quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Vigilância Sanitária e Meio Ambiente


O que é a Vigilância Sanitária

As ações de Vigilância Sanitária (VISA) devem promover e proteger a saúde da população, com ações capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e da circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde.

No Brasil, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é responsável por criar normas e regulamentos e dar suporte para todas as atividades da área no País. A ANVISA também é quem executa as atividades de controle sanitário e fiscalização em portos, aeroportos e fronteiras.

A vigilância sanitária é fundamental para a saúde pública e o meio ambiente. Nossa vida é cruzada pela vigilância sanitária o tempo todo e poucos se dão conta disso. Dispor de capacidade de normatização e imposição legal, a vigilância sanitária é uma poderosa ferramenta de promoção da saúde humana e ambiental e, por esse motivo, merece especial atenção na governança das relações entre saúde e ambiente. A governança do desenvolvimento, ambiente e saúde tem na regulação e na vigilância sanitária um dos mais importantes mecanismos de política pública e ação governamental intersetorial.

Não há desenvolvimento sustentável sem saúde e não há crescimento sem população saudável. Existe uma forte relação entre saúde e meio ambiente, uma vez que problemas ambientais podem provocar uma série de enfermidades, sim, a carga de doenças por causas ambientais afetam mais os países mais pobres e os menos desenvolvidos quando considerado um grupo de países mais ricos.

A Secretaria de Vigilância Sanitária, possuí a missão de promover e proteger a saúde da população por meio de estratégias e ações de educação e fiscalização. Atua em um conjunto de ações para eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente da população e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde.

Com sua ação comunicativa busca mobilizar e motivar a população a aderir as práticas sanitárias que estimulam mudanças de comportamento, formação da consciência sanitária e a promoção da saúde.

Estabelece os parâmetros necessários à saúde pública, regulando os processos e produtos que interferem na saúde das pessoas e quando necessário usa o poder de polícia sanitária por meio da fiscalização e do monitoramento, aplicando infrações e intimações, interditando estabelecimentos, apreendendo produtos e equipamentos, entre outras ações.

Missão - Promover e proteger a saúde da população por meio de ações integradas e articuladas de coordenação, normatização, capacitação, educação, informação, apoio técnico, fiscalização, supervisão e avaliação em Vigilância Sanitária.

Visão - Ser um centro de referência, coordenador da rede estadual de Vigilância Sanitária, garantindo a inclusão social e a construção da cidadania para a proteção da vida.

A Vigilância Sanitária atua

1. Nos locais de produção, transporte e comercialização de alimentos. - Bares, restaurantes, mercados, frutarias, açougues, peixarias, frigoríficos, indústrias e rotulagem de alimentos, transportadoras, embaladoras, importadoras, exportadoras e armazenadoras de alimentos, etc.

2. Nos locais de produção, distribuição, comercialização de medicamentos, produtos de interesse para a saúde. - Farmácias, drogarias, perfumarias, saneantes, produtos de higiene, produtos hospitalares (indústria, comércio e rotulagem) importadora, exportadora, distribuidora, transportadora, armazenadora de medicamentos, cosméticos e saneantes.

3. Nos locais de serviços de saúde. - Hospitais, clínicas médicas e odontológicas, laboratórios, asilos, presídios, profissionais de saúde, etc.

4. No meio ambiente. - Controla a qualidade da água, ar, solo, saneamento básico, calamidades públicas, transporte de produtos perigosos, monitora os ambientes que causam danos à saúde, entre outros.

5. Nos ambientes e processos do trabalho/saúde do trabalhador. - Identificação e intervenção dos locais de trabalho das pessoas como lojas, fábricas, transportes, escritórios, etc.

6. Na pós-comercialização. - Investigam situações que envolvem reações adversas a medicamentos, sangue e produtos para saúde, intoxicação por produtos químicos, etc.

7. Nos projetos de arquitetura. - Analisa projetos de construção, reforma, adaptação ou ampliação no que interfere na saúde das pessoas, em residências, hospitais, clínicas, fábricas, escolas, etc.

8. Em locais públicos. - Shoppings, cinemas, clubes, óticas, postos da gasolina, estádios, piscinas, escolas, cemitérios, salões de beleza, portos, aeroportos, áreas de fronteira, entre outros.



Fonte: Luiz Henrique Lopes

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Conheça os três pilares da sustentabilidade


O conceito de sustentabilidade se sustenta sobre três pilares que, juntos, fundamentam a ideia de se construir uma sociedade autossuficiente sem agredir o planeta. Conheça os mesmos lendo este pequeno artigo.

Como forma de tornar mais acessível e simplificado o acesso ao conhecimento sobre a importância da sustentabilidade, foi criado o conceito dos três pilares da sustentabilidade. Eles se baseiam naquelas que são consideradas as práticas ideais relacionadas às ideias de preservação do meio ambiente, utilização de materiais renováveis e diminuição do desperdício para a aplicação desta forma de pensar na atual configuração da sociedade.

Os três pilares da sustentabilidade se dividem nos seguintes âmbitos: o social, o ambiental e o econômico. Cada um retrata um contexto em que a sustentabilidade é aplicada, ao mesmo tempo em que um depende do outro para se sustentar.

O aspecto social refere-se diretamente ao elemento humano, como a criação de mecanismos que melhorem a qualidade de vida dos cidadãos, leis de amparo às necessidades da população e desenvolvimento de políticas de melhorias em áreas como educação, segurança e lazer. Este pilar parte do princípio que a busca por uma sociedade sustentável deve passar pela ideia de se ter uma sociedade bem cuidada e saudável.

O pilar ambiental tem as suas raízes nas muitas maneiras de se buscar a preservação do meio ambiente e dos recursos naturais, além da diminuição do desperdício de materiais. Esta etapa busca estudar as melhores formas de se desenvolver projetos com o menor impacto ambiental e encontrar alternativas saudáveis para práticas dentro do contexto de cada região.

O terceiro pilar é o econômico, que vai além do seu significado superficial que é relacionado a dinheiro. Diz respeito às causas e efeitos de decisões de negócios feitas no âmbito ambiental dentro do contexto econômico.

Estes três pilares se unem para somar todo um contexto sustentável que proporciona a qualquer projeto a possibilidade de oferecer um impacto menor ao meio ambiente e às vidas das pessoas. Em cada um são levados em conta contextos específicos que devem ser considerados em cada caso.

Tendo em mente estas diretrizes, fica mais simplificada a ideia de sustentabilidade para qualquer empreendimento. É importante que cada pilar seja analisado dentro do contexto de cada projeto e, desta forma, trabalhado da melhor forma possível. Somente com os três pontos em equilíbrio, a real e total sustentabilidade será atingida.



Fonte: www.pensamentoverde.com.br

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

IPTU verde para a preservação ambiental


O IPTU verde é uma alternativa para o desenvolvimento sustentável dos grandes centros urbanos que, cada vez mais, contam com obras de construção civil. A qualidade de vida está relacionada diretamente ao meio em que se vive, por isso, há uma necessidade de criação de ações para a preservação e manutenção do meio ambiente.

Com o aumento da população e da quantidade de pessoas nas cidades e nos grandes centros urbanos, a construção civil cresceu de forma considerável e, junto com ela, a preocupação ambiental.

Dessa forma, visando o desenvolvimento das cidades de forma sustentável, o governo implantou o IPTU verde, sistema que visa garantir que proprietários de imóveis adotem medidas sustentáveis, que já está sendo adotado por diversas cidades brasileiras.

O IPTU Verde funciona como um desconto no valor do imposto para o cidadão que construir ou reformar seu imóvel implantando sistemas eco eficientes em sua obra, como captação e reuso da água, geração de energia, tratamento de resíduos e uso de materiais provenientes de fontes naturais renováveis ou recicladas. Vale lembrar que por ter caráter municipal as disposições gerais variam de acordo com a cidade.

Especialistas do ramo imobiliário e ambiental acreditam que e a adoção do IPTU Verde nas cidades servirá de estímulo para que os consumidores apostem em empreendimentos ambientalmente responsáveis. A proposta é que os cidadãos fiquem, cada vez mais, conscientes.

A popularização dessas medidas é aguardada pelo mercado, já que os preços ainda são elevados. No entanto, o alto investimento no início pode ser diluído com o tempo, já que ao adotar essas medidas, a tendência é que haja economia nas contas fixas – luz e água.

Existe um conjunto de descontos para quem possui construções sustentáveis, que vão de 1% à 5%.
Dentre as ações ambientais aceitas pela prefeitura da cidade, por exemplo, estão a acessibilidade, arborização, utilização de energia eólica e destinação de resíduos à reciclagem.

Essas medidas garantem ao proprietário do imóvel o desconto de IPTU durante cinco anos consecutivos. Para obtenção inicial dos descontos é necessário comprovação de duas ou mais medidas implantadas na propriedade.

Reforme sua casa em prol do meio ambiente e ganhe desconto no IPTU. As medidas adotadas são dos mais variados prismas. O ideal é identificar diretamente com a Secretaria de Meio Ambiente do município, o que realmente está válido na Lei Municipal. Muitas cidades realizam determinados descontos no IPTU de acordo com o grau de benefício ao meio ambiente dentro do seu perímetro urbano.

