terça-feira, 16 de setembro de 2014

Consumo Sustentável


No início da revolução industrial, quando a população era cerca de um décimo do que é hoje, os recursos eram abundantes e pouco explorados. Com os crescentes hábitos de consumo das sociedades modernas, questões como a escassez de recursos naturais, a poluição dos solos, água e ar, aquecimento global e perda de biodiversidade tornaram-se temas preocupantes que exigem uma resolução urgente. Por outro lado, o número reduzido de locais adequados para a deposição dos resíduos obrigou a que fossem tomadas medidas para diminuir a quantidade de resíduos que têm como fim o aterro.
Ao longo das últimas décadas os ambientalistas têm alertado que as atividades econômicas têm excedido os limites do planeta. Muitos dos produtos que utilizamos diariamente apresentam um impacte significativo sobre o ambiente, desde os materiais e energia utilizados para os produzir, aos resíduos que criam durante a sua produção e quando se tornam obsoletos. As empresas têm esticado estes limites com novas tecnologias no entanto, continuamos a exercer uma pressão cada vez maior sobre o planeta.
Pegada Ecológica
A Pegada Ecológica traduz a quantidade de recursos gastos por uma pessoa ou população para manter o seu nível de vida e de consumo (de bens e serviços) e absorver os seus resíduos, expresso em terreno necessário. A Pegada Ecológica da Europa é uma das maiores do mundo. Os cidadãos europeus correspondem a menos de 10% da população mundial contudo consomem metade da produção mundial de carne, um quarto da produção mundial de papel e 15% da produção mundial de energia. Se o resto do mundo vivesse como nós seriam necessários mais de dois planetas Terra para nos sustentar. Mas só podemos contar com este.
Neste sentido deve ser uma prioridade tornar a produção de bens e serviços e o consumo sustentáveis para minimizar o desperdício e a quantidade de resíduos produzida.
Consumir e produzir de forma sustentável significa utilizar os recursos naturais e a energia com mais eficiência e reduzir os impactes negativos sobre o ambiente. Desta forma será possível satisfazer as nossas necessidades sem comprometer as gerações futuras.
Comportamentos a adotar para um consumo mais sustentável
O consumo sustentável está relacionado diretamente com o nosso estilo de vida, com o nosso comportamento enquanto compradores e utilizadores de produtos e com a forma como eliminamos os resíduos.
Os consumidores podem desempenhar um papel fundamental na proteção do ambiente, tornando se consumidores sustentáveis. Para isso basta ter atenção a pequenos gestos que podem fazer toda a diferença.
Pense antes de comprar - Compre apenas aquilo de que necessita e habitue-se a pensar no que irá acontecer ao que comprou quando já não lhe interessar. Adquira produtos ecológicos, use detergentes biodegradáveis e utilize-os nas doses recomendadas pelos fabricantes.
Sempre que possível evite comprar produtos em embalagens descartáveis. Escolha produtos com menos embalagens ou não embalados, recarregáveis, em embalagens reutilizáveis ou recicláveis. Leve os seus próprios sacos para transportar as compras. Um saco de plástico demora 1 segundo a produzir, usa-se cerca de 20 minutos mas demora 500 anos a decompor-se.
Não use utensílios descartável (mesmo em piqueniques e em festas). Se pretender utensílios inquebrável prefira a de plástico lavável e reutilizável.
Evite comprar mobiliário produzido com madeiras tropicais e produtos provenientes de espécies ameaçadas. Não compre lembranças feitas a partir de animais, pois está a incentivar o seu comércio.
Verifique os rótulos - Leia os rótulos com atenção e informe-se sobre o desempenho ambiental dos fabricantes.
Seja sazonal - Compre e consuma frutos e produtos hortícolas da época, produzidos localmente. Deste modo evita o consumo de energia e recursos necessários para os produzir de forma intensiva ou para os transportar por longas distâncias.
Tenha uma alimentação equilibrada - Coma menos carne porque a sua produção consome muito mais recursos e tem maior impacto ambiental do que a de outros produtos alimentares. Em substituição, consuma alimentos de níveis mais baixos da cadeia alimentar, como cereais e vegetais, o que contribui para a redução do uso de recursos naturais na produção alimentar.
Evite consumir refeições pré-cozidas e de “fast-food” que contêm frequentemente aditivos e outras substâncias prejudiciais à saúde.
Prefira a água aos refrigerantes e evite comprar água engarrafada. A nossa água canalizada é normalmente de boa qualidade. Assim, estamos a poupar ao ambiente a agressão do fabrico e do depósito de garrafas de plástico.
Quando possível cultive os alimentos de que precisa. Para além de poupar dinheiro contribui para a redução da energia usada na produção e transporte comercial dos produtos.
Poupe água - Não deixe a torneira aberta enquanto escova os dentes, tome ducha em vez de banho de imersão. Aproveite a água da chuva para regar ou lavar o carro. Não use a mangueira como vassoura para limpar terraços ou passeios.
Poupe energia - Apague as luzes e desligue os eletrodomésticos e carregadores quando não os está a utilizar. Não deixe a TV e outros equipamentos em stand-by porque continuam a consumir. Economize no aquecimento, através de um melhor isolamento da habitação e mantendo o aquecedor no mínimo. Prefira a iluminação natural e utilize lâmpadas econômicas.
Opte por fontes renováveis de energia. Pode gerar a sua própria eletricidade com uma turbina eólica, com painéis solares ou células fotovoltaicas.
Utilize alternativas ao automóvel - Contribua para a redução dos congestionamentos de tráfego e da poluição atmosférica provocada pelo transporte rodoviário, andando de transportes públicos, de bicicleta ou a pé. Quando utilizar o automóvel opte pela partilha de veículo e verifique regularmente a pressão dos pneus. Não compre um veículo maior do que as suas necessidades.
Faça férias ecológicas - Adote formas de recreio e turismo com menores impactos ambientais (ecoturismo). Passeie a pé ou de bicicleta em vez de usar veículos motorizados. Explore a natureza e dê passeios para observá-la. Estará a desenvolver o seu gosto e respeito pelo ambiente através de um contato direto e, por outro lado, contribui para o desenvolvimento de uma região baseada na proteção dos valores naturais.
Assegure-se de que deixa o local como o encontrou - Não colha flores, não destrua ninhos, não corte ramos nem deixe resíduos para trás. Uma simples garrafa de plástico leva 500 anos para degradar-se.
Elimine os seus resíduos de forma correta - Não jogue os resíduos no chão e não atire resíduos pela janela do carro. Separe e elimine os resíduos de forma correta. Organize um caixote do lixo com espaços divididos para receber as várias categorias de resíduos domésticos, com vista à reciclagem. Recicle os seus resíduos e doe as roupas, brinquedos, livros e outros bens que já não utiliza mas ainda estão em bom estado. Não elimine os óleos alimentares ou produtos químicos pelo ralo comum. Desta forma está a contribuir para o reaproveitamento de matérias-primas, reduzindo os impactos negativos sobre os recursos naturais e meio-ambiente. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Analfabetismo Ambiental


