quarta-feira, 23 de abril de 2014

HIDRATO DE METANO


‘Gelo de fogo’ escondido em permafrost é fonte de energia do futuro
O mundo é viciado em combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural), e é fácil entender o por que: baratos, abundantes e fácil de extrair, eles alimentam o desenvolvimento da indústria mundial.
Cada vez mais, porém, os governos vêm buscando alternativas aos hidrocarbonetos tradicionais – seja porque são altamente poluentes ou porque sua extração tem se tornado mais difícil, à medida que algumas reservas vão se esgotando.
Um substituto potencial – em enormes quantidades – foi encontrado e repousa profundamente sob permafrost (solo gelado do Ártico) ou os leitos dos oceanos: o hidrato de metano.
Apesar de potencialmente menos poluente que petróleo e carvão, porém, sua extração apresenta enormes riscos ambientais.
Reservas gigantes
Conhecido como ‘gelo que arde’, o hidrato de metano consiste em cristais de gelo com gás preso em seu interior. Eles são formados a partir de uma combinação de temperaturas baixas e pressão elevada e são encontrados no limite das plataformas continentais, onde o leito marinho entra em súbito declive até chegar ao fundo do oceano.
Acredita-se que as reservas dessa substância sejam gigantescas, observa Chris Rochelle, do Serviço Geológico Britânico. A estimativa é de que haja mais energia armazenada em hidrato de metano do que na soma de todo petróleo, gás e carvão do mundo.
Ao reduzir a pressão ou elevar a temperatura, a substância simplesmente se quebra em água e metano – muito metano.
Um metro cúbico do composto libera cerca de 160 metros cúbicos de gás, o que o torna uma fonte de energia altamente intensiva. Por causa disso, da sua oferta abundante e da relativa facilidade para liberar o metano, um número grande de governos está cada vez mais animado com essa nova fonte de energia.

Desafios técnicos
O problema, porém, é extrair o hidrato de metano. Além do desafio de alcançá-lo no fundo do mar, operando sob altíssima pressão e baixa temperatura, há o risco grave de desestabilizar o leito marinho, provocando deslizamentos. Uma ameaça ainda mais grave é o potencial escape de metano. Extrair o gás de uma área localizada não é tão complicado, mas prevenir que o hidratado se quebre e libere o metano no entorno é mais difícil. E isso tem consequências sérias para o aquecimento global – estudos recentes sugerem que o metano é 30 vezes mais danoso que o CO2.

Por causa desses desafios técnicos, ainda não há escala comercial de produção de hidrato de metano em qualquer lugar do mundo. Mas alguns países estão chegando perto.
Os Estados Unidos, o Canadá e o Japão já investiram milhões de dólares em pesquisa e já realizam alguns testes, desde 1998. Os mais bem sucedidos ocorreram no Alasca em 2012 e na costa central do Japão em 2013, quando, pela primeira vez, houve uma exitosa extração de gás natural a partir de hidrato de metano no mar.

Os Estados Unidos lançaram um programa de pesquisa e desenvolvimento nacional já em 1982 e, em 1995, tinham terminado a sua avaliação dos recursos disponíveis do gás de hidratos no país. Desde então, têm realizado projetos-piloto na costa da Carolina do Sul, no norte do Alasca e no Golfo do México. Cinco ainda estão em execução.
Exploração comercial
O interesse do Japão é óbvio, assinala Stephen O’Rourke, da empresa de consultoria energética Wood Mackenzie: ‘Japão é o maior importador de gás do mundo’.
No entanto, ele ressalta que o orçamento anual do Japão para pesquisa na área é relativamente baixo – US$ 120 milhões (cerca de R$ 270 milhões). Os planos do país de produzir em escala comercial no fim desta década, portanto, parecem muito otimista. Mas mais à frente, o potencial é enorme.

‘O gás metano pode mudar o jogo para o Japão’, diz Laszlo Varro, da Agência Internacional de Energia (IEA).
Em outros países, porém, os incentivos para explorar o gás comercialmente são menores por enquanto. Os Estados Unidos estão priorizando suas reservas de gás de xisto, recurso que também é abundante no Canadá. Já a Rússia ainda tem enormes reservas de gás natural.

A China e a Índia, com sua feroz demanda por energia, são uma história diferente. No entanto, eles estão muito atrás em seus esforços para explorar o recurso.
‘Houve alguns progressos recentes, mas não prevemos produção comercial antes de 2030′, afirma O’Rourke. De fato, a IEA não incluiu gás hidratado nas suas projeções globais de energia para os próximos 20 anos.

Riscos
Mas se essa fonte for explorada, o que parece provável no futuro, as implicações ambientais podem ser extensas.

Apesar de ser menos poluente que o carvão ou o petróleo, continua sendo um hidrocarboneto e, portanto, emite CO2. E há ainda o risco mais sério da liberação direta de metano na atmosfera.
Alguns argumentam, porém, que pode não haver alternativa, na medida em que o aumento da temperatura global pode provocar a liberação do gás ‘naturalmente’, devido ao aquecimento dos oceanos e ao derretimento das calotas polares.

‘Se todo o metano for liberado, nós vamos ver um cenário de filme Mad Max’, diz Varro. ‘Mesmo usando estimativas conservadoras sobre as reservas de metano, isso faria todo o CO2 de recursos fósseis parecer uma piada’, destacou.
‘Por quanto tempo o gradual aquecimento global pode prosseguir sem liberar o metano? Ninguém sabe. Mas quanto mais ele avança, mais perto chegamos de jogar roleta russa’, acrescentou.


Fonte: www.ambientebrasil.com.br

terça-feira, 22 de abril de 2014

Recursos Naturais Renováveis


O recurso natural renovável é aquele pode ser reposto após extraído pelas atividades antropicas. A reposição pode ocorrer de tempos em tempos. Dentre os recursos naturais renováveis podemos citar a energia eólica (ventos), a energia solar (radiação solar), ondas do mar, hidroeletricidade, biomassa e energia geotérmica.
A reposição dos recursos utilizados pode ser feita pelo homem ou naturalmente, pelo próprio ambiente. Por outro lado, os recursos naturais não renováveis são aqueles que findam após intensa exploração realizada pelas atividades do homem, requerendo muito tempo para se regenerar.
Todo recurso natural deve e pode ser gerido de uma maneira sustentável no objetivo de garantir a sua reposição e regeneração no meio ambiente. Em situações de intensa exploração desses recursos, mesmo sendo renováveis, há o risco de ocorrer a exaustão decorrente de um desequilíbrio ecológico.
Além dos exemplos citados no início do texto, os recursos naturais renováveis abrangem organismos vivos, como por exemplo, os peixes e as plantas, e numa visão mais abrangente as águas e o ar. Em tempos de poluição e aquecimento global, a intensa exploração desses recursos tem gerado a extinção de várias espécies e, consequentemente, a perda da biodiversidade.
Quando falamos em peixes, muitas espécies ainda são consumidas pelo mercado graças à investimentos em piscicultura, pois a extinção ou a baixa oferta do pescado no mar é um dos exemplos da exaustão de recursos naturais renováveis. A pesca industrial e artesanal deve seguir determinadas normas de sustentabilidade que respeite o ciclo reprodutivo das espécies e o meio aquático, para que não haja perdas ambientais, biológicas e econômicas.
A curto prazo é mais lucrativo explorar intensamente um determinado recurso, mas a longo prazo, uma exploração que não respeita os limites de regeneração das espécies gerará perdas da biodiversidade e carências sociais e econômicas às atividades de exploração e extração de recursos.
Os recursos naturais renováveis permanecem disponíveis desde que se respeite o meio, as condições biológicas, os ciclos reprodutivos para sua disposição no meio ambiente. Quando pensamos nesses recursos presente entre a flora e fauna, por exemplo, consideramos que cada indivíduo de cada espécie pode se regenerar, ou seja, se reproduzir a partir do código genético de seus ascendentes.
As práticas de extração econômica devem ser racionais, planejas e sustentáveis. A implementação da sustentabilidade nesses recursos deve ocorrer por meio de um manejo adequado que mitiga os excessos das ações nocivas mercadológicas.
Não extrair tais recursos em excesso ou desnecessariamente também é uma das principais opções possíveis pela reciclagem de matéria-prima. A reciclagem é aconselhável para os renováveis e não renováveis.