Tecnologias sustentáveis

•Sistema de Captação e utilização da água da chuva.
•Sistema de reuso de água.
•Sistema de aquecimento hidráulico/elétrico solar.
•Sistema de aproveitamento energético solar.
•Construções com material sustentável.
•Separação e encaminhamento de resíduos sólidos inorgânicos para reciclagem.
•Plantios de mudas (espécies arbóreas nativas).
•Disposição de áreas verdes de acordo com a extensão total do imóvel.
•Sistema para manutenção de áreas permeáveis.
•Permitir recarga do lençol freático.
•Construção de calçadas ecológicas.
•Arborização no calçamento.
•Instalação de telhado verde.
•Sistema de utilização de energia eólica.
•Material sustentável para obras de construção.
•Lâmpadas de LED.



Fonte: www.pensamentoverde.com.br

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

NÃO HÁ O PLANO B


O BLOG Meio Ambiente Técnico chega hoje à marca de 1100 postagens nestes quase 4 anos de existência. Com um acesso médio de 500 visualizações por dia, fico contente por atingir o objetivo inicial de que era informar e ensinar conceitos relacionados ao Meio Ambiente e hoje senti a vontade de descrever um dos momentos mais críticos que estamos passando em nosso país com a crise hídrica e também em parte governamental, sem apontar partidos, pois o Brasil é um todo politicamente falando. Mas segue então o assunto que foi até elaborado após assistir uma entrevista veiculada por uma emissora de valor e prestígio mesmo não sendo a preferida ou predileta de todos nós. Segue a matéria:

Meu almoço de hoje (23/01/2015) foi acompanhando a entrevista pela TV Cultura sobre a Crise Hídrica... A grosso modo, apenas confirmou o que tenho lido sobre o assunto estes dias...

Caso não chova, mas chuva substancial, em 54 dias São Paulo entrara num colapso não de racionamento e sim de falta de água mesmo. A cidade oferece por um lado a ideia de ter trabalho, mas não oferece nada de conforto, pois tem o maior custo de vida do país, além de ter transito e congestionamento até em feriados e fins de semana... Serviços oferecidos pelas prefeituras são de má qualidade, a companhia elétrica oferece seu pior e alem disso tudo árvores simplesmente caem, entre tantos outros problemas.

Não vemos mobilização por parte do governo federal, estadual e municipal para conter o que esta a caminho, não vemos reuniões e nem união dos mesmos junto à sociedade acadêmica para buscar solução para o evento.

NÃO HÁ O PLANO B... Simplesmente.

Se não forem tomadas medidas radicais estarão caminhando para uma desertificação, afinal o sudeste depende dos rios voadores, e estes vem da região amazônica, e o desmatamento em grande escala esta modificando esse percurso e poderemos brevemente contar com um grande abalo em todo o Brasil que por possuir 12% da reserva hídrica doce mundial, tem a sua má distribuição.

Viramos motivo de piada a todas as outras nacionalidades e somos enganados dia a dia quando nos mostram que somos um país promissor e sem problemas aparentemente, que o que estamos passando é como um simples machucado que mamãe irá dar um "beijinho" e logo vai sarar.

Crise e mais crises serão as palavras dos dias vindouros se não houver uma conscientização não de partidos políticos, mas de pessoas brasileiras independentes de seus partidos para conter o que acontece em nosso país.

Para termos dois exemplos da situação: Rio Pinheiros e Rio Tietê... Promessas de despoluição que já roda anos, e desde sua implantação como base para ser despoluído e que o mesmo seria findado ao final do mandado da época do proposto, se passaram 6 mandados e nada de resultados e isto porque foi investido muito dinheiro.

O outro exemplo chegou a conhecimento do público geral nestes dias, um dos, eu disse um dos estádios de futebol (arena como chamam) com custo de mais de 600 milhões, esta interditado e fechado, por conta da má obra feita e culpam os "excessos de chuva"... Dinheiro este que poderia ser empregado em pesquisas mais propícias para o país, mas o legado da copa começa ser agora mostrado.

Ainda voltando à crise da água, ouvi um "burburinho" de que iriam cancelar o carnaval em São Paulo... (risos) só pode ser piada não é mesmo, nunca cancelariam isso numa cidade onde que por conta disso rolam "rios de água", não, peço desculpas fui irônico, mas "rios de dinheiro", por conta do turismo, dos consumos de bebidas e de outras coisas relacionadas. E pior amigos que não é somente em São Paulo esta crise, ela é brasileira no geral... Rio, Minas, Paraná e tantos outros estados e cidades.

O que fazer?... O último a sair "FECHE A LUZ E APAGUE A PORTA", por favor!



Fonte: Luiz Henrique Lopes      

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Origem e Ocorrência da Água Subterrânea


A água é encontrada em todos os corpos do sistema solar nas formas de vapor ou gelo. A Terra, porém, é o único que possui água no estado líquido e em abundância. Ela representa um recurso natural de valor econômico, estratégico e social, além de ser um dos elementos fundamentais para existência e bem estar do homem e componente importantíssimo na manutenção dos ecossistemas do planeta.

Apesar de, aparentemente, a Terra dispor de uma enorme quantidade de água, quase 97% estão represadas nos mares e oceanos e cerca de 2% congeladas nas regiões polares. Apenas 1% da água doce está efetivamente disponível para o consumo humano, uso agrícola e industrial. Ela se encontra em córregos, rios e lagos constituindo os recursos hídricos superficiais, assim como nos interstícios do solo e subsolo, formando os recursos hídricos subterrâneos. Estes últimos representam cerca de 97% do total de água doce existente no planeta Terra.

Ciclo da Água

A movimentação constante da água na Terra passando pelos estados líquido, sólido e gasoso, dos oceanos para a atmosfera, desta para a terra, sobre a superfície terrestre ou no subsolo, e o retorno para os oceanos, recebe a denominação de Ciclo Hidrológico.

O ciclo se inicia quando o sol aquece e evapora a água dos oceanos, rios, lagos e solos. O vapor d'água sobe e junta-se formando as nuvens. Estas, por determinadas condições atmosféricas, condensam-se e precipitam-se em forma de chuva, granizo ou neve. Quando chove sobre os continentes, parte da água é retida pela vegetação e acaba evaporando novamente para a atmosfera. Outra parte escoa diretamente para os rios e lagos, retornando assim aos oceanos ou infiltra-se no solo.

A parte da água infiltrada é retida pelas raízes das plantas e acaba evaporando através da capilaridade do solo ou através da transpiração desses vegetais; outra parte da água move-se para as camadas mais profundas, por efeito da gravidade, até chegar à chamada zona de saturação. Nessa região do subsolo todos os poros da formação sedimentar, as fissuras das rochas, enfim os espaços vazios são preenchidos com água, constituindo aquilo que se denomina de Água Subterrânea.

O ciclo hidrológico acaba fechando-se porque a água subterrânea obedecendo a morfologia do terreno, percola muito vagarosamente em direção aos rios, lagos e oceanos.

Conservação da Água Subterrânea

A quantidade de água subterrânea que pode ser bombeada com segurança ano após ano, depende da capacidade do reservatório natural e das condições climáticas e geológicas que possibilitem a recuperação do aquífero. A água existente num reservatório natural foi acumulada por anos, ou mesmo séculos. Se a quantidade de água retirada através do poço for menor que a quantidade recuperada através da infiltração, o bombeamento pode continuar indefinidamente, sem causar qualquer efeito desastroso. Porém se o bombeamento for maior que a recarga, poderá haver em longo prazo o esgotamento do aquífero.

Como todos os demais recursos, a água subterrânea deve ser conservada e utilizada adequadamente, para assegurar uma disponibilidade no futuro. Por Isso o planejamento, feito por técnicos especializados é sempre imprescindível.



Fonte: Meio Ambiente Paraná

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Ação Antrópica


Para entender o que é a ação antrópica, vamos ver sua origem no idioma grego: anthropos, que quer dizer, “homem”. Ação antrópica é a ação feita pelo ser humano, homem ou mulher. Esta expressão ficou mais conhecida por causa do problema do meio ambiente. Ela é mais usada em trabalhos técnicos e científicos sobre o tema ambiental.

Plantar uma árvore ou derrubar uma árvore é uma ação antrópica porque foi feita pelo ser humano. A diferença vai estar no resultado desta ação. Cada uma vai ter um impacto no meio ambiente diferente que é conhecido como impacto ambiental.

Em pormenores

A ação antrópica na natureza sempre aconteceu, desde os tempos antigos até hoje em dia.

Hoje em dia, principalmente, a ação antrópica em relação à natureza é bastante precária, pois o ser humano acaba causando danos à fauna e flora em geral, acabando por levar à extinção plantas e animais, e, por vezes, elevando a população de espécies prejudiciais, como mosquitos transmissores de doenças.

Temos vários exemplos dessas ações humanas.