Afinal o que seria isso, uma desculpa para não mudar de atitude? Discute-se já há algum tempo a questão da sustentabilidade, ou seja, um desenvolvimento que sustente o meio ambiente ao invés de degradá-lo. E o maior obstáculo tem sido a falta do entendimento de que o que deve ser sustentável é a vida em sua totalidade, não o desenvolvimento em si, que deveria e deve estar alicerçado em melhorar a existência humana e não colocá-la em risco.
A falta de consciência ambiental não está apenas nas ações predatórias do bicho homem, mas, na sua grande ignorância em relação ao meio ambiente em que vive. É esse o fato gerador das enormes dificuldades para o entendimento mais profundo das questões ambientais ou ecológicas. E isso se deve, em parte, à visão reducionista que hoje prevalece quando tratamos do meio ambiente, uma visão limitadora que nos leva a pensar que ele é algo aquém ou além de nós.  Até mesmo aqueles de possuem boa vontade no trato dessa questão, equivocam-se quando tentam desenvolver, por exemplo, uma educação ambiental baseada numa visão puramente mecanicista, que coloca o homem em separado em relação ao meio ambiente, quando em  realidade  o homem é parte integrante do todo ambiental.
Mesmo com toda a ênfase da mídia ao falar sobre as questões ambientais, tem gente que pensa que isso só interessa a nós ambientalistas e profissionais da área. Confesso que isso me traz um certo desconforto e tristeza.
Esses dias mesmo, uma pessoa ao ver uma matéria sobre sustentabilidade, me deu o jornal falando que isso me interessava.  Poxa, o planeta Terra só pertence aos ambientalistas e afins, ou é um bem comum? O bom funcionamento da Terra, a harmonia entre o homem e a natureza não interessa a todos? Todos nós, terráqueos, temos dever de cuidar da nossa casa Terra, e não tem como cuidar dela se distanciando de informações necessárias para que isso aconteça. Isso é chamado de analfabetismo ambiental pelos estudiosos.
Muitas coisas tem acontecido e suas consequências já estão sendo sentidas; tudo isso é fruto de uma interferência humana desastrosa, irracional e sem limites, desde a Revolução industrial. Sei que o quadro é meio pessimista, mas não se pode perder a vontade de mudar em prol da sustentabilidade, isto é, garantir as gerações futuras a viverem em condições adequadas e de qualidade. Será que nossos filhos, netos, bisnetos não merecem receber um planeta mais harmônico?
Muitas pessoas se lembram do meio ambiente apenas quando entram em contato direto ou indiretamente com catástrofes: inundações, secas, terremotos, etc, e por falta de informação ou por mero descaso, jogam a culpa em outros países, em seus governos, em seus vizinhos, mas nunca em si mesmo. Será que é tão difícil perceber que todos nós temos uma parcela de culpa? E se cada um se voltasse para suas atitudes cotidianas: de gastos irracionais; de desperdícios de energia, de água; de falta de bom senso, seria muito mais fácil ocorrer à mudança? Sei que nosso cérebro se preocupa mais com assuntos imediatistas, como mostra o estudo de Elke Weber, mas temos que mudar nossas atitudes consumistas já, antes que seja tarde demais.
Ainda bem que tenho encontrado muitas pessoas que possuem o mesmo pensamento, não só ambientalistas, mas donas de casa, trabalhadores, crianças, etc. Sei que a semente está sendo plantada, mas depende da terra estar bem arada, nutrida, pois só assim nascerão bons frutos.
Te faço uma pergunta, como está seu pedaço de terra interior, para receber as sementes que inúmeras pessoas plantam? Como está sua cabeça e seu coração em busca de amar e respeitar nossa casa Terra e colocar os assuntos ambientais como importantes a todos?
PENSE NISSO!!!
Do nosso presente dependerá o futuro de todos os seres, inclusive nós, seres humanos. 

Fonte: Willes S. Geaquinto e Erica Sena

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Hábitos alimentares e Qualidade de Vida


Hábitos alimentares adequados proporcionam ao organismo humano condições para uma vida saudável, acrescentando anos com saúde e disposição para os indivíduos que se propõem a ter uma dieta equilibrada e pautada na moderação. Não existem alimentos proibidos (para a comunidade sadia) ou milagrosos. O segredo está no bom senso.
A alimentação é o combustível para nossa vida, uma vez que nos fornece subsídios para a realização de nossas tarefas diárias. Se não nos alimentamos não temos força ou disposição para a realização das atividades mais banais, além de comprometer seriamente o desempenho das funções vitais no nosso organismo.
Claro que a qualidade do alimento ingerido é fundamental. Não adianta simplesmente comer. É preciso alimentar-se corretamente, fornecendo ao organismo os nutrientes necessários para seu perfeito funcionamento, sem carências ou exageros.
Uma alimentação balanceada, contendo equilibradamente frutas, cereais (inclusive integrais), verduras, legumes, carnes e leite, pode contribuir positivamente para a manutenção da saúde do indivíduo.
Entretanto é sempre bom ressaltar que a diversidade dos alimentos é fundamental, pois não existem alimentos completos capazes de fornecer ao organismo toda a gama de nutrientes requeridos para sua manutenção, preservando-lhe a saúde. Então a premissa da boa alimentação está fundamentada, principalmente, na diversificação de alimentos ofertados em quantidades adequadas, o que não significa dizer exagero, pelo contrário, a moderação é imprescindível.
Convém lembrar que, o Brasil, como em outros países adeptos das “comidas rápidas” servidas em qualquer lanchonete, apresenta problemas sérios de saúde pública decorrentes da má alimentação. Isto porque o sabor dos alimentos foi colocado em primeiro plano, não que a alimentação não deva ser um prazer, ela pode e deve ser considerada desta forma, porém é necessário compreender que os alimentos precisam cumprir suas funções no organismo, não apenas saciar a fome ou estar a serviço da gula.
Estes lanches rápidos normalmente estão carregados de gorduras saturadas, comprometendo seriamente o equilíbrio alimentar do indivíduo e não podem, portanto, fazer parte da dieta alimentar do mesmo, sem causar-lhe dano, mesmo que seja em longo prazo.
Obviamente que uma vez ou outra é possível e agradável comer uma pizza ou qualquer outra refeição pelo simples prazer que proporciona, o que é desaconselhável é fazer disso uma constante, substituindo frequentemente uma alimentação saudável por um lanche com excesso de gordura e incapaz de proporcionar os nutrientes dos quais o organismo necessita.
Tornado-se hábito, pode levar a sérias complicações orgânicas, prejudicando a saúde do indivíduo em médio e longo prazo. Por isso é bom estar atento ao que estamos ingerindo, além de cuidar desde cedo da alimentação das crianças, insistindo com elas sobre a adoção de hábitos saudáveis que serão revertidos em qualidade de vida.
A alimentação realmente é um prazer que precisa ser saboreado e compartilhado com pessoas das quais gostamos, portanto é importante fazer das refeições um momento alegre para ser lembrado posteriormente, e não apenas o gesto mecânico de saciar a fome. Não é sensato comer rapidamente qualquer coisa, é preciso valorizar a vida, realmente alimentando-nos adequadamente, provendo nosso corpo e espírito de elementos dos quais necessitam.
Alimentação e Meio Ambiente
Pouca gente percebe, mas o cuidado do meio ambiente pode começar na nossa cozinha e no nosso relacionamento com o consumo de alimentos. As ações individuais podem, juntas, promover um grande impacto no meio ambiente, tanto para melhorar como para piorar. Observe alguns pontos importantes no que diz respeito ao consumo sustentável e manutenção de boa saúde nutricional:
1 - A água representa um “elo” muito importante nas questões ambientais. A agricultura é a maior usuária dela. Portanto, deve-se evitar ao máximo o desperdício de hortaliças e frutas, já que somente para produzi-las já se gastou muita água. Cozinhar grandes porções e manter congeladas, evita que se gaste água com panelas e diminui o sabão enviado ao sistema de esgoto. Higienizar as hortaliças e frutas assim que chegar em casa e armazenar em geladeira, aumenta a vida útil do produto.
2 - Consumir produtos de produção local, diminui o uso de combustíveis gastos para o transporte.
3 - Consumir produtos de origem orgânica diminui o uso e abuso de agrotóxicos cujo potencial poluidor vai desde o momento da utilização até o residual que pode ser ingerido junto com o produto em questão. O uso de agrotóxicos polui os lençóis de água subterrâneos, desequilibra a fauna e interfere diretamente na saúde humana.
4 - Consumir produtos de venda a granel diminui o uso de embalagens. Além de diminuir o lixo, evita-se o consumo dos produtos resultantes da interação alimento-plástico, que também são extremamente prejudiciais à saúde!
5 - Preferir carnes brancas. Para cada quilo de frango, são gastos 4,5 litros de água. Em contrapartida para produzir 1 kg de carne vermelha são gastos cerca de 65 litros de água! Impressionante, não?
6 - Por fim, reciclar todo o lixo possível.
Com pequenas mudanças no dia a dia podemos, juntos, ajudar a cuidar do planeta! 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Meio Ambiente e Saúde