Fonte: www.infoescola.com

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Recursos Naturais Não Renováveis


O recurso natural  é entendido como uma substância ou matéria-prima encontrada e extraída da natureza, abrangendo todas as riquezas naturais pertencentes à biosfera (esfera que propicia todas as condições para a vida) e que beneficiam o homem e suas atividades. Consideramos como recurso natural não renovável aquele cuja regeneração biológica, química e física é limitada pela raridade de sua formação no meio ambiente ou pelo seu grau de finitude.
Os recursos naturais podem existir em locais e quantidades fixas, em locais específicos, considerando fatores como o clima e a formação geológica de uma região; em locais dominados pelo homem ou pela formação natural de vegetação, rochas e concentração hídrica (oceanos, lagos, rios, etc.), podendo ser de fácil ou difícil acesso às atividades extrativas.
O recurso natural não renovável pode ser aquele cuja formação é rara e finita na sua própria disposição e  também  caso a sua substância seja rapidamente consumida pelo homem antes de sua própria regeneração. No caso do alto consumo versus às condições de regeneração, podemos citar o caso da extração de madeiras, atividade que pode comprometer a continuidade da existência de determinadas espécies da fauna ou da manutenção das condições do solo favoráveis à vegetação; o dos metais que não podem se regenerar, mas podem ser reciclados assim como a madeira; e da água doce, que pode se tornar cada vez mais finita caso haja intenso desperdício e poluição de seus lençóis freáticos e leitos.
Os combustíveis fósseis como o petróleo, o gás natural e o carvão natural também são outros exemplo de recurso natural não renovável, formados a partir da decomposição de matéria orgânica proveniente de seres vivos e de outras constituições biológicas reunidas na crosta terrestre naturalmente há milhões de anos, não podendo ser regenerados em sua constituição nata.
Já o recurso natural renovável é aquele que não se esgota, podendo se auto regenerar desde que as condições ambientais sejam respeitadas, ou até mesmo ser reciclado ou aproveitado em alta intensidade sem prejudicar o meio e as demais fontes , podemos citar nesse conjunto a luz do sol, a força dos ventos e até mesmo a água se as suas fontes forem recuperadas e mantidas por meio do equilíbrio dos ecossistemas. 