Aquecimento Global - Como sabemos, o aquecimento global sempre existiu e é superimportante, pois sem ele a Terra seria uma bola de gelo.
Hoje em dia, sabemos também que o aquecimento global está se agravando, atingindo um grau de aquecimento prejudicial ao planeta. Agora, está caminhando para, ao invés de uma bola de gelo, uma bola de fogo ( efeitos de comparação simbólicos até o momento) .Isso se dá em grande parte pela ação antrópica. Como? Derrubada de florestas, alagamento de áreas para construção de usinas de energia, muita fumaça em fábricas e outras ações desse tipo.

Derrubada de Florestas - Além de influenciar o aquecimento global, a derrubada ou queimada de florestas também pode ser descrito por si só como um outro problema, que ocasiona outros como uma bola de neve (com o aquecimento global, talvez até essa bola de neve derreta...).
Normalmente, extração de madeira (derrubada) é feita, obviamente, no intuito de conseguir madeira para fins comerciais.De acordo com uma pesquisa feita em anos passados, apenas 1 % da madeira extraída é legal e não predatória.Pois, se a madeira é extraída em excesso e não é replantada, bom, daí poderemos começar a nos preocupar com essa situação.
Já as queimadas de florestas, que ocasionam destruição de fauna e flora em massa, são normalmente feitas para criar pasto para as criações de gado.Novamente, existe grande ilegalidade nesses projetos.

Caça e pesca - Embora a caça de animais seja necessária para a alimentação humana e, claro, de outras espécies de animais (caça de animais por animais), existem as espécies que são ameaçadas de extinção por serem caçadas em excesso, em épocas erradas (épocas de reprodução por exemplo onde os animais deveriam aumentar seu número).
A pesca também não deveria ser realizada em certas épocas, como a época de desova dos peixes.E, certos peixes muito pequenos deveriam ser lançados de volta a água ao serem pescados.

Poluição - Outro terrível fator causado pelo homem contra a natureza é a poluição.A maior parte é a industrial, que é nada mais nada menos que os resíduos jogados nos rios e mares e a poluição das chaminés das mesmas, sem contar o lixo radioativo, que é superdifícil de ser descartado.
Outro tipo de poluição terrível, mas que está presente no nosso dia-a-dia, é a poluição cotidiana ou residencial.O lixo de nossas casas, o papel de chiclete que jogamos nas ruas (lixeiras são para se jogar lixo, sabia?) e coisas assim.Isso mesmo, a triste realidade é que todos nós somos poluidores de primeira.

Existem vários outros exemplos da ação antrópica prejudicial à natureza.

Falemos agora sobre a extinção de espécies que, por tabela, tudo tem a ver com a ação antrópica na natureza.

“Extinção em biologia e ecologia é o total desaparecimento de espécies, subespécies ou grupos de espécies. O momento da extinção é geralmente considerado sendo a morte do último indivíduo da espécie. Em espécies com reprodução sexuada, extinção de uma espécie é geralmente inevitável quando há apenas um indivíduo da espécie restando, ou apenas indivíduos de um mesmo sexo. A extinção não é um evento incomum no tempo geológico - espécies são criadas pela especiação e desaparecem pela extinção.

A extinção também é uma questão de escala geográfica. A extinção local é a extinção de uma população em uma determinada região e não necessariamente de toda a espécie. Isso, em biogeografia, é um fator importante no delineamento da distribuição geográfica das espécies. Eventos de vicariância e de mudanças climáticas, por exemplo, podem levar a extinção local de populações e, assim, configurar os padrões de distribuição das espécies.

Atualmente muitos ambientalistas e governos estão preocupados com a extinção de espécies devido à intervenção humana. As causas da extinção incluem poluição, destruição do habitat, e introdução de novos predadores. Espécies ameaçadas são espécies que estão em perigo de extinção. Extintas na natureza é uma expressão usada para espécies que só existem em cativeiro.”

Existem também o aumento de certas populações de animais causadas pelos seres humanos.Achou um ponto positivo nisso? Veja um exemplo famoso, o mosquito da dengue (Aedes Aegypt).Parece que nem todas as espécies deveriam ter seu numero aumentado.Até as mais normais, pois isso pode causar desequilíbrio na Biosfera e nos Ecossistemas.Um simples coelho ou pardal, que seja, pode trazer problemas se tiver seu número muito reduzido ou muito maximizado.

Resumindo e retomando tudo, a ação antrópica, ou seja, a ação humana com efeitos sobre e na natureza sempre existiu, e sempre teve consequências nem sempre agradáveis.



Fonte: PlanetAtivo

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Vida marinha está à beira da extinção em massa


Um grupo de cientistas concluiu que os humanos estão prestes a causar um dano sem precedentes aos oceanos e os animais que vivem neles.

"Podemos estar sentados à beira do precipício de uma grande extinção", afirmou Douglas McCauley, ecologista da Universidade da Califórnia e autor do estudo, publicado na revista Science nesta quinta-feira 15 de janeiro 2015.

Segundo McCauley, ainda há tempo para evitar uma catástrofe maior. Isso porque, comparados com os continentes, os oceanos estão quase intactos.

"Os impactos estão aumentando, mas não estão tão graves a ponto de não podermos reverte-los", afirmou Martin Pinsky, biólogo marinho da universidade Rutgers e coautor do estudo.

A pesquisa de McCauley e Pinsky é sem precedentes, pois cruzou dados de diversas fontes, desde relatórios sobre a exploração de combustíveis fosseis até estatísticas sobre remessas de containers, pesca e mineração oceânica.

Os cientistas detectaram sinais claros que os seres humanos afetaram os oceanos e a vida marinha de forma grave.

Enquanto algumas espécies sofrem com a superpopulação, outras estão ameaçadas de extinção, devido à destruição seus habitats naturais, geralmente causada pela intervenção humana.
A população de recifes de corais, por exemplo, diminuiu 40% no século passado, principalmente pelas consequências do aquecimento global.

Algumas espécies de peixes estão migrando para águas mais frias. Outras espécies, com a locomoção reduzida, não irão conseguir encontrar novos lares.

Ao mesmo tempo, as emissões de gases do efeito estufa estão alterando a química da água do mar, tornando-a mais ácida.

Ainda assim, a pesquisa afirma que há tempo para reduzir os estragos, com a implantação de programas que limitem a exploração dos oceanos.

Os autores alegam que a limitação da industrialização dos oceanos em algumas regiões permitiria que espécies ameaçadas migrassem para outras partes ainda preservadas.

"Acredito que nosso melhor parceiro para salvar o oceano é ele próprio", afirma McCauley.



Fonte: www.info.abril.com.br

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

HIDROPIRATARIA


Há anos o fantasma da hidropirataria ronda cabeças no Brasil. Embora seja contada como uma história quase policial, a hidropirataria é um delírio que, em vez de contribuir para maior valorização da água, acaba desviando a atenção de problemas reais, como a insuficiente cobertura da rede de água tratada para as populações amazônicas, o índice mais baixo do Brasil.

A história, tema recorrente na mídia, conta que grandes navios-tanque vêm até o Rio Amazonas, ora próximo a Manaus, ora na sua foz, para roubar água do território brasileiro e levá-la para países sedentos. À primeira vista, a hidropirataria nos revoltaria e teríamos, evidentemente, de tomar providências contra a atividade. Entretanto, essa história não encontra fundamento, posto que as leis da economia, de forma indistinta, regem os interesses de todas as atividades comerciais.

Em valores atuais, 1 m3, ou 1 tonelada de água, custa entre US$ 0,25 e US$ 0,50 por dia para ser transportado em navios de grande porte para granéis líquidos. Qualquer viagem para um dos chamados "países com sede", localizados no Caribe ou no Oriente Médio, por exemplo, demoraria vários dias, ao que se impõe uma realidade importantíssima: o custo da água atingiria valores superiores a US$ 3 por m3 para uma viagem de 10 dias a 13 dias, mais os custos de tratamento para torná-la potável, ao redor de US$ 0,40/m3. Esses valores nos mostram a impossibilidade do comércio mundial de água bruta para abastecimento público utilizando-se o transporte marítimo, porque os custos do frete de granéis líquidos tornam a atividade inviável em distâncias superiores a 500 km.

A realidade que está resolvendo a sede dos países é a dessalinização e o reuso que com tecnologia e escala, operam a custos cada vez menores. Em Israel, três plantas dessalinizadoras (Ashkelon, Hadera e Sorek), no modelo de parcerias público-privadas (PPPs), fornecem água potável a 3,5 milhões de pessoas a um custo médio de US$ 0,60/m3. Dessa maneira, Israel, dentro de alguns anos, não vai mais comprar água da Turquia, o único caso conhecido de transporte de água em navios-tanque e que, apesar da distância de apenas 600 km, está perdendo toda viabilidade econômica.

Existem hoje cerca de 380 plantas de dessalinização em todo o mundo. No Brasil há apenas uma pequena unidade, funcionando na Ilha de Fernando de Noronha, que opera ao custo de US$ 1/m3. É interessante ressaltar que nem para Fernando de Noronha compensaria levar água em navios-tanque.
Existe, sim, um comércio de água entre países, de características muito limitadas, que ocorre por aquedutos, como, por exemplo, entre Lesoto e África do Sul, Malásia e Cingapura, Turquia e Chipre.