Não é de hoje que as inter-relações entre população, recursos naturais e desenvolvimento têm sido objeto de preocupação social e de estudos científicos.
Desde há muito, as exigências cada vez mais complexas da sociedade moderna vêm acelerando o uso dos recursos naturais, resultando em danos ambientais que colocam em risco a sobrevivência da humanidade no planeta.
A história mostra que o homem sempre utilizou os recursos naturais para o desenvolvimento da tecnologia e da economia e, com isso, garantir uma vida com mais qualidade.
Entretanto, é fácil constatar que essa equação (exploração dos recursos naturais = desenvolvimento econômico e tecnológico = qualidade de vida) não vem se relevando verdadeira. Isso porque os recursos oriundos da natureza estão sendo aproveitados de forma predatória, causando graves danos ao meio ambiente e refletindo negativamente na própria condição de vida e de saúde do homem.
Nesse sentido, tudo se tornou válido em nome do progresso, do bem estar da sociedade e da vida mais confortável.
Mas, a busca do homem por uma vida melhor está lhe trazendo doenças, problemas sociais e comprometendo seu futuro na Terra, já que suas ações são altamente degradantes.
Diante desse quadro, fica claro que meio ambiente e saúde são temas completamente indissociáveis, sendo certo que o ordenamento jurídico nacional contempla tal relação.
Sem pretensão de exaurir o assunto, destacaremos e exemplificaremos a correlação entre meio ambiente e saúde, inclusive sob o aspecto legal, e mostrar a importância da aplicação dos princípios da prevenção e da precaução, basilares do Direito Ambiental Brasileiro.
Meio Ambiente
Entre os especialistas, verificamos a existência de diversas definições sobre "meio ambiente", algumas abrangendo apenas os componentes naturais e outras refletindo a concepção mais moderna, considerando-o como um sistema no qual interagem fatores de ordem física, biológica e sócio econômica.
Meio ambiente é a interação do conjunto de elementos naturais, artificiais e culturais que propiciam o desenvolvimento equilibrado da vida em todas suas formas. Uma outra maneira de interpretar o tema meio ambiente como "o conjunto de elementos físico-químicos, ecossistemas naturais e sociais em que se insere o Homem, individual e socialmente, num processo de interação que atenda ao desenvolvimento das atividades humanas, à preservação dos recursos naturais e das características essenciais do entorno, dentro de padrões de qualidade definidos".
Na legislação pátria, o inciso I, do artigo 3º, da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei Federal nº 6.938/81), define meio ambiente como "o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas".
Assim, entende-se que a expressão "meio ambiente" deve ser interpretada de uma forma ampla, não se referindo apenas à natureza propriamente dita, mas sim a uma realidade complexa, resultante do conjunto de elementos físicos, químicos, biológicos e sócio econômicos, bem como de suas inúmeras interações que ocorrem dentro de sistemas naturais, artificiais, sociais e culturais.
Saúde
A palavra saúde também deve ser compreendida de forma abrangente, não se referindo somente à ausência de doenças, mas sim ao completo bem-estar físico, mental e social de um indivíduo. Nesse sentido, é a orientação que se extrai da disposição contida no artigo 3º da Lei nº 8.080/90, onde se consigna que "a saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais".
Assim o termo "saúde" engloba uma série condições que devem estar apropriadas para o bem estar completo do ser humano, incluindo o meio ambiente equilibrado.
Meio Ambiente e Saúde - Temas indissociáveis
Muitas pessoas não percebem, mas o homem é parte integrante da natureza e, nesta condição, precisa do meio ambiente saudável para ter uma vida salubre.
É certo que qualquer dano causado ao meio ambiente provoca prejuízos à saúde pública e vice-versa. "A existência de um é a própria condição da existência do outro", razão pela qual o ser humano deve realizar suas atividades respeitando e protegendo a natureza.
Com um pouco de atenção, é fácil descobrir inúmeras situações que demonstram a relação entre o meio ambiente e a saúde, senão vejamos.
O vibrião da cólera, por exemplo, é transmitido pelo contato direto com a água ou pela ingestão de alimentos contaminados. A falta de saneamento básico, os maus hábitos de higiene e as condições precárias de vida de determinadas regiões do planeta são fatores que estão intimamente ligados com o meio ambiente e que contribuem para a transmissão da doença. "A água infectada, além de disseminar a doença ao ser ingerida, pode também contaminar peixes, mariscos, camarões etc..".
Foi noticiado em outubro de 2004, que as enormes quantidades de substâncias químicas encontradas no ar, na água, nos alimentos e nos produtos utilizados rotineiramente estão diretamente relacionadas com uma maior incidência de câncer, de distúrbios neurocomportamentais, de depressão e de perda de memória. Tal reportagem também divulgou dados do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, apontando que dois terços dos casos de câncer daquele país tem causas ambientais. Interessante que no Brasil em São Paulo, uma pesquisa feita com cinquenta controladores de trânsito da cidade (conhecidos como "marronzinhos"), não fumantes e sem doenças prévias. A conclusão foi que todos apresentavam elevação da pressão arterial e variação da frequência cardíaca nos dias de maior poluição atmosférica. Além disso, 33% deles possuíam condições típicas de fumantes, como redução da capacidade pulmonar e inflamação frequente dos brônquios.
Portanto, diariamente é possível presenciar várias situações que nos revelam como a degradação ambiental causa problemas na saúde e nas condições de vida do homem.
Por sua vez, o sistema jurídico brasileiro contempla a relação entre meio ambiente e saúde, conforme se exemplifica a seguir.
O artigo 225, da Constituição Federal do Brasil, estipula que: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações". Nota-se que o dispositivo em foco é categórico ao afirmar que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é essencial à sadia qualidade de vida, ou seja, à própria saúde.
O artigo 200 da Lei Maior fixa algumas atribuições do Sistema Único de Saúde (SUS), dentre os quais se menciona a fiscalização de alimentos, bebidas e água para o consumo humano (inciso VI) e a colaboração na proteção do meio ambiente (inciso VIII).
A Lei Federal nº 6.938/81, conhecida como Política Nacional do Meio Ambiente, tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental favorável à vida e, portanto, à saúde, visando assegurar condições ao desenvolvimento sócio econômico e à proteção da dignidade humana (artigo 2º).
Além disso, esta lei define poluição como a degradação da qualidade ambiental resultante das atividades que direta ou indiretamente prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população (artigo 3º, inciso III, alínea "a").
Por fim, cumpre mencionar a Lei nº 8.080/90, que regula em todo país as ações e serviços de saúde. Essa lei, além de consignar o meio ambiente como um dos vários fatores condicionantes para a saúde (artigo 3º), prevê uma série de ações integradas relacionadas à saúde, meio ambiente e saneamento básico.
Não se pretende cansar o leitor citando todas leis pertinentes ao tema ora estudado, bastando afirmar que são várias as normas legais que mostram a indissociabilidade das questões ambientais e de saúde humana.
A atuação dos Princípios da Prevenção e Precaução
Finalmente, cumpre examinar, também de forma não exaustiva, os princípios da prevenção e da precaução, basilares do Direito Ambiental.
"A palavra princípio, em sua raiz latina última, significa ‘aquilo que se toma primeiro’ (primum capere), designando o início, começo, ponto de partida. Princípios de uma ciência, são as proposições básicas, fundamentais, típicas, que condicionam todas as estruturas subsequentes. Os princípios fornecem a base para a criação de leis e são a essência das normas de direito.
O Direito Ambiental, que visa a manutenção de um perfeito equilíbrio nas relações do homem com o meio ambiente, possui alicerces próprios (princípios), que são decorrentes não apenas de um sistema normativo ambiental, mas também do sistema de direito positivo em vigor.
