segunda-feira, 30 de maio de 2016

Painéis solares na água


“Invisíveis”, painéis solares na água viram opção para produzir energia. Uma área de painéis solares azuis se estende por uma parte do reservatório da barragem Yamakura, província de Chiba, no Japão.
Em dois anos, se a construção seguir como planejado, 50.904 painéis vão flutuar sobre o reservatório gerando estimados 16.170 megawatts hora anualmente, eletricidade suficiente para abastecer quase cinco mil casas, segundo a Kyocera, empresa que está construindo a usina solar.
Quando completado, o projeto será a maior instalação do gênero no mundo, e os dispositivos solares flutuantes estão se tornando mais populares, com instalações já operando na Austrália e nos Estados Unidos, e outras mais planejadas ou em construção.
O interesse crescente é movido em parte pelo aumento enorme no mercado solar nos últimos anos enquanto o custo da tecnologia caiu rapidamente.
Dispositivos solares flutuantes
Muitas vezes chamados de “floatovoltaics”, nome registrado por uma empresa — também têm vantagens sobre os painéis solares em terra, afirmam seus defensores. Alugar ou comprar terra é mais caro, e existem menos regras para estruturas construídas em reservatórios, lagos para tratamento de água e outros corpos de água não usados para recreação. Ao contrário da maioria das usinas solares terrestres, os dispositivos flutuantes também podem ser ocultos do público, motivo que levou a empresa sem fins lucrativos Sonoma Clean Power a procurar a tecnologia.
“O condado de Sonoma tem alguns dos morros mais lindos, e as pessoas não os querem ver recobertos de painéis solares”, diz Rebecca Simonson, analista de energia do desenvolvedor de energia renovável, que fechou acordos de compra para painéis solares flutuantes serem construídos em seis lagos de água tratada no condado. Segundo ela, os painéis solares não seriam visíveis da estrada.
Os dispositivos flutuantes têm outras vantagens. Eles ajudam a impedir a evaporação da água, tornando a tecnologia atraente em áreas assoladas pela seca e restringem o crescimento de algas. E eles são mais eficientes do que os painéis terrestres porque a água os resfria.
“A eficácia foi o que nos motivou a examinar isto”, afirma Rajesh Nellore, diretor executivo da Infratech Industries, que completou a primeira parte de uma usina solar flutuante em Jamestown, Austrália, que terminará cobrindo cinco bacias de tratamento de água. Após entrar em operação no ano passado, a instalação foi construída de tal forma que gere até 57 por cento de energia a mais do que uma usina solar instalada em telhado — espera-se que quando pronta gere 20 por cento a mais de energia do que uma instalada em terra.
Os painéis recebem uma cobertura especial para impedir a corrosão, e são instalados em um sistema de rastreamento que acompanha os movimentos para maximizar a luz solar durante o dia. A empresa está trabalhando num projeto similar em Holtville, cidade pequena no sul californiano, que há anos sofre com a seca.
Nellore observa que cada projeto solar flutuante tem seus próprios desafios de engenharia. Por exemplo, os painéis solares podem enfrentar ventos mais fortes do que os em terra. De acordo com ele, no entanto, o maior obstáculo que enfrentou foi convencer as agências hídricas do governo de que a tecnologia flutuante atendia a seus interesses.
“A questão está limitada aos incentivos existentes e ao que o governo deseja”, diz Nellore. Ele comentou que em Los Angeles, o Departamento de Água cobriu um reservatório com o equivalente a US$ 34,5 milhões de bolas pretas plásticas para reduzir a evaporação; os painéis solares flutuantes poderiam ter servido ao mesmo propósito e ainda gerado energia.
A Kyocera, por sua vez, recorreu aos painéis flutuantes porque a energia solar se tornou tão popular no Japão que é difícil encontrar grandes áreas de terra para a montagem de painéis típicos, explica a porta-voz, Natsuki Doi. Segundo ela, o tempo de construção e o trabalho para montar um dispositivo flutuante foram muito menores do que uma instalação em terra firme.
A vinícola Far Niente, em Oakville, Califórnia, foi uma das pioneiras dos painéis solares flutuantes, colocando 994 em plataformas sobre um lago para irrigação em 2008. Greg Allen, vinicultor da Far Niente que é engenheiro mecânico por formação, conta que a empresa estava interessada em energia solar e desejava eliminar cem por cento de seus custos energéticos.
Descontos da empresa fornecedora de energia e créditos fiscais ajudaram a financiar parte dos US$ 4,2 milhões para a construção do dispositivo flutuante, que levou dois anos e meio para ser projetado e construído, e mais 1.302 painéis solares foram colocados em terra. Espera-se que o sistema pague o investimento até 2020, diz Allen.
Os painéis solares de 90 centímetros por 150 centímetros no lago são montados sobre plataformas flutuantes plásticas preenchidas com espuma, feitas com canos de água.
“Estávamos nervosos com muitas coisas quando começamos o projeto”, conta Allen. Colocar os painéis na água economizou espaço na vinícola, e o sistema de flutuação, em conjunto com os painéis em terra, geram até 477 quilowatts de eletricidade no pico da produção.
Pelo menos mais uma vinícola seguiu o exemplo, e Allen diz que a Far Niente recebeu visitantes da Índia, China, Cingapura e de Novas Gales do Sul, Austrália, que estão interessados na tecnologia.
Os moradores do lago parecem tranquilos, acrescenta. “Os peixes estão contentes, as rãs estão contentes, os patos voltaram. É um lago muito saudável.” 

Fonte: UOL

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Produção de alimentos causa 60% da perda de biodiversidade


Os sistemas atuais de produção de alimentos são “ineficientes” e “insustentáveis” e são responsáveis por 60% da perda de biodiversidade em nível global e por 24% das emissões de gases do efeito estufa, alertou nesta quarta-feira o Painel Internacional de Recursos (IRP, em sua sigla em inglês).
O desmatamento para agricultura, a superexploração de pesca e a contaminação de solos e aquíferos são algumas das causas diretas da perda de biodiversidade, às quais é preciso somar o impacto da mudança climática produzido pelo uso de combustíveis fósseis.
Em seu último relatório, apresentado no marco da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA), o painel de especialistas aposta por modificar todos os elos da cadeia de fornecimento, desde a produção até o transporte e a venda, para reduzir a marca ecológica e combater a fome.
“A perda de biodiversidade, a mudança climática e a degradação do solo são grandes problemas que têm um impacto direto na segurança alimentar”, afirmou o ex-comissário da UE e atual co-presidente do IRP, Janez Potonick, durante seu discurso na Assembleia da ONU para o meio Ambiente (UNEA).
A população mundial se multiplicou por quatro no último século, enquanto o uso dos recursos naturais é 34 vezes maior, o que ameaça provocar danos irreparáveis no meio ambiente.
Isto, unido à crescente classe média nos países em vias de desenvolvimento, obrigará aos governos a tomar medidas para mudar a maneira de produção de alimentos e, ao mesmo tempo, a modificar os hábitos de consumo – incluído o Primeiro Mundo.
O sistema alimentício atual criou uma situação paradoxal na qual 800 milhões de pessoas vivem abaixo do umbral da pobreza e outras 2 bilhões têm sobrepeso, apontou o IRP.
Reduzir o consumo de produtos que requerem o uso intensivo de recursos – especialmente a carne -, apostar por cadeias de fornecimento regionais e conscientizar ao consumidor final sobre o impacto ambiental de suas decisões são algumas das propostas do relatório do painel.  