Por outro lado, o Brasil, o país mais rico do mundo em água doce, começa a se beneficiar com a exportação de água, mas não na sua forma líquida, e sim da maneira que se convencionou chamar de água virtual, aquela que é exigida para a produção de bens agrícolas ou industriais. Alguns produtos, como grãos, frutas, carnes, aço, papel, açúcar e álcool, demandam grandes quantidades de água para serem produzidos e muitos países já encontram dificuldades ambientais para a produção desses produtos e, por isso, precisam importá-los de países com água e solo em abundância, como o Brasil, por exemplo.

Provavelmente a história da hidropirataria nasceu de uma confusão que se faz com a prática do uso da água como lastro para os navios. Sem o lastro o navio não tem segurança, navegabilidade nem equilíbrio para a viagem, operações e manobras necessárias. A água de lastro é bombeada para dentro e para fora dos navios, de acordo com a necessidade operacional. Essa prática rotineira tem trazido ao mundo problemas expressivos por causa da introdução de organismos invasores que passam pelos filtros da rede e das bombas de lastro. Atualmente, cerca de 5 bilhões de toneladas de água são movimentadas por ano entre diferentes regiões do globo.

Estimam-se em US$ 100 bilhões por ano os prejuízos globais causados por espécies invasoras na água doce levadas de um continente a outro. Os Estados Unidos gastam por ano cerca de US$ 10 bilhões, principalmente por causa do mexilhão zebra (Dreissena polymorpha).

No Brasil, há cerca de dez anos, foi introduzido o mexilhão dourado (Limnoperna fortunei), trazido por navios do Sudeste Asiático à Bacia do Prata. Para tentar prevenir o flagelo mundial provocado pela introdução de espécies exóticas a Organização Marítima Internacional (IMO), a agência das Nações Unidas responsável pela segurança da navegação e prevenção da poluição marinha, adotou, desde 2004, uma nova Convenção Internacional para Controle e Gestão da Água de Lastro e Sedimento de Navios.

Ainda que o transporte de água doce por navio fosse economicamente viável, quem o fizesse estaria contrariando o principal pressuposto dessa convenção, que é despejar no mar a água doce de lastro trazida de qualquer país, antes de retornar, para evitar a contaminação.

Esforços têm sido intensificados para fiscalizar a água de lastro em costas e portos brasileiros. Esperamos que o Brasil possa, num futuro breve, ser citado como um bom exemplo para os demais países, signatários ou não, da referida convenção.

Portanto, problemas reais de água na Amazônia existem, sim, embora não despertem tanta atenção. Como, por exemplo, o fato de que na área mais rica de água doce do planeta cerca de 40% da população ainda não tem acesso a água tratada, o índice mais baixo no País, cuja média é de cerca de 10%. Esse é, sem dúvida, um fato incômodo e real, que deveria ser objeto de nossa preocupação.

Valorização do Amazônia

Há muita pirataria e ilegalidade na Amazônia. Haveria muito menos se houvesse melhor fiscalização. Mais importante seria se houvesse melhor conhecimento, maior valorização do homem, mais retenção de suas riquezas em proveito de quem a habita. Valorizando, a Amazônia cuidaria de separar o joio do trigo.

Em vez de enfrentar fantasmas ao meio-dia ou zanzar atrás de bruxas circulando com vassouras pelo espaço, ele submeteria cada questão ao teste de consistência e à prova da verdade. Com a lição aprendida, talvez se colocasse em condições de escrever uma história melhor para a região. Sem fantasmagorias, mas também sem exploração.



Fonte: Antonio Felix Domingues - AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (ANA)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Ecoterrorismo e Violência Ambiental


A poluição do meio ambiente e o uso impróprio dos recursos naturais levam a população a se engajar, formando grupos de defesa ecológica. O que muitas vezes acontece, é que estes grupos cometem crimes contra propriedades privadas. Este seria um resumo de como os conceitos do ecoterrorismo e da violência ambiental se relacionam. Entenda os conceitos, quando ações do homem contra a natureza provocam a reação do próprio homem contra ele mesmo.

Violência ambiental

A violência ambiental nada mais é do que a poluição do meio ambiente, a exploração indiscriminada de recursos não renováveis, ou seja, o impacto da humanidade na natureza. Podemos citar como exemplo o desmatamento, quase metade de toda cobertura vegetal do planeta já virou cinza, dos 62,2 milhões de km² de florestas, só restam 38,7 milhões. Outras violências ao meio ambiente seriam o despejo de resíduos sem tratamento, incluindo esgoto e lixo industrial depositados em rios, lagos e oceanos; a poluição do ar, causada pela queima de combustíveis fósseis, geração de energia e atividades fabris; a utilização de recursos não renováveis, como o petróleo e a extinção de espécies que constituem a fauna e a flora.

DESMATAMENTO - A demanda por madeira e carvão, assim como a instalação de cultivos agrícolas, eliminou quase metade da cobertura vegetal do planeta. Para ter uma ideia, de um total de 62,2 milhões de quilômetros quadrados de florestas originais no mundo, restam apenas 38,7 milhões. Só na Europa e na Ásia, quase 70% das florestas já viraram cinza. Essa derrubada da cobertura vegetal é um dos grandes flagelos impingidos pelo homem ao meio ambiente.

LIXO - Uma das maiores pragas do mundo contemporâneo - causada, entre outros fatores, pelo aumento populacional, pela urbanização descontrolada e pelo consumo indiscriminado -, o despejo de resíduos sólidos e líquidos é uma séria ameaça tanto para o meio ambiente quanto para a sociedade. Os principais problemas gerados pelo lixo são a poluição do solo e das águas, o acúmulo de material não degradável ou tóxico e a proliferação de insetos transmissores de doença. Nos meios urbanos, os dejetos amontoados ao léu também colaboram para a ocorrência de enchentes, por obstruir os cursos de água. E trata-se de um problema global, não restrito aos "deseducados" países em desenvolvimento. Os Estados Unidos, por exemplo, produzem nada menos que 200 milhões de toneladas de lixo por ano. Por fim, é bom lembrar: para a fabricação de produtos que, mais tarde, se transformarão nesse lixo todo, gastam-se uma quantidade exorbitante de matéria-prima.
 
POLUIÇÃO DAS ÁGUAS - A poluição das águas é causada, sobretudo, pelo lançamento de dejetos industriais e agrícolas, esgoto doméstico e resíduos sólidos. Isso compromete a qualidade das águas superficiais e subterrâneas em inúmeros pontos do planeta. Os rios e lagos são considerados os ambientes mais ameaçados do globo. Sofrem, por exemplo, com o fenômeno conhecido como eutrofização: os esgotos domésticos são ricos em matéria orgânica, que sofre a ação de micro-organismos, resultando na produção de nutrientes; assim, quando esse esgoto é lançado na água, produz um excesso de nutrientes que acaba provocando o crescimento extraordinário de algas, essas, por sua vez, impedem a passagem da luz e a transferência do oxigênio atmosférico ao meio aquático. Outro exemplo de degradação, agora das águas subterrâneas, é o caso do Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce do mundo. Em algumas regiões, como em Ribeirão Preto (SP), estudos apontam elevado grau de contaminação por agrotóxicos Os ambientes marinhos e costeiros também estão seriamente ameaçados pela poluição, pela superexploração da pesca e por acidentes ou descargas em alto-mar, como no caso dos catastróficos vazamentos de petroleiros.

POLUIÇÃO DO AR - A poluição do ar é causada principalmente pela queima de combustíveis fósseis nos transportes e na geração de energia elétrica e pela atividade industrial. Dióxido de carbono (CO2), o grão-vilão do efeito estufa, monóxido de carbono (CO) e hidrocarbonetos (HC) são alguns dos poluentes mais emitidos. Praticamente todos eles são bastante nocivos ao homem e ao meio ambiente. No mundo inteiro, segundo o relatório Desafio Global, da ONU (2002), mais de 3 milhões de pessoas morrem ao ano em razão de poluição por essas substâncias.

Ecoterrorismo

O ecoterrorismo é praticado, justamente, como forma de reação à violência ambiental. Organizações defensoras da natureza muitas vezes cometem crimes contra governos ou empresas que por algum tipo de ação, estão prejudicando o meio ambiente. O foco é prejudicar quem está contribuindo para a destruição do meio ambiente. Casos de ecoterrorismo incluem a pichação e interdição de fábricas ou usinas termoelétricas de energia, invasão de propriedade privada, obstrução de vias públicas, entre outros. 

Outra definição para o conceito de ecoterrorismo seria a destruição intencional e deliberada de recursos naturais para prejudicar países ou organizações rivais. Este tipo de situação acontece frequentemente em guerras declaradas entre nações. Um exemplo seria a utilização de agentes biológicos para a contaminação de suplementos de água de uma determinada região, disseminando doenças.

