quinta-feira, 5 de março de 2015

Tudo isso e nós também


Podemos voltar atrás e recapitular por um momento.

Nascemos, vivemos e moramos em um espaço do planeta Terra. E desde os primeiros tempos da história humana, vivemos e nos transformamos ao socializarmos a natureza. Isto é, ao transformarmos sem cessar espaços em lugares. E vivemos cada momento de nossas vidas dentro, na natureza, no interior de ambientes naturais. Mas, desde uma pequena tribo de indígenas do Mato Grosso até um grande bairro da Zona Leste da cidade de São Paulo, vivemos em lugares “conquistados” da natureza pelo trabalho humano, e transformados em quartos e casas, em ruas e em bairros, em cidades e em municípios.

O trabalho humano que a cada instante e de muitos modos socializa a Natureza, pode ser um aliado dela. E pode ser um seu inimigo. Quando o ser humano se alia à natureza e busca comunicar-se com ela de modo a interagir com o mundo em que vive sem o desejo de apropriar-se, de dominar ou de destruir, ele cria as condições de uma relação harmoniosa entre a sociedade e a natureza, entre a cultura e o ambiente.

Um pouco adiante vamos encontrar palavras que tentam traduzir esta relação humana harmoniosa. Palavras como: sustentável, sociedade sustentável, comunidade sustentável, sustentabilidade.

Em direção oposta, quando as pessoas lidam com o mundo natural como se ele fosse inesgotável, como se existisse única e exclusivamente a serviço dos seres humanos, e como se os seus recursos e seres devessem ser dominados, conquistados e, finalmente, exauridos, esgotados e destruídos, para servir a interesses apenas econômicos e utilitários, sobrevém aí uma visível ameaça. Sobrevém o perigo de que, ao “conquistar” e “utilizar” os recursos naturais em proveito próprio, a espécie humana possa estar gerando, pouco a pouco, mas em uma velocidade crescente, os cenários e as condições de sua própria destruição.

Sim, porque como seres vivos, Seres do mundo da Vida, seres também naturais, todos nós e tudo o que nós criamos pode vir a desaparecer da face da Terra, na medida em que alteremos o sábio equilíbrio com que a mesma Terra nos gerou, depois de gerar a Vida e o equilíbrio e a harmonia de uma Natureza que nos mantém vivos.

Você já pensou que o mundo natural existiu bilhões de anos sem a nossa presença na Terra e que ele poderia seguir vivendo outros bilhões de anos de existência depois do nosso desaparecimento da “face da Terra?” Você já parou para pensar que a Terra, a Vida e a Natureza não precisam de nós para prosseguir existindo e se multiplicando, enquanto nós sim, nós precisamos da Natureza na Terra para prosseguirmos nossa viagem pela Vida?

Até algum tempo atrás quase não havia o conhecimento de que a nossa nave-casa, o Planeta Terra era um sistema vivo de interações. Um todo tão integrado, tão complexo, tão misterioso e tão maravilhoso de matéria e energia.

Mas um sistema vivo ao mesmo tempo poderoso e frágil.

Imaginávamos uma Terra de recursos naturais infinitos e inteiramente posto à nossa disposição. Mas hoje sabemos que do ouro à água tudo pode acabar, pois tudo é infinito quando em equilíbrio, mas pode se extinguir em pouco quando o equilíbrio natural se quebra e a harmonia das relações entre nós, seres humanos, e o todo do mundo natural de que somos filhos e parte, se quebra por causa de nossas ideias e de nossas ações.

Hoje temos este conhecimento. Hoje somos sabedores de tudo isto e aprendemos a conviver com a consciência de que vale mais nós aprendermos a virmos a ser irmãos do universo (a começar por nossa pequenina e por agora única casa dentro dele, a Terra) do que os senhores do mundo. Um mundo que por nossa causa um dia talvez não seja mais capaz de abrigar a Vida e as nossas vidas.

No entanto acontece que ainda hoje muitas e muitas pessoas, mesmo tendo consciência dos perigos que através de nossas próprias mãos batem às nossas portas, dizem assim: eu sei o que está acontecendo, mas o que é que eu tenho a ver com isso? Ou então dizem: eu estou consciente do que está acontecendo, mas o que é que eu posso fazer?

E, na verdade, todas e todos nós podemos fazer algo. Mesmo quando aparentemente longe, “o que acontece” sempre tem a ver com todos nós. Para além das fronteiras que parecem nos dividir, somos todos viajantes do mesmo barco. Estamos embarcados na mesma viagem: a da vida humana na Terra. Vivemos todos na mesma casa e de algum modo temos e teremos todos o mesmo destino. Um destino que depende da Terra e da Vida na Terra. Mas que depende, antes, do que estamos fazendo e do que podemos começar a fazer com a Vida e com a Terra. Pois será uma escolha nossa seguirmos sentindo, pensando e agindo como agimos, pensamos e sentimos, ou começarmos a aprender a sentir de outro modo, a pensar de outra maneira, a viver e a agir de outra forma.

E o lugar onde tudo isto pode começar a acontecer talvez esteja bem mais perto de onde moramos e vivemos do que imaginamos.

Mas, onde e como é que existe este “lugar”?

Trecho do livro - Aqui é onde eu moro, aqui nós vivemos



Fonte: Carlos Rodrigues Brandão

quarta-feira, 4 de março de 2015

UM DISCURSO POSSÍVEL


André Trigueiro manda o recado, mas isto envolve a todos nós. Que bom seria se o governo tivesse uma preocupação real e determinasse o que é relatado a seguir.

Minhas Amigas e Meus Amigos

Como se sabe, o Brasil vem enfrentando uma das piores estiagens de sua história, especialmente na região Sudeste, a mais rica e populosa do país.

Acompanhamos de perto a evolução dos acontecimentos nos estados e municípios castigados pela seca, sempre respeitando a autonomia federativa que confere a governadores e prefeitos, dependendo da localidade, a gestão dos recursos hídricos.

De nossa parte, monitoramos a situação dos rios federais que atravessam mais de um estado, como é o caso do Paraíba do Sul, que corta os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Apesar de o país dispor de uma Lei Nacional de Recursos Hídricos, da Agência Nacional de Águas, dos Comitês de Bacias Hidrográficas e de outros instrumentos de gestão e governança, este governo entende que é preciso fazer mais. Nesse sentido, a atual crise hídrica representa uma excelente oportunidade para avançarmos ainda mais na direção de um modelo mais inteligente e eficiente de gerenciamento de recursos hídricos.

Decidimos, portanto, tomar as seguintes providências:

- Estou instituindo um Conselho de Notáveis com os mais prestigiados hidrologistas, cientistas e representantes das mais importantes instituições de pesquisa e universidades brasileiras (com pessoas de todos os estados) para que possam instruir o governo sobre como tornar o Brasil não apenas o país com o maior volume de água doce superficial de rio do mundo, mas também o mais eficiente no uso dessa água. Nosso compromisso é o de ampliar este debate com consultas públicas e trabalhar pela implementação das medidas sugeridas ainda este ano.

- Instruí o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, a convocar representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Agência Nacional de Águas (ANA) para que reapresentem as críticas formuladas por essas instituições contra o novo Código Florestal, no que se refere aos riscos que ele representaria às bacias hidrográficas. Em se confirmando que as alterações aprovadas pelo Congresso no texto original dessa lei carecem de estudos devidamente embasados sobre o seu impacto na resiliência dessas bacias, meu compromisso é o de mobilizar todos os esforços possíveis no sentido de reabrir o debate e, se for o caso, defender uma nova mudança na legislação.

- Ordenei ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que apresente no prazo de uma semana propostas de novos estímulos fiscais a produtos e serviços que promovam a drástica redução do consumo de água e energia nos mais diversos setores da economia. É preciso elevar os parâmetros já existentes e apoiar quem já investe em inovação.

- Determinei à ministra da Agricultura Kátia Abreu que realize um amplo levantamento das técnicas mais eficientes no uso de água pelo setor agrícola. Aproximadamente 70% das águas doces em nosso país são usadas nas lavouras, nem sempre com o devido cuidado ou orientação. O Brasil não pode continuar promovendo o uso perdulário de água nas irrigações com a utilização de pivô central, aspersores ou culturas de inundação, para citar apenas alguns exemplos de técnicas que já estão sendo abandonadas em muitos países. Há muito o que se avançar neste setor e pretendo ainda neste governo condicionar a concessão de crédito agrícola à eficiência no consumo de água no campo.