Fonte: Terra

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Rotulagem de Alimentos - Perigo iminente e solução aparente


A rotulagem de alimentos vem em um bom momento, no qual os consumidores vão poder optar por produtos com segurança alimentar – que lhes proporcionem qualidade de vida – ou pelo menos fundamentar a escolha ou não por este ou aquele produto, em se tratando da seara da manipulação genética.
Para isso, a Embrapa lançou, no dia 22 de fevereiro 2016, o Manual de Rotulagem dos Alimentos, com a preocupação de informar todos os componentes – como o valor energético, glúten, carboidratos, entre outros – de uma série de alimentos. Porém, seu objetivo é o de esclarecer dúvidas e informações sobre a origem de determinados produtos.
A base fundamental desse manual é orientar quanto às informações obrigatórias e complementares a serem apresentadas nos rótulos, porções de alimentos para fins de rotulagem nutricional e elaboração de rótulos de alimentos e bebidas. Contempla também a regra sobre os produtos orgânicos, a forma de plantio, solo e os impactos ao ambiente, além de estabelecer diretrizes comerciais no mercado interno diretamente aos consumidores.
A rotulagem é obrigatória ao que é mencionado na RDC 340 de 2002 da Anvisa, regulada pelo Ministério da Saúde e Ministério da Agricultura e Abastecimento. A obrigação tornou-se necessária com a entrada dos Transgênicos no Brasil, por meio da soja RR Randoup Ready. Um transgênico é um organismo que possui uma sequência de DNA, ou parte do DNA de outro organismo, podendo até ser uma espécie diferente. A polêmica se deu pela revelação de problemas de saúde pública na França e em outros países.
Pesquisas recentes no Reino Unido e na França sobre alimentos à base de milho e soja transgênica têm identificado uma série de tumores em ratos de laboratório. No Brasil, uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) identificou uma grande quantidade de rações para animais domésticos que contêm alimentos modificados e demonstrou que muitos veterinários têm percebido a incidência de tumores em cães.
Os detentores das tecnologias de modificação genética afirmam que a fome do planeta será sanada por alimentos modificados, o que contraria o que muitos especialistas afirmam: que esta manipulação genética é catastrófica a longo prazo, ou seja, em terceira e quarta gerações de seres humanos e animais.
Assim, o Manual da Embrapa surge como uma ferramenta que nos permite, pelo menos, refletir sobre essa indústria e suas consequências. E a informação sempre é meio caminho andado rumo às mudanças necessárias, em qualquer setor. 

Fonte: Rodrigo Berté - Diretor da Escola Superior de Saúde, Meio Ambiente, Sustentabilidade e Humanidades do Centro Universitário Internacional UNINTER

quarta-feira, 25 de maio de 2016

ONU alerta sobre escala industrial do tráfico de flora e fauna


A ONU alertou nesta terça-feira (24 maio 2016) que o tráfico de bens naturais, como o marfim dos elefantes, conduz à extinção de espécies inteiras e adquiriu “uma escala industrial”.
“O tráfico de espécies é um problema de natureza global, de escala industrial, realizado por organizações criminosas transnacionais”, declarou em Viena John Scanlon, o secretário-geral da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES).
Scanlon fez essas declarações na apresentação de um relatório sobre o tráfico ilegal de bens naturais, junto ao diretor do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), Yury Fedotov.
Esse relatório indica que em escala global foram realizadas 164 mil apreensões entre 1999 e 2015 em 120 países de materiais como marfim, chifre de rinoceronte e madeiras tropicais, o que mostra que o problema afeta de uma ou outra maneira todo o planeta.
Fedotov ressaltou que este tipo de crime fomenta a corrupção, a instabilidade, a violência e inclusive a insurgência armada em algumas zonas, especialmente da África, onde as capacidades estatais são mais limitadas.
Por isso, uma das mensagens é a de apoiar “os países vulneráveis para que tenham um desenvolvimento sustentável” e, pelo outro lado, atuar para “reduzir a demanda” destes produtos naturais nos países compradores.
No texto não figuram números sobre a quantidade de dinheiro que movimenta este crime, algo que os especialistas da ONU esperam poder incluir em um próximo relatório.
O documento indica, por exemplo, que em 2012 morreram mais de 35,4 mil elefantes na África, em grande parte mortos por caçadores ilegais para utilizar seu marfim, enquanto a população total na África é de 473 mil exemplares.
Scanlon advertiu que populações inteiras de elefantes estão desaparecendo em zonas da África devido à caça ilegal, desenvolvida de forma organizada.
Para lutar contra a demanda destes produtos naturais, os responsáveis da ONU apostaram pela educação e a informação com o objetivo de desmentir supostas propriedades medicinais ou afrodisíacas que são atribuídas a alguns produtos, como o chifre de rinoceronte.
O relatório pede aos governos que adotem medidas legislativas para estabelecer o tráfico de fauna e flora como um delito e um problema sério, além de colaborar com a UNODC na proteção dos espécies ameaçadas.
“Temos que seguir apoiando os países para que lutem contra esta forma de comércio ilegal, que está unido à corrupção e afeta também à estabilidade das comunidades”, concluiu Fedotov. 

Fonte: Terra

terça-feira, 24 de maio de 2016

Avaliação ambiental em risco


Com a aprovação pelo Senado Federal da proposta de emenda constitucional (PEC) 65, que permite a realização de obras públicas sem a análise dos impactos ambientais, o Brasil adentra o necessário debate sobre o tema pela “porta dos fundos”.
Sob o pretexto da simplificação, o resultado catastrófico será o total esvaziamento da avaliação ambiental e da participação da sociedade na discussão dos empreendimentos com significativo impacto, contrariando o que determina a Constituição Federal de 1988.
Embora se alegue que a participação pública pode tornar a licença mais lenta, estudos internacionais demonstram o contrário, desde que essa participação seja feita de forma efetiva. Com a garantia de legitimidade no processo de licenciamento ambiental, teríamos menor risco de judicialização.
A avaliação ambiental foi introduzida nos EUA em 1969, por meio de uma lei cujo modelo, com pequenas diferenças, foi adotado por mais de 150 países. As principais agências multilaterais também incorporaram nas suas normas a exigência dessa avaliação. O Fundo Monetário Internacional (FMI), por sua vez, no exame de pedidos de empréstimo, tem buscado seguir padrões de proteção ambiental.
Especialmente a partir da Rio-92, conferência da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento, a avaliação ambiental e a participação pública ganharam foro no direito internacional, além de disposições expressas nas duas mais importantes convenções lá assinadas: a Convenção da Diversidade Biológica e a Convenção de Mudanças Climáticas. Mais recentemente, a Rio + 20 reafirmou esses compromissos no documento “The Future We Want”.
Vale lembrar também dos Princípios do Equador, iniciativa que traz para o setor financeiro um conjunto de diretrizes para o financiamento de grandes projetos, com ênfase na identificação de riscos socioambientais. Mais de 80 instituições financeiras, em mais de 30 países, já aderiram voluntariamente aos Princípios, dentre as quais os mais importantes bancos brasileiros.
Em outras palavras, é indissociável a ideia do desenvolvimento sustentável da efetiva implantação da avaliação ambiental e da participação pública. Deixar prosperar iniciativas como a PEC 65 traria ao país enorme desconforto com a comunidade internacional em termos de credibilidade, além de afetar o acesso a recursos das agências multilaterais.
Quais investidores sérios aportariam recursos para empreendimentos de significativo impacto ambiental sem atender a requisitos universais de avaliação ambiental e de participação pública?
Vale ressaltar que vários projetos de lei tramitam há décadas no Congresso Nacional sobre a matéria, sem que nossos parlamentares confiram importância ao tema. O primeiro deles, de autoria de Fabio Feldmann, o PL 710, tramita desde 1988 e está há anos pronto para a pauta no Plenário.
Aproveitando a experiência acumulada nesses últimos 30 anos, é necessário rever o licenciamento ambiental no Brasil. Precisaríamos, contudo, primeiro conhecer a realidade desse instrumento no país.
Até que ponto é verdadeira, ou não, a informação tão propalada de que o licenciamento é obstáculo para a implantação de empreendimentos de infraestrutura? O que pode ser feito para torná-lo mais ágil e eficiente, menos cartorial e burocrático? Como a experiência internacional pode nos ajudar?
Para tanto, recomendamos que a Presidência da República assuma a liderança desta discussão sobre o licenciamento ambiental, com o propósito de atender as demandas da sociedade brasileira.
Dessa forma, poderiam ser promovidas as mudanças necessárias para que esse instrumento cumpra os requisitos universais já mencionados, eliminando-se exigências desnecessárias. Certamente haveria um ganho inquestionável para todos. 

