1997).
Dados comprovam a urgência de se iniciar processos de capacitação de recursos humanos tanto em nível de Educação Ambiental formal, como em nível de Educação Ambiental não formal ou comunitária.
No que compete à Educação Ambiental, trata-se essencialmente da construção de uma nova visão das relações do homem com o seu ambiente natural e social, e da adoção de novas posturas éticas, pessoais e coletivas, visando à aquisição de uma visão crítica e transformadora da realidade e do envolvimento comprometido dos sujeitos com a participação efetiva nas definições do futuro pessoal e social.
Atualmente, pode-se verificar na reflexão dos educadores ambientais uma transformação destas ideias, observando-se que começam a concebê-las como a geração de condutas ambientalmente responsáveis num âmbito de atuação de cidadania qualificada na sociedade e na utilização dos recursos da natureza.  

Fonte: Naná Mininni Medina