Dentre os diversos princípios do Direito Ambiental, cumpre destacar os princípios da prevenção e da precaução.
O princípio da prevenção se caracteriza pela "prioridade que deve ser dada às medidas que evitem o nascimento de atentados ao ambiente, de molde a reduzir ou eliminar as causas de ações suscetíveis de alterar sua qualidade".
Pelo princípio da prevenção, permite-se a instalação de uma determinada atividade ou empreendimento, impedindo, todavia, que ele cause danos futuros, por meio de medidas mitigadoras ou de caráter preventivo.
Existe um dever jurídico constitucional de levar em conta o meio ambiente quando se for implantar qualquer empreendimento econômico. Assim, segundo o referido doutrinador, a Carta Magna obriga todo empreendedor a proteger o meio ambiente ao exercer sua atividade econômica, razão pela qual se conclui que o princípio da prevenção impõe o equilíbrio entre o desenvolvimento sócio econômico e a preservação ambiental.
O principio da precaução, por outro lado, "é um estágio além da prevenção, à medida que o primeiro (precaução) tende à não realização do empreendimento, se houver risco de dano irreversível, e o segundo (prevenção) busca, ao menos em um primeiro momento, a compatibilização entre a atividade e a proteção ambiental".
Assim, pelo princípio da precaução, quando existe risco ou incerteza científica de dano ambiental, a atividade sequer poderá ser licenciada.
A implementação do princípio da precaução não tem por finalidade imobilizar as atividades humanas. Não se trata da precaução que tudo impede ou que em tudo vê catástrofes ou males. O princípio da precaução visa à durabilidade da sadia qualidade de vida das gerações humanas e à continuidade da natureza existente no planeta.
A precaução caracteriza-se pela ação antecipada diante do risco ou do perigo. No mundo da precaução há uma dupla fonte de incerteza: o perigo ele mesmo considerado e a ausência de conhecimentos científicos sobre o perigo. A precaução visa a gerir a espera da informação. Ela nasce da diferença temporal entre a necessidade imediata de ação e o momento onde nossos conhecimentos científicos vão modificar-se.
Como exemplo, vale mencionar que, em junho de 1999, o Juiz de Direito da 6ª Vara da Secção Judiciária do Distrito Federal acolheu expressamente o princípio da precaução na ação judicial proposta pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor contra a União Federal e a Monsanto do Brasil Ltda., ao proibir o plantio e comercialização de sementes da soja transgênica enquanto não fosse apresentado o Estudo Prévio de Impacto Ambiental e enquanto não fosse regulamentado, pelo Poder Público, as normas de biossegurança e de rotulagem de Organismos Geneticamente Modificados.
Diante do exposto, percebe-se que tais princípios visam restringir e até mesmo proibir a implantação de novos empreendimentos, na hipótese dos mesmos oferecerem risco ao ambiente e a saúde das pessoas.
Afinal, o Direito Ambiental possui caráter preventivo, pois é praticamente impossível a reparação integral nos casos de degradação ambiental, já que na maioria das vezes a região afetada jamais voltará ao estado em que se encontrava antes do evento danoso. "Muitos danos ambientais são compensáveis, mas, sob a ótica da ciência e da técnica, irreparáveis".
E, da mesma forma, são várias as doenças causadas por danos ambientais cujas sequelas se tornam irreversíveis para o homem.
Uma citação diz: não podem a humanidade e o próprio Direito contentar-se em reparar e reprimir o dano ambiental. Como reparar o desaparecimento de uma espécie ? Como trazer de volta uma floresta de séculos que sucumbiu sob a violência do corte raso ? Como purificar um lençol freático contaminado por agrotóxicos?
Por isso, o legislador constituinte atribuiu ao Poder Público o dever de aplicar os princípios da prevenção e precaução, por meio do controle da produção, comercialização e do emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a qualidade de vida e para o meio ambiente (artigo 225, parágrafo primeiro, inciso V, da Constituição Federal).
O poder de polícia, o zoneamento ambiental, as normas legais, os padrões ambientais, a aplicação de penalidades, o licenciamento ambiental, o estudo prévio de impacto ambiental, as regras de construção, o controle da poluição, o saneamento básico, o controle do uso do solo nos meios urbanos e rurais, o planejamento do crescimento da cidade e outros, são exemplos de instrumentos de controle ambiental onde se costuma aplicar os princípios da prevenção e da precaução.
Lamentavelmente, os princípios em estudo não estão sendo empregados na forma preconizada pelo legislador constitucional, o que vem colaborando com o aumento dos problemas ambientais e com o agravamento das condições de vida e de saúde o homem.
Conclusão
O ordenamento jurídico brasileiro é bastante claro, em suas várias normas, sobre a indissociabilidade dos temas concernentes à saúde e ao meio ambiente. A atuação dos princípios da prevenção e da precaução é de suma importância, pois eles restringem e até mesmo proíbem o estabelecimento de um empreendimento que potencialmente ofereça riscos à natureza e à saúde da população.
Sob um aspecto geral, considera-se que o direito brasileiro fornece as ferramentas necessárias para que o Poder Público possa aplicar os princípios da prevenção e precaução na preservação dos recursos naturais.
Entretanto, observa-se que alguns mecanismos legais destinados à proteção do meio ambiente e, consequentemente, da saúde humana, esvaem-se no ar, atingidos por males maiores, capitaneados pela corrupção, que, por sua vez, é alimentada pela ambição e pela ignorância dos habitantes deste planeta.
Ademais, não basta a existência material da lei. Isso é apenas marco zero de um longo processo de implementação dessa norma. Embora as leis ambientais em nosso país sejam avançadas, nota-se ainda uma lacuna, consistente na articulação institucional.
São vários os motivos pelos quais, hodiernamente, a legislação e os princípios ambientais têm aplicabilidade limitada, valendo destacar: (i) dissociação entre os objetivos das políticas ambientais e as estratégias de desenvolvimento econômico adotadas pelo próprio Poder Público; (ii) presença de interesses sociais contraditórios segundo cada instância de governo; (iii) falta de recursos financeiros para a área ambiental; (iv) falta de capacitação técnica dos órgãos ambientais, entre outros.
Urge superar as barreiras que obstam os processos de implementação das normas legais de cunho ambiental, sob pena da ineficiência dos princípios constitucionais estabelecidos na Carta de 1988, dentre eles os princípios da prevenção e da precaução, o que descaracterizaria por completo o Direito Ambiental Brasileiro.
E, sem dúvida nenhuma, uma dessas barreiras é a moderna e insustentável sociedade de consumo que transformou a natureza em três etapas: "a primeira, efetivou-a como ambiente, cenário em que o homem se proclama ‘dono e senhor’; em etapa posterior, esta natureza perde sua ‘consistência ontológica’, passando a ser um reservatório de recursos; por fim, uma terceira etapa, ‘em depósito de resíduos’".
Para a efetiva aplicação da legislação e dos princípios ambientais é preciso também que as políticas relacionadas à saúde pública e ao meio ambiente caminhem em conjunto e que os órgãos dos três níveis de governo ligados a essas áreas, bem como aos setores de agricultura e trabalho, não atuem isoladamente. Afinal, as consequências dos problemas ambientais que afetam a saúde da população não respeitam fronteiras geográficas ou níveis de competência.
Quando se fala em questões ambientais e de saúde humana, não basta indenizar o vexame, a dor e as irreparáveis sequelas causadas pelas doenças surgidas por conta da degradação da natureza. É preciso agir antes, empregando de forma efetiva o princípio da prevenção e, ser for preciso, o da precaução.
Afinal preservar e conservar o meio ambiente se traduz na garantia de sobrevivência da própria espécie humana e, nesse sentido, "a natureza não pode se adequar às leis criadas pelo homem, muito pelo contrário, o direito deve ser formulado em respeito às limitações naturais, submetendo às atividades econômicas às exigências naturais". 