Fonte: Folha de São Paulo

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Mudança climática avança mais rápido do que o previsto


Os efeitos da mudança climática se manifestam mais rapidamente do que a comunidade científica previu, por isso que os governos devem tomar medidas imediatamente, advertiu nesta quinta-feira (19 Maio 2016) o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
O estudo Previsão Meio Ambiental Global (GEO-6, em inglês), apresentado em Nairóbi, é o último e mais exaustivo relatório realizado pelo PNUMA que, através de seis estudos regionais, revela uma ameaça comum global cuja intensidade aumenta de forma preocupante.
Em quase todo o mundo, o aumento da população, a rápida urbanização, os crescentes níveis de consumo, a desertificação e a degradação do solo provocaram uma grave escassez de água e puseram em risco a segurança alimentar de centenas de milhões de pessoas.
“Se esta tendência continuar e o mundo não conseguir melhorar os padrões atuais de produção e de consumo, se não conseguirmos utilizar os recursos naturais de forma sustentável, o estado do meio ambiente seguirá piorando”, lamentou em entrevista coletiva o diretor-executivo do PNUMA, Achim Steiner.
Apesar de tudo, as avaliações regionais mostram que ainda há tempo para neutralizar as consequências mais daninhas da mudança climática, especialmente a destruição dos ecossistemas marítimos e o crescente nível de poluição do ar.
O relatório Previsão Meio Ambiental Global (GEO-6) faz parte dos esforços globais para combater a mudança climática e é um antecipação da segunda Assembleia Meio Ambiental das Nações Unidas (UNEA-2), que acontecerá na próxima semana (Maio 2016) em Nairóbi.
A UNEA-2 reunirá a delegações de 170 países e centenas de cientistas para debater os próximos passos da comunidade internacional para implementar a dimensão ambiental da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. 

Fonte: G1

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Iniciativa estimula economia extrativista


O ano de 2016 foi declarado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como o Ano Internacional das Leguminosas com o objetivo principal de se alcançar a segurança alimentar e nutricional para todos, a partir da manutenção da biodiversidade. Essa recomendação motivou os Ministérios do Meio Ambiente (MMA) e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) a publicarem, nesta quarta-feira (18/5), a Portaria Interministerial nº 163 com a lista das espécies brasileiras da sociobiodiversidade que podem ser utilizadas na alimentação e nutrição.
A Portaria traz a lista das espécies nativas da sociobiodiversidade brasileira de valor alimentício e foi editada no contexto das políticas públicas de aquisição de alimentos pelos mercados institucionais, tais como o Programa de Aquisição e Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). De acordo com a diretora do Departamento de Extrativismo do MMA, Juliana Simões, a Portaria dinamizará a economia extrativista, por meio dos mercados institucionais, permitindo a criação de uma estratégia de governo para aquisição de produtos das espécies nativas brasileiras usadas na alimentação.
Alimentos nativos
Juliana Simões reforça que a lista de espécies e produtos enumerados na Portaria poderá melhorar a renda dos extrativistas e demais seguimentos de povos e comunidades tradicionais, além de acrescentar valor e proteger as espécies da sociobiodiversidade. Ela acredita que “as pessoas só protegem aquilo que elas conhecem, usam e dão valor”.
E a decisão da FAO de declarar 2016 como o Ano Internacional das Leguminosas foi tomada no final do ano passado, durante a 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas, sendo que a execução dessa política necessita da colaboração dos governos locais, organizações não governamentais e demais partes interessadas. Para a FAO, a América Latina e o Caribe têm a maior base de recursos genéticos de espécies cultivadas e consumidas em todo o mundo, tais como milho, batata, mandioca, batata-doce, tomate, feijão, amendoim, abóbora, pequi, goiaba, entre muitas outras.
Conservação
As negociações destinadas à construção do texto final da Portaria Interministerial nº 163/2016, pelo MMA e MDS, começaram ainda em 2013, tendo por base as diretrizes do Projeto Biodiversidade para Alimentação e Nutrição (Projeto BFN, da sigla em inglês). Esse projeto é coordenado pelas Secretarias de Biodiversidade e Florestas e de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, ambas do MMA.
Em função da relevância do tema para o MMA e o MDS, a Portaria é considerada pela área técnica dos dois ministérios como um importante avanço e contribuirá para ampliar o conhecimento e a promoção do uso sustentável das espécies da sociobiodiversidade e sua consequente conservação. Juliana Simões acredita que as espécies da sociobiodiversidade têm valor alimentício importante e podem ser melhor trabalhadas pela agricultura familiar, principalmente porque, a partir de agora, elas terão maior reconhecimento das instituições federais parceiras do Projeto BFN.
A lista das espécies nativas da flora brasileira pode ser utilizada para comercialização in natura ou de seus produtos derivados, no âmbito das operações realizadas pelos programas PAA e PNAE. A Portaria relaciona espécies classificadas nas categorias Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU) pela Portaria MMA nº 443/2014, no caso de produtos florestais não madeireiros, tais como sementes, folhas e frutos, que poderão ser utilizadas desde que sejam adotadas as providências para uso sustentável das espécies. 

Fonte: Ministério Meio Ambiente

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Respeitar pedestres é caminho para cidades saudáveis e educadoras