Caracterização de ecoterrorismo segundo Revista Militar

CONFLITOS ETNO-POLÍTICOS - Ocorrem quando dois ou mais grupos étnicos partilham uma mesma área ambientalmente degradada onde ocorrem recursos improdutivos; uma mesma área com graus diferentes de produtividade. Os recursos são insuficientes e é essa a causa da escalada do conflito; em outro caso, uma das facções invade o território de outras e ocorrem então as confrontações. Exemplos deste tipo de conflitos são os ocorridos, respectivamente no Ruanda e entre o Bangladesh e a Província Indiana de Assam. No primeiro caso há uma crise de subsistência, com elevada densidade populacional e sobre exploração do solo associados com deflorestação. O resultado desta situação foi a instauração de um estado de guerra com massacres e genocídio. No segundo caso as consequências não foram tão graves, embora com causas subjacentes análogas.

CONFLITOS CENTRO-PERIFERIA - Os conflitos centro-periferia ocorrem em geral em sociedades em desenvolvimento. Existe um grupo altamente dependente do capital natural ou um espaço que deixa de poder ser usado, já que esse uso colide com o interesse de outros que pretendem fazer uma utilização diferente nesse espaço. Entretanto, o produto que resulta dessa nova utilização não é capaz de substituir o da primeira. Por exemplo, uma sociedade rural dependente da sua floresta e do seu solo por razões de sobrevivência e proteção pode entrar em conflito com o governo, ou grupos econômicos que queiram instalar minas, barragens, unidades industriais ou outras nas zonas onde se encontram implantados, inviabilizando campos agrícolas e pastagens, degradando os meios hídricos e floresta etc. Este tipo de conflitos referenciando o caso dos testes nucleares franceses no Pacífico, na Polinésia. Alguns efeitos das alterações climáticas poderão configurar também, em breve, conflitos deste tipo.
CONFLITOS DE MIGRAÇÃO REGIONAL - São provocados por fenômenos migratórios dentro do próprio Estado, induzidas por fatores como secas, cheias, erosão e desertificação. Estes fatores podem ter um caráter persistente ou sazonal, associando-se movimentos nomadas a essa sazonalidade. Os migrantes dirigem-se para zonas mais férteis, aumenta a densidade dos que querem fruir dos recursos em presença (naturais ou produzidos, como é o caso de colheitas), aumentando a possibilidade de conflitos. Por exemplo, os pastores Himalaias descem com os seus rebanhos das montanhas para os planaltos férteis da Ásia Central. No Corno de África, ocorre migração desde zonas com solo degradado pela monocultura e em erosão para vales mais férteis. No Sudão, grupos semi nomadas afluem a montanhas subtropicais, vindos de zonas semi áridas.

CONFLITOS DE MIGRAÇÃO TRANSNACIONAL - Podem ser do gênero das referenciadas que podem também decorrer de causas não ambientais como a guerra ou outros atos que impelem à fuga (a falência da ação dos governos, exclusão social, pobreza, a existência de fatores naturais ou empreendimentos baseados na utilização desses recursos. Uma vez chegados os grupos migratórios aos destinos (já fora do Estado de Origem), passam então a ocorrer os conflitos para acesso aos recursos naturais como o espaço, o solo agrícola, a floresta como fonte de biomassa (cuja utilização pode vir a ter impactes a outros níveis), os recursos piscícolas, etc.

CONFLITOS COM MIGRAÇÃO DE ORIGEM DEMOGRÁFICA - Ocorrem também em sociedades menos desenvolvidas, organizadas numa base fortemente rural e dependentes dos recursos ambientais. Quando essas sociedades envolvem densidades populacionais elevadas, com necessidades de recursos acima do que o meio lhes pode fornecer ocorre sobre-exploração desses recursos e degradação ambiental. São estas as razões que promovem o êxodo, em várias direções (mesmo para fora das fronteiras), indo as populações fixarem se em zonas onde o fenômeno tenderá a repetir-se. Essas zonas podem ser periurbanas, resultando daí conflitos sociais ou, zonas rurais. Em zonas rurais a propriedade pode ser privada e quanto maior a sua dimensão maior probabilidade tem de resultar em conflitos, já que, envolve mais agentes lesados. Há zonas que podem ter caráter conservacionista e nessa altura, quando se tenta impedir as populações de permanecerem em parques ou reservas naturais, é difícil fazer-lhes ver que a sua permanência aí será fator de degradação. Sentindo-se de novo discriminados inicia-se um ciclo de hostilidade (casos no Quênia e Tanzânia).

CONFLITOS DE PARTILHA DE BACIAS HIDROGRÁFICAS - Muito embora possa ocorrer entre comunidades do mesmo Estado, a partilha de rios internacionais é dos tipos mais óbvios de conflitualidade potencial. Não obstante, ocorrem mais frequentemente envolvendo violência, como outros, em países menos desenvolvidos. Os Estados e as instituições estão menos consolidados, existe algum sentimento de desconfiança perante os vizinhos, o Direito internacional não tem grande importância, as necessidades envolvem por vezes fatores de sobrevivência (são sociedades muito dependentes da terra), os instrumentos de diálogo que permitiriam dirimir cooperativamente as diferenças de pontos de vista e de interesses não estão afinados, etc. são muitos estudados, em geral são os Estados de jusante que são mais lesados (e aqueles que iniciam as hostilidades), subjazendo aos conflitos razões de: quantidade de água (os caudais afluentes são menores e o regime hidrológico encontra-se alterado); de qualidade da água (ocorrem atividades a montante que implicam custos de tratamento a jusante para que a água possa ser utilizada); e de potencial hidroelétrico. Esses conflitos relacionam-se com os caudais afluentes (quantidade, qualidade e regimes) e, com os locais para instalar regularizações (o que motiva algumas vezes questões relacionadas com a delimitação de fronteira e com a inundação de terrenos com diversos tipos de utilização, de infraestruturas, de patrimônio e de ambiente natural, que ficam inviabilizados com a constituição de barragens). A vulnerabilidade das “sociedades de jusante” perante os recursos hídricos (que depende do nível de escassez introduzido a montante e das características sócio econômicas a jusante) e a importância estratégica atribuída à água são as razões determinantes do conflito.

CONFLITOS AMBIENTAIS GLOBAIS - Em face da natureza transnacional dos fenômenos de natureza ambiental com caráter global (como os provocados por alterações climáticas, poluição atmosférica e chuvas ácidas, diminuição da camada de ozônio, aquecimento global, etc), os conflitos que poderão resultar entre “quem causa” e “quem sofre” as consequências dos fenômenos globais são dos que poderão envolver mais agentes, sendo esses agentes os Estados. Não existem notas históricas sobre conflitos deste tipo. Contudo trata-se de fenômenos relativamente recentes, envolvendo contudo consequências devastadoras - IPCC (2002) e em breve poderão começar a existir países querendo legitimamente ser ressarcidos de danos ambientais provocados por terceiros, já que são alheios às suas causas. Se foi difícil gerir internacionalmente o não acordo dos EUA ao Protocolo de Quioto com vista a diminuir a emissão dos gases com efeito de estufa (já que aquele país é o principal contribuinte mundial naquele domínio), adivinham-se grandes dificuldades quando os conflitos eclodirem, também eles a nível global.



Fonte: www.pensamentoverde.com.br

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Bill Gates financia máquina que cria água potável a partir de fezes


O bilionário americano Bill Gates investiu na criação de uma máquina que transforma fezes humanas em água potável e eletricidade. A novidade funciona de maneira simples e sustentável, e, segundo o fundador da Microsoft, poderá salvar um grande número de vidas no mundo todo.

Criado pela empresa Janicki Bioenergy, o Omniprocessor, como foi batizado, tem como objetivo mudar o sistema de tratamento de água e saneamento e erradicar as doenças causadas pela água contaminada, que anualmente matam 2 milhões de pessoas no mundo.

“O sistema de saneamento que nós conhecemos no mundo desenvolvido não é viável em países que ainda estão em desenvolvimento”, diz Doulaye Koné, da Fundação Bill e Melinda Gates. “Então, o que nós precisamos em países em desenvolvimento é um sistema bem simplificado”.

Uma planta-piloto já está em funcionamento na sede de Janicki, em Seattle, e será colocada em operação no Senegal. De acordo com os criadores, o Omniprocessor poderá processar dejetos de até 100 mil pessoas e gerar cerca de 85 mil litros de água potável e 250 kW de eletricidade.

Como funciona

O caldo dos esgotos utilizado no processo é composto, em média, por 80% de água e apenas 20% de biomassa. Para aproveitar esse líquido, a máquina aquece o excremento a uma temperatura de 1.000°C para extrair a água, que depois passará por outras etapas de tratamento para se tornar potável.

A parte sólida é encaminhada a uma fornalha e transformada em vapor de alta pressão que vai para um gerador, produzindo energia elétrica. O vapor de água, por sua vez, vai para uma seção de tratamento e, por fim, sai por uma torneira como água pura e potável.

NOTA - Com funcionamento simples e sustentável, o Omniprocessor produzi água limpa e eletricidade em apenas 5 minutos.



Fonte: www.pensamentoverde.com.br

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Lixo agrícola e os riscos do descarte irregular


Produzidos no dia a dia, e a todo o momento, os resíduos tem chamado a atenção da academia e de governantes em todo o mundo. Isso porque, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o total de lixo produzido em todo o mundo deve chegar a 2,2 bilhões de toneladas até o ano de 2025.