Fonte: www.infoescola.com

sexta-feira, 18 de abril de 2014

UM MOMENTO DECISIVO


O mundo vive um período decisivo. As grandes economias do Planeta movimentam-se, com velocidade e ambição diferentes, na direção da Economia Verde, ou seja, em busca de um modelo de desenvolvimento baseado em fontes de energia de baixo carbono, na utilização mais racional possível dos ativos ambientais e na formação de cidadãos que assimilem e implementem as diretrizes e as ações nessa inexorável rota de mudanças.
Nas últimas conferências globais dos grandes temas – clima, biodiversidade, água -, os especialistas estabelecem a década de 2020 como ponto de partida para que os países consolidem uma nova configuração institucional capaz de estimular a atividade econômica integrada à conservação dos recursos naturais e à expansão da inclusão social. Essas transformações acontecerão exatamente durante o próximo mandado presidencial, de 2015 a 2018.
Pecamos na visão estratégica sobre o nosso futuro. Historicamente, a relação entre governos e empresas é limitada aos negócios vistos de forma isolada e com muito pouco espaço para um diálogo institucionalizado, franco e transparente, aberto à participação da sociedade civil. Por ser multifacetado e transversal, o desenvolvimento sustentável demanda um modelo de Estado mais democrático e aberto aos demais setores da sociedade. Os governos são indutores e coordenadores dos processos, sempre pensados de forma integrada.
O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e demais Conselhos nacionais que integram a rede do WBCSD (sigla em inglês do Conselho Mundial) adotaram como diretriz estratégica o estudo Vision 2050, que apresenta um conjunto de recomendações concretas sobre o que precisamos fazer para chegar à metade do século em condições de oferecer vida digna aos 9 bilhões de habitantes que estarão vivendo no Planeta, sem afetar ainda mais os ativos ambientais oferecidos pelos ecossistemas.
Entre as recomendações do estudo endereçadas a líderes empresariais, governamentais e de outros setores, destacamos a de integração entre os vários setores da sociedade, a partir do aprimoramento, por exemplo, das Parcerias Público-Privadas, capazes de abarcar a complexidade de soluções mais sustentáveis no longo prazo. O documento defende, por exemplo, a substituição da prática do lobby individual de cada empresa por um “esforço comum para criar campos de atuação estáveis e equilibrados de longo prazo”.
Aqui no País, fizemos uma adaptação do estudo e lançamos durante a RIO+20 o Visão Brasil 2050, que, como o documento original, traça linhas estratégicas de desenvolvimento para os próximos 40 anos, mas com base na nossa realidade. Estamos agora dando o segundo passo para colocar em prática a visão estratégica que defendemos, com a elaboração do projeto Ação 2020. O projeto consiste na construção de uma agenda colaborativa de negócios que responda às urgências da sociedade em áreas prioritárias de desenvolvimento sustentável, com escala e velocidade na implantação de soluções.
Os próximos quatro anos serão decisivos para finalizar uma década que vai nos exigir energia e dinamismo voltados para a visão da sustentabilidade, com a formação de ideias e dos relacionamentos que vão ser processados para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável. Precisamos aprender a aproveitar nossas vantagens competitivas e até nossas demandas sociais e ambientais para transformá-las em oportunidades gerando num círculo virtuoso de desenvolvimento sustentável.
Questão Energética
Na questão energética, por exemplo, dispomos da matriz mais limpa entre as grandes economias do mundo, mas enfrentamos o desafio de continuar crescendo com níveis de emissão de CO2 equivalente cada vez menores. Para tanto, devemos incentivar a eficiência energética e ampliar a diversificação da matriz, promovendo leilões por fontes de energia e por regiões do País. Devemos valorizar a energia eólica, solar, biomassa e hidráulica a partir das pequenas centrais, e reduzir a dependência das termoelétricas movidas a combustíveis fósseis. Nossas potencialidades de expandir a matriz energética com fontes limpas e renováveis são reconhecidas mundialmente, mas precisamos encontrar regras de mercado para que essas opções de diversificação ganhem escala e tenham, consequentemente, viabilidade econômica.
Recursos hídricos
A água é outro ativo relevante e que merece mais cuidado, tanto pelos governos quanto pelas empresas. Detemos a maior reserva de água doce disponível do Planeta, mas transformamos essa riqueza incalculável em vetor de doenças infectocontagiosas. Vale lembrar que 61,52% do volume de esgoto gerado nas cem maiores cidades brasileiras não recebem tratamento adequado. O despejo diário de bilhões de litros de esgoto sem tratamento no meio ambiente contamina lençóis freáticos, rios, lagos, manguezais e as áreas mais ricas em biodiversidade dos mares e provoca efeitos negativos na economia. As doenças de veiculação hídrica se refletem na queda do rendimento escolar de nossas crianças e na produtividade das empresas. Ou seja, a ausência de uma legislação que regulamente o retorno socioambiental, e não apenas financeiro, no custo total do desenvolvimento vai gerar uma dívida que compromete a qualidade do crescimento.
Educação, Mobilidade e Habitação
Em áreas vitais como educação, mobilidade e habitação, estamos, da mesma forma, ainda carentes de uma transformação de qualidade em grande escala. Na educação, se por um lado estamos perto de universalizar o acesso à escola, especialmente entre nossas crianças, por outro estamos distantes de uma boa educação e de uma imprescindível valorização dessa educação. Há um contingente ainda muito expressivo de analfabetos na população com mais de 15 anos de idade (13 milhões de indivíduos), como também uma parcela significativa de analfabetos funcionais.
Na questão da mobilidade, há consenso de que a solução está nos transportes de massa de alto rendimento. Continuamos, no entanto, a estimular, via incentivos fiscais e oferta de crédito diferenciado, o uso do transporte individual. Devemos inverter essa lógica e estimular os BRTs no curto prazo e os trens e o metrô no médio e longo prazo. Nosso País, por sua concentração urbana no litoral e a abundância de rios no interior, deveria também adotar o transporte marítimo e fluvial com maior peso, além de explorar melhor o transporte de cargas por ferrovias. A urgência das soluções de infraestrutura pensadas de forma sistêmica permanece na agenda dos próximos governantes.
A política habitacional ainda está distante de sanar um déficit histórico. Os projetos dos grandes empreendimentos imobiliários do Programa Minha Casa Minha Vida devem ser pensados de forma integrada à oferta de infraestrutura de transporte, saneamento, escolas, unidades de saúde.
O modelo de construção a ser adotado pelo programa federal tem como desafio identificar as melhores técnicas sustentáveis e empregá-las sempre em busca da qualidade de vida de quem vai viver nessas moradias. Para um país como o nosso, em que a taxa de concentração urbana ultrapassa os 85%, a urbanização das favelas é uma alternativa para vencer o desafio do déficit habitacional. Contudo, as tentativas nesse sentido têm se mostrado ineficazes, justamente por falta de integração dos governos com os demais setores da sociedade. Há ainda uma imensa oportunidade de transformação por meio da adoção de critérios de sustentabilidade nos processos de compras públicas, que, por movimentarem 15% do PIB nacional, permitiriam impacto em grande escala.
Bolsas
No plano social, o Bolsa Família é reconhecido internacionalmente como um dos mais eficientes programas de transferência de renda, reduzindo drasticamente a pobreza extrema no País, mas já dispomos de instrumentos capazes de ampliar o impacto positivo gerado pelo programa. Os projetos de microfinanças, aliados a iniciativas de educação financeira, podem funcionar como um segundo estágio no processo de inclusão social. Instituições financeiras públicas e privadas estão habilitadas a operar nesse mercado, ainda muito pouco explorado.
Finalizando
Um novo modelo de governança, que de fato identifique melhor os espaços e caminhos mais adequados para o diálogo com os diferentes setores da sociedade, vai certamente nos impulsionar a um patamar mais avançado, no qual sejamos capazes de preservar e valorizar nossos ativos ambientais e sociais. Água, biodiversidade, potencial energético, áreas disponíveis para produção de alimentos e nossa diversidade cultural representam fatores decisivos para nos projetar como nação de referência no contexto da economia verde, o modelo de desenvolvimento de um futuro muito próximo. Esperamos que o Brasil consiga explorar suas vantagens e valorizar a sustentabilidade como diferencial competitivo para se tornar um país melhor. 

Fonte: Marina Grossi - Presidenta do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável – CEBDS. ** Publicado originalmente no site Eco21

quinta-feira, 17 de abril de 2014

REFLORESTAMENTO E DESEQUILIBRIO ECOLOGICO


O que é e objetivos do reflorestamento
Reflorestamento é uma ação ambiental que visa repovoar áreas que tiveram a vegetação removida pelas forças da natureza (incêndios, por exemplo) ou ações humanas (queimadas, exploração de madeira, expansão de áreas agrícolas, queimadas). 
Arborização
Podemos chamar também de reflorestamento o processo de arborização de áreas específicas onde não havia vegetação nas últimas décadas. Neste processo, são criadas pequenas florestas, principalmente com espécies lenhosas. Este processo é voltado principalmente para criação de áreas de lazer ou para melhorar a qualidade do ar em áreas que sofrem com a poluição ou aquecimento do ar (ilhas de calor).
O uso do eucalipto
As indústrias de madeira e celulose também realizam o reflorestamento, usando principalmente o eucalipto. Esta espécie é utilizada em função de seu crescimento rápido e pelo fato da madeira ter boa aceitação comercial.
Outros objetivos
O reflorestamento é usado também para criar barreiras de árvores para proteger determinadas culturas da ação de fortes ventos.
Outro importante objetivo do reflorestamento é melhorar o desempenho de bacias hidrográficas.
Importância
O processo de reflorestamento é de grande importância para o meio ambiente. Ele é capaz, quando executado com eficiência, de recuperar áreas verdes com espécies nativas, melhorando ecossistemas degradados.
Usando o processo de reflorestamento, muitas empresas deixam de comprar madeira proveniente do corte ilegal, poupando a natureza.
O processo de reflorestamento é aplicado também em áreas de encostas com o objetivo de impedir deslizamentos de terras. Neste contexto, ele também é eficaz no combate à erosão do solo.
O que é o Desequilíbrio Ecológico
 A natureza demorou milhões de anos para equilibrar os ecossistemas. Porém, uma pequena mudança pode provocar o desequilíbrio ecológico. O desequilíbrio ecológico ocorre quando algum elemento (animal ou vegetal) de um ecossistema é reduzido em quantidade, adicionado ou subtraído. Esta mudança pode originar reações em cadeia e repercutir diretamente no funcionamento do ecossistema.
Causas
A ação do homem é a principal causa de desequilíbrio ecológico na atualidade. Entre estas ações, podemos citar o desmatamento, a caça e a pesca sem controle e a urbanização em áreas de matas e florestas.
Exemplo e consequências
 Homens começam a caçar cobras numa determinada área ecologicamente equilibrada. Com a diminuição no número de cobras aumenta consideravelmente o número de sapos (alimento destas cobras). Com isso, a quantidade de insetos começa a reduzir significativamente, podendo faltar para outras espécies que também se alimentam de insetos. Isso pode até provocar a extinção de certas espécies, caso elas sejam encontradas apenas naquela área. Com a diminuição das cobras, pode também aumentar o número de roedores (ratos, por exemplo) que podem invadir áreas residenciais próximas em busca de alimentos.  