Aproximadamente um em cada três deslocamentos em metrópoles como São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte é feito a pé. Em outras cidades do Brasil, essa proporção é ainda maior. Tal número, porém, parece exercer pouco efeito sobre as políticas públicas de mobilidade urbana no país, em sua maioria ainda estagnadas no conceito rodoviário e de priorização do transporte individual e motorizado.
Outros dados engrossam essa realidade: na década entre 2001 e 2011, enquanto a população brasileira aumentou 12,2%, a quantidade de veículos automotores no Brasil cresceu 138,6%, segundo relatório do Observatório das Metrópoles. Em 2012, circulavam pelas vias do país cerca de 50,2 milhões de automóveis e 19,9 milhões de motos, de acordo com o Denatran.
Com as ruas dominadas por veículos motorizados, qual espaço que sobra para o pedestre – aquele que não consome energia fóssil, que deixa o sedentarismo de lado e, ao decidir por fazer seu trajeto a pé, seja até o ponto de ônibus, à estação de metrô ou todo o caminho, circula pelo ambiente urbano espalhando vida pela cidade? Em muitos casos, somente calçadas esburacadas e perigosas.
“Uma cidade caminhável é uma cidade saudável, uma cidade melhor”, aponta Joana Canedo, da Associação Cidadeapé. “A mobilidade a pé deve ser considerada um sistema de transporte, pensando a sua infraestrutura de forma sistêmica: calçadas, acessibilidade, iluminação, faixas e semáforos de pedestres, arborização, bancos, lixeira, redução da velocidade dos veículos motorizados.”
Além de tais medidas, também é necessário, na opinião de Joana, criar uma rede de deslocamento contínua e linear, com travessias conectadas e articulação com outros modais, favorecendo a convivência entre diferentes modos de transporte. “Hoje, a calçada é pensada como assessório, não como meio de transporte”, reclama.
No ano de 2015, 419 pedestres morreram em acidentes de trânsito em São Paulo. “A mortalidade é enorme. No mesmo ano, as quedas nas calçadas geraram mil atendimentos apenas no Hospital das Clínicas. Porém, elas não são contabilizadas como acidentes de trânsito.”
Terceira idade a pé
A pesquisadora Etienne Duim apresentou sua investigação sobre as dificuldades que idosos encontram para atravessar as ruas em segurança. Em 2014, essa faixa da população perdeu 203 pessoas em acidentes de trânsito em São Paulo, sendo que 88% desse total eram pedestres.
“Será que os idosos têm tempo o suficiente para atravessar as ruas com segurança?”, questiona. O tempo para a travessia considera a largura da via e o posicionamento do pedestre, e no Brasil este número fica entre 1,2 m/s (metros por segundo) e 1,5 m/s – em cidades como Barcelona, na Espanha, basta andar a 0,9 m/s para se conseguir atravessar ruas.
“Com o envelhecimento, ocorre um decréscimo na velocidade de marcha, e aumenta a dificuldade para atravessar ruas e avenidas, mesmo com faixa”, observa a pesquisadora, que faz parte do grupo de estudos SABE (Saúde, Bem Estar e Envelhecimento). Em pesquisa com 1191 idosos realizada em 2010, foi revelado que apenas 4,3% deles conseguiam atingir a média de 1,1 m/s em sua caminhada, ao passo que outros 30% se encaixam no tempo de 0,9 m/s.
“Em São Paulo, claramente o tempo de travessia não é suficiente. Curitiba está testando um sistema que aumenta tempo de semáforo para pedestres com mobilidade reduzida, e em Lima existem experiências com temporizadores para pedestres nos semáforos”, afirma.
A pé para a escola
Pesquisa de 2009 mostra que, entre mais de 2.500 crianças e adolescentes de 51 cidades paulistas, 71% vão para a escola a pé. A pesquisadora Sandra Costa de Oliveira está iniciando uma investigação que buscará entender detalhes desse deslocamento – o que as crianças aprendem no caminho, qual o seu olhar para a cidade ao ir e vir – em trinta escolas da rede municipal paulistana.
Contudo, o pesquisador Thiago Hérick de Sá, da Faculdade de Medicina do ABC, mostrou que, entre 1997 e 2012, o transporte ativo de crianças e jovens para a escola caiu cerca de 20%, enquanto viu-se aumentar as crianças que fazem esse trajeto em um veículo motorizado.
“Aprendemos cognitiva e sensorialmente. Não há dúvida de que as experiências motoras e sensoriais vão ser muito maiores na cidade do que no carro, e também experiências afetivas – positivas e negativas –, pois o ambiente urbano me incomoda e me ensina.”
Cidade Educadora
Os incentivos e políticas públicas direcionadas aos pedestres possibilitariam não apenas mais segurança e tranquilidade para quem opta por este modal, como também proporcionariam uma aproximação dessas pessoas entre si e com o espaço urbano em que vivem. “Andar na rua te ajuda a identificar questões relacionadas à vida urbana, criando uma visão cidadã e questionadora de como a cidade foi construída. Flanar e andar livremente nos ajuda a descobrir que a cidade é muito rica em mil outras coisas”, observa Joana.
Thiago Hérick de Sá acredita que estimular o transporte a pé é uma maneira de garantir saúde e qualidade de vida para os cidadãos, construindo cidades sustentáveis e resilientes e possibilitando não apenas o acesso aos seus espaços, mas também a sua transformação.
“Ser pedestre é muito mais que um deslocamento: é um meio pelo qual a gente coloca nosso corpo em contato com o meio social, físico, emocional. É, por fim, uma condição existencial. Ser pedestre é sermos nós mesmos em contato com a natureza e cultura”, finaliza. 

Fonte: Portal Aprendiz

terça-feira, 17 de maio de 2016

Solucionar a crise ambiental requer mudar o sistema econômico


A organização ambientalista Greenpeace outorga seu governo, pela primeira vez em seus 40 anos de história, a duas mulheres: Jennifer Morgan e Bunny McDiarmid, que assumem a direção internacional convencidas de que solucionar a crise ambiental requer mudar o modelo econômico.
“Nosso principal desafio é fazer a sociedade entender que solucionar os problemas ambientais implica acabar a fundo com as desigualdades e os desequilíbrios do sistema econômico atual”, coincidiram ambas em entrevista telefônica com a Agência Efe.
A mudança climática e a destruição dos ecossistemas “têm sua origem no desequilíbrio de poderes que há no mundo, nos interesses de um reduzido grupo de pessoas ricas que movimentam o mundo”, ressalta Morgan.
Precisamente, esse pequeno grupo de indivíduos “é o que costuma bloquear as soluções aos problemas ambientais”, diz McDiarmid.
Morgan e McDiarmid são as duas primeiras mulheres a assumir a direção do Greenpeace Internacional e a fazer de forma compartilhada; não se conheciam pessoalmente embora ambas possuem um currículo de cerca de três décadas na primeira linha da defesa do planeta.
Morgan é americana e nos últimos anos foi diretora de mudança climática do World Resources Institute (WRI), onde a comunidade internacional a reconheceu como uma personalidade fundamental para conseguir o Acordo de Paris; enquanto a neozelandesa McDiarmid é uma veterana ativista do Greenpeace em seu país.
“Criando uma codireção, o Greenpeace envia a mensagem de que necessitamos mais lideranças compartilhadas ao redor do mundo para resolver a crise ambiental; o fato de que sejamos mulheres não deveria ser notícia no ano 2016, embora espero que possamos servir de inspiração para que muitas outras assumam posições similares”, afirma Morgan.
Qual é o assunto meio ambiental mais urgente para as novas diretores do Greenpeace? McDiarmid responde imediatamente que “a mudança climática e a perda de biodiversidade”.
“Estamos em um momento no qual o quer que façamos agora nestas duas matérias vai ter um impacto fundamental no amanhã”, acrescenta.
“Desde o Greenpeace estaremos atentos para que o Acordo de Paris entre em vigor o mais rápido possível, preferencialmente neste ano, e para que os governos atuem mais rápido e vão além do que se comprometeram”, disse Morgan.
De acordo com ambas, para que o pacto climático global seja efetivo “é vital que as emissões de CO2 toquem teto em 2020, e que o dinheiro deixe de fluir para os combustíveis fósseis e seja desviado para as energias renováveis, já que só assim será cumprido o que foi estipulado”.
Por fim, as novas diretores foram questionadas sobre o que gostariam de conseguir nos próximos dez anos?
“Ter convencido os governos para atuar rápido contra a mudança climática e chegar a tempo, ter conseguido uma mudança rumo à sustentabilidade por parte das empresas e do setor energético, e reconduzido à indústria pesqueira para práticas mais sustentáveis”, assegura McDiarmid.
“Adoraria que todas essas milhões de pessoas que hoje não contam com acesso à energia tenham mediante as renováveis; que não haja multinacionais enriquecendo às custas de destruir os ecossistemas de todos e que tenhamos sido capazes de transitar para um novo modelo de desenvolvimento atendendo os mais vulneráveis, e por sua vez menos responsáveis pela mudança climática”, conclui Morgan. 