Apesar da preocupação, há ainda uma falta de entendimento sobre as categorias de “lixo” que existem, dificultando a separação e, claro, a implementação de iniciativas para mitigar os problemas e o descarte incorreto.

Neste contexto, se encaixa o lixo agrícola, ainda muito desconhecido da sociedade em geral. Basicamente, esse tipo de resíduo resulta das atividades agrícolas e também da pecuária, como, por exemplo, sacos de fertilizantes e de adubo, restos de colheita, estrume, ração, entre outros que são produzidos nessa área.

Além de gerar problemas para o meio ambiente, como poluição da água, do solo e dos lençóis freáticos, o descarte incorreto desse tipo de lixo é perigoso porque as sobras provenientes de pesticidas, por exemplo, são consideradas tóxicas, necessitando de tratamento especial. O Brasil, aliás, é o país que mais consome agrotóxico.

Há também a preocupação com as enormes quantidades de esterco animal geradas nas fazendas de pecuária intensiva. Muitos produtores jogam esses resíduos, bem como as embalagens ou as sobras de outros produtos, em lixo comum ou, ainda, os queimam, aumentando o problema e a probabilidade de contaminação.

Dessa forma, muitos países estão voltando os olhares às políticas para esse tipo de resíduo, a fim de garantir a destinação correta. Para o descarte desse material, são aconselháveis depósitos específicos para este fim.

Reutilização

Muitos dos materiais não podem ser reaproveitados porque, conforme dito acima, são tóxicos. No entanto, o lixo orgânico doméstico produzido nessas propriedades rurais pode ser transformado em energia, em biofertilizantes e até mesmo em artesanato. Além disso, utilizar da compostagem como forma de transformar resíduos em adubo é uma ótima alternativa e bastante sustentável.



Fonte: www.pensamentoverde.com.br

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Tratamento de resíduos gasosos


Apesar da importância, o tratamento dos resíduos gasosos ainda é uma barreira enfrentada por empresas e sociedade em geral.

Resultantes da eliminação de materiais e elementos químicos, os resíduos gasosos são bastante comuns na natureza. Geralmente são produzidos por plantas, animais e toda e qualquer espécie de matéria que reside sobre a terra. No entanto, há outro tipo de resíduos gasosos: os provenientes de atividades industriais.

Altamente poluentes e, em alguns casos, tóxicos, esses gases vêm preocupando a sociedade em geral e os governantes de todo o mundo. Isso porque, além da indústria, as queimadas também liberam esses resíduos e, diferentemente dos sólidos, como lixo em geral, não há maneira de conter a emissão depois de lançada e muito menos tratá-la.

Apesar de não ter efeito imediato, esses poluentes agridem todo o meio ambiente, ecossistema e qualidade de vida da população. As fumaças vistas em grandes cidades, bem como o aumento dos casos de doenças respiratórias em crianças e idosos, são apenas alguns dos problemas enfrentados. Eles são, ainda, a principal causa do aquecimento global.

Se a possibilidade de reverter o problema após o lançamento é praticamente nula, prevenir pode ser o melhor caminho. Ou seja, antes de ser colocado para fora das indústrias, é preciso tratar e conter o problema, mitigando os efeitos negativos da emissão.

No Brasil, inclusive, existe uma lei que exige que as empresas quantifiquem todo o tipo de poluente produzido. Para isso, algumas empresas vêm apostando em coletores, filtros, entre outros. Outras investem em mudanças de processos e energia mais limpa a fim de mitigar os problemas.

Além disso, existem ainda algumas técnicas de tratamento de efluentes em geral, de água e energia, que garantem um modelo de gestão diferente e que auxiliam na redução dos impactos ambientais, dentre as quais figuram:
• Gradeamento: separação por meio de grades do material efluente mais grosseiro;
• Sedimentação: também uma separação do material, porém orientada pela diferença de densidade existente entre eles (os mais “pesados” concentram-se no fundo e os mais “leves”, na superfície);
• Equalização e correção do Ph: equilibra-se o Ph do efluente antes dele ser liberado numa massa de água ou esgoto;
• Flotação: remoção de substâncias colóides.



Fonte: www.pensamentoverde.com.br

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Brasileiros estão consumindo altas doses de agrotóxicos nos alimentos


A opção do país pelo agronegócio faz o brasileiro consumir 5,2 litros de agrotóxicos por ano.  “A opção clara da política agrícola brasileira pelo agronegócio é a grande responsável pela situação”, destaca a agrônoma Fran Paula.

Pensar um Brasil que não priorize uma produção agrícola em latifúndios de monoculturas para exterminar o uso de agrotóxicos. É o que propõe Fran Paula, engenheira agrônoma da coordenação nacional da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida em entrevista concedida por e-mail para a IHU On-Line. Para ela, “o agronegócio utiliza largas extensões de terras, criando áreas de monocultivos. Dessa maneira, destrói toda a biodiversidade do local e desequilibra o ambiente natural, tornando o ambiente propício para o surgimento de elevadas populações de insetos e de doenças”. E a priorização por esse tipo de produção se reforça no conjunto de normas que concedem muito mais benefícios a quem adota o cultivo à base de agrotóxicos ao invés de optar por culturas ecológicas. Um exemplo: redução de impostos sobre produção desses agentes químicos, tornando o produto muito mais barato. Segundo Fran, em estados como Mato Grosso e Ceará essa isenção de tributos chega a 100%.

E, ao contrário do que se possa supor, a luta pela redução do consumo de agrotóxicos não passa necessariamente por uma reforma na legislação brasileira. Para a agrônoma, basta aplicar de forma eficaz o que dizem as leis e cobrar ações mais duras de órgãos governamentais. O desafio maior, para ela, é enfrentar a bancada ruralista e sua bandeira do agronegócio, além de cobrar ações que levem à efetivação da Política Nacional de Agroecologia. “A bancada ruralista ocupa hoje mais de 50% do Congresso brasileiro e vem constantemente atuando na tentativa do que consideramos legalizar a contaminação. Isso à medida que exerce forte pressão no governo sobre os órgãos reguladores, dificultando processos de fiscalização, monitoramento e retirada de agrotóxicos do mercado. E, ainda, vem tentando constantemente flexibilizar a lei no intuito de facilitar a liberação de mais agrotóxicos a interesse da indústria química financiadora de campanhas eleitorais”, completa.

Fran Paula é engenheira Agrônoma e também técnica da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE. Hoje, atua na coordenação nacional da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida. É um grupo que congrega ações com objetivo de sensibilizar a população brasileira para os riscos que os agrotóxicos representam e, a partir disso, adotar ações para acabar com o uso dessas substâncias.

Confira a entrevista

IHU On-Line - No último dia 3 de dezembro, dia internacional da luta contra agrotóxicos, a Campanha contra os Agrotóxicos divulgou que cada brasileiro consome 5,2 litros de agrotóxicos por ano. Como chegaram à contabilização desses dados? O que esse valor indica acerca do uso de agrotóxicos no Brasil em relação a outros países do mundo que utilizam esses produtos na agricultura?
Fran Paula - O dado se refere à exposição ocupacional, ambiental e alimentar a que o brasileiro se encontra, devido ao uso indiscriminado de agrotóxico no país. O número se refere à média de exposição de agrotóxicos utilizados no ano em relação ao número da população brasileira. Esse número se eleva quando a referência são alguns estados produtores de grãos, como o caso do Estado de Mato Grosso. No ano de 2013, utilizou 150 milhões de litros de agrotóxicos, levando a população do Estado a uma exposição de 50 litros de agrotóxicos por pessoa ao ano.
Um dado revela que o Brasil é, desde 2008, o campeão no ranking mundial de uso de agrotóxicos. Ou seja, somos o país que mais consome venenos no Planeta.

IHU On-Line - A que atribuem esse consumo elevado de agrotóxicos?
Fran Paula - A opção clara da política agrícola brasileira pelo agronegócio é a grande responsável pela situação. O agronegócio utiliza largas extensões de terras, criando áreas de monocultivos. Por exemplo: soja, milho, algodão, eucalipto ou cana-de-açúcar. Dessa maneira, destrói toda a biodiversidade do local e desequilibra o ambiente natural, tornando o ambiente propício para o surgimento de elevadas populações de insetos e de doenças. Por isso este modelo de produção é dependente da química, só funciona com muito veneno. E, além de usar grande quantidade de agrotóxicos e transgênicos, não gera empregos e não produz alimentos. 
A bancada ruralista ocupa hoje mais de 50% do Congresso brasileiro e vem constantemente atuando na tentativa do que consideramos legalizar a contaminação. Isso à medida que exerce forte pressão no governo sobre os órgãos reguladores (principalmente saúde e meio ambiente), dificultando processos de fiscalização, monitoramento e retirada de agrotóxicos do mercado. E, ainda, vem tentando constantemente flexibilizar a lei no intuito de facilitar a liberação de mais agrotóxicos a interesse da indústria química financiadora de campanhas eleitorais. Política essa que permite absurdos como o uso de agrotóxicos já banidos em outros países, havendo comprovação científica do grau de periculosidade destes produtos na saúde dos humanos e do meio ambiente.
No Brasil, um conjunto de normas reduz a cobrança de impostos sobre agrotóxicos. E a isenção destes impostos (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, Programa de Integração Social – PIS e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PASEP, Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados - TIPI) pode chegar a 100% em alguns estados como Ceará e Mato Grosso.
Contradizendo as promessas das sementes transgênicas, os transgênicos elevaram o uso de agrotóxicos no país. Um exemplo é o da soja Roundup Ready, resistente ao herbicida glifosato. Com a entrada da soja transgênica, o consumo de glifosato se elevou mais de 150%. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, considerando o potencial aumento de resíduos do herbicida, determinou o aumento de 50 vezes no Limite Máximo Residual - LMR do glifosato na soja transgênica, passando de 0,2 mg/kg para 10 mg/kg. Assim, a ANVISA demonstra que os argumentos da Monsanto anunciando uma diminuição do uso de herbicida com o advento da soja transgênica não são verificáveis na realidade, o que já estava previsto com a expansão da indústria de Roundup no Brasil.