- Encomendei ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, um estudo identificando quais os empreendimentos que mais consomem energia elétrica hoje no país. Nossa intenção é condicionar a liberação de recursos públicos, via Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou outros órgãos de fomento públicos, à apresentação de planos que confirmem a disposição desses setores em serem exemplos de eficiência e inovação.

- Declaro que este governo apoiará ostensivamente a ampla disseminação da água de reúso em todo o território nacional. Instruí o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu, a realizar os esforços necessários para a tão esperada regulamentação técnica da água de reúso, definindo seus parâmetros e características para que não haja mais nenhuma hesitação do mercado em investir nessa direção. Queremos apoiar todas as atividades que utilizem água de reúso em suas rotinas.

- É nosso desejo que todas as companhias públicas ou privadas de água e esgoto no país sejam mais eficientes. Não é possível que registremos em média 37% de perdas de água potável nas redes, desperdiçando preciosos recursos públicos. Para estimular a maior eficiência do setor, pretendemos condicionar a liberação de recursos federais à redução dessas perdas no sistema. Acertaremos caso a caso quais são as metas possíveis e aplicaremos as novas regras de financiamento.

- Este governo deverá encaminhar ao Congresso, logo após a votação para a Presidência da Câmara e do Senado, um projeto de lei determinando a criação de linhas especiais de crédito para todas as construções que sejam comprovadamente eficientes no consumo de água e energia elétrica, e que possuam certificações reconhecidas internacionalmente.

Encerro meu pronunciamento reconhecendo que esta terrível estiagem nos estimula a sermos ainda mais propositivos na Conferência do Clima, que terá lugar em dezembro em Paris. Infelizmente, ao que tudo indica, eventos extremos como esse poderão ser tornar cada vez mais frequentes em função das mudanças climáticas. Mas é meu dever, enquanto Chefe de Estado da maior potência “mega biodiversa” do planeta, preparar o país para qualquer um dos cenários previstos pelos cientistas. Sinto-me pronta para esta missão.

Convoco todos os brasileiros a unirem forças em favor das nossas águas – o bem mais precioso e indispensável à vida, sem o qual nenhuma atividade humana é possível – que a natureza generosamente nos proporcionou e que mantêm o Brasil em condição ainda invejável perante o mundo neste século XXI.

(Boa noite)

OBSERVAÇÃO

A Presidente Dilma não escreveu esse discurso. Mas neste momento em que a crise hídrica impacta uma população estimada de 46 milhões de brasileiros, qualquer manifestação propositiva da maior autoridade da República seria muito bem-vinda.
(Matéria por André Trigueiro)

Fonte: www.mundosustentavel.com.br

terça-feira, 3 de março de 2015

O Pantanal segue ameaçado


Como o Cerrado, o Pantanal vive um silencioso aumento de suas ameaças. Pesquisadores do Projeto Bichos do Pantanal fazem um alerta sobre os impactos que podem por em risco o equilíbrio que sustenta o rio Paraguai e o Pantanal. “Existem muitas atividades econômicas possíveis no Pantanal, e a própria população local espera por mais crescimento, a grande questão é que devemos sempre relembrar que em uma região tão frágil, essas ações necessitam de estudos prévios e muito debate com a sociedade”.

A construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), o aumento do desmatamento, do assoreamento e da poluição dos mananciais são algumas das ações que podem acelerar o desaparecimento de uma das mais belas paisagens do planeta. Vivem hoje no Pantanal cerca de 500 espécies de aves, 269 de peixes, 212 mamíferos e 4.700 espécies de plantas diferentes. A beleza e singularidade desse ecossistema fizeram com que geólogos como Aziz Nacib Ab’ Saber o batizassem como: paisagem de exceção. O cenário pantaneiro formado por lagoas, antigas morrarias, e grandes planícies é considerado um dos locais mais belos do mundo e a região é Patrimônio Nacional e Patrimônio Natural da Humanidade, reconhecido pela Unesco.

Apesar de toda essa beleza, nem essa porção isolada no coração do país está livre de ameaças. O lixo já é um problema visível em muitos pontos do rio Paraguai. No 26º Mutirão de limpeza do rio Paraguai, organizado pela sociedade civil de Cáceres, no Mato Grosso, foram retiradas aproximadamente 10 toneladas de lixo do rio, um dos principais formadores do Pantanal. “Os plásticos, filtros de cigarro e restos de linhas de pescaria podem parecer inofensivos, porém para a fauna do Pantanal isso pode ser confundido com alimento e mata-los. Também não sabemos ao certo quais serão os efeitos do crescente uso de agrotóxico nas regiões das cabeceiras dos rios do Pantanal”, afirma Douglas Trent, pesquisador-chefe do Projeto Bichos do Pantanal.

Além da poluição, outra ameaça a esse importante bioma é o desmatamento. A perda da vegetação nativa nas margens dos rios do Pantanal induz o aumento do assoreamento, um processo que ocorre quando os detritos são levados de forma mais intensa para o leito dos rios deixando as águas mais rasas. O problema se agrava quando o desmatamento é somado as queimadas e produz o que os pantaneiros chamam de “Dequada”.

Para os pescadores profissionais, o processo da Dequada é uma das piores ameaças a vida nos rios da região. “Nós que vivemos parte do ano isolados nos acampamentos do rio Paraguai, temos muito medo de onça-pintada e de jacaré. Mas, na verdade o que acaba com os peixes é a tal da Dequada. Quando o solo queimado e desmatado é levado para dentro do rio pela enxurrada”, afirma o pescador. “Eu queria trazer gente aqui para filmar, morrem tantos peixes que o rio e as baías ficam alastrados de animais mortos e apodrecidos”, alerta um pescador.

O fenômeno é conhecido por cientistas como um processo natural do Pantanal. Dependendo da rapidez e intensidade das cheias, a Dequada pode baixar drasticamente o nível de oxigênio do rio Paraguai, porém, muitos peixes podem se adaptar e sobreviverem a esse ambiente inóspito.

O grande problema é quando esse fenômeno é associado as queimadas provocadas pelo homem para abrir novas pastagens e desmatar florestas nas margens dos rios. “O que percebemos é que as queimadas intensificam esse processo de perda de oxigênio na água e também traz para a água inúmeras substâncias tóxicas que aumentam a mortandade dos peixes”, explica Claumir Muniz, pesquisador de ictiologia do Projeto Bichos do Pantanal e da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). “Nas baías que se formam durante as cheias, e que servem de berçário para a maioria das espécies de peixes do Pantanal, o processo é mais grave, pois os pequenos alevinos são mais sensíveis a perda de oxigênio e ao envenenamento d’águas. Não é incorreto afirmar que as queimadas ilegais e descontroladas são hoje uma das principais ameaças ao equilíbrio do Pantanal”, conclui.

O uso de agrotóxico para limpar as pastagens e a construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHS) nos afluentes do rio Paraguai se somam ao problema da intensificação das queimadas, criando uma verdadeira bomba contra o futuro do Pantanal.

A proximidade da região com a fronteira do Paraguai e da Bolívia facilita o contrabando de agrotóxicos (muitos proibidos) no país, que são vendidos de forma ilegal e desregulada. Os principais são os herbicidas.“Além de envenenar os rios e os peixes, a pessoa acaba comprando esse tipo de produto sem qualquer orientação de uso, o que traz um risco também de envenenamento das pessoas”, afirma Isidoro Salomão, ou padre Salomão como também é conhecido o coordenador da sociedade civil de Cáceres e do comitê popular do rio Paraguai.

O crescimento das hidrelétricas é outro ponto de atenção quando o tema são as ameaças que pairam sobre o Pantanal. No rio Jauru, um dos principais afluentes do rio Paraguai já existem cinco PCHs. A grande questão é que a maioria foi construída sem estudo de impacto ambiental, ou com análises que não consideram toda a bacia hidrográfica. “Estamos para publicar um documentário sobre o dia em que o rio secou, em setembro de 2008, quando começaram a construir essas PCHs e quase todos os peixes do Jauru morreram. Até hoje o rio não se recuperou”, afirma Salomão.

As ameaças ao Pantanal marcam inclusive a data de comemoração desse ecossistema. O dia 12 de novembro foi decretado, por Marina Silva, ministra do meio ambiente na época, como o Dia do Pantanal. A data foi uma homenagem a morte de Francisco Anselmo de Barros (Francelmo), que se matou em 2005 em um protesto contra a liberação das usinas de álcool no Pantanal e outras ameaças a esse ecossistema.