Fonte: Terra

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Plástico altera superfície da Terra e vira fóssil do futuro


A presença em nosso mundo de materiais sintéticos derivados do petróleo e de outras substâncias, não é e nem chegará a ser como a matéria orgânica e mineral que compõe o solo natural da crosta terrestre, no entanto, se todo o plástico fabricado nas últimas décadas fosse filme transparente, haveria quantidade suficiente para produzir uma camada que cobriria todo o planeta, de acordo com um estudo internacional no qual participam cientistas da Universidade de Leicester no Reino Unido.
“Atualmente produzimos quase 1 bilhão de toneladas de material plástico a cada três anos”, assegura Jan Zalasiewicz, professor de Paleobiologia da Universidade de Leicester.
O estudo sugere que a superfície do planeta, tanto sua terra firme como os oceanos, está sendo alterada notavelmente pela produção destes materiais de longa duração fabricados pelos seres humanos, e como consequência estamos entrando em uma autêntica ‘Idade ou Era de Plástico’.
“Os plásticos eram mais ou menos desconhecidos para nossos avós quando eram crianças, mas agora, são indispensáveis para nossa vida cotidiana”, segundo Zalasiewicz.
Em nosso dia a dia, os plásticos “estão por todas as partes. Envolvendo os alimentos, sendo recipientes para a água e o leite, proporcionando vasilhas para os ovos, o iogurte e o chocolate, mantendo nossos remédios livres de germes, e constituem a maior parte da roupa que usamos”, acrescenta o professor da universidade, primeiro signatário do estudo.
Fósseis Plásticos
Para Zalasiewicz, os plásticos estão presentes em todas as partes na Terra, desde os cimos das montanhas até o profundo fundo oceânico e, no futuro, “podem se fossilizar, ou seja, se transformar em fósseis ou restos mais ou menos petrificados de outras épocas geológicas conservados nas camadas terrestres”.
O estudo sugere que os plásticos têm um impacto muito durável sobre a geologia do planeta, porque são materiais inertes e difíceis de se degradar e, como resultado disso, quando sujam uma paisagem se transformam em uma parte do solo. Além disso, frequentemente terminam no mar sendo consumidos pelos peixes e as aves marinhas e matando muitos destes seres.
Segundo os cientistas, os plásticos podem viajar milhares de quilômetros, presos nos “grandes remendos de lixo oceânico que flutuam em distintas partes do mar; ficar depositados em praias distantes; ou, eventualmente, podem afundar até o fundo do mar para se transformar em uma parte das camadas geológica do futuro”.
Para o professor Zalasiewicz, os plásticos continuarão entrando no ciclo sedimentar durante os próximos milênios e, uma vez enterrados, ao serem tão resistentes, têm uma boa oportunidade de fossilizar e deixar um sinal deste material e da ‘Era do Plástico’ durante muitos milhões de anos no futuro.
Alimento das aves marinhas
Por sua vez, pesquisadores do CSIRO, da agência científica nacional da Austrália e do Imperial College de Londres do Reino Unido avaliaram a extensão da ameaça que representam os plásticos para as aves marinhas no mundo e viram que quase 60% de todas as espécies têm este material em seus intestinos.
Segundo este trabalho, em 1960 foi encontrado plástico no estômago de menos de 5% das aves marinhas e esta proporção aumentou até 80% em 2010, enquanto os pesquisadores predizem que a ingestão deste material sintético afetará 99% das espécies de aves marinhas do mundo no ano 2050 se a atual tendência se mantiver.
Os cientistas australianos e britânicos calculam que 90% de todas as aves marinhas vivas hoje em dia comeram plástico de algum tipo, o que segundo o doutor Chris Wilcox, pesquisador de oceanos e da atmosfera sênior no CSIRO e o líder do estudo, “é uma quantidade enorme e realmente aponta que a contaminação por plástico está por todas partes”.
“As aves marinhas costumam ingerir sacos, tampas de garrafas de plástico e fibras de roupa sintética, que chegaram ao oceano através dos rios, esgotos e depósitos de resíduos urbanos, e em alguns animais foram encontradas cerca de 200 peças de plástico”, segundo a doutora Denise Hardesty, pesquisadora do CSIRO e co-autora de trabalho.
Uma duração de centenas de anos
As aves, como os pinguins e albatrozes gigantes, confundem os objetos de cores brilhantes com o alimento, comendo ou tragando o plástico por acidente, criando um impacto, já que a substância ficará em seus intestinos. Isso provoca perda de peso e, às vezes, a morte dos animais, segundo os especialistas do CSIRO e do Imperial College.
A Expedição Malaspina, liderada pelo Conselho Superior de Pesquisas Científicas, CSIC, espanhol, demonstrou que existem cinco grandes acumulações de resíduos plásticos no oceano aberto, que coincidem com as grandes correntes de circulação de água superficial oceânica.
Além do já conhecido acúmulo de lixo plástico do Pacífico Norte, existem acúmulos similares no centro do Atlântico Norte, do Pacífico Sul, do Atlântico Sul e do Oceano Índico.
Os pesquisadores do CSIC descobriram que as águas superficiais do centro dos oceanos podem não ser o destino final dos resíduos plásticos, ao comprovar que grandes quantidades de microplásticos podem estar passando à cadeia alimentar marinha e chegando aos fundos oceânicos.
“As correntes oceânicas transportam os objetos plásticos, que se racham em fragmentos cada vez menores ou microplásticos devido à radiação solar, podendo chegar a durar centenas de anos. Esses fragmentos foram detectados em 88% da superfície oceânica mostrada durante a expedição”, segundo o pesquisador Andrés Cózar, da Universidade de Cádiz.
Segundo os autores do estudo, “os resultados de Malaspina mostram que o problema da poluição por resíduos plásticos tem caráter planetário, e que os principais resíduos achados são polietileno e polipropileno, dois polímeros usados na elaboração de sacolas, contêineres de bebida e comida, utensílios de cozinha e brinquedos, entre outros”. 

Fonte: Terra

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Lei da Biodiversidade é regulamentada


A Lei de Acesso e Repartição de Benefícios da Biodiversidade está regulamentada. O Diário Oficial da União publicou na quinta-feira, 12 de maio 2016, decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff e os ministros da Justiça, Eugênio de Aragão, da Agricultura, Kátia Abreu, da Indústria e Comércio, Fernando Furlan, do Meio Ambiente, Izabella Teixeira e do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias.
Além das pastas que assinam o decreto, os povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares, academia e representantes do setor privado participaram de sua concepção. O esforço exigiu reuniões quase diárias, oficinas com povos e comunidades em todas as regiões do país e reflete o melhor consenso possível, dada a complexidade do tema e a pluralidade dos setores envolvidos.
O governo federal buscou compatibilizar o acesso desburocratizado à biodiversidade, sua pesquisa e exploração econômica, com a garantia da repartição dos benefícios gerados e dos direitos de povos e comunidades. O decreto regulamenta o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, define sua estrutura, estabelece regras para o acesso à biodiversidade e repartição de benefícios, além de definir infrações e sanções administrativas.
Novas UCs na Amazônia
A Floresta Amazônica brasileira contará com mais 2,83 milhões de hectares em regime de conservação. Foram criados também na quinta-feira (12 maio 2016) o Parque Nacional do Acari, as Florestas Nacionais do Aripuanã e de Urupadi e a Área de Proteção Ambiental e a Reserva Biológica Manicoré. Também foi ampliada a Floresta Nacional Amana. Todas elas ficam no Amazonas e, juntas, ocupam área maior do que estado de Alagoas.
As unidades de conservação foram estabelecidas a partir de estudos financiados pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa). Situadas ao sul do Amazonas, na bacia do Rio Madeira, as áreas têm enfrentado pressões e, agora, passarão a permitir o incremento da economia local baseado no manejo florestal sustentável. Parte delas também possibilitará o desenvolvimento do ecoturismo em razão das belezas naturais.
Com a maior área entre as novas unidades criadas, o Parque Nacional do Acari garantirá a proteção integral de 896 mil hectares de Floresta Amazônica. O objetivo é preservar o ecossistema, contribuir para a estabilidade ambiental e desenvolver atividades de recreação e educação em contato com a natureza local. A área registra a presença de espécies ameaçadas de extinção e tem fauna silvestre abundante, com mais de 150 espécies de mamíferos e mais de 600 de aves.
Riqueza biológica
Os estudos revelam que a região da Flona do Aripuanã apresenta extrema riqueza biológica e um consequente potencial científico. Nos últimos 10 anos, foram descobertas pelo menos três espécies de primatas e duas de aves. Além do desenvolvimento de pesquisas, a criação da Floresta Nacional garantirá a permanência de povos tradicionais, a manutenção dos recursos hídricos e da biodiversidade e o manejo sustentável.
Na mesma região, ao norte da BR-230, a Flona do Urupadi promoverá o uso sustentável dos recursos naturais. A criação da Floresta Nacional proporcionará maior segurança para a Estação Ecológica Alto Maués e contribuirá para a conservação de primatas que vivem na área. Esse conjunto de unidades de conservação das redondezas incrementará, ainda, a economia de base florestal na região.
Ampliação
Já existente, a Flona do Amana teve o acréscimo de 141 mil hectares. A ampliação permitirá a manutenção e proteção dos recursos hídricos e da biodiversidade aliado ao manejo sustentável dos recursos madeireiros e não-madeireiros da região. Assim, será assegurada a conectividade dos ecossistema locais já que essa é uma área isolada em meio a um conjunto de unidades de conservação já existentes, o que representava um potencial foco de pressão.
Complementares, a Área de Proteção Ambiental (APA) Campos de Manicoré e a Reserva Biológica (Rebio) Manicoré protegerão a diversidade biológica da região. O ecossistema local é considerado frágil e não estava representado em qualquer unidade de conservação federal. Na APA, será disciplinado o processo de ocupação em acordo com a conservação ambiental. Já a Rebio possibilita a proteção de parte dos rios Manicoré, Manicorezinho, Jatuarana e seus afluentes. 