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Arquitetura Bioclimática


A Arquitetura Bioclimática é o estudo que visa harmonizar as concentrações ao clima e características locais, pensando no homem que habitará ou trabalhará nelas, e tirando partido da energia solar, através de correntes convectivas naturais e de microclimas criados por vegetação apropriada. É a adoção de soluções arquitetônicas e urbanísticas adaptadas às condições específicas (clima e hábitos de consumo) de cada lugar, utilizando a energia que pode ser diretamente obtida das condições locais.
Beneficia-se da luz e do calor provenientes da radiação solar incidente. A intenção do uso da luz solar, que implica em redução do consumo de energia para iluminação, condiciona o projeto arquitetônico quanto à sua orientação espacial, quanto às dimensões de abertura das janelas e transparência na cobertura das mesmas. A intenção de aproveitamento do calor provenientes do sol implica seleção do material adequado (isolante ou não conforme as condições climáticas) para paredes, vedações e coberturas superiores, e orientação espacial, entre outros fatores.
Em locais muito frios, por exemplo, pode-se optar pelo isolamento das fachadas e cobertura, e pelo uso de vidros mais transparentes à radiação solar visível, infravermelho próximo e parte do infravermelho médio que serão então absorvidas pelos objetos do interior e refletidas em onda longa, calor (esta e outras características do vidro são determinadas pelo tipo de tratamento que o vidro recebeu, espessura, cor e outros fatores), resultando em maior aquecimento do ambiente interno.
Em locais mais quentes opta-se pelo contrário, adotando coberturas que impeçam a radiação solar direta nos vidros, ou o uso de vidros menos transparentes.
A Arquitetura Bioclimática envolve também o desenvolvimento de técnicas e equipamentos necessários a melhoria da eficiência energética nas edificações, mas o fator predominante ainda é o aproveitamento da energia proveniente do sol, seja na forma de calor, quando pode ser usada para o aquecimento de água por exemplo, ou na forma de luz, que pode ser melhor aproveitada com o intuito de reduzir o uso da iluminação artificial.
Princípios básicos da Arquitetura Bioclimática
- a criação de espaços em ambiente saudável para os moradores e usuários;
- eficiência energética e consideração do ciclo de vida da estrutura edificada;
- minimização de desperdícios;
- e uso de fontes renováveis de energia e materiais que não agridem o meio ambiente. 

terça-feira, 15 de abril de 2014

Urbanização é chave no controle de mudanças climáticas


As áreas urbanas do mundo devem crescer em quase duas vezes o tamanho de Manhattan por dia até 2030, e os projetos de urbanização de futuras cidades da Ásia e da África será crucial para reduzir o aquecimento global, apontou um estudo da ONU divulgado na segunda-feira (14 de abril de 2014).
A expansão vertiginosa significa oportunidades de bilhões de dólares para as empresas, que vão desde a construção mais sustentável de casas e escritórios até a melhoria das redes ferroviária e rodoviária, de acordo com um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU (IPCC).
“Há uma janela de oportunidade” para se associar a arquitetura urbana com a redução do aquecimento global, disse Karen Seto, professora da Universidade de Yale, que participou da elaboração do relatório do IPCC de 2.000 páginas sobre o controle de mudanças climáticas.
Um resumo de 33 páginas com uma foto de Xangai na capa foi divulgado no domingo. O documento informa que cidades ainda a serem construídas podem ajudar o conter o aquecimento, mas a maioria dos detalhes está em um capítulo de 116 páginas obtido pela Reuters antes da publicação na terça-feira (15 de abril de 2014).
Em um cenário, a expansão urbana entre 2000 a 2030 irá adicionar 1,2 milhão de quilômetros quadrados para as cidades, principalmente na Ásia e na África.
Essa expansão significa 110 quilômetros quadrados todos os dias durante três décadas, quase duas vezes o tamanho de Manhattan ou 20 mil campos de futebol norte-americano.
“Vinte mil campos de futebol vão passar de fazendas para cidades, de florestas para as cidades, todos os dias”, disse Seto à Reuters. As áreas urbanas representam entre 71 e 76 por cento das emissões de dióxido de carbono do mundo de energia.
Projetos de cidades mais compactas, que reduzem trajetos, aquecimento para poupar energia, transporte público melhor, ciclovias e áreas de pedestres podem reduzir as emissões, principalmente de combustíveis fósseis.
Os obstáculos incluem a falta de regulamentação para o planejamento, especialmente em países em desenvolvimento.
“A cada semana, a população urbana mundial aumenta em 1,3 milhão”, informa o capítulo. Em 2050, a população urbana deve ser cerca de dois terços de todas as pessoas na Terra. 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sabemos o que fazer, porem quase nada fazemos