Fonte: Paulo Roberto Cunha

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Beber a água certa


PH da água o que é isso
PH significa potencial hidrogeniônico (quantidade de prótons H+), que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de uma solução aquosa.
O pH de 7 significa neutralidade.
pH < 7 significa acidez e quanto menor o número do pH, mais ácida é a solução aquosa. O pH é medido em escala logarítmica, o que significa que com a diminuição de 1 ponto no pH torna a solução 10 vezes mais ácida. Ou seja uma solução com pH 3 é 10 vezes mais ácida que uma solução de pH 4 e 100x mais ácida que uma solução de pH 5, 1000 x mais ácida que uma solução de pH 6 e 10.000 x mais ácida que uma solução com pH 7.
Quando o pH é maior que 7 a solução é chamada de alcalina. Uma solução com pH 10 é 10x mais alcalina que uma solução com pH 9, 100x mais alcalina que uma solução com pH 8 e 1000x mais alcalina que a solução neutra com pH 7.ph-água
Para o nosso corpo é muito importante que os líquidos que ingerimos sejam alcalinos e ricos em minerais. O nosso corpo, quando gera energia, consome elétrons, gerando um resíduo ácido (excesso de prótons H+). O nosso corpo precisa eliminar este excesso de ácido.
Entendendo o assunto
A proporção é quase a mesma. O planeta Terra é na verdade o planeta água. A Terra em que vivemos é mais de dois terços líquida. E com nosso corpo é igual. Somos 70%  água, embora à medida que o tempo passe essa taxa se reduza. É por causa disso que nos tornamos velhos. Um recém-nascido tem 75% do corpo composto de água. Em um idoso, essa taxa despenca para 60%. É essa queda que determina os sinais de envelhecimento, marcas da passagem do tempo quando nos tornamos flácidos e nossa pele perde a elasticidade.
Presidente da SBMEE (Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte), o médico Dr. Jomar Souza avisa que esse processo é irreversível. Não adianta tomar mais água que o normal achando que podemos retardar o envelhecimento.
Todo excedente de água que a pessoa tomar será eliminado pelos rins, através da urina. O organismo reterá somente o que precisar. Assim, se uma pessoa tomar 10 litros de água por dia, aproveitará em média dois e eliminará oito.
Responsável pela composição das células no organismo, a água é o principal elemento do sangue e também funciona como transporte de nutrientes e estruturas de defesa. Uma pessoa desidratada ou que não ingere água o suficiente pode ter uma série de doenças, como cálculo renal, ressecamento da pele e até mesmo dificuldade nas funções intestinais. De acordo com o especialista, um copo de água pela manhã melhora o trânsito do intestino e passamos a reter menos substâncias tóxicas.
Ainda segundo Jomar, é importante não esperar sentir sede para beber água.
Quando sentimos sede, sinal de que um processo de desidratação já teve início. Por isso, devemos ter o hábito de beber água sempre que possível.
E qual a melhor água para ingerirmos? Segundo ele, é a de torneira, depois de fervida e resfriada.
A água potável que chega à nossa casa é a melhor que podemos consumir, desde que seja fervida e depois armazenada. É fundamental, no entanto, que o tanque ou caixa em que ela fica guardada antes de chegar à torneira de nossa casa seja limpo a cada seis meses ou um ano.
Não importa o tipo de filtro que se tem em casa. Nenhum processo de filtragem, explica o médico, consegue anular a principal propriedade da água: a hidratação. 
A principal questão, no entanto, não é em relação à água que se toma, mas sim com qual velocidade ela precisa ser absorvida. Enquanto a água pura, a uma temperatura de 5 a 10 graus, é absorvida pelo corpo de maneira mais rápida, com a mineral esse processo é mais lento, devido aos elementos contidos nela, como sódio, magnésio, potássio.
Até uma hora de exercício físico, o ideal é tomar água pura. Depois de uma hora suando, é melhor dar preferência a bebidas isotônicas que, apesar de terem a absorção mais lenta, trazem elementos que perdemos em grande quantidade, como açúcares. Já a água com gás pode causar desconforto gastrointestinal e dificultar a absorção da água, não sendo a melhor opção para hidratar.
Como os bons azeites, a água também possui uma gradação que mede sua acidez. No caso, é seu pH que pode ser importante para avaliar as condições de consumo e pode ser medido em aparelhos domésticos vendidos em lojas de equipamentos para piscinas.  De acordo com Vinícius Gomes,  doutor em Química e professor da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), com passagem pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo), a água tratada e oferecida para a população tem pH de 7,2 e 7,4, segundo ele, ligeiramente alcalina. E a  água mais alcalina é melhor. 
É melhor em  razão da condutividade elétrica. Esses sais estão em íons no organismo, eles serão transportados de acordo com uma faixa de pH. A faixa ideal para transportar algumas substâncias é entre 7 e 7,5 . Com uma água mais alcalina, os nutrientes seriam melhores transportados.
Vinícius lembra que há vários elementos presentes na água. Há  o flúor, que é usado no tratamento, há a quantidade de sódio.
Com toda certeza a qualidade da água é importante para a qualidade de vida. Em outro caso, a água possui alguns metais essenciais, que a gente precisa. Mas, em alta quantidade os mesmos metais fazem mal à saúde.
Para o doutor e professor de Química da Unesp, Homero Marques não existe uma receita fechada.
A água alcalina, por exemplo, é um veneno  para uma pessoa que tenha propensão a formar cálculo renal.
Mas segundo ele, de modo geral pode-se tranquilamente tomar água tomar água com pH entre 6 e 8.
Normalmente trabalhamos na faixa de pH neutro por facilidade. Mas não tem qualquer problema com isso.
Não existe uma água milagrosa que vai fazer você ficar saudável. Ela tem que ter qualidade, deve haver um tratamento desde bacteriologia, estar livre de microorganismos  e passar por um controle do teor de substâncias presentes na água.
Enganação
O professor adverte a que a venda de filtros que afirmam ter poder de  “magnetizar a água” é uma enganação:
Magnetizador de água? A polícia tem que ir em cima do cara (que vende este tipo de filtro). Isso é impossível. Se alguém no mundo conseguir magnetizar a água, ganha um Nobel.
Para Homero, o ideal é  consumir no mínimo três litros de água por dia.
Isso depende do ambiente em que a pessoa trabalha. Para quem trabalha sentado, fechado num ambiente com ar condicionado, tomar dois litros de água é quase impossível. Já um pedreiro, que trabalha o dia inteiro se movimentando, toma cinco litros tranquilamente. O organismo de cada pessoa é que determina.
Carlos Alberto Werutsky, médico nutrólogo da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia) atesta que não existe uma água melhor que a outra.
O enriquecimento dessa água pura é que pode diferenciar um produto de outro.
E, segundo ele,  refrigerantes, sucos, isotônicos e bebidas chamadas de esportivas não são os substitutos ideais da água.
Não se pode indicar ou recomendar para a população que toma suco de fruta, que tome bebidas esportivas no lugar da água. Embora esse enriquecimento traga benefícios, o consumo não pode ser exclusivo. Por exemplo, se um maratonista que passar uma prova inteira tomando uma bebida esportiva ele vai ter riscos de perder em performance. Ele deve tomar 80% água e 20% de uma bebida esportiva durante o percurso. 