Fonte: Paulenir Constâncio e Lucas Tolentino - Ministério Meio Ambiente

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Fome - Uma questão de segurança mundial


A crise global dos preços dos alimentos em 2008 coincidiu com revoltas em mais de 40 países e com a queda de vários governos, como os do Egito e da Líbia, ressaltando o vínculo entre segurança alimentar e instabilidade política.
Roma, Itália, 12/5/2016 – Desesperado, frustrado e sem perspectiva de futuro, no dia 17 de dezembro de 2010 o tunisiano Mohamed Bouazizi jogou gasolina em seu corpo e ateou fogo. Assim começou a revolta popular que derrubaria em seu país a ditadura de Zine el Abidine Ben Ali, que estava no poder desde 1987, criando um efeito dominó em outros países do Oriente Próximo e do norte da África.
Esse fato se deu na pequena cidade de Sidi Bouzid, mas poderia ter sido em qualquer outro lugar do mundo golpeado pelo alto preço de produtos tão básicos como o pão. Paradoxalmente, Mohamed era vendedor de frutas e sonhava em comprar uma caminhonete para ampliar seu negócio.
A crise global dos preços dos alimentos em 2008 coincidiu com revoltas em mais de 40 países e com a queda de vários governos, como os do Egito e da Líbia, ressaltando o vínculo entre segurança alimentar e instabilidade política. Os protestos na Tunísia e em outros países foram inicialmente manifestações contra os altos preços dos alimentos.
Não foi a única causa, mas foi o detonador de uma indignação pública com raízes mais profundas, mas com um denominador comum.
Em 2011, uma alta semelhante dos preços dos alimentos voltou a provocar novos conflitos internos e exacerbar os existentes em numerosos países, tal como se pode ver claramente no gráfico que acompanha este artigo: quando a curva dos preços de produtos alimentícios se eleva a picos extremos, o impacto na instabilidade social e política é bem evidente.
A falta de alimentos ou, para ser mais preciso no argumento, da capacidade de adquiri-los – isto é, a pobreza – é uma das ameaças à segurança e à vida das pessoas que mais rapidamente acende o pavio do enfrentamento e mais alonga os conflitos.
Não pode haver paz sem segurança alimentar, nem segurança alimentar sem paz. São dois conceitos que se reforçam mutuamente.
Quando foi criada a FAO, em 1945, o mundo ressurgiu da Segunda Guerra Mundial e seus fundadores sabiam que essa organização deveria desempenhar um papel vital na busca pela paz. Por isso, já então, assinalaram no preâmbulo da Constituição que “A Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO) nasce da necessidade de paz e da necessidade de livrar o mundo da miséria. Ambas são interdependentes. Eliminar a miséria é essencial para uma paz duradoura”.
Setenta anos depois da criação da FAO, a comunidade internacional reforça essa ideia com a adoção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, baseada na premissa de que não pode haver desenvolvimento sustentável sem paz, nem paz sem desenvolvimento sustentável.
O vínculo entre alimentação e paz também foi a base da concessão do Prêmio Nobel da Paz de 1949 a Lord Boyd Orr, o primeiro diretor-geral da FAO. Ao aceitá-lo, afirmou com clarividência: “A fome está no centro de todos os problemas do mundo. A menos que as pessoas tenham o que comer, os tratados significarão nada”. Por isso a segurança alimentar é um pré-requisito para a paz e a segurança mundial e a fome deve ser considerada uma questão de segurança mundial.
Mais ainda em um mundo globalizado, onde tudo o que acontece em um lugar do planeta afeta o restante. E também por isso as medidas de estabilização de preços dos alimentos e das redes de proteção social são instrumentos fundamentais para a prevenção de conflitos violentos.
Por essa razão, o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, lançou um claro sinal à comunidade internacional sobre a imperiosa necessidade de se enfrentar o tema da insegurança alimentar no sentido mais amplo do termo, ao se dirigir no mês passado ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e destacar a relação de interdependência entre fome e conflito, bem como de sua influência na desestabilização das sociedades e no agravamento a instabilidade política.Como consequência dessa intervenção, o Conselho de Segurança solicitou à FAO que mantenha seus membros regularmente informados da situação alimentar nos países mais críticos.
Por tudo isso, erradicar a fome é, não só uma obrigação moral, mas uma necessidade crucial para garantir um futuro para todos. Melhorar a segurança alimentar pode ajudar a construir uma paz sustentável, e inclusive prevenir possíveis conflitos. Sabemos que as ações para promover a segurança alimentar podem ajudar a prevenir crises, mitigar seu impacto e promover a recuperação posterior. E está claro que a prevenção exige abordar as causas mais profundas dos conflitos, entre elas a fome e a insegurança alimentar.
Os conflitos são um fator crucial nas crises de segurança alimentar prolongadas e o círculo vicioso se repete uma e outra vez. Durante os mesmos, há três vezes mais probabilidades de sofrer fome do que no resto do mundo em desenvolvimento, enquanto os países com níveis mais altos de insegurança alimentar também são os mais afetados pelos conflitos. Assim confirmam casos que vão da Síria ao Iêmen, do Sudão do Sul à Somália.
O pós-conflito de Angola e Nicarágua, a situação de Ruanda depois do genocídio e a de Timor Leste posterior à independência, são outros casos que nos mostram que a paz e a segurança alimentar se reforçam mutuamente. Do contrário, a situação desemboca em um recrudescimento da violência.
O fracasso para impulsionar a segurança alimentar pode pôr em risco os processos de estabilização, um risco que enfrentam atualmente o Iêmen e a República Centro-Africana, onde metade da população sofre insegurança alimentar.
Esse foi precisamente o tema central de uma reunião realizada no final de abril, entre o diretor-geral da FAO e o novo presidente da República Centro-Africana, Faustin-Archange Touadera, que pediu à FAO apoio para ter êxito na estratégia de desarmamento e reinserção dos grupos armados do país, redobrando os esforços no setor agrícola, para que a população possa satisfazer suas necessidades básicas.
Promover o desenvolvimento rural também pode facilitar os esforços de construção da paz. Um exemplo muito concreto e atual é o trabalho conjunto da FAO com o governo da Colômbia, para implantar projetos de execução rápida que melhorem a segurança alimentar e o desenvolvimento rural, em um esforço no sentido de consolidar o acordo de paz, que, previsivelmente, logo será alcançado.
Os esforços internacionais em favor da paz serão mais efetivos se incluírem medidas para impulsionar a resiliência das famílias e comunidades rurais, já que são elas e seus meios de vida os que sofrem a maior parte dos danos nos conflitos. E, para tudo isso, a fome, no centro de tantos conflitos, deve ser considerada uma questão de segurança mundial. 