Só pode ser bem-vinda a notícia de que o Departamento de Zoneamento Territorial do Ministério do Meio Ambiente está preparando um diagnóstico para o Cerrado e uma proposta de estratégia para esse bioma (Ministério do Meio Ambiente, 31/3/2014). O Cerrado já perdeu mais de 50% de sua vegetação e, segundo estimativa de estudiosos, mais de metade da água acumulada no subsolo e que gera 14% dos fluxos para as três grandes bacias nacionais – a amazônica, a do Paraná e a do São Francisco. E pode perder mais, dizem técnicos, com a expansão da fronteira agropecuária, pressionada pela maior exportação de commodities, pelo aumento do consumo interno e pela expansão dos agrocombustíveis. Tudo isso resulta em ampliação do uso da terra e das taxas de desmatamento.
Pela mesma razão, é preciso que a sociedade esteja atenta para o que acontecerá no Senado na discussão de parecer do senador Blairo Maggi ao projeto de lei da Política de Gestão e Proteção do Bioma Pantanal – outra área já diante de agressões em curso e da possibilidade de que se permita ali a substituição de áreas preservadas por pastagens cultivadas, da possível supressão de reservas legais e dos efeitos danosos sobre os recursos hídricos. O Pantanal é um privilégio brasileiro, fundamental para o clima e a conservação da biodiversidade.
O último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado há poucos dias (Estado, 30/3/2014), alerta exatamente para a vulnerabilidade de espécies terrestres e aquáticas, o risco de que tenham de migrar ou se extingam diante dos impactos do clima. E menciona especificamente a Amazônia brasileira, mas não apenas ela, embora lembre que no espaço amazônico estão estocados 90 bilhões de toneladas de carbono (na seca de 2005 foram liberados 5 bilhões de toneladas).
Outros estudos estão apontando para os impactos do clima nas populações de polinizadores, principalmente abelhas, das quais depende cerca de 10% da produção agrícola mundial, perto de US$ 212 bilhões anuais (30/3/2014). Os polinizadores estão sendo afetados principalmente pelas mudanças no uso da terra, secas, inundações. Áreas particularmente atingidas são as de produção de verduras e frutas. E a perda da biodiversidade originária – estudo da Natura (17/3/2014) – pode ser muito problemática, já que um hectare de palmeiras de dendê produz 200% mais óleo de palma do que um hectare de sistema agroflorestal. No mundo todo, afirma o economista indiano Pavan Sukhdev, o custo da perda da biodiversidade pode chegar a US$ 4,5 trilhões por ano.
Os dramas do clima e cenários soturnos não são para o fim do século, estão acontecendo agora em todos os continentes e oceanos – lembra texto de Giovana Girardi neste jornal (29/3/2014). E podem desacelerar o crescimento econômico, dificultar a redução da pobreza e a segurança alimentar. O cientista José A. Marengo enfatiza a necessidade de correr com programas de adaptação – mas deixando claro que não há uma fórmula única, depende de cada lugar, de seus problemas e possibilidades específicas. Todavia já são evidentes os riscos de savanização de várias áreas.
O conservador e prudente jornal britânico The Guardian chega a discorrer sobre estudo do Centro Espacial Goddard, da Nasa, segundo o qual “a civilização industrial global pode entrar em colapso nas próximas décadas” por causa do “consumo insustentável de recursos e da distribuição desigual da renda” – cada vez maior. Não seria a primeira vez na História do mundo, observa o jornal, citando o desaparecimento de civilizações como as de Roma e da Mesopotâmia. Tecnologia, apenas, não resolverá. O desfecho, contudo, não é inevitável, “dependerá de políticas adequadas” (14/3/2014).
Uma dessas políticas terá como missão encontrar formatos adequados para expandir em 60% a produção global de alimentos até 2050 sem ampliar os problemas da água (a agricultura já usa 70% do total), da desertificação (mais 60 mil km2 por ano), do consumo de recursos naturais acima (pelo menos 30%) da capacidade de reposição. Em outra área, diz o World Economic Forum que serão necessários investimentos anuais de US$ 6 trilhões, ao longo de quase duas décadas, para estabelecer uma “economia de baixo carbono”. Mas como se fará para eliminar, por exemplo, o subsídio ao consumo de combustíveis fósseis – petróleo, principalmente -, uma das fontes mais poluidoras?
Diz o governo brasileiro que em 2010 a redução do desmatamento no Brasil produziu uma queda de emissões maior que a do total dos países desenvolvidos. Isso foi consequência dos esforços para reduzir o pico do desmatamento na Amazônia. Porém ainda não chegamos a reduções mais fortes em outras áreas (transportes, indústria e agricultura, principalmente).
Um dos problemas está exatamente na falta de avanços na implantação do novo Código Florestal. E uma das questões mais fortes está em que, dois anos depois da nova legislação, ainda não se implementou o Cadastro Ambiental Rural (jornal Valor Econômico, 27/3/2014), que permitiria identificar em cada propriedade áreas de preservação obrigatória da vegetação, reservas legais e desobediências à lei. Os decretos de regulamentação do novo código também estão parados. E com tudo isso, como afirmou o Valor, “o Código Florestal continua no papel”, embora haja 5,4 milhões de imóveis rurais no País.
Paralelamente, as unidades federais administradas pelo Instituto Chico Mendes não têm dinheiro para nada. O Brasil, segundo as Universidades Yale e de Columbia, está em 71.º lugar entre 178 países em termos de “ameaças à natureza” e proteção à saúde humana (Instituto Carbono Brasil, 29/1/2014).
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, espera que os países cheguem a um acordo sobre o clima em setembro, mas não há nada concreto à vista. E o experiente Nicholas Stern, consultor do Reino Unido, alerta: “Sabemos o que está acontecendo. Mas nada fazemos” (UN News, 21/3/2014).
Washington Novaes – Jornalista
 
Fonte: Artigo originalmente publicado em O Estado de S.Paulo e reproduzido pelo EcoDebate

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Gestão e Gestor Ambiental


Gestão ambiental é um sistema de administração empresarial que dá ênfase na sustentabilidade. Desta forma, a gestão ambiental visa o uso de práticas e métodos administrativos que reduzir ao máximo o impacto ambiental das atividades econômicas nos recursos da natureza.
Métodos e objetivos principais da gestão ambiental
 - Uso de recursos naturais de forma racional.
- Aplicação de métodos que visem a manutenção da biodiversidade.
- Adoção de sistemas de reciclagem de resíduos sólidos.
- Utilização sustentável de recursos naturais.
- Tratamento e reutilização da água e outros recursos naturais dentro do processo produtivo.
- Criação de produtos que provoquem o mínimo possível de impacto ambiental.
- Uso de sistemas que garantam a não poluição ambiental. Exemplo: sistema carbono zero.
- Treinamento de funcionários para que conheçam o sistema de sustentabilidade da empresa, sua importância e formas de colaboração.
- Criação de programas de pós-consumo para retirar do meio ambiente os produtos, ou partes deles, que possam contaminar o solo, rios, etc. Exemplo: recolhimento e tratamento de pneus usados, pilhas, baterias de telefones celulares, peças de computador, etc.
Importância para as empresas
A adoção de gestão ambiental é importante para uma empresa por diversos motivos. Em primeiro lugar porque ela associa sua imagem ao da preservação ambiental, melhorando no mercado as imagens das marcas de seus produtos. Empresas que adotam este sistema conseguem reduzir seus custos, evitando desperdícios e reutilizando materiais que antes eram descartados. Empresas com gestão ambiental melhoram suas relações comerciais com outras empresas que também seguem estes princípios.
ISO 14000
O ISO 14000 é um conjunto de normas técnicas e administrativas que estabelece parâmetros e diretrizes para a gestão ambiental para as empresas dos setores privado e público. Estas normas foram criadas pela International Organization for Standardization - ISO (Organização Internacional para Padronização).
Gestor Ambiental
O que faz: O campo de trabalho do Gestor Ambiental é bem amplo. Atua na elaboração e aplicação de projetos de sustentabilidade em empresas privadas e públicas. Assessora e implanta projetos de proteção ambiental e de certificação ambiental (ISO 14000) nas empresas. Analisa e desenvolve estudos e relatórios de impactos ambientais para empresas. 
Características profissionais importantes (aptidões, habilidades e competências): Capacidade de gerenciamento e facilidade em comandar equipes. Habilidade para analisar e desenvolver pesquisas. Interesse na proteção ambiental e desenvolvimento sustentável do planeta. Facilidade para analisar e criar soluções para problemas ambientais nos segmentos públicos e privados.
Mercado de Trabalho: Empresas privadas, públicas e ONGs (Organizações Não Governamentais). Pode atuar também como autônomo oferecendo assessoria técnica.
Especializações e cursos complementares: Após a formação, poderá fazer cursos nas seguintes áreas: Zootecnia, Biologia Marinha, Botânica, Ciências do Meio Ambiente, Ecologia, Mineração, Engenharia Florestal, Direito Ambiental, etc. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