No dia 14 de novembro, o Pantanal volta a ganhar uma data de comemoração, dessa vez o Dia do rio Paraguai, que tem como foco uma vitória da sociedade civil contra a construção da hidrovia Paraná-Paraguai. O projeto foi intensamente debatido na década de 1990 e previa a retificação das curva originais do rio Paraguai para transformar a região em um enorme canal de transporte fluvial, tal qual o rio Mississipi nos EUA. Pesquisadores, ambientalistas, acadêmicos e a população do Pantanal se uniram contra o projeto, conseguindo evitar que o governo construísse a hidrovia. O marco da luta contra o projeto foi uma audiência pública no dia 14 de novembro de 2001, quando a sociedade civil organizada do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul conseguiram pressionar que o governo desistisse do projeto que previa intensas modificações do rio Paraguai na região do Pantanal de Cáceres.

As ameaças contra o Pantanal podem afetar muitas outras regiões, inclusive o Sudeste que sofre hoje uma crise de abastecimento de água. “A planície alagável de até 250 mil quilômetros quadrados tem um papel fundamental na reprodução dos peixes e no abastecimento dos recursos hídricos das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Qualquer impacto sobre o Pantanal, afeta de forma negativa, as outras regiões.”, afirma Claumir Muniz.

Para Douglas Trent, além do equilíbrio ambiental o Pantanal é o último refúgio da vida selvagem e uma importante morada para espécies como a onça-pintada. “No futuro, se vamos desejar que esse tipo de animal exista e fique livre dos riscos de extinção que já pairam sobre as onças na Mata Atlântica, vamos precisar preservar grandes áreas naturais intocadas como o Pantanal”, diz Trent. “A região é um dos últimos refúgios para a vida selvagem do mundo, cabe aos homens decidirem por preservá-lo”.

O Projeto Bichos do Pantanal atua no Alto Pantanal desde 2013, com sede em Cáceres, no Mato Grosso. Sua proposta é trabalhar em três frentes de ações em prol do desenvolvimento e da preservação do Pantanal: pesquisa e conservação, desenvolvimento econômico regional e turismo de natureza e com a educação ambiental.



Fonte: www.bichosdopantanal.org

segunda-feira, 2 de março de 2015

Rebanhos e queima de biomassa contribuem para emissão de metano na Amazônia


O manejo de rebanhos é responsável por uma média de 19% das emissões de gás metano (CH4), o segundo principal gás causador de efeito estufa, e a queima de biomassa contribui com 8% a 10% da emissão na região da Amazônia brasileira. A estimativa é da bióloga Luana Basso, em pesquisa para o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), entidade associada à USP.

“As coletas de ar aconteceram em quatro localidades dentro da floresta, próximos às cidades de Santarém (PA), Alta Floresta (MT), Rio Branco (AC) e Tabatinga (AM)”, disse. O objetivo do trabalho foi observar, em um período de quatro anos (2010-2013), como a região amazônica contribui para a emissão do metano, além de identificar quais são os processos envolvidos nessas emissões.

A pesquisadora destaca que “uma elevação na taxa de emissão de metano contribuiria para o aumento das alterações climáticas que observamos, como períodos de maior seca ou períodos em que as chuvas estão mais intensas”. Na avaliação de Luana, “o aumento do gás contribuiria para a ocorrência desses eventos extremos”.

Um avião de pequeno porte fez a coleta das amostras, desde aproximadamente 300 metros (m) da superfície até 4,5 quilômetros (km). Um plano de voo foi preparado previamente para o piloto, indicando os locais e as diversas altitudes, nas quais foram amostras de ar foram coletadas.

O resultado é que a Amazônia emite em torno de 25,4 teragramas (tg) por ano. “Essa emissão representa de 4% a 5% da emissão global de metano, de acordo com estimativa do último relatório do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas]“, explica a pesquisadora.

A pesquisa buscou ainda identificar as contribuições das atividades humanas para a emissão do gás na região. “Atualmente, em torno de 60% das emissões do mundo, de metano, são de origem antrópica, ou seja, estão relacionadas a atividades humanas, segundo o último relatório do IPCC e da Organização Mundial de Meteorologia”, ressaltou.

“Dessa emissão, consegui estimar quanto vem da queima de biomassa, que é uma média de 8% a 10% e 19% para as emissões de fermentação entérica [processo de digestão dos animais ruminantes que gera metano] e manejo dos dejetos dos rebanhos”. O restante da emissão do gás vem de outras diversas fontes, como de áreas alagáveis, de rios e da decomposição de matérias orgânicas no solo, acrescentou a pesquisadora.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) define “biomassa” como “todo recurso renovável que provêm de matéria orgânica – de origem vegetal ou animal”. Entre as principais fontes de biomassa, o ministério destaca aquela de origem vegetal, como a madeira, e outra vinda de cultivos agrícolas, como o bagaço e a palha de cana.



Fonte: Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Compensação Ambiental


A compensação ambiental é um mecanismo financeiro que visa contrabalançar os impactos ambientais previstos ou já ocorridos na implantação de empreendimento. É uma espécie de indenização pela degradação, na qual os custos sociais e ambientais identificados no processo de licenciamento são incorporados aos custos globais do empreendedor.

Todo empreendimento tem potenciais impactos negativos sobre a natureza. A criação de usina hidrelétrica em geral causa a inundação da vegetação existente na área destinada à formação do reservatório, um impacto ambiental significativo, em especial quando leva à inundação de extensas áreas. Com isto é prejudicada a parcela do ecossistema onde se insere o empreendimento, que sofre perdas expressivas de espécies vegetais e animais.

Há impactos ao meio ambiente que não são passíveis de mitigação, ou seja, não é possível a reversão do dano. São exemplos disso, a perda da biodiversidade de uma área ou a perda de áreas representativas dos patrimônios cultural, histórico e arqueológico. Nestes casos, o poder público - através do art. 36 da lei do SNUC - determinou que a compensação das perdas se daria por intermédio da destinação de recursos para a manutenção ou criação de unidades de conservação. A compensação faz com que o empreendedor que altere uma parcela do ambiente natural com a implantação do seu projeto, seja obrigado a viabilizar a existência de uma unidade de conservação de proteção integral, espécie de UC cujo o objetivo é manter, para as futuras gerações, uma área de características as mais semelhantes possíveis às da região afetada.

A arrecadação e destinação dos recursos está relacionada à execução do licenciamento ambiental: se o processo é estadual ou municipal, cabe ao órgão ambiental estadual já que responsável pelo licenciamento nestas esferas; se o processo de licenciamento é federal, caberá ao Comitê de Compensação Ambiental Federal (CCAF), órgão colegiado presidido pelo IBAMA, por sua vez o órgão licenciador federal. O Instituto Chico Mendes, órgão responsável pela gestão das unidades de conservação federais, será envolvido sempre que o empreendimento afetar estas unidades.

Ainda na esfera federal está a Câmara Federal de Compensação Ambiental (CFCA), um colegiado composto por membros dos setores público e privado, da academia e da sociedade civil, criado no âmbito do Ministério do Meio Ambiente. Ele supervisiona e orienta o cumprimento da legislação referente à compensação ambiental oriunda do licenciamento ambiental federal, além de estabelecer prioridades e diretrizes e auditar a aplicação dos recursos da compensação ambiental federal.

Os recursos arrecadados na compensação ambiental de um empreendimento devem ser aplicados de acordo com uma ordem de prioridade (art. 33 do decreto 4340/02): 1º a regularização fundiária e demarcação das terras; 2º elaboração, revisão ou implantação de plano de manejo; 3º aquisição de bens e serviços necessários à implantação, gestão, monitoramento e proteção da unidade, compreendendo sua área de amortecimento; 4º o desenvolvimento de estudos necessários à criação de nova unidade de conservação; e 5º o desenvolvimento de pesquisas necessárias para o manejo da unidade de conservação e área de amortecimento.



Fonte: www.oeco.org.br

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

ESPÉCIE ENDÊMICA


Uma espécie endêmica é aquela espécie animal ou vegetal que ocorre somente em uma determinada área ou região geográfica. O endemismo é causado por quaisquer barreiras físicas, climáticas e biológicas que delimitem com eficácia a distribuição de uma espécie ou provoquem a sua separação do grupo original. Quando a separação ocorre por um longo período, o grupo isolado sofre uma seleção natural que desenvolve nele uma diferenciação de outros membros da espécie.