Fonte: www.noticiasr7.com

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Mar Potável


Na confluência dos rios Amazonas e Tapajós, o município de Alter do Chão, a 35 quilômetros de Santarém, no Pará, guarda a praia de água doce mais bonita do Brasil e o maior aquífero de água potável do mundo. Descoberto em 1958 e mensurado em 2010, só agora os geólogos começam a mapear a riqueza do subsolo amazônico.
Na cidade apelidada de “Caribe Amazônico”, turistas colocam os pés para o alto nas mesas espalhadas pelas areias brancas da Ilha do Amor, que surge na vazante, quando o volume de água do rio diminui, entre janeiro e agosto. Barracas cobertas de sapê oferecem delícias da culinária amazônica, como o tucunaré na manteiga e o suco de açaí. Barquinhos de madeira passeiam pelo único afluente do Amazonas com águas esverdeadas e cristalinas. As praias do Tapajós maravilham os olhos. Quem vê a paisagem nem imagina que sob os pés corra o maior manancial de águas subterrâneas do mundo, o Aquífero Alter do Chão.
Aquíferos são formações geológicas que armazenam ou liberam água subterrânea, como uma esponja cheia que, ao ser movimentada ou pressionada, solta o elemento. Com toda a chuva que cai na Amazônia, era previsível que o subsolo guardasse mais água. Até 2010, considerava-se o maior aquífero do mundo o Guarani, que se estende por baixo de 1,2 milhão de quilômetros quadrados do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, com 45 mil quilômetros cúbicos de água. Cerca de 70% das águas estão no Brasil e se espalham pelo subsolo de oito Estados. Já o Alter do Chão ocupa três Estados – Amazonas, Pará e Amapá –, é menor em extensão, mas possui uma reserva de água potável de 86 mil quilômetros cúbicos, o suficiente para abastecer a população mundial por pelo menos 400 anos.
O tamanho do Alter do Chão era subestimado até pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) anunciarem, em 2010, que ele continha o maior volume de água potável do mundo. Os geólogos Milton Matta e Francisco de Abreu, o engenheiro André Montenegro Duarte, o economista Mário Ramos Ribeiro e o geólogo Itabaraci Cavalcante, esse da Universidade Federal do Ceará (UFC), foram os responsáveis pela análise preliminar do sistema. “Desde a década de 1960, as pessoas estudam o aquífero, mas, quando começamos a pesquisar a fundo, em 2007, descobrimos uma reserva incrivelmente grande”, diz Milton Matta.
Em 2011, a Agência Nacional de Águas (Ana) iniciou estudos nas bacias sedimentares da Província Hidrogeológica do Amazonas. Ao custo de R$ 4,4 milhões, a pesquisa será finalizada em 2014. Dados recentes apontam que o Aquífero Alter do Chão pode fazer parte de um sistema ainda maior. “A pesquisa feita pela UFPA não é equivocada, mas estamos descobrindo que o Aquífero Alter do Chão pode integrar o que chamamos de Sistema Aquífero Amazonas, que engloba também os aquíferos Içá e Solimões”, afirma Fabrício Cardoso, hidrólogo da gerência de águas subterrâneas da Ana. “Embora as informações ainda sejam insuficientes, tudo indica que o Aquífero Amazonas é muito maior do que o Alter do Chão em termos de volume de água e extensão territorial.”
A descoberta da UFPA foi divulgada para informar a sociedade e levantar financiamento para os estudos, mas até agora a verba não veio. Enquanto o Aquífero Guarani, descoberto na década de 1950, já recebeu financiamento de US$ 26,7 milhões do Fundo para o Meio Ambiente Mundial e de outras entidades, nos últimos cinco anos o Aquífero Alter do Chão ficou relegado ao esforço dos pesquisadores. “Parte dos estudos foi subsidiada com recursos de outros projetos que desenvolvemos sem ajuda financeira de patrocinadores. Já o conhecimento prévio que aproveitamos provém dos poços de perfuração para óleo e gás feitos pela Petrobras”, explica Matta.
Abundância excessiva
Apesar de 70% da Terra ser coberta de água, apenas 2,5% constituem-se de água doce, dos quais 99% correspondem a águas subterrâneas e só 1%, ao volume de água doce de rios e lagos. O Brasil tem 18% da água doce do planeta. Para Matta, paradoxalmente a Amazônia “acaba pagando um preço alto por ter muita água”. Com 7% da população, a região detém 70% do recurso. Já no Sudeste, 42% da população dispõe de apenas 6% da água. “Os financiamentos vão para as áreas com menos água. Por termos abundância de recursos hídricos, não somos prioridade de investimento em estudos. Contudo, cuidar das águas da Amazônia é estratégico para a população mundial e principalmente para o Brasil. Enquanto no Nordeste estão sofrendo por falta d’água, estamos sentados no maior manancial do planeta”, diz Matta.
Para Marco Antônio Oliveira, superintendente do Serviço Geológico do Brasil, do Ministério de Minas e Energia, a questão é cultural. “A Lei Nacional de Recursos Hídricos é voltada para o gerenciamento da escassez, o que atrapalha a gestão da água na Amazônia. Ainda não conseguimos avaliar o valor estratégico dessa água toda para o Brasil e o planeta”, diz.
Uma primeira diferença é que, enquanto o Aquífero Guarani está sob a rocha, o de Alter tem terreno arenoso, que funciona como um filtro e garante a potabilidade da água, além de facilitar a penetração da chuva e a perfuração de poços. Se há mais extração do que a capacidade do sistema de repor água, a reserva diminui e torna-se necessário buscar o recurso cada vez mais fundo. A espessura média do Aquífero Alter do Chão é de 575 metros.
Amazonas e Pará
Sob Manaus, o aquífero responde pelo abastecimento de 30% da água da cidade, enquanto 70% vêm do Rio Negro. A concessionária que capta água do rio para abastecer a população não chega à periferia da cidade. Sem opção, os moradores furam artesanalmente poços particulares e rasos, de 40 a 60 metros de profundidade. Outros, mais profundos, são feitos pela própria concessionária. “Esses poços representam risco, pois bombeiam 24 horas por dia, não dando tempo de recuperação de água subterrânea”, ressalta Oliveira.
A captação de água vem causando rebaixamento do nível do aquífero. “Um poço que precisava de 100 metros para captar uma determinada vazão precisa hoje alcançar 140 metros de profundidade para conseguir essa mesma quantidade de água”, diz Daniel Nava, secretário de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos do Estado do Amazonas.
No entorno de Manaus, a proliferação de poços está comprometendo a qualidade da água, pois o volume de esgoto in natura nos igarapés da região ainda é alto, o que acaba contaminando a água do aquífero. Segundo Oliveira, nos poços mais rasos nos arredores de Manaus, a poluição já é nítida. Apesar de estar no subsolo, a água dos aquíferos pode ser contaminada caso em suas proximidades sejam construídos lixões, fossas, cemitérios ou grandes lavouras.
No Pará, Alter do Chão, com apenas dois mil habitantes, vê a paisagem mudar com a chegada da estação chuvosa. As faixas de areia diminuem e a água escurece, até que, em maio, no auge da estação chuvosa, só se vê o teto de sapê das barracas. É a hora de se desvendar outra Alter do Chão, com cenários oníricos como a Floresta Encantada, uma mata de igapó pela qual ziguezagueiase de canoa por entre as copas das árvores duplicadas pelo espelho d’água. Ao entardecer, a dica é atravessar o Tapajós em busca do melhor ângulo para apreciar o famoso pôr do sol local. Com sorte, a experiência pode ser coroada pela visão dos botos nadando sincronizadamente.
Em setembro, a noite segue no ritmo da Festa do Sairé, que mistura elementos religiosos e profanos e lota as pousadas da vila. A festa, realizada desde o século 18, é marcada por procissões e manifestações folclóricas ritmadas pelo carimbó. Durante os desfiles dos blocos, as duas agremiações culturais, Boto Tucuxi e Boto Cor de Rosa, apresentam um espetáculo de cores, ritmos e beleza ao público. Considerada pelo jornal inglês The Guardian como a melhor praia do Brasil, Alter do Chão possui uma infraestrutura turística que melhorou recentemente, e hoje a vila conta com boas pousadas e hotéis, postos de saúde, restaurantes, agências de turismo, poucas lojas e muitas barracas com artesanato.
Como proteger
Milton Matta é um advogado da valoração econômica da água. “Ela é o bem natural e mineral mais precioso para a sobrevivência da humanidade”, diz. Os recursos hídricos são cruciais para manter o equilíbrio da floresta e o clima do mundo, para abastecer a agricultura (que responde por 70% do consumo de toda a água mundial) e a indústria (20%).
Até agora, não existe um modelo de uso para proteger o Aquífero Alter do Chão. Para tanto, é preciso aprofundar os estudos e produzir informações destinadas a alimentar o Método de Valoração Contingente, aplicado nos Estados Unidos e na União Europeia. Recomendado pela comunidade científica para precificar o valor de recursos naturais, tais como aquíferos, o conceito consta da Declaração do Milênio, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2000.
Para implementar uma política para as águas da Amazônia, a valoração é imprescindível. O engenheiro André Montenegro, da UFPA, ressalta que “o que se paga pela água hoje é basicamente o custo de captação, tratamento e distribuição, um valor ridículo e tecnicamente errado”. O certo, segundo o economista Mário Ramos Ribeiro, seria “valorar o uso direto, o uso indireto e o ‘valor de existência’, e somá-los. Este último, o valor de existência, exige uma metodologia mais complexa, pois as águas são bens públicos para os quais não há mercados e, consequentemente, não há preços monetários”.
Os pesquisadores paraenses propõem a adoção de um valor de “não uso”. Assim, o recurso ganhar valor e importância pelo fato de ser mantido na natureza.
As águas da Amazônia mantêm o equilíbrio ecossistêmico da floresta tropical úmida e controlam a geração de chuvas para toda a agricultura do país, regulando o equilíbrio climático. “Dessa forma, é preciso entender que águas circulando e a floresta em pé têm uma importância significativa para a economia do país. Não é descabida a ideia de se estabelecerem mecanismos de compensação financeira que, como as águas, funcionem como meios de transferência também de renda entre as regiões brasileiras”, defende Matta.
Em 1995, o então vice-presidente do Banco Mundial, Ismail Serageldin, afirmou que “as guerras no próximo século acontecerão por causa da água”. O próximo século já chegou e, segundo a ONU, 1,6 bilhão de pessoas vivem em regiões com escassez de água. Até 2025, dois terços da população mundial podem ser afetados pelas condições do recurso. Em 2012, 80% das doenças em países em desenvolvimento foram causadas por água não potável e saneamento precário, incluindo instalações de saneamento inadequadas.
Diante da privilegiada situação do Brasil e do rarefeito panorama mundial da água, é urgente desenvolver mais pesquisas sobre o maior manancial de água potável do mundo. Para isso, é necessário investir no mapeamento dos aquíferos, fazer o levantamento dos recursos hídricos e estabelecer uma política de utilização e exploração sustentável. 