SOCIEDADE SUSTENTÁVEL


Sociedade sustentável é aquela que consegue suprir suas necessidades de produção, consumo e crescimento sem comprometer as bases para o desenvolvimento das futuras gerações. 
Uma sociedade sustentável deve, portanto, caminhar no sentido do desenvolvimento sustentável, equilibrando o crescimento econômico com a preservação do meio ambiente e a qualidade de vida.
Principais características de uma sociedade sustentável
- Uso racional de água e energia.
- Captação e uso da água das chuvas. 
- Preservação do meio ambiente. 
- Desenvolvimento de sistema de reciclagem de lixo e reuso de materiais sólidos. 
- Incentivo e uso de meios de transportes coletivos, bicicletas, veículos elétricos e outros que não poluem o ar. 
- Utilização racional e controlada dos recursos naturais e minerais do planeta Terra. 
- Diminuição do uso de combustíveis fósseis (gasolina e diesel), os principais causadores do aquecimento global e das mudanças climáticas. 
- Uso de fontes de energias renováveis e limpas como, por exemplo, eólica e solar. 
- Implantação de sistemas de educação ambiental nas escolas. 
- Ampliação, preservação e manutenção de áreas verdes (parques, bosques, jardins públicos). 
- Incentivo aos moradores para que estes plantem árvores em suas calçadas, aumentando assim a arborização urbana. 
- Incentivo e aumento das áreas agrícolas destinadas à produção de gêneros alimentícios (frutas, verduras e cereais) orgânicos. 
Existem sociedades sustentáveis atualmente
Infelizmente não, embora muitas cidades (principalmente na Europa, Japão, EUA e Canadá) já possuam algumas características relacionadas à sustentabilidade.
Dificuldades
A principal dificuldade para a implantação e desenvolvimento de uma sociedade sustentável é o fator econômico. Muitas empresas, buscando baratear os custos de produção, optam por processos produtivos poluentes e não sustentáveis. 
Faltam também incentivos dos governos, que visando obter cada vez mais impostos, não criam sistemas de incentivos fiscais para práticas sustentáveis. 
Os cidadãos, principalmente de países pobres ou em desenvolvimento, possuem pouco esclarecimento sobre a importância do desenvolvimento sustentável para a qualidade de vida atual e das futuras gerações. 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

SUSTENTABILIDADE SOCIAL


Sustentabilidade Social se refere a um conjunto de ações que visam melhorar a qualidade de vida da população. Estas ações devem diminuir as desigualdades sociais, ampliar os direitos e garantir acesso aos serviços (educação e saúde principalmente) que visam possibilitar as pessoas acesso pleno à cidadania.
Importância
As ações sustentáveis socialmente não são importantes apenas para as pessoas menos favorecidas. Quando colocadas efetivamente em prática, possuem a capacidade de melhorar a qualidade de vida de toda população. 
Um exemplo prático é a diminuição da violência proporcionalmente à ampliação do sistema público educacional de qualidade.
Vale lembrar que uma população com bom nível cultural e educacional respeita mais o meio ambiente, colaborando desta forma para o desenvolvimento sustentável do planeta.
Ações de sustentabilidade social
- Implantação de projetos educativos e sociais gratuitos, principalmente para pessoas de baixa renda;
- Investimentos em educação pública, visando à qualidade do ensino;
- Implantação de programas voltados para a inclusão social, principalmente de pessoas portadoras de necessidades especiais;
- Qualificação profissional de jovens através, principalmente, de cursos gratuitos de língua estrangeira, informática e etc.; 
- Investimentos governamentais em saneamento básico, garantindo tratamento de esgoto e acesso à água potável para pessoas que não tem acesso a estes serviços;
- Implantação de projetos que possibilitem acesso à energia elétrica para pessoas que ainda não possuem este serviço;
- Ampliação do acesso à Internet para pessoas de baixa renda;
- Ampliação dos meios de participação democrática na definição de ações que visem melhorar a qualidade de vida das pessoas. Um bom exemplo desta ação é o orçamento participativo;
- Adoção de sistemas educacionais que levem informações sobre a importância da preservação ambiental para a sociedade, relacionando-a com a melhoria da qualidade de vida em seu espaço geográfico;
- Projetos de qualificação profissional, principalmente para trabalhadores que se encontram desempregados;
- Orientação aos jovens, através de programas eficientes, sobre o grave problema das drogas;
- Implantação de programas geradores de renda para pessoas carentes.   

terça-feira, 8 de abril de 2014

Consumidor Verde


Também conhecido como consumidor sustentável, o consumidor verde é aquele que tem atitudes de consumo voltadas para a preservação do meio ambiente. Estas atitudes positivas contribuem para o desenvolvimento sustentável do planeta. 
Atitudes sustentáveis de um consumidor verde
- Consumir alimentos (frutas, verduras e legumes) orgânicos, que além se serem mais saudáveis não contaminam o meio ambiente com agrotóxicos. 
- Consumir de produtos que utilizam embalagens recicláveis. 
- Usar meios de transporte que não poluem o ar ou que tenham baixos índices de poluição. 
- Usar, sempre que possível, o sistema de transporte público. 
- Não consumir ou consumir com moderação carnes de origem animal (principalmente a vermelha), pois sua produção requer a utilização de grande quantidade de água. Para termos uma ideia, para produzir 1 quilo de carne bovina são utilizados cerca de 15 mil litros de água. 
- Utilizar sacolas retornáveis (ecológicas) nos supermercados. 
- Usar de forma racional (economizar) a água e a energia elétrica dentro de casa e no ambiente de trabalho. 
- Fazer a coleta seletiva do lixo e participar de programas de reciclagem. 
- Reutilizar produtos, quando possível, ao invés de simplesmente descartá-los. 
- Comprar produtos de madeira com certificação ambiental. 
- Não descartar no lixo comum produtos que podem contaminar o solo ou rios. Exemplos: pilhas, baterias, remédios e produtos químicos. 
- Não despejar o óleo de cozinha usado na rede de esgoto. Em muitas cidades já ocorre a reciclagem deste tipo de óleo. 
- Comprar plantas e flores que foram plantadas para a comercialização. Muitos destes produtos são retirados da natureza, fato que prejudica o meio ambiente e , portanto, não devem ser compradas. 
- Não comprar e manter animais silvestres dentro de casa.  
- Dar preferência para o consumo de produtos de empresas que investem na preservação do meio ambiente.  