O ambiente isolado tem características de clima, solo e água distintos dos demais e seleciona as espécies que lá vivem de uma forma única: determinadas espécies só se desenvolverão naquele ambiente. Por isto, quanto maior for o grau de especificidade do ambiente, maior o grau de endemismo - isto é, maior o índice de espécies endêmicas.

Ilhas, áreas cortadas por rios, arquipélagos remotos, cadeias de montanhas, alagamentos, diferentes tipos de solos e diferentes biomas criam barreiras que favorecem o surgimento de espécies endêmicas. A ilha de Madagascar e continente da Austrália são exemplos de regiões de alto grau de endemismo. Cada qual apresenta inúmeras espécies que só podem ser encontradas nestes lugares, como os lêmures, os baobás, os coalas e cangurus.

No Lago Baikal, na Rússia, 80% das 3.500 espécies animais e vegetais recenseadas não existem em nenhum outro lugar do mundo. A Mata Atlântica é outro exemplo: embora boa parte da floresta tenha sido devastada, ela ainda abriga 20 mil espécies de plantas, das quais 8 mil são espécies endêmicas.

Não é raro, por exemplo, ouvirmos falar de espécies endêmicas da Amazônia. Isso porque o ambiente diverso, com características de tempo, solo e água distintos das demais florestas do mundo faz com que determinadas espécies só se desenvolvam lá. Quanto maior for o grau de especificidade do ambiente, maior o índice de espécies endêmicas.

A Mata Atlântica é um exemplo dessa especificidade e com visitas constantes de estudiosos para que estes possam descobrir novos espécimes, o que não é raro quando se trata da localização em questão. A biodiversidade dela é muitas vezes comparada à própria Amazônia. Embora boa parte tenha sido devastada, a Mata Atlântica ainda conserva muito das suas características peculiares. 60% das espécies de árvores encontradas lá são consideradas endêmicas e, do mesmo modo, cerca de oito mil espécies vegetais. Tudo isso contando apenas o aspecto botânico.

Consideram-se endêmicos também animais que não sobrevivem ou não são encontrados em outras regiões. A Mata Atlântica é uma das cinco regiões mais importantes do mundo quando se trata do assunto, e referência por estudiosos de tais seres vivos em todo o mundo. Cerca de cinquenta e cinco espécies de mamíferos já catalogados na Mata Atlântica apontam características endêmicas, sem contar as diversas espécies de anfíbios, que são característicos da região.

Segundo pesquisas de organizações não governamentais que trabalham no bioma da Mata Atlântica, 39% dos mamíferos encontrados na Mata são endêmicos, acompanhados de 15% dos primatas, principalmente quando se trata da diversidade de micos (específicos de cada área dentro do próprio bioma), 160 espécies de aves e 183 de anfíbios.

Todos esses dados revelam a grande importância da preservação das matas nacionais. Os índices de devastação dos principais biomas brasileiros causam perdas irreparáveis tanto para o país como para a ciência e algumas mesmo com tentativa de preservação são irreparáveis.

Para ter uma ideia da gravidade, uma vez extinta uma determinada espécie, torna-se impossível reproduzi-la em outro ambiente, uma vez que a adaptação natural só se dá naquele determinado bioma. Segundo os cientistas, as características que diferenciam uma espécie da outra se dão justamente pela interação com o meio ambiente através de mudanças adquiridas com o tempo.

Espécies como o mico leão da cara dourada, endêmico da Mata Atlântica na região sul da Bahia, tem cada vez menos chance de sobreviver, visto os altos índices de devastação e desmatamento na região. A preservação dessas regiões está diretamente ligada à sobrevivência dessas espécies.

Finalizando

Por fim, espécies indígenas (ou nativas) e espécies endêmicas não se confundem: ambas são originárias de uma determinada área, mas as indígenas também podem ocorrer em outros lugares.

Fonte: www.oeco.org.br

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

ECÓTONOS


Um ecótono é uma região resultante do contato entre dois ou mais biomas fronteiriços. São áreas de transição ambiental, onde entram em contato diferentes comunidades ecológicas -- isto é, a totalidade da flora e fauna que faz parte de um mesmo ecossistema e suas interações. Por isso, os ecótonos são ricos em espécies, sejam elas provenientes dos biomas que o formam ou espécies únicas (endêmicas) surgidas nele mesmo.

As características singulares dos ecótonos fazem com que mereçam atenção especial de conservação: o traço principal é o fato de ser um ecossistema formado entre outros ecossistemas. Tamanho, microclima, recursos de que dispõe e as combinações de espécies são diferentes em cada ecótono, que, por sua vez, são fatores influenciados por clima, altitude, latitude, longitude e tipo de solo.

Ecótonos são áreas dinâmicas que, com o tempo, podem mudar de largura e até de posição, em razão de mudanças ambientais, como o fenômeno da sucessão ecológica. Dado a este dinamismo, são regiões sensíveis a mudanças climáticas globais e, portanto, considerados por cientistas como seus potenciais indicadores.

Ecótonos no Brasil

Um estudo de 2003 realizado pelo IBAMA determinou os três principais ecótonos no Brasil: o Cerrado-Amazônia, que representa 4,85 % do território brasileiro (maior que os biomas Campos Sulinos e Costeiro juntos); o Caatinga-Amazônia, que corresponde a 1,7%; e o Cerrado-Caatinga, com 1,3%. O mapeamento também mostrou que há desequilíbrio entre o tamanho relativo dos ecótonos (e biomas) no território nacional e o percentual deles que é coberto por unidades de conservação de proteção integral: no Cerrado-Caatinga apenas 3.33% são protegidos; na Caatinga-Amazônia, 0,05%; e, no Cerrado-Amazônia 0,01%.

O ecótono Cerrado-Amazônia está localizado dentro do arco do desmatamento da Amazônia e já perdeu cerca de 60% de sua cobertura florestal. Lá se encontra a maior concentração de matas secas do país. É também habitat de espécies endêmicas, como os saguis, o peixe-boi e o boto-cinza.



Fonte: www.oeco.org.br

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

REFAUNAÇÃO & DEFAUNAÇÃO


Refaunação

No inglês, rewilding - é uma ação de conservação cujo objetivo é restaurar e proteger os processos naturais de ecossistemas prejudicados pela extinção local de espécies, através da reintrodução destes animais extintos nestes ambientes. O termo foi criado nos anos 90 pelo conservacionista e ativista Dave Foreman, como um método para preservar os ecossistemas funcionais e reduzir a perda de biodiversidade.

Estudos recentes revelam surpreendentes taxas de declínio e extinção de animais e confirmam a importância das espécies animais para o funcionamento dos ecossistemas: eles proveem alimento, polinizam e dispersam plantas, controlam pragas e doenças. De forma mais ampla, esses estudos demonstram que, ou revertemos o ritmo dessa perda (a defaunação), ou os seus danos tornarão a própria vida humana insustentável. Não basta apenas a preservação de áreas naturais ou reflorestamento de territórios outrora degradados. É preciso também recuperar a biodiversidade animal destas áreas.

A reversão ativa da extinção de animais é uma proposta tão desafiadora quanto a prevenção de extinções. As tentativas em curso incluem a reprodução de animais em cativeiro com a esperança da reintrodução de espécies predadoras e espécies-chave em áreas onde estas se tornaram localmente extintas e na conexão de áreas protegidas fragmentadas, através de corredores ecológicos.

Um exemplo bem próximo é o do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia). Nas florestas da Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro, esta espécie foi quase extinta, mas graças a um bem-sucedido projeto de refaunação foi possível recriá-la em cativeiro e reinseri-la em seu habitat. Após três décadas de esforço, os micos que estavam prestes a desaparecer, agora são comuns nas matas.

A preservação desta espécie vai além de um ato de benevolência: esse primata é um eficiente dispersor de sementes. As sementes são a base de uma rica vegetação que, por sua vez, servirá de filtro biológico para proteger rios e córregos que, enfim, serão importantes fontes de água potável.

São cada vez mais comuns os projetos de refaunação ao redor do mundo, vários bem-sucedidos. A Escócia conseguiu recuperar os porcos selvagens após um crítico declínio populacional provocado pela caça: por lá, esses animais também são importantes dispersores de sementes e aram o solo. Na Europa, desde 2011, a iniciativa "Rewilding Europe" (em tradução livre, Fazendo refaunação na Europa) tem propostas como refaunar 1 milhão de hectares de terra no oeste da Península Ibérica até 2020, com espécies ameaças nativas do continente. Outros projetos da mesma iniciativa incluem ações de refaunação no delta do rio Danúbio, sul das montanhas Cárpatos e montanhas Alpeninos.