Fonte: Carolina Bergier

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A crise silenciosa da Amazônia


A Amazônia é a maior floresta intacta do mundo e lar para mais de 24 milhões de pessoas, incluindo centenas de povos indígenas. A floresta é essencial para a sobrevivência desses povos, servindo de fonte de alimentos, abrigo e medicamentos, bem como desempenhando um papel importante em sua vida espiritual.
Ela também serve de habitat para cerca de um quarto de todas as espécies conhecidas da Terra, incluindo a onça-pintada, o boto cor de rosa, a preguiça, entre outros. Na verdade, a Amazônia é um dos lugares mais ricos do planeta em relação à diversidade da flora e fauna.
Ela abriga aproximadamente 40 mil espécies de plantas; 427 mamíferos; 1.294 aves; 378 répteis; 426 anfíbios e 3 mil espécies de peixes.
A bacia amazônica abrange uma área de aproximadamente 6,5 milhões de km², distribuídos por nove países sul-americanos e compondo 5% da superfície terrestre. Ela abriga o maior sistema fluvial do planeta, cerca de um quinto do volume total de água doce do mundo.
Cerca de 60% da bacia amazônica (4,1 milhões de km²) está dentro das fronteiras do Brasil. Até o momento, foram desmatados cerca de 700 mil km² da floresta amazônica brasileira - uma área equivalente a mais de duas vezes o tamanho da Polônia. Somente nas últimas três décadas, 18% da Amazônia brasileira foi perdida.

A Amazônia e o clima

Além de sua incomparável riqueza natural, a Amazônia desempenha um papel essencial para ajudar a controlar os níveis de carbono em todo o planeta. Assim como outras florestas intactas, retira o carbono da atmosfera para suas árvores e isso ajuda a compensar a emissão de gases de efeito estufa. Trata-se de uma armazenagem enorme – aproximadamente 100 bilhões de gigatoneladas (Gt) de carbono – mais de 10 vezes as emissões anuais de combustíveis fósseis.
No entanto, o desmatamento não só reduz a quantidade de carbono que a floresta pode armazenar, como também emite mais carbono. Além disso, deixa o restante da floresta fragmentada e vulnerável a mais desmatamentos, a espécies invasoras, à exploração e aos impactos das mudanças climáticas.
Quanto mais vulnerável à mudança do clima está uma floresta, mais facilmente os estoques de carbono serão jogados na atmosfera. Isto aumenta o risco de desastrosas perdas de biodiversidade e serviços vitais do ecossistema, como água limpa e qualidade do ar.
Quanto mais os impactos das mudanças climáticas são sentidos, aumentam as preocupações de que a Amazônia possa chegar a um “ponto de inflexão”, onde a floresta sofrerá uma transição rápida para savana.
A avaliação de 2014 do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), da ONU, relatou que a probabilidade de se chegar a este ponto de inflexão foi causada por uma combinação de mudanças climáticas e um processo de fragmentação da floresta agindo concomitantemente.

Exploração madeireira seletiva & degradação florestal

A exploração madeireira seletiva é um importante agente de degradação florestal. É bem documentado que a extração seletiva de árvores de mogno na floresta amazônica primária foi um grande impulsionador do início do processo de fragmentação da floresta até o comércio dessa espécie ser estritamente controlado em 2003 pela CITES, o que reduziu substancialmente a escala do problema.
A exploração madeireira de mogno também foi o primeiro passo em um processo de colonização envolvendo agricultura e queimadas. Colonos avançaram ao longo de uma estrada construída por empresas, desmatando áreas abertas pelos madeireiros e convertendo-as em lavouras e pecuária. O assentamento agrícola ao longo de estradas leva à degradação e, finalmente, ao desaparecimento da floresta nativa restante. Mesmo que o comércio de mogno tenha sido controlado, a extração seletiva de madeira continua a ser um enorme problema na Amazônia, com consequências semelhantes. Se não for controlada, a degradação da floresta acabará por levar ao desaparecimento de áreas inteiras de floresta.
Um dos principais impulsionadores da degradação, hoje, é a demanda por espécies de alto valor, tais como o ipê.