IHU On-Line - Quais são as culturas que recebem uma carga mais pesada de defensivos?
Fran Paula – Primeiramente: não existem defensivos. Defesa para quem? E do quê? Não existe essa terminologia na legislação. O termo é agrotóxicos e assim devemos tratar do assunto. O termo defensivo é utilizado pelos setores do agronegócio, incluindo as indústrias que os produzem, para tirar de foco a função desses produtos e seus efeitos nocivos à saúde da população e do meio ambiente. Da mesma forma que uso seguro de agrotóxicos é um mito. Isso faz parte do lobby da indústria química para esvaziar o debate sobre o risco que os agrotóxicos representam.
Entre os mais utilizados, destacamos: o Abamectina, um tipo de inseticida altamente tóxico, utilizado em plantações de batata, algodão e frutíferas; o Acefato, que é um inseticida que pertence à classe toxicológica III - Medianamente Tóxico e que é utilizado com frequência em plantações de couve, amendoim, brócolis, fumo, crisântemo, repolho, melão, tomate, soja, rosas, citros e batata; e o Glifosato, um herbicida bastante utilizado no combate a ervas indesejáveis no cultivo de soja, principalmente.
Não é o tipo de cultura que define a quantidade de agrotóxico utilizada. O que define é o modelo de produção. Posso ter um pimentão com alta concentração de agrotóxico, como posso ter um pimentão orgânico.

IHU On-Line - Quais os efeitos na saúde de quem consome alimentos com traços de agrotóxicos?
Fran Paula - Não existe agrotóxico que não seja tóxico. Portanto, não há nenhum que não apresente risco à saúde humana mediante exposição e posterior contaminação. Os agrotóxicos provocam dois tipos de efeitos: os agudos, provocados nas horas seguintes à exposição; e os crônicos, que podem se manifestar em meses, anos e até décadas, como resultado da acumulação dos resíduos químicos no organismo das pessoas.
Um exemplo nacional que tivemos de contaminação por agrotóxicos e acumulação destes resíduos no organismo foi a pesquisa que revelou contaminação do leite materno. Os efeitos de resíduos de agrotóxicos no nosso organismo podem manifestar complicações como alterações genéticas, problemas neurotóxicos, má-formação fetal, abortos, efeitos teratogênicos, desregulação hormonal, desenvolvimento de células cancerígenas. Reforço que a maioria dos agrotóxicos possui ação sistêmica e que medidas como lavar superficialmente os alimentos com água e sabão não são suficientes para eliminar os resíduos de agrotóxicos.

IHU On-Line - A campanha também alerta que há regiões no país em que o consumo de agrotóxicos é ainda maior. Quais são essas regiões e por que o consumo é tão elevado?
Fran Paula - Como já havia citado anteriormente, em alguns estados onde o agronegócio exerce um aparelhamento político forte e detém grandes áreas de monocultivos de soja e outras commodities, o consumo de agrotóxicos é maior.

IHU On-Line - Além do consumo de alimentos que foram expostos a agrotóxicos, a que riscos as pessoas que vivem em regiões de altos índices de aplicação desses defensivos estão submetidas?
Fran Paula - Estão submetidas a problemas de saúde devido à exposição direta aos agrotóxicos, devido à contaminação da água para consumo, do ar que respiram e do solo. Ainda sofrem as ameaças da pulverização aérea, como os milhares de casos pelo Brasil de populações que são banhadas diariamente por venenos, principalmente pelo desrespeito às medidas legais quanto aos limites desta pulverização tanto aérea quanto terrestre no entorno dessas comunidades. A este contingente de populações expostas a agrotóxicos cobramos atenção especial dos serviços de saúde como forma de promoção da vida e sobrevivência destas pessoas. Por isso uma das bandeiras de luta da Campanha tem sido a criação de áreas livres de agrotóxicos e transgênicos.

IHU On-Line - O que é possível fazer para frear esse uso tão grande de agrotóxicos? Quais as alternativas junto às plantações para o controle de pragas?
Fran Paula - Analisemos a história da agricultura no mundo, com registros de 12 mil anos atrás. Já a história dos agrotóxicos tem registros de pouco mais de 50 anos. Ou seja, desde muito tempo é possível produzir sem usar agrotóxicos. São crescentes os investimentos em países da União Europeia, Japão, Índia, em práticas e técnicas de produção de não uso de agrotóxicos. O Brasil é um país atrasado na medida em que ainda utiliza um arsenal de produtos químicos provenientes da guerra. Nosso país precisa urgentemente rever o modelo de produção quem vem adotando, centrado no Agronegócio. Esse modelo concentra a terra, cria áreas de monocultivos e desertos verdes, adota pacotes tecnológicos (adubos químicos, sementes híbridas e transgênicas e agrotóxicos) ofertados pelas indústrias químicas. É preciso implementar o Plano Nacional de Redução de Agrotóxicos – PRONARA, vinculado à Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, construído em 2014. Essa legislação prevê ações no campo da pesquisa de tecnologias sustentáveis de produção, crédito para o fortalecimento da agricultura de base agroecológica responsável pela produção de alimentos, investimentos em assistência técnica e extensão rural agroecológica aos agricultores, retirada imediata dos agrotóxicos já banidos em outros países e que são utilizados livremente no Brasil e fim do subsídio fiscal aos agrotóxicos. Além disso, adoção de práticas de menor impacto, como o controle biológico de pragas e o manejo integrado; adoção de práticas agroecológicas de produção, que permitem a seleção natural das culturas, e variedades crioulas com maior resistência à incidência de insetos e doenças e que permitam a diversificação da produção e oferta de alimentos com base nos princípios da segurança alimentar e nutricional.

IHU On-Line - Uma das bandeiras da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida é o fim da prática de pulverização aérea das lavouras. Por quê?
Fran Paula - A pulverização aérea de agrotóxicos é uma prática ameaçadora à vida. Diversos estudos científicos e casos de intoxicação humana e contaminação ambiental têm reiterado que não existem condições seguras para pulverização aérea. Além de tratar-se de uma técnica atrasada em termos de eficiência de aplicação, requer que sejam pulverizadas grandes quantidades de veneno para se atingir a quantidade desejada do ponto de vista agronômico, por conta das elevadas perdas. Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA mostraram que o percentual de perda pode chegar a mais de 80% em algumas culturas. Esse elevado percentual corrobora o fato de que grande parte do que é pulverizado atinge outros alvos que não os desejados, podendo contaminar água, lençóis freáticos e ainda atingir diretamente pessoas e outros seres vivos.
Entre os casos de contaminação via pulverização aérea, temos o ocorrido em 2013 na Escola Municipal de São José do Pontal, localizada na região rural do município de Rio Verde, Goiás. Ali, essa prática resultou em diversos casos de intoxicação aguda de trabalhadores e de alunos de 9 a 16 anos. Nesse episódio, a pulverização teria sido feita sobre a lavoura de milho localizada a poucos metros da escola, não obedecendo aos limites mínimos de distância recomendados na legislação. O produto pulverizado, segundo a empresa de aviação agrícola, era o inseticida Engeo Pleno, fabricado pela multinacional Syngenta. Um de seus componentes é o tiametoxam, do grupo dos neonicotinoides, produto altamente tóxico para abelhas e que por isso havia sido proibido para uso por pulverização aérea pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente - IBAMA. No entanto, após pressão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, a proibição foi suspensa.