Defaunação

É a diminuição acelerada e drástica de espécies animais, com efeitos negativos sobre a demografia, diversidade biológica e a manutenção de ecossistemas. Esta perda global de espécies é reconhecida hoje como um problema tão grave e impactante quanto o desmatamento: do maior mamífero ao menor inseto, o desaparecimento de animais também alterará forma e função dos ecossistemas dos quais toda a humanidade depende. Pior, a perda da fauna é um evento que passa despercebido. Enquanto imagens de satélite podem detectar mudanças rápidas de desmatamento, é mais difícil perceber que uma espécie animal desapareceu.

A perda de espécies sempre ocorreu na história da Terra, pois pode ser causada por motivos como catástrofes naturais de grande impacto ou eventos geológicos, como erupções de vulcões, terremotos ou glaciação. Há 11,5 mil anos, no período Pleistoceno, a fauna planetária era mais abundante e diversa do que nos tempos atuais. Mas, desde então, o número e a diversidade de espécies animais têm declinado. Mamutes e tigres dentes-de-sabre estão entre espécies emblemáticas que foram extintas a partir daquela era.

A maioria das evidências científicas sugere que são os seres humanos os responsáveis por estas extinções, provocadas por atividades como destruição de habitat, ecossistemas e a caça.

Para a comunidade científica, outro indício do papel humano é a rapidez de desaparecimento da biodiversidade. A velocidade de extinções é estimada em mil vezes superior àquela com que esse processo ocorreria naturalmente. Estima-se que existam atualmente entre 5 e 9 milhões de espécies animais no planeta e, no atual ritmo, perde-se a cada ano algo em torno de 11 mil a 58 mil. Neste ritmo, este pode se tornar um período de extinção em massa, tal qual as 5 grandes extinções do passado.
Declínios do número e população de espécies ocasionam um efeito cascata sobre o funcionamento dos ecossistemas, que também afetam o bem-estar humano através da perda de serviços ambientais imprescindíveis à sua sobrevivência. Os animais proveem alimento, polinizam e dispersam plantas, além de ajudar a controlar pragas e doenças.

Por exemplo, o processo de polinização corre risco. Insetos polinizam 75% da produção agrícola do mundo. A redução na fauna de abelhas e outros polinizadores pode reduzir a produção de alimentos. A defaunação também afeta a qualidade da água: o declínio de sapos e pererecas permite o aumento das algas e detritos que os alimentam. Isso contribui para a eutrofização de corpos d'água, que se tornam impróprios para o consumo e para a própria vida aquática.



Fonte: www.oeco.org.br

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Você sabe o que é SENCIÊNCIA


Bichos mais abaixo na escala evolutiva também teriam inteligência e sentimentos, só que em níveis distintos. O biólogo Marc Bekoff, da Universidade do Colorado confirma: “As evidências de hoje indicam que muitos animais sentem alegria, tristeza, pena…”, diz.

Então vamos lá, numa definição rápida, Senciência é a “capacidade de sofrer, sentir prazer ou felicidade”. A palavra senciência é muitas vezes confundida com sapiência, que pode significar conhecimento, consciência ou percepção. As duas palavras podem ser diferenciadas olhando-se suas raízes latinas: sentire é “sentir” e sapere é “saber”. Senciência, portanto, é a capacidade de sentir. É um conceito que combina os termos “sensibilidade” e “consciência”.

É curioso notar que “senciência” não consta no dicionário Aurélio, mas seu adjetivo, “senciente”, sim. O dicionário Aurélio de 1999 define “senciente” como “que sente”. Um bom sinal, já que procurei no meu exemplar de 1995 e não encontrei nem isso! Bom, para evitar equívocos linguísticos, a proposta foi o uso de um substantivo correspondente. Assim, o termo “senciência” será empregado de forma associada à consciência: capacidade de ter sentimentos associados à consciência.

Nos últimos anos, inúmeros estudos sobre a senciência dos animais vem sendo realizados, mas,  infelizmente, durante milênios, os animais foram vistos como seres de quinta categoria,  a serviço da humanidade, através da alimentação e do esforço, sempre em benefício dos seres humanos, num esquema estranho de “superioridade”.

No século XVII, René Descartes, proeminente filósofo que cunhou a emblemática frase “Penso, logo existo”, trazia consigo uma concepção meramente radical e antropológica, ou seja, que os animais eram seres mecânicos, desprovidos de dor, portanto, era amplamente favorável às pesquisas laboratoriais, como a prática da vivissecção.

Já no século XIX, Jeremy Bentham dizia que o ponto crucial entre a compaixão dos humanos perante aos animais não era se estes eram dotados de razão ou linguagem, mas sim se eram capazes de sofrer.
 
Por que estudar a Senciência Animal

Porque sem uma convicção da senciência, não podemos estudar Bem-Estar animal. Sendo um estado mental, bem-estar somente pode existir em seres sencientes e as respostas são importantes se quisermos evoluir na forma como tratamos os animais, de modo a causar menos sofrimento, seja em Animais de Produção, Animais de Laboratório, Animais de Trabalho e até aos nossos amados Animais de Estimação. 

Entendam, por cada um, que:

1 - Animais de Produção são todos aqueles que nos fornecem proteína animal para o consumo humano, seja ela em forma de carne, leite, ovos ou couro. Grande parte da população mundial consome esses produtos sem saber se esses animais foram tratados de maneira digna durante seu período produtivo.

2 - Animais de Laboratório são as cobaias usadas para os mais diversos testes de medicamentos, cosméticos, técnicas cirúrgicas e mais uma infinidade de finalidades das quais também o bem-estar é bem duvidoso, senão, cruel.

3 - Animais de Trabalho são aqueles usados comumente em fazendas para facilitar a tração de cargas pesadas e até nas cidades, puxando carroças igualmente pesadas que todos nós vemos frequentemente nas ruas trabalhando sob sol escaldante, magros e com péssimas condições de saúde.

4 - Sabemos, também, que não é difícil encontrar Animais de Estimação que sofrem maus tratos, apanham, passam fome e sede.

Apesar de polêmicas, deixo todas essas questões para um outro debate, quero aqui elucidar que os estudos a respeito do Bem-Estar Animal são, sim, importantes, quiçá fundamentais, em todas as áreas que utilizem os animais para qualquer que seja a sua finalidade.

Tal definição da Senciência Animal encontra grande ceticismo em alguns segmentos do ambiente científico. Por outro lado a senciência de um ser humano também não pode ser provada cientificamente. O acesso à mente e aos sentimentos de outros indivíduos é limitado porque não podemos adentrar a esfera privada de outro indivíduo, humano ou não. Ao se considerar a vida emocional dos animais, alguns podem ser bastante críticos, exigindo alguma prova científica. Ninguém algum dia provou o contrário, que os animais não sentem, mas esta incerteza raramente é levantada.

Entendia-se, primeiramente, que o córtex cerebral na espécie humana seria o responsável pela consciência.   Mas, depois de reiterados estudos, concluiu-se que as zonas cerebrais responsáveis pela inteligência, memória, bondade são as mesmas entre humanos e animais, dadas as devidas distinções na escala evolutiva de cada um.

Outra teoria da existência da senciência está baseada no fato de que os animais vertebrados apresentam todas as estruturas cerebrais envolvidas com os sentimentos em seres humanos. Segundo Peter Singer, a parte do cérebro associada às emoções e aos sentimentos, o diencéfalo, está bem desenvolvida em muitas espécies animais, particularmente nos mamíferos e pássaros. Por meio dessas semelhanças anatômicas, os cientistas têm observado que os animais respondem fisiologicamente à dor física e psíquica (medo, ansiedade, depressão, stress) da mesma maneira que os humanos o fazem. Por isso, quando sentem alguma dor, os animais se comportam de um jeito muito parecido com o dos humanos, e o seu comportamento é suficiente para justificar a convicção de que eles sentem dor e, portanto, são conscientes.