Ipê – o novo mogno

O grupo de espécies conhecidas como ipê (Handroanthus spp.)tem sido considerado como o “novo mogno” por serem madeiras altamente procuradas e valorizadas no mercado, além de estarem sendo coletadas de forma muito semelhante. Uma árvore grande de ipê apresenta flores cor-de-rosa, roxas, amarelas ou brancas brilhantes em setembro – distinguindo-se do resto das outras árvores da época. É uma madeira valiosa e conhecida por sua durabilidade, força e resistência natural ao envelhecer.
O ipê cresce na Amazônia em uma área de dispersão, aparecendo, em média, uma árvore a cada dez hectares.
Isto significa que grandes áreas de floresta precisam ser abertas para acessar esta espécie valiosa.
Ironicamente, o ipê é sobretudo conhecido por ser uma árvore plantada em diversas cidades brasileiras. É considerada a “espécie típica do Brasil”, e parte integrante da história indígena como a madeira usada para a fabricação de arcos e flechas.
A casca do ipê também é conhecida por suas propriedades medicinais pelas indústrias farmacêuticas e pela medicina tradicional, além de ser usada como remédio para úlceras, câncer e artrite, entre outras doenças.
A madeira do ipê tem sido considerada a melhor opção para a produção de pavimentos comerciais e residenciais, frequentemente dada como uma alternativa “verde”, pois não requer tratamento com produtos químicos tóxicos. No mercado do “faça você mesmo” (“do it yourself”), o ipê – também conhecido como noz brasileira ou lapacho – é vendido como deques e pisos. Nos Estados Unidos, é usado por muitos píeres icônicos e calçadões em lugares como Nova Jersey, Califórnia e Nova Iorque (incluindo a Ponte do Brooklyn). Na Europa, ele tem sido usado como pavimentos em edifícios importantes, incluindo o World Trade Center em Genebra e a Biblioteca Nacional de Paris (Bibliothèque François Mitterrand). No Brasil, o ipê é encontrado em muitas cidades e recentemente foi usado como piso na Biblioteca Presidencial do Palácio do Planalto.
Mesmo deixando de lado o impacto da exploração madeireira ilegal, espécies de ipê estão em sério risco de sobre-exploração.
As empresas madeireiras têm permissão para derrubarem 90% das espécies de tamanho comercial já adulto, com um segundo corte permitida após 35 anos. No entanto, estima-se que, depois de uma derrubada inicial de 90% das espécies, levaria pelo menos 60 anos para uma única espécie (Handroanthus impetiginosus) recuperar os volumes comerciais nos níveis da pré-colheita.
O ipê é hoje a madeira tropical brasileira mais valiosa, e está entre as mais caras no mundo. Enquanto os volumes de ipê colhidos e exportados diminuíram nos últimos anos, o preço continua a aumentar – o que tem direcionado os madeireiros cada vez mais para dentro da floresta em busca dela.
Sob pressão de grupos de interesse, o governo brasileiro recentemente afrouxou as regras para o desmatamento e limitou a capacidade das agências ambientais federais de aplicar essas regras. Por conseguinte, as taxas anuais de desmatamento na Amazônia brasileira, que haviam caído nos últimos anos, aumentaram 28% entre agosto de 2012 e julho de 2013.
Os Estados com o maior aumento de desmatamento por área, Mato Grosso e Pará, também são os que apresentam os mais altos níveis de exploração madeireira ilegal. O Pará é o maior exportador de madeira da Amazônia brasileira, e estima-se que 78% dessa exploração madeireira (por área) seja ilegal. Análise semelhante ocorreu no Mato Grosso, o segundo maior produtor e exportador de madeira, que mostra que 54% da área total registrada foi explorada ilegalmente.
Esta prática madeireira ilegal ocorre por falta de governança em áreas públicas, terras indígenas e outras áreas protegidas; falta de capacidade de controle e execução pelas autoridades locais; alta demanda por madeira, incluindo espécies de alto valor; compensação ilegal de madeira ilegal; uso indevido de inventários dos planos de manejo florestal e a “lavagem” da madeira ilegal através de documentos autênticos – nomeadamente através da criação de créditos virtuais de manejo florestal aprovados, mas de planos florestais não controlados.
O sistema de controle do setor de madeira brasileira na Amazônia é fraco e facilmente explorável. Estudos têm demonstrado grandes discrepâncias entre as áreas autorizadas e aquelas efetivamente exploradas. O sistema de licenciamento e controle dos planos de gestão florestal oficiais em âmbito nacional é estruturalmente falho, levando ao crime sistêmico no setor de registro. Grandes quantidades de madeira ilegal entram em mercados nacionais e internacionais de madeira após serem lavadas, apesar do uso de “documentos oficiais”. Os madeireiros são capazes de fabricar documentos de autorização legal para lavar madeira ilegalmente.
De acordo com o IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), a agência ambiental federal responsável pelo monitoramento, fiscalização e controle das atividades florestais, somente nos Estados do Maranhão e Pará, quase 500 mil m³ de madeira serrada apresentaram documentos fraudulentos em 2013 – o suficiente para carregar 14 mil caminhões.
Dada a magnitude da fraude e corrupção, não há dúvida alguma que documentos administrativos emitidos no Brasil para certificação da legalidade da madeira são totalmente ineficientes e não podem ser considerados como evidência de legalidade.

Um caminho diferente é necessário

A extração madeireira na Amazônia brasileira é atualmente um motivador para a degradação e um catalisador do desmatamento. A extração madeireira, particularmente para espécies valiosas de madeiras, incluindo o ipê, é a primeira fase do ciclo de desmatamento, motivando a colonização de áreas de floresta intacta, e que serve como importante fonte de emissões de gases do efeito estufa, que alimenta as mudanças climáticas.
Grande número de conflitos sociais resulta do atual status quo vigente na região. Quando a madeira é roubada de áreas públicas, sejam elas Terras Indígenas ou Unidades de Conservação, ela normalmente está sendo extraída sem o conhecimento das populações que ali vivem ou está desafiando a vontade das mesmas. Além disso, muitas vezes essa exploração é realizada com uso do trabalho escravo ou degradante e incitando a violência, ameaças de morte e assassinatos.
Uma maneira diferente de se aproximar da floresta e daqueles cuja subsistência depende de produtos florestais não é apenas possível, mas é absolutamente necessária.
Isso significa que investimentos e capacitação precisam ser focados nas comunidades para que o manejo florestal comunitário seja realizado com qualidade. Iniciativas de comando e controle e sistemas de vigilância devem ser transparentes e em tempo real, para que as comunidades, sociedade civil e outras partes interessadas possam assegurar que a extração de madeira cumpra rigorosos critérios e seja feita de acordo com os regulamentos governamentais.
Com isso, haverá maior segurança para aqueles que compram madeira proveniente da Amazônia de que tais produtos não contribuem para a destruição da floresta e outras mazelas sociais. A proteção da Amazônia e a criação de um modelo de desenvolvimento sustentável e justo para a região pode gerar oportunidades para os povos que dependem da floresta. Ao mesmo tempo, também podem ser preservadas a rica biodiversidade e a grande importância que a floresta possui na luta contra as mudanças climáticas.



Fonte: www.chegademadeirailegal.org.br

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Função da Educação Ambiental


Existem vários conceitos para educação ambiental, a partir das definições do Congresso de Belgrado (1975) e da Agenda 21 podemos definir a Educação Ambiental como o processo de conscientização da população para que esta tenha sentido das suas responsabilidades, conhecimento e motivação para agir individual ou coletivamente na busca de soluções para os problemas e impedir que se repitam.
A educação está em constante diálogo com a sociedade. A escola, portanto, tem a obrigação de formar cidadãos conscientes. Isto é, que saibam reconhecer os problemas da comunidade ou do mundo; e que tenham espírito comunitário para agir contra esses problemas. Uma prática pedagógica mais voltada para a educação ambiental é, então, uma das bases para reduzir os grandes problemas sociais, ambientais e econômicos que o mundo sofre hoje em dia.
Para que haja uma verdadeira educação ambiental é necessária a entrada dos conceitos da sustentabilidade na formação escolar. Isto se aplica tanto à educação infantil até as últimas séries de um curso universitário. Muitos estudiosos da área afirmam que a fase da vida mais importante para o desenvolvimento da cidadania é a infância.
Numa prática educativa voltada para a consciência ambiental, as crianças aprenderiam sobre várias questões, como por exemplo: como usar os recursos naturais de forma responsável, qual é a importância da natureza na vida do homem, como devem ser separados os resíduos de casa, etc.
Na educação ambiental a teoria apenas não basta, é fundamental que os alunos vejam na prática como usar o que aprenderam na sala de aula. Os exemplos a seguir mostram como existem inúmeras possibilidades de ensinar na prática: Dinâmicas que levem essas crianças a refletirem sobre as questões ambientais, incentivo em projetos pedagógicos e em atividades extracurriculares mais voltadas a conscientização dos problemas que a natureza sofre e como resolvê-los, chamar toda a sociedade para o ambiente escolar com a intenção de mobilizar um espírito comunitário e solidário na própria sociedade, etc.
O governo também tem um papel essencial na aplicação dessas práticas educativas na escola. Ele pode fazer leis, mudar as grades curriculares das escolas da rede pública, iniciar projetos de sustentabilidade aplicados a educação, etc.
 Então, para uma mudança real dos problemas mundiais estarem juntos a escola, o governo e a sociedade.A educação ambiental, então, é capaz de formar cidadãos conscientes sobre os problemas do meio ambiente. E somente essa educação pode criar perspectivas para uma mudança real dessas dificuldades mundiais. Mas para que haja essa formação é indispensável à união do governo, da sociedade e da escola.