Fonte: Enrique Yeves - Jornalista e Diretor de Comunicação da FAO

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Sustentabilidade não pode prescindir dos valores humanos


Sustentabilidade humana
De inundações e quebras de safra à qualidade do ar e à poluição da água, os governos de todo o mundo estão enfrentando o desafio de construir um futuro sustentável para as pessoas e para a natureza.
Contudo, os esforços globais para proteger o planeta irão falhar se não levarmos em conta conceitos como igualdade e bem-estar.
O alerta está em um estudo realizado por uma equipe multidisciplinar e multi-institucional, liderada por Christina Hicks, da Universidade Lancaster, no Reino Unido, e publicado pela revista Science.
"Nossa busca para alcançar um ambiente saudável e sustentável depende profundamente de compreendermos como o bem-estar humano está ligado ao meio ambiente e é impactado pela forma como o administramos," explica o professor Phil Levin, da NOAA dos EUA (National Oceanic and Atmospheric Administration).
Conceitos sociais essenciais
O principal argumento da equipe é que, se quisermos fazer mudanças justas e duradouras para o meio ambiente, precisamos nos engajar de forma concreta, com a ciência sim, mas também com conceitos sociais essenciais.
Os autores identificam sete conceitos sociais-chave, que são muitas vezes marginalizados nos esforços para atingir as metas de sustentabilidade:
1. Bem-estar
2. Cultura
3. Valores
4. Desigualdade
5. Justiça
6. Poder
7. Um sentido de autodeterminação
Eles sugerem que, embora estes conceitos sejam mais difíceis de quantificar do que o PIB ou as emissões de carbono, eles podem ser medidos e métodos já estão sendo desenvolvidos por pesquisadores e formuladores de políticas para quantificar alguns deles, incluindo o bem-estar, a autodeterminação, os valores e a desigualdade.
Proteção ambiental compatível com o ser humano
Sem essa perspectiva do social, corremos o risco de ir por uma estrada que protege o planeta, mas é incompatível com o bem-estar humano.
"O bem-estar humano é dependente de ecossistemas saudáveis, mas a busca do bem-estar no curto prazo pode afetar negativamente os mesmos ecossistemas.
"Para mim, tudo se resume a criar um mundo mais justo - nós podemos agir para proteger o nosso ambiente, mas, por vezes, essas ações podem aumentar a desigualdade, e então a abordagem não vai ser sustentável a longo prazo.
"Por exemplo, criamos parques marinhos e parques terrestres para proteger a natureza e a biodiversidade e com toda a razão. Mas, ao fazer isso, frequentemente temos tirado os meios de subsistência das pessoas, retirando as pessoas de sua própria terra. As pessoas têm sofrido. Uma sustentabilidade duradoura dependerá de soluções legítimas e justas," defende a professora Christina Hicks.
Cientistas sociais
Como meio de ação, o artigo destaca a importância de incorporar cientistas sociais para que eles trabalhem ao lado dos cientistas ambientais e dos decisores políticos.
"A ciência social é fundamental para decifrar como as pessoas interagem com seu ambiente, mas muitas vezes as complexidades dessa relação e as linguagens nas quais ela é expressa podem se tornar uma barreira à forma como ela é usada por outras ciências e pela política," ressaltou Sarah Coulthard, coautora do estudo. 

Fonte: Site Inovação Tecnologica

terça-feira, 10 de maio de 2016

Escassez de água pode reduzir crescimento econômico em 6%


Algumas regiões do mundo poderão ver as suas taxas de crescimento cair até 6% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas as riquezas produzidas por um país – até 2050, caso nada seja feito para melhorar as políticas de gestão da água, alertou o Banco Mundial.
No relatório intitulado High and Dry: Climate Change, Water and the Economy, o banco escreve que as alterações climáticas terão impacto, em primeiro lugar, no ciclo da água, com consequências na alimentação, energia, sistemas urbanos e ambientais.
O crescimento das populações, com maiores rendimentos e em cidades cada vez maiores, irá resultar num aumento exponencial das necessidades de água, mas a água disponível será mais errática e incerta, antecipa o relatório.
A redução da água doce disponível e a competição por parte de setores como a energia ou a agricultura poderão deixar as cidades em 2050 com até menos dois terços da água que tinham em 2015.
Segundo o Banco Mundial, se as políticas de gestão da água se mantiverem como estão e se os modelos climáticos se confirmarem, a escassez de água irá se estender a regiões onde atualmente não existe, como a África central e a Ásia oriental – e piorar gravemente onde já é uma realidade, como o Oriente Médio e o Sahel, na África.
Crescimento ameaçado
Estas regiões, prevê o relatório agora divulgado, poderão ver as suas taxas de crescimento econômico cairem em até 6% do Produto Interno Bruto até 2050, devido aos efeitos da escassez de água na agricultura, na saúde e nos rendimentos.
A boa notícia, revela o Banco Mundial, é que embora as más políticas possam exacerbar o impacto econômico negativo das alterações climáticas, as boas políticas podem ajudar a neutralizá-lo.
Algumas regiões poderão ver as suas taxas de crescimento aumentar até 6% com melhores práticas de gestão dos recursos hídricos. Os autores do relatório recordam que os impactos da má gestão da água são particularmente sentidos pelos mais pobres, que têm maior probabilidade de depender da agricultura alimentada pela chuva e de viver em zonas mais suscetíveis a inundações, estando também mais vulneráveis ao risco de águas contaminadas e saneamento desadequado.
Migrações e conflitos civis
As mudanças na disponibilidade da água podem também induzir as migrações e incendiar conflitos civis, devido ao impacto que têm nos preços dos alimentos e no crescimento econômico, diz o estudo.
“É por isso que a gestão da água será crucial para o mundo alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as aspirações a uma redução da pobreza e a uma maior prosperidade partilhada”, ressalta o relatório.
“A água é a moeda comum que liga quase todos os ODS”, acrescenta o documento, numa referência aos objetivos definidos em 2015 pela comunidade internacional.
Otimizar a utilização da água por meio de melhor planejamento e incentivos, expandir a quantidade e disponibilidade de água, sempre que possível e reduzir o impacto dos extremos, da variabilidade e incerteza são as propostas do Banco Mundial para melhor gerir a água no futuro. 