No entanto, é bastante controverso, mesmo entre ativistas e estudiosos dos direitos animais, quais animais não-humanos podem ser considerados sencientes. A senciência é amplamente reconhecida em todos os animais vertebrados – portadores de sistema nervoso central -, o que inclui quase todos os animais usados comumente pelo ser humano em suas atividades. Esta definição, porém, enfatiza apenas um critério para a existência de senciência: a manifestação (a nós, perceptível) da dor.

Existem, porém, outros sinais exteriores que evidenciam que outras espécies de animais experimentam o mundo de forma individual, como a existência de órgãos sensoriais que evidenciam uma necessidade de interpretar imagens, sons ou odores captados a partir dos respectivos sentidos. Esse conceito abrange não apenas animais vertebrados, mas também animais invertebrados como insetos, moluscos e aracnídeos e, portanto, corresponde a todos os animais que são tradicionalmente usados pelo ser humano. Por esta definição, apenas esponjas seriam animais não-sencientes.

Cuidado

Não se deve confundir senciência com autoconsciência, que é o conceito que define a consciência que cada um tem de ser um indivíduo único, separado dos demais seres. ParaPeter Singer, quanto maior o grau de autoconsciência, maior é a percepção que o animal tem do tempo. A autoconsciência geralmente é “constatada” pelo teste do reconhecimento no espelho. Tal teste, porém, tem como referência a visão, o sentido que é, de modo geral, privilegiado pelos seres humanos, e como tal, negligencia o fato de que outros sentidos (como o olfato ou a audição) são mais importantes para determinadas espécies animais. Desse modo, ele é tido como um método antropocêntrico de se constatar a autoconsciência de um animal. Sabe-se, por exemplo, que o cão não “passa” no teste do espelho e, no entanto, reconhece os indivíduos de sua espécie primordialmente através do olfato.

Num estudo focando a senciência animal, Hötzel e sua equipe demonstraram, em 2005, um trabalho com vacas leiteiras, em que os animais são capazes de sentir medo. Neste trabalho foram avaliados dois ordenhadores, onde um se apresentava neutro e o outro apresentava um comportamento agressivo. O estudo concluiu que os animais mantinham uma distância de fuga maior do ordenhador agressivo, ou seja, elas memorizaram e o identificaram como um perigo. Outro estudo realizado na UFPR com codornas japonesas de postura avaliou o comportamento compensatório de aves que foram criadas confinadas em gaiolas industriais e depois colocadas em um ambiente mais confortável. Observou-se durante a pesquisa que essas aves, no novo ambiente, exerciam atividades como ciscar e tomar banhos de areia na maior parte do tempo, e a isso se dá o nome de comportamento compensatório. Elas exerciam tais comportamentos com maior frequência que aves que foram criadas em um ambiente hostil.

Mesmo com inúmeras comprovações, em dezembro de 2012, um grupo de neurocientistas canadenses, chefiados pelo doutor Philip Low, realizou um novo teste. Ao fazer estudos comparados entre o cérebro humano ao de um animal, a equipe concluiu e subscreveu um manifesto ao mundo científico que os animais possuem consciência como todos nós.   Inclusive, emoções, sentimentos, o que, na verdade, já se sabia empiricamente.   Agora, há respaldo científco. Low citou também algo marcante: “Agora, não poderemos mais dizer que não sabíamos”.

Hoje, finalmente, sabemos que os animais começam a ser vistos com mais respeito, principalmente, por parte de nossa sociedade, e, inclusive, a cada dia que passa, novos adeptos e simpatizantes da causa em sua defesa surgem, aumentando o contingente de pessoas defensoras dos animais. Os governantes, a partir de agora, terão que atender ao clamor popular a favor dos animais, defendendo leis mais rígidas, em substituição à atual, tão incipiente e não punitiva para crimes de maus-tratos.

No momento a Lei federal 9.605/98, artigo 32, que ampara e protege os animais ainda é tímida, superficial, incipiente, não punindo os que mutilam, abandonam, maltratam. Contudo, comissões na defesa dos animais surgem a todo instante, como a Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (CPDA/OAB), assim como comissões da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) e Câmara Municipal.

Afim de informação, o artigo 32 dispõem sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, além de aplicar outras providências (que, infelizmente, não são aplicadas na prática):

Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.

Ao reconhecermos o sofrimento animal, temos a obrigação ética e moral de evitar o seu sofrimento desnecessário. Segundo as palavras de Charles Darwin: “Não existe nenhuma diferença fundamental entre o ser humano e os animais superiores em termos de faculdades mentais. A diferença entre a mente de um ser humano e de um animal superior é certamente em grau e não em tipo”. Portanto, cabe a cada um de nós, leitores conscientes, sencientes e informados, evitar aquela postura simplista de se “não temos certeza, então não existe”. A senciência existe e deve ser respeitada.

Fonte: www.caopanheirolabra.com

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Xixi no mar - Permitido ou não


Estamos no verão e num país com o litoral tão grande como o nosso, o destino certo em um dia ensolarado é a praia. A diversão é regra. Você come bastante, bebe várias águas de coco e dá aquele mergulho esperto. Enquanto você se diverte, o seu corpo continua trabalhando normalmente e de repente o chamado: uma vontade imensa de fazer xixi.

Que tal ir até o mar e fazer ali mesmo? Você ainda se sente culpado por isso? Não tem problema e as razões são bem simples. Primeiro: urina é quase água. 95% da urina é água e mais, em um litro de urina também excretamos de um a dois gramas de íons cloreto e de sódio. Água e cloreto de sódio são os principais ingredientes da água do mar e por incrível que pareça, ele tem a porcentagem bem parecida de cada uma das principais substâncias químicas da urina.

Outra molécula excretada na urina de humanos (e também em outros mamíferos) é a ureia. A ureia é uma molécula que carrega Nitrogênio, portanto, lembrem-se, elas são o resto de proteínas que foram destruídas. As proteínas do corpo se renovam e temos que nos livrar das antigas. Porém, um pouco de ureia no mar é como uma gota no Oceano, literalmente. Por exemplo, você imagina quantos litros de água do mar existe no Oceano Atlântico? Estima-se que são 350 quintilhões de litros!

Vou escrever para você ter uma noção: 350.000.000.000.000.000.000!

Ainda não entendeu como isto é grande. Um exemplo prático. Se toda a população mundial (7 bilhões de pessoas), urinassem no Oceano Atlântico (média de 0,3 litros) existiriam apenas 60 partes por trilhão de ureia no Oceano. E ainda assim, esta ureia é degradada em amônia que é essencial para a vida nos Oceanos fornecendo Nitrogênio para os organismos marinhos.

E pra terminar, todos os animais que vivem no mar fazem xixi lá dentro da água mesmo. A baleia azul, que é um mamífero como a gente, elimina mais de 250 litros de urina por dia. Então, não se preocupe em fazer xixi dentro do mar. Preocupe-se com coisas mais importantes como o lixo que você levou pra praia. Copos e embalagens plásticas demoram anos para se degradar. Deixe somente suas pegadas na areia.



Fonte: www.biologiatotal.com.br

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Ciclo Hidrológico


No Planeta Terra, dois terços da superfície, ou 71% são cobertos por água. De toda a água existente na Terra, apenas 2,5% é doce, sendo que 70% estão nas geleiras polares assim restando 0,75% para dividir entre 7 bilhões de humanos.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, no último meio século, a disponibilidade de água por ser humano diminuiu 60%, enquanto que a população aumentou 50%. No Brasil 58% dos municípios não tem água tratada. Cada pessoa vive bem usando cerca de 40 litros diários de água. Só no Brasil a cota média utilizada é de 200 litros diários. O destino da água em casa (200 litros diários): 33% descarga de banheiro; 27% consumo (cozinhar, beber água); 25% higiene (banho, escovar os dentes); 12% lavagem de roupa; 3% outros (lavagem de carro). O que mostra que, quanto mais rico em água é um país, maior é a falta de consciência de que este recurso pode um dia estar escasso.

Teoricamente, o Brasil não deveria se preocupar com a falta de água. O problema é a má distribuição geográfica. Infelizmente, 78% da água do país se concentra na região norte, a mais desabitada. Não há como sair dessa situação, a não ser a conscientização de poupar hoje para não faltar depois.

As instituições governamentais ignoram que quase 70% da água que não chegam às torneiras são decorrentes dos vazamentos. Por causa da seca que o país vem enfrentando, é necessário economizar luz elétrica. O Ministério de Minas e Energia determinou o racionamento de energia elétrica, uma vez que os reservatórios de água estão muito abaixo de suas capacidades normais.