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Logística Reversa


Logística reversa: importante para o Meio Ambiente
De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (estabelecida pela lei 12.305 de 2/08/2010), a logística reversa pode ser definida como “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”.
Quando entrará em vigor
De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a logística reversa passará a vigorar em 2014 e deverá estar implantada em todo país até o ano de 2015. Porém, já existem muitas indústrias utilizando a logística reversa em função da política de responsabilidade ambiental que possuem.
Vantagens para a sociedade e meio ambiente
- Possibilita o retorno de resíduos sólidos para as empresas de origem, evitando que eles possam poluir ou contaminar o meio ambiente (solo, rios, mares, florestas, etc.);
- Permite economia nos processos produtivos das empresas, uma vez que estes resíduos entram novamente na cadeia produtiva, diminuindo o consumo de matérias-primas;
- Cria um sistema de responsabilidade compartilhada para o destino dos resíduos sólidos. Governos, empresas e consumidores passam a ser responsáveis pela coleta seletiva, separação, descarte e destino dos resíduos sólidos (principalmente recicláveis);
- As industrias passarão a usar tecnologias mais limpas e, para facilitar a reutilização, criarão embalagens e produtos que sejam mais facilmente reciclados.
Logística reversa e sustentabilidade
A implantação do sistema de logística reversa é mais um elemento rumo ao desenvolvimento sustentável do planeta, pois possibilita a reutilização e redução no consumo de matérias-primas.
Como funcionará na prática: exemplo de logística reversa
Uma empresa fabricante de pneus deverá receber de volta seus produtos já usados. O consumidor, após usar os pneus, deverá encaminhá-los a postos de coleta específicos (que podem estar instalados no comércio onde ele adquiriu), onde serão retirados pelo fabricante. O fabricante reutilizará estes pneus usados, após passar por determinados procedimentos, na linha de produção de pneus novos ou outros produtos.
Desta forma, a logística reversa impedirá que estes pneus sejam descartados em rios ou terrenos, poluindo o meio ambiente.
A função de cada setor no processo
- Consumidores: devolver os produtos que não são mais usados em postos (locais) específicos.
- Comerciantes: instalar locais específicos para a coleta (devolução) destes produtos.
- Indústrias: retirar estes produtos, através de um sistema de logística, reciclá-los ou reutilizá-los.
- Governo: criar campanhas de educação e conscientização para os consumidores, além de fiscalizar a execução das etapas da logística reversa.
Principais produtos que farão parte do sistema de logística reversa
- Pneus
- Pilhas e baterias
- Embalagens e resíduos de agrotóxicos
- Lâmpadas fluorescentes, de mercúrio e vapor de sódio
- Óleos lubrificantes automotivos
- Peças e equipamentos eletrônicos e de informática
- Eletrodomésticos (geladeiras, fogões, micro-ondas, freezers, etc.). 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

DESPERDICIO DE ALIMENTOS


A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) denunciou nesta quarta-feira (2 de março de 2014) que, em média, cada habitante da Terra desperdiça quase 300 quilos de alimentos por ano e, ao mesmo tempo, mais de 800 milhões de pessoas passam fome.
Durante uma conferência regional da FAO para Europa e Ásia Central, focada no desperdício de alimentos, o diretor-geral da organização, José Graziano da Silva, destacou que 1.300 milhões de toneladas de alimentos são perdidas a cada ano.
“Se os desperdícios e as perdas pudessem ser reduzido simplesmente à metade, o aumento produção de alimentos para suprir a população mundial em 2050 seria de só 25%, em vez dos 60% estimados atualmente”, explicou Graziano à Agência Efe.
Segundo dados da FAO, cada habitante da Terra desperdiça em média 280 quilos de alimentos por ano, enquanto ao mesmo tempo 842 milhões de pessoas, mais de 10% da população do planeta, passam fome diariamente.
A perda de alimentos acontece principalmente “em fazendas, durante o processamento, o transporte e o armazenamento”, e pela “falta de regulação” que afeta também a segurança alimentar.
A crise financeira e econômica, que impactou duramente muitos Estados europeus, reduziu o desperdício de alimentos, embora esta redução continue sendo insuficiente para a FAO, disse Graziano.
As perdas econômicas e ambientais desse desperdício, além de tudo, ultrapassam as centenas de bilhões de dólares.
“O custo anual do desperdício e das perdas de alimentos, expressado em preço ao produtor, é de US$ 750 bilhões. Se considerássemos os preços no varejo e os custos ambientais, este número seria muito maior”, destacou.
A conferência de Bucareste reúne esta semana mais de 300 delegados de meia centena de países da Europa e da Ásia Central, que discutem como reduzir a perda de alimentos, como fomentar a agricultura familiar e como combater os efeitos da mudança climática sobre a produção agrária.
“Precisamos aumentar nossos esforços para diminuir (os efeitos), para nos adaptarmos e, principalmente, para mudar para um sistema sustentável de alimentos”, manifestou Graziano em referência ao mais recente relatório do Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudança Climática, o IPCC.
“Esta é uma de nossas principais responsabilidades. Os mais pobres do mundo são especialmente vulneráveis à mudança climática”, discursou o diretor-geral no plenário.
Mas, por outro lado, relacionou a fome e os movimentos migratórios vindos da África com o corte dos fundos da cooperação internacional. Nesse sentido Graziano pediu que os Estados europeus voltem a ajudar mais seus países vizinhos. “A Europa deve recuperar seu papel de importante doadora”, afirmou o ex-ministro do governo Lula e um dos articuladores do programa Fome Zero. 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

As alterações climáticas vão trazer surpresas


As alterações climáticas podem trazer surpresas, enquanto o mundo não está preparado para as consequencias, alertam especialistas em um relatório.
No seu recente relatório, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC , por sua sigla em Inglês ) argumenta que os efeitos do problema podem agora ser encontrar nos continentes e oceanos , e suas consequências podem ser "grave, generalizada e irreversível ".
Vicente Barros, co-presidente do Grupo de Trabalho dedicado aos efeitos do aquecimento global, segundo o relatório revelou que " vivemos em uma época em que a mudança climática é causada pelo homem. "
"Em muitos casos, não estamos preparados para os riscos relacionados com o clima a que estamos enfrentando. Investir em melhor preparação pode pagar dividendos no presente e no futuro ", acrescentou o especialista da Universidade de Buenos Aires.
Vem o inesperado
O relatório " Mudanças Climáticas 2014. Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade ", também observa que a natureza dos riscos desse fenômeno está se tornando mais clara , embora ainda ocorram surpresas. A mudança climática já está a ter consequências para a agricultura, a saúde humana, os ecossistemas e oceanos, abastecimento de água e meios de vida de algumas pessoas.
O relatório pessoas, indústrias e ecossistemas ao redor do mundo que são vulneráveis ​​ao aquecimento global são indicados. Algumas das características mais alarmantes de impacto estão derretendo calotas polares, as inundações de algumas pequenas ilhas e cidades costeiras vulneráveis.
Chris Field , da Carnegie Institution for Science , que também preside a força-tarefa , disse por sua vez que a adaptação à mudança climática " não é um programa exótico que não já tentou " e disse que os governos, empresas e comunidades em todo o mundo estão ganhando experiência nele.
" Essas experiências são o ponto de partida para alcançar adaptações mais ousadas e ambiciosas , que será importante à medida que continuam a mudar o clima ea sociedade", disse Field.
Ele também disse que , com altos níveis de aquecimento devido ao aumento contínuo das emissões de gases de efeito estufa " será difícil de controlar os riscos e, apesar de um investimento significativo e contínuo na adaptação isso, vamos encontrar limitações. " O especialista lembrou que o relatório conclui que os indivíduos, as sociedades e os ecossistemas " são vulneráveis ​​do mundo, mas a vulnerabilidade é diferente em lugares diferentes. Muitas vezes, interage com as mudanças climáticas e outras pressões e aumenta o risco " .
O relatório foi elaborado com base nas contribuições de 309 autores de 70 países , que também envolveu a colaboração de mais de 400 especialistas , e um total de 1.729 cientistas e revisores do governo comentou sobre as correntes de ar.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