Fonte: Site EcoD

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Mudanças Climáticas


Muito tem sido falado sobre as mudanças climáticas, o efeito estufa e o aquecimento global. Embora interligados, esses três eventos não são sinônimos. As mudanças climáticas são alterações no clima geral da Terra ao longo dos anos, e são verificadas por meio de registros científicos de temperaturas, índices de chuvas, temperatura dos oceanos, entre outros critérios. Os estudiosos do clima vêm notando que, nas últimas décadas, especialmente após a Revolução Industrial, no século XIX, as temperaturas médias globais estão aumentando de forma significativa, e eventos climáticos extremos (secas, furacões e tempestades) têm se tornado cada vez mais frequentes.
Isso reforça a percepção de que a ação humana vem interferindo diretamente sobre o clima. O efeito estufa é um fenômeno natural e ocorre quando uma parte da radiação infravermelha emitida pela superfície da Terra é absorvida por gases presentes na atmosfera. A consequência é que o calor fica retido e não é liberado para o espaço. O processo é de vital importância para assegurar a vida na Terra, pois mantém o planeta aquecido. Entretanto, as principais atividades econômicas, como o transporte, a agricultura e a indústria, são realizadas com o uso de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás), que emitem gás carbônico (CO2) e outros gases que intensificam o efeito estufa – desencadeando o aquecimento global.
O tema é objeto de muitos estudos na comunidade científica. Parte dela atribui o aquecimento global aos ciclos naturais da Terra. Mas um número ainda maior de especialistas, a maioria reunida no painel de cientistas do clima da ONU (Organização das Nações Unidas), afirma que a as atividades humanas, especialmente a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento, estão na raiz da questão.
Embora sem o consenso de todos os cientistas, algumas consequências do aquecimento global já se mostram bastante visíveis. Uma delas é o degelo das áreas polares. No oceano Ártico, por exemplo, a camada de gelo tornou-se 40% mais fina e sua área sofreu redução de 15% nos últimos anos. As geleiras dos Alpes, na Europa, já recuaram cerca de 40%. Com isso, outro efeito é o aumento do nível dos oceanos – o que pode comprometer futuramente as cidades litorâneas. Outra consequência da elevação das temperaturas é o aumento das áreas semiáridas e desérticas, além da maior ocorrência de eventos climáticos extremos, resultados da maior evaporação da água dos oceanos e das ondas de calor.
Tudo isso tem levado à criação de um movimento forte de cidadania e responsabilidade socioambiental, que está incentivando consumidores e empresas a gerarem menos poluição e utilizarem energias limpas. Este novo comportamento e esta nova consciência são primordiais para reduzir o aquecimento global e suas consequências ao planeta. 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A importância do Licenciamento Ambiental


O Licenciamento ambiental é um Instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente, que foi estabelecida pela Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. A principal função desse instrumento é conciliar o desenvolvimento econômico com a conservação do meio ambiente. A lei estipula que é obrigação do empreendedor buscar o licenciamento ambiental junto ao órgão competente, desde as etapas iniciais do planejamento de seu empreendimento e instalação até a sua efetiva operação.
Na Resolução normativa CONAMA nº 237/97, o Licenciamento ambiental é definido como o procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.
O Artigo nº 225 da Constituição Federal Brasileira de 1988 estabelece que: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”
A Resolução normativa CONAMA no 001/86 considera impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam:
I. a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
II. as atividades sociais e econômicas;
III. a biota;
IV. as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
V. a qualidade dos recursos ambientais.
A licença ambiental é um documento com prazo de validade definido no qual o órgão ambiental estabelece regras, condições, restrições e medidas de controle ambiental a serem seguidas pela atividade que está sendo licenciada. Ao receber a Licença Ambiental, o empreendedor assume os compromissos para a manutenção da qualidade ambiental do local em que se instala. Ou seja, baseado nos extratos acima podemos concluir que qualquer projeto que possa desencadear efeitos negativos (impactos ambientais) no meio ambiente precisa ser submetido a um processo de licenciamento.
O licenciamento ambiental é a principal ferramenta que a sociedade tem para controlar a manutenção da qualidade do meio ambiente, o que está diretamente ligado com a saúde pública e com boa qualidade de vida para a população. Assim sendo, conclui-se que o licenciamento ambiental é o instrumento que o poder público possui de controlar a instalação e operação das atividades, visando preservar o meio ambiente para as sociedades atual e futura.
Uma série de processos faz parte do licenciamento ambiental, que envolve tanto aspectos jurídicos, como técnicos, administrativos, sociais e econômicos dos empreendimentos que serão licenciados.
Tanto nos extratos abaixo da Resolução normativa CONAMA No 237/97, como na Lei Estadual – MS No 2.257 de 2001, observa-se a seguinte hierarquia de licenças e o seguinte procedimento para o licenciamento ambiental:
Art. 8º – O Poder Público, no exercício de sua competência de controle, expedirá as seguintes licenças:
I – Licença Prévia (LP) – concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação;
II – Licença de Instalação (LI) – autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante;
III – Licença de Operação (LO) – autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação.
Art. 10º – O procedimento de licenciamento ambiental obedecerá às seguintes etapas:
I – Definição pelo órgão ambiental competente, com a participação do empreendedor, dos documentos, projetos e estudos ambientais, necessários ao início do processo de licenciamento correspondente à licença a ser requerida;
II – Requerimento da licença ambiental pelo empreendedor, acompanhado dos documentos, projetos e estudos ambientais pertinentes, dando-se a devida publicidade;
III – Análise pelo órgão ambiental competente, integrante do SISNAMA , dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados e a realização de vistorias técnicas, quando necessárias;
IV – Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente, integrante do SISNAMA, uma única vez, em decorrência da análise dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados, quando couber, podendo haver a reiteração da mesma solicitação caso os esclarecimentos e complementações não tenham sido satisfatórios;
V – Audiência pública, quando couber, de acordo com a regulamentação pertinente;
VI – Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente, decorrentes de audiências públicas, quando couber, podendo haver reiteração da solicitação quando os esclarecimentos e complementações não tenham sido satisfatórios;
VII – Emissão de parecer técnico conclusivo e, quando couber, parecer jurídico;
VIII – Deferimento ou indeferimento do pedido de licença, dando-se a devida publicidade.” Verifica-se que o processo de licenciamento ambiental de uma atividade nos órgãos ambientais é extenso e burocrático, porém é preciso considerar que a burocracia é uma consequência natural da organização da sociedade em sistemas.
Os principais documentos técnicos de um processo de licenciamento são:
• Requerimento – Caracterização do Empreendimento
• Termo de Referência
• Estudos Ambientais (EIA/RIMA, PCA, RCA, etc)
• Projeto Básico Ambiental (PAE, PGRS, PRAD, Programas de monitoramento, educação ambiental, etc).
70% dos municípios não fazem licenciamento ambiental
Apenas 30% dos municípios brasileiros realizam licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades que têm impacto na natureza, e 22% estão em processo de elaboração da Agenda 21 local, ou seja, se dedicam ao planejamento do setor. Os números são do Perfil dos Municípios Brasileiros 2015 (Munic), levantamento do IBGE com dados sobre os 5.570 municípios do País.
A pesquisa, que se baseia em respostas dadas pelas prefeituras, mostra que só metade das cidades conta com plano diretor, um instrumento básico que traça diretrizes para o desenvolvimento e o ordenamento urbano. Em 2005, esse porcentual era de 14,5%.
Pelo Estatuto da Cidade, o plano é obrigatório a todos os municípios com mais de 20.000 habitantes, que fazem parte de regiões metropolitanas, estão em áreas turísticas ou têm atividades com grande impacto ambiental.
Desde 1999, a Munic se propõe a investigar de forma abrangente o funcionamento das prefeituras brasileiras e outras instituições públicas municipais.
Os temas abordados nesta edição são: recursos humanos, planejamento urbano, recursos para a gestão, terceirização e informatização, gestão ambiental e articulação com outros municípios.
Segundo o levantamento, 85,8% dos municípios contratam empresas terceirizadas para a execução de serviços públicos.
Em relação aos recursos humanos, a Munic contabilizou que de 2005 a 2015 subiu 37,4% o número de pessoas ocupadas na administração pública municipal no País - eles são 3,2% dos 204,4 milhões de brasileiros (população estimada pelo IBGE).
No capítulo sobre articulação interinstitucional, a pesquisa compara dados de 2011 e 2015 referentes a consórcios públicos das prefeituras com pelo menos um parceiro (outros municípios, Estados, União) e revela que 59,2% das cidades o faziam em 2011, ante 66,3% em 2015. 

Fonte: Luiz Henrique Lopes e Exame/Abril