Desde que a vida surgiu na Terra, há pouco mais de 3,5 bilhões de anos, a água foi fundamental como base da alimentação dos organismos e como meio de desenvolvimento de plantas e animais. A água é tão bem aproveitada que, ao longo de milhões de anos, o mesmo estoque original em movimento alimenta rios, lagos e aquíferos, no chamado ciclo hidrológico.

Ciclo Hidrológico é o movimento da água entre os continentes, oceanos e a atmosfera. Na atmosfera, o vapor da água em forma de nuvens pode ser transformado em chuva, neve ou granizo, dependendo das condições do clima. Essa transformação provoca o que se chama de precipitação.

Pode definir-se ciclo hidrológico como a sequência fechada de fenômenos pelos quais a água passa do globo terrestre para a atmosfera, na fase de vapor, e regressa àquele, nas fases líquida e sólida. A transferência de água da superfície do Globo para a atmosfera, sob a forma de vapor, dá-se por evaporação direta, por transpiração das plantas e dos animais e por sublimação (passagem direta da água da fase sólida para a de vapor).

A energia solar é a fonte da energia térmica necessária para a passagem da água das fases líquida e sólida para a fase do vapor; é também a origem das circulações atmosféricas que transportam vapor de água e deslocam as nuvens.

A precipitação ocorre sobre a superfície do planeta, tanto nos continentes como nos oceanos. Nos continentes, uma parte das precipitações é devolvida para a atmosfera, graças à evaporação, outra parte acaba desaguando nos oceanos depois de percorrer os caminhos recortados pelos rios.

Os oceanos, portanto recebem água de duas fontes: das precipitações e do desaguamento dos rios, e perdem pela evaporação. Na atmosfera, o excesso de vapor sobre os oceanos são transportadas para os continentes, em sentido inverso ao desaguamento.

A precipitação é alta na zona equatorial, especialmente sobre as florestas tropicais e no Oceano Pacífico. Nas regiões sob a influência das altas subtropicais, a precipitação é baixa; já na zona temperada, existem regiões de precipitação relativamente alta, onde predominam os sistemas frontais. Na zona polar, as precipitações são baixas.

A evaporação é alta nos oceanos que estão sob a influência das altas subtropicais. Nos oceanos equatoriais, onde a precipitação é abundante, a evaporação é menos intensa. Nos continentes, a evaporação máxima ocorre na zona equatorial. Lembramos que, na contabilidade global, chove mais nos continentes que nos oceanos, e os oceanos evaporam mais que os continentes. Nos continentes, os locais onde a precipitação é abundante possuem florestas e onde há escassez de precipitação, estão os desertos. Explorar a relação entre as características climáticas, tais como precipitação, temperatura e altitude, com os tipos de vegetação, faz parte da Biogeografia.

As fontes de vapor são as regiões que "exportam" vapor; os sumidouros, que "importam". Podemos notar que: as principais fontes de vapor estão localizadas nos oceanos subtropicais; os sumidouros de vapor estão na zona equatorial e em regiões da zona temperada; o transporte de vapor ocorre das fontes para os sumidouros. Quando certa quantidade de vapor é submetida a baixas temperaturas ela passa para a forma líquida, assim é que nascem as nuvens. As gotículas de água formam-se quando o vapor condensa sobre a superfície de partículas muito pequenas, chamadas de núcleos de condensação. Após certo tempo as gotículas tornam-se grandes, formando uma gotícula de nuvem.

Coalescência - as gotículas maiores, tendo maior velocidade de queda em relação às outras, colidem com as menores que estão em seu caminho. Em linguagem informal, as gotículas maiores "atropelam", as menores, ocorrendo o que se pode chamar de coalescência. As gotículas de nuvem, através do processo de colisão e coalescência, crescem até atingir o tamanho de gotas. Ao deixar a base da nuvem, essas gotas são chamadas de gotas de chuva e iniciam sua queda em direção à superfície.

Mas para que o ciclo hidrológico não se altere, é preciso preservar as florestas, nas quais os mananciais ficam protegidos, e os oceanos, de onde evapora boa parte da água que abastece, mais tarde, rios, lagos, e mananciais. Com isto, gera um grande problema, o homem gasta à toa, suja, envenena e não preserva os ecossistemas que poderiam alimentar os organismos aquáticos. Se continuar assim, vai ter de disputar as últimas gotas a peso de ouro.

* CASO QUEIRAM VER A FOTO MAIOR CLIQUEM NELA

Fonte: Ambiente Brasil

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Política Ambiental


Política Ambiental é um conjunto de ações ordenadas e práticas tomadas por empresas e governos com o propósito de preservar o meio ambiente e garantir o desenvolvimento sustentável do planeta. Esta política ambiental deve ser norteada por princípios e valores ambientais que levem em consideração a sustentabilidade.

Importância

Atualmente, quase todos os governos e grandes empresas possuem políticas ambientais. Além de mostrar para os cidadãos e consumidores quais são os princípios ambientais seguidos, as políticas ambientais servem para minimizar os impactos ambientais gerados pelo crescimento econômico e urbano.

Estas políticas são, portanto, importantes instrumentos para a garantia de um futuro com desenvolvimento e preservação ambiental. São também fundamentais para o combate ao aquecimento global do planeta (verificado nas últimas décadas), redução significativa da poluição ambiental (ar, rios, solo e oceanos) e melhoria na qualidade de vida das pessoas (principalmente dos grandes centros urbanos).

Ações práticas de uma política ambiental

- Adoção de processos de reciclagem.
- Ações que visem à redução do consumo de energia.
- Ações práticas para evitar o desperdício de água, incentivando o seu consumo racional.
- Planejamento urbano adequado por parte dos governos. Nestas ações são importantes a preservação de áreas verdes e projetos de arborização urbana.
- Uso, sempre que possível, de fontes de energia limpa como, por exemplo, eólica e solar.
- As empresas que geram qualquer tipo de poluição em seu processo produtivo devem adotar medidas eficazes para que estes poluentes não sejam despejados no meio ambiente (ar, rios, lagos, oceanos e solo).
- As empresas devem criar produtos com baixo consumo de energia e, sempre que possível, usar materiais recicláveis.
- Criação de projetos governamentais voltados para a educação ambiental, principalmente em escolas.
- Implantação das normas do ISO 14000 e obtenção do certificado.

Dica importante

Acessando sites de grandes empresas é possível conhecer suas políticas ambientais. Esta ação é importante, pois o consumidor poderá saber de que forma a empresa trata o meio ambiente. Serve, portanto, de mais uma informação voltada para a definição do consumo consciente.

Fonte: www.suapesquisa.com

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Degradação no Ambiente e a Consequência na Saúde da População


O homem não é apenas um ser social, é também político. Levando isso em conta nasce à ecologia política com a junção da dependência da natureza, as transformações com seus prós e contras e a autonomia em todos os campos da sociedade com o “pensar globalmente, agir localmente”. Essa máxima emergiu nos anos 1970, juntando as relações entre a natureza e a política, a economia e o social. Como os recursos naturais usados estão em declínio, à economia ecológica surgiu para gerar uma nova acepção de que a natureza é mais importante, pois toda indústria depende dela, passando a aliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental. Como elas ainda não são muito aplicadas ocorre, à exploração dos recursos naturais inconscientemente, afetando não só a natureza como também as populações.

A economia ecológica e a ecologia política contribuem para o desenvolvimento econômico, pois possuem um papel fundamental na saúde coletiva ao alertarem para a degradação sócio ambiental que se agrava com o comércio ambiental. A inclusão de dimensões políticas, econômicas, culturais e ecológicas para resolver os problemas da saúde pública denomina-se ecossistêmica em saúde. A economia não deve apenas financiar a saúde e sim aproximar da economia internacional com as suas consequências éticas, políticas, ecológicas e sanitárias, também deve propor debates sobre as consequências negativas da globalização.

A economia ecológica busca novos referenciais para a sustentabilidade, produzidos por ecologistas juntamente com economistas. Um dos novos índices e indicadores de sustentabilidade é a pegada ecológica que visa melhorar o metabolismo social, a desmaterialização, degradação sócio ambiental e instrumentos da política ambiental.

Um dos grandes instrumentos para indicar a sustentabilidade é o perfil metabólico de um país e uma das maneiras de se medir isso é pela perda de biodiversidade. Mas os produtos de consumo de países importadores, muitas vezes baratos demais causam danos ambientais nos países exportadores.