IHU On-Line - Qual sua avaliação sobre a legislação brasileira no que diz respeito à liberação e uso de agrotóxicos? Recentemente, a ANVISA aprovou a iniciativa para propor o banimento dos agrotóxicos Forato e Parationa Metílica. Como avalia essa iniciativa e quais as implicações desses agrotóxicos?
Fran Paula - O problema em geral não está na lei 7802/89, que define a Legislação dos Agrotóxicos no Brasil, e sim no não cumprimento da mesma. Quanto ao registro de agrotóxicos, a lei estabelece a proibição para os quais o Brasil não disponha de métodos para desativação de seus componentes, de modo a impedir que os seus resíduos remanescentes provoquem riscos ao meio ambiente e à saúde pública, para os quais não haja antídoto ou tratamento eficaz no Brasil. Ainda proíbe registro aos que revelem características teratogênicas, carcinogênicas ou mutagênicas, de acordo com os resultados atualizados de experiências da comunidade científica, que provoquem distúrbios hormonais, danos ao aparelho reprodutor, de acordo com procedimentos e experiências atualizadas na comunidade científica. Não permite registro de agrotóxicos que se revelem mais perigosos para o homem do que os testes de laboratório com animais tenham demonstrado, segundo critérios técnicos e científicos atualizados e também cujas características causem danos ao meio ambiente. O risco maior está nas inúmeras tentativas de flexibilização da lei por parte da bancada ruralista, cujo propósito é defender os interesses das indústrias químicas e assim liberar o registro de mais agrotóxicos no mercado.
O efeito danoso dos agrotóxicos é reconhecido e estabelecido em lei. A ANVISA é o órgão responsável no âmbito do Ministério da Saúde pela avaliação da toxicidade dos agrotóxicos e seus impactos à saúde humana; emite o parecer toxicológico favorável ou desfavorável à concessão do registro pelo Ministério da Agricultura.

IHU On-Line - Quais os pontos mais urgentes em que a legislação precisa avançar ou ser revista?
Fran Paula - A legislação brasileira, apesar de conter normas de restrição ao registro de agrotóxicos, não estipula tempo para reavaliação dos agrotóxicos. Acaba ficando a critério dos órgãos responsáveis pelo registro solicitarem a mesma. No Brasil, a validade do registro do produto é de tempo indeterminado, ao contrário de países como Estados Unidos, onde o registro tem validade por 15 anos. Na União Europeia são 10 anos, no Japão três anos e no Uruguai quatro anos. Apesar de a lei atribuir responsabilidades quanto ao monitoramento e fiscalização, o cenário é de uma capacidade reduzida dos órgãos de saúde e de meio ambiente. Isso ocorre nas três esferas de governo, no que diz respeito ao desenvolvimento de serviços de monitoramento e controle de agrotóxicos.

IHU On-Line - Um dos herbicidas mais usados e conhecidos no Brasil e no mundo é o Glifosato, chamado “mata mato”. Como acaba com praticamente todas as ervas daninhas, além da aplicação em zona rural, há municípios que usam em áreas urbanas, fazendo o que algumas pessoas chamam de “capina química”. Que problemas para o meio ambiente, no campo e na cidade, o uso indiscriminado dessa substância pode causar?
Fran Paula - Mata mato é um dos nomes comerciais do herbicida Glifosato. Possui uma ação sistêmica, ou seja, ao ser aplicado nas folhas das plantas é translocado até as raízes e é não seletivo. Mata todo tipo de plantas, exceto as transgênicas que apresentam resistência a este princípio ativo. Dentre os riscos ao meio ambiente estão a contaminação do lençol freático e do solo, com a morte de microrganismos e consequente perda da fertilidade. E se tratando de capina química, há uma nota técnica da ANVISA de 2010 recomendando a proibição dessa prática em ambientes urbanos, devido à exposição da população ao risco de intoxicação, além de contaminar a fauna e a flora local.
IHU ON-Line - E para a saúde de quem se expõe ao Glifosato?
Fran Paula - Há estudos toxicológicos do Glifosato em diversos países e todos são unânimes nos resultados para efeitos tóxicos na saúde. Estes estudos revelam que a toxicidade do Glifosato provoca os seguintes efeitos: toxicidade subaguda (lesões em glândulas salivares), toxicidade crônica (inflamação gástrica), danos genéticos (em células sanguíneas humanas), transtornos reprodutivos (diminuição de espermatozoides e aumento da frequência de anomalias espermáticas) e carcinogênese (aumento da frequência de tumores hepáticos e de câncer de tireoide). Os sintomas de intoxicação incluem irritações na pele e nos olhos, náuseas e tonturas, edema pulmonar, queda da pressão sanguínea, alergias, dor abdominal, perda de líquido gastrointestinal, vômito, desmaios, destruição de glóbulos vermelhos no sangue e danos no sistema renal. O herbicida ainda pode continuar presente em alimentos num período de até dois anos após o contato com o produto. Em solos pode estar presente por mais de três anos, dependendo do tipo de solo e clima. Apesar da classificação toxicológica que recebe no Brasil, o produto é considerado um biocida. Tanto que já foi banido de países como a Noruega, Suécia e Dinamarca.

IHU On-Line - Qual o papel de outros órgãos, como Ministério Público, nas discussões e no combate ao uso indiscriminado de agrotóxicos?
Fran Paula - A atuação do Ministério Público é fundamental diante do contexto e cenário que o Brasil se encontra, de ineficiência de aplicação da lei e da omissão dos órgãos de monitoramento e fiscalização. O Ministério Público do Trabalho lançou em 2009 o Fórum Nacional de Combate aos Efeitos dos Agrotóxicos. Criado para funcionar como instrumento de controle social, o Fórum Nacional conta com a participação de organizações governamentais e não governamentais, sindicatos, universidades e movimentos sociais, além do Ministério Público. Além do Fórum Nacional, foram sendo criados os fóruns estaduais de combate aos impactos dos agrotóxicos com o mesmo objetivo. A Campanha participa do Fórum Nacional e dos estaduais, com objetivo de levantar elementos e embasar o Ministério Público em ações que visem à redução do uso de agrotóxicos e promoção da agroecologia.

IHU On-Line - A Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida já destacou que 2015 será um ano em que se desenvolverão diversas políticas nacionais de agroecologia e produção orgânica. Que políticas são?
Fran Paula - Em agosto de 2012, a presidenta Dilma Rousseff instituiu a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – PNAPO, por meio do Decreto nº 7.794, de 20-08-2012, resultado de intensos diálogos e reivindicações dos movimentos sociais. A partir de então, governo e sociedade civil se debruçaram na tarefa de construção de um Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – PLANAPO.
No campo produtivo, o Plano propõe mecanismos capazes de atender à demanda por tecnologias ambientalmente apropriadas, compatíveis com os distintos sistemas culturais e com as dimensões econômicas, sociais, políticas e éticas no campo do desenvolvimento agrícola e rural. Ao mesmo tempo, apresenta alternativas que buscam assegurar melhores condições de saúde e de qualidade de vida para a população rural. Assim foi criado, no âmbito da PNAPO, o Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos – PRONARA. É construído numa parceria da Campanha com diversos ministérios e órgãos subordinados, além de outros movimentos sociais. O PRONARA contém 35 iniciativas que, se levadas a cabo, melhorariam drasticamente as condições de saúde do povo brasileiro em relação aos agrotóxicos. A lógica do PRONARA se desenvolve como base em iniciativas estruturadas de forma articulada, cobrindo seis dimensões: registro; controle, monitoramento e responsabilização da cadeia produtiva; medidas econômicas e financeiras; desenvolvimento de alternativas; informação, participação e controle social; e formação e capacitação.
O prazo de três anos para execução desta primeira edição do Plano Nacional de Agroecologia vincula suas iniciativas às ações orçamentárias já aprovadas no Plano Plurianual de 2012 a 2015. Trata-se, portanto, de um forte compromisso para trazer a agroecologia, seus princípios e práticas, não só para dentro das unidades produtivas, como para as próprias instituições do Estado, influenciando a agenda produtiva e de pesquisa e os mais diferentes órgãos gestores de políticas públicas. Em síntese, um grande avanço da sociedade brasileira na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável.

IHU On-Line - O que mais deve pautar a luta do movimento em 2015?
Fran Paula - Já avaliamos que 2015 será um ano de grandes desafios e lutas intensas, a começar pelo cenário sombrio da nomeação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura. Ela tem sido até agora uma representante atuante da bancada ruralista no Congresso e defensora dos interesses do agribusiness brasileiro. Também queremos garantir mobilização social articulada e contrária às iniciativas da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBIO para a não liberação de mais variedades transgênicas.
Hoje, a Campanha tem mais de 100 organizações e movimentos sociais atuando de ponta a ponta do país. A meta para 2015 é ampliar e fortalecer nosso diálogo com a sociedade, alertando para o risco que os agrotóxicos representam, reforçando a necessidade e urgência da efetivação de políticas públicas de promoção da agroecologia, solução para a produção de alimentos saudáveis a todos os brasileiros.
Temos, ainda, nossa agenda de luta, onde são organizadas as ações massivas da Campanha: 07 de abril – Dia Mundial da Saúde e o aniversário de quatro anos da Campanha, 16 de outubro – Dia Mundial da Alimentação Saudável e 03 de dezembro – Dia Mundial de Luta contra os Agrotóxicos. 2015 será um ano das Conferências Nacionais, a exemplo da Conferência Nacional de Saúde e a Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. São espaços onde estaremos reforçando a necessidade do controle social e da importância da efetivação das políticas públicas de promoção da agroecologia e do não uso de agrotóxicos.

Matéria por João Vitor Santos

Fonte: www.ihu.unisinos.br