As principais ameaças à qualidade da água no Brasil


A falta de tratamento de esgoto e a poluição oriunda da indústria e agricultura são as principais ameaças à qualidade da água no Brasil. Segundo levantamento da ONG SOS Mata Atlântica, a água é ruim ou péssima em 40% dos 96 rios, córregos e lagos avaliados em sete estados brasileiros. A pesquisa, divulgada por ocasião do Dia Mundial da Água (22/03/2014), mostra que a situação é preocupante no bioma da Mata Atlântica, principalmente em áreas urbanizadas.
Apenas 11% dos rios e mananciais foram classificados como bons – todos localizados em áreas de proteção ambiental e de mata ciliar preservada. Em 49% dos rios, a água é regular. A pesquisa foi realizada em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Cantarina e Rio Grande do Sul.
Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), 76% dos corpos d’água apresentam qualidade boa; 6% foram classificados como ruim e apenas 1% como péssimo. Em áreas urbanas, a parcela considerada boa cai para 24%. As águas de qualidade ruim e péssima sobem para 32% e 12%, respectivamente.
Apesar de serem os principais centros de poluição, as cidades grandes possuem maior infraestrutura de saneamento básico, ressalta o professor de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG Marcos von Sperling.
“A cobertura de saneamento das cidades pequenas é normalmente bem inferior às cidades grandes. No Brasil, um quarto dos municípios tem até cinco mil habitantes e são muito frágeis em termos de administração. E é até inviável do ponto de vista financeiro fazer o tratamento e cobrar por ele. São populações com renda familiar muito baixa”, afirma.
Informação – A ANA alerta para a falta de informação sobre a qualidade dos recursos hídricos no Brasil. A agência realiza o diagnóstico a partir de dados das redes estaduais, mas apenas 17 das 27 unidades da federação fazem o monitoramento da água. Outra dificuldade é que não há uma padronização no trabalho de coleta de dados.
Segundo a agência, apenas 658 pontos de análise tiveram uma série histórica longa o suficiente para realização do estudo. Nestes casos, 8% apresentaram tendência de melhoria na qualidade da água e 5%, de piora.
Para diminuir a falta de informação, a agência lançou na quinta-feira (20/03/2014) a Rede Nacional de Monitoramento de Qualidade das Águas, que deve padronizar os dados e procedimentos de coleta. O objetivo é subsidiar a definição de políticas públicas e a gestão dos recursos hídricos.
“A qualidade da água hoje é insuficientemente monitorada. Não temos um retrato do país. São várias as entidades de gestão da água, públicas e privadas, em âmbito federal, estadual e municipal. Estamos nos adaptando a essa imensa fragmentação do sistema brasileiro”, defende Maurrem Vieira, especialista em recursos hídricos da ANA.
Os especialistas são unânimes em afirmar que o maior problema da qualidade da água no país é a falta de tratamento de esgoto. Mesmo com poucos dados disponíveis, a especialista em recursos hídricos da ANA Renata Bley diz que as tendências de melhora identificadas são “resultado, principalmente, de investimentos em coleta e tratamento de esgoto nas regiões metropolitanas”.
Apenas 37,5% do esgoto gerado no Brasil é tratado, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. A coleta é realizada para 48,1% da população. Para Maurrem Vieira, é preciso investir mais no tratamento de esgoto: “Expandimos o serviço e, paralelamente, a população cresce. É como se fosse uma corrida, que por enquanto estamos ganhando.”
Um estudo do Instituto Trata Brasil e do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, lançado na quarta-feira (19/03/2014), indica que o país é o 112° no mundo em termos de evolução e cobertura de saneamento.
“A expansão de 4,1% ao ano perdeu velocidade nesta década de 2010 – na anterior, era de 4,6% ao ano – o que nos distancia ainda mais da já longínqua meta do governo federal de universalizar os serviços em 2030”, afirma o instituto em nota.
Problemas ambientais
Um dos principais problemas ambientais causados pelo esgoto não tratado é a falta de oxigênio nos rios. Os dejetos contêm matéria orgânica, que serve de alimento para bactérias. No processo, elas consomem oxigênio, baixando o nível do gás na água. Em regiões urbanas, é comum encontrar rios praticamente sem oxigênio, onde o odor é forte e a fauna aquática não consegue sobreviver.
Outra dificuldade recorrente é o crescimento exacerbado de algas em lagoas e represas, causado pela presença de nitrogênio e fósforo, que são nutrientes para esses organismos. “As algas mudam a coloração do corpo d’água e prejudicam bastante a qualidade”, afirma Marcos Von Sperling.
As principais causas de poluição, além do esgoto, são os lançamentos da industria e da agricultura, que geram rejeitos químicos nocivos, como os agrotóxicos, por exemplo. Por fim, há a poluição difusa, cuja origem é difícil de verificar e pode incluir qualquer dejeto. “Vai desde o sofá velho ao cachorro morto, tudo vai parar nos córregos”, diz Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica.
A falta de tratamento de esgoto tem consequências graves para a saúde pública do país. “Nos dejetos há diversos organismos patogênicos, como bactérias, vírus, protozoários e vermes, que causam uma série de doenças”, explica o professor Marcos Von Sperling.
Ainda que o tratamento da água seja realizado corretamente, há outros usos dos recursos hídricos que podem disseminar doenças. “Se a pessoa nadar em um rio sujo, comer alimentos lavados ou irrigados com água contaminada, ela pode ser infectada”, lembra.
Segundo o estudo do Instituto Trata Brasil, foram notificadas 340 mil internações por infecções gastrointestinais no Brasil em 2013. Mais de 170 mil foram de crianças de até 14 anos de idade. A pesquisa aponta que a universalização do saneamento traria uma economia anual de 27,3 milhões de reais para os cofres públicos apenas com as internações.
Água em casa
A poluição dos rios e represas com esgoto e rejeitos químicos nocivos também pode afetar a qualidade da água que chega às casas. “O risco é sempre maior quando tratamos uma água bruta muito poluída”, defende Von Sperling.
“As estações de tratamento de água não estão preparadas para o esgoto. São processos diferentes. Por isso, se o material é jogado sem tratamento em uma área de captação de água, pode sim haver problemas”, argumenta Pedro Mancuso, professor do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da USP.
Além do risco para a saúde, a poluição encarece o tratamento de água, afirma Von Sperling. “Os processos convencionais se tornam insuficientes e é preciso empregar métodos mais caros”, diz.
Ainda que a qualidade da água varie muito no Brasil, inclusive dentro de uma mesma cidade, os especialistas consideram que ela é satisfatória. “Temos o primo pobre, que é o tratamento de esgoto, e o primo rico, que é o tratamento da água”, assegura Malu Ribeiro, da SOS Mata Atlântica.
Os estudiosos concordam que as caixas d’água são um ponto fraco do sistema, que não está presente em outros países, onde o abastecimento é feito direto da estação para as residências. Segundo eles, a água tratada é de qualidade, mas pode se deteriorar nos encanamentos e reservatórios das casas e edifícios.
Eles também elogiam a legislação, considerada moderna. “A portaria é boa, mas ela é difícil de ser cumprida em regiões afastadas e sem estrutura. Onde ela é seguida o tratamento é eficiente, como costuma acontecer nas companhias estaduais”, diz Pedro Mancuso.