Os movimentos ambientalistas e sociais surgiram em meados dos anos 1980, a partir daí a ecologia política se fortaleceu. Sendo caracterizada por um campo de discussões teóricas e políticas que estuda os conflitos sócio ambientais, auxiliando também os movimentos pela justiça ambiental a partir de analises de desigualdades em processos econômicos e sociais.

Há vários exemplos de conflitos sócio ambientais como: os conflitos de distribuição ecológica que são ligados ao acesso a recursos e serviços naturais e aos danos causados pela poluição; os conflitos de extração dos materiais e da produção da energia utilizada concentrados nos países exportadores; descartes de rejeitos e a poluição, que também estão relacionados os aterros sanitários, a incineração de lixo e a exportação de lixo; e um dos mais recentes é o incentivo ao uso de oceanos, de florestas, do solo e da atmosfera para fins de sequestro de carbono. Todos esses tipos de conflitos podem estar relacionados em níveis locais, regionais ou até mesmo globais, isso se dá por causa das desigualdades no comércio nacional e internacional. E também podem estar relacionados com movimentos pela justiça ambiental.

A saúde pública está totalmente interligada com esses conflitos, as desigualdades econômicas e sociais existentes sempre acabam afetando a saúde da população. O desenvolvimento em certas regiões como na Amazônia, pode parecer produtivo e gerador de riquezas para certos empresários, porém ele pode ser prejudicial para a saúde dos ecossistemas e de vários grupos populacionais.

Os problemas locais e globais estão cada vez mais conectados, um exemplo é a extração desproporcional do petróleo, ela causa mais emissões de dióxido de carbono na atmosfera, mais isso não prejudica somente o local, também acaba prejudicando o global - por alterar as temperaturas climáticas que afetam o mundo todo. Portanto a saúde pública tem como finalidade fornecer indicadores relacionados à vida das populações que evitam os reducionismos ilusórios do progresso econômico. A sua interação com a economia ecológica e a ecologia política pode contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e democrática, cujos processos de desenvolvimento sejam sustentáveis.

Estudos relacionados ao meio ambiente são muito importantes para a saúde pública, um ambiente que está degradado ou com muita concentração de lixo é um local inadequado para a sobrevivência de qualquer espécie até mesmo do ser humano, um grande exemplo são os aterros sanitários que prejudicam demais a saúde da população mais pobre. O exemplo mais recente relacionado à saúde pública é a dengue, que está afetando pessoas em todo o país.

Ao estudarmos o meio ambiente notamos que o mesmo, está totalmente relacionado com a saúde da população visto que muitas doenças estão totalmente relacionadas. O homem é quem causa a maioria das más condições no ambiente e é por isso que existem muitas destas doenças, não somente em níveis locais, mais também chegam a níveis globais, porém como os países ricos possuem muito mais recursos que os países pobres, a diferença não somente na cura, como também na prevenção dessas doenças, acaba sendo gigantesca. O homem visa muito mais o lucro e deixa de lado a saúde da população e também o meio ambiente.

Todo profissional, deve conhecer o meio ambiente, pois qualquer ação que o homem faça,vai impactá-lo. Principalmente para o profissional da saúde, uma vez que está totalmente ligada com o ambiente, pois para a promoção de ações para solução de problemas de saúde pública é preciso conhecer o ambiente, os animais, as pessoas que habitam e os profissionais do entorno. Essas doenças locais não estão somente ligadas às condições ambientais, mas também ao saneamento, aos hábitos de higiene dos moradores, a falta de cuidado, os desleixos delas e também a negligência das autoridades. Assim, os processos de desenvolvimentos econômicos e sociais, quando não bem organizados e elaborados, são perigosos e podem afetar a saúde de todas as pessoas, pois preservam os ambientes que os interessam e o resto como não importam nem um pouco acabam degradando, fazendo com que muitas doenças endêmicas das florestas sejam liberadas e que milhões de pessoas sofram essas e outras consequências.



Fonte: www.ecologiaurbanacwb.blogspot.com.br

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Reciclagem de Papel


O papel é um dos produtos mais utilizados nas tarefas do cotidiano. Quando não está sendo mais utilizado, pode passar por um processo de reciclagem que garante seu reaproveitamento na produção do papel reciclado. O papel reciclado tem praticamente todas as características do papel comum, porém sua cor pode variar de acordo com o papel utilizado no processo de reciclagem.

Importância

A reciclagem do papel é de extrema importância para o meio ambiente. Como sabemos, o papel é produzido através da celulose de determinados tipos de árvores. Quando reciclamos o papel ou compramos papel reciclado estamos contribuindo com o meio ambiente, pois árvores deixaram de ser cortadas. Não podemos esquecer também, que a reciclagem de papel gera renda para milhares de pessoas no Brasil que atuam, principalmente, em cooperativas de catadores e recicladores de papel.

Além de ser de origem renovável, o papel está entre os produtos que apresentam maior taxa de reciclagem no Brasil.

É importante ressaltar que grande quantidade de aparas de papel reciclável é utilizada na fabricação de outros produtos, como telhas, sem ser computada nas estatísticas de recuperação. Além disso, também não se excluem os papéis que não são passíveis de reciclagem, como os higiênicos, que contém impurezas. Se esses quesitos passassem a ser avaliados, a taxa de recuperação subiria expressivamente.

A reciclagem é tradicional no setor papeleiro. As fábricas são abastecidas por uma grande rede de aparistas, cooperativas e outros fornecedores de papel pós-consumo que fazem a triagem, a classificação e o enfardamento do material. A cadeia produtiva que envolve a atividade gera empregos e renda, movimentando a economia.

Sob o ponto de vista econômico, a atividade reduz os custos de produção, distribui riquezas e promove a recuperação de matérias-primas que serão novamente inseridas no ciclo de consumo.

Como todo papel produzido no Brasil tem origem na celulose de florestas plantadas de pinus e eucalipto, o processo de reciclagem tem origem em uma fonte de recursos renováveis. Ou seja, depois de utilizadas, as fibras dessas árvores se transformam novamente em matéria-prima para a fabricação de novo produto.

Ainda em relação ao meio ambiente, a reciclagem, aliada a outros fatores, como o uso de resíduos para aproveitamento energético e plantio de florestas que absorvem carbono da atmosfera, contribui para um balanço ambiental positivo como resultado da produção de celulose e papel.

Além disso, a recuperação do material após o consumo ajuda a diminuir o volume de detritos a ser descartado em lixões e aterros sanitários já saturados. Pelo alto poder calorífico, o papel pode ser utilizado na reciclagem energética, característica que deverá ganhar importância no futuro próximo.

A reciclagem poderia ser ainda maior com políticas públicas de incentivo do governo, iniciativas empresariais, maior organização dos trabalhadores que recolhem os materiais e novas atitudes do consumidor.

Coleta

Uma das etapas mais importantes no processo de reciclagem de papel é a separação e coleta seletiva do papel. Nas empresas, condomínios e outros locais existem espaços destinados ao descarte de papel.

Tipos de papéis recicláveis

Tipos de papel que podem ser reciclados: papel sulfite, papelão, caixas de embalagens de produtos, papel de presente, folhas de caderno, entre outros.

Como fazer papel reciclado em casa (reciclagem caseira):
1º - Separe o papel que não está mais sendo utilizado, recorte em pequenos pedaços e coloque num recipiente com água. Deixe assim durante um dia completo.
2º - Pegue este papel molhado e bata num liquidificador ou mexa bastante até dissolver e virar uma espécie de massa.
3º - Coloque essa massa espalhada (no formato fino) numa espécie de rede fina e cubra com um peso que terá a função de prensar.
4º - Depois de 24 horas, retire o peso e deixe o papel secar, de preferência em ambiente seco ou ao sol. 

Consumo consciente

Reduzir o desperdício de papel e adotar hábitos para a separação do material reciclável nas residências. Essas práticas contribuem para melhorar a qualidade e a homogeneidade das fibras que retornam às indústrias. Também é importante a coleta seletiva e a triagem dos resíduos recicláveis, sem a contaminação por matéria orgânica tais como restos de comida e outras impurezas.

É importante ressaltar que o papel não pode ser reciclado infinitas vezes, pois as fibras perdem a resistência e as características que definem o tipo do papel. Por isso, será sempre necessário o uso de fibras virgens originárias das florestas plantadas para viabilizar a produção e atender às necessidades de consumo da população.

Fonte: www.suapesquisa.com