sexta-feira, 24 de outubro de 2014

BIOMAS DO BRASIL - BIODIVERSIDADE EM PERIGO


Devido a sua dimensão continental e à grande variação geomorfológica e climática, o Brasil abriga 7 biomas, 49 eco regiões, já classificadas, e incalculáveis ecossistemas.
Biomas são grandes estruturas ecológicas com fisionomias distintas encontradas nos diferentes continentes, caracterizados principalmente pelos fatores climáticos (temperatura e umidade) e formações vegetais relacionados à latitude. Assim, podemos dizer que bioma é um conjunto de vida (vegetal e animal) em escala regional de condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria. Entende-se por eco região um conjunto de comunidades naturais, geograficamente distintas, que compartilham a maioria das suas espécies, dinâmicas e processos ecológicos, e condições ambientais similares, que são fatores críticos para a manutenção de sua viabilidade a longo prazo.
Ecossistema designa o conjunto formado por todos os fatores bióticos e abióticos que atuam simultaneamente sobre determinada região. Caracterizam-se pelo fato de serem sistemas altamente complexos e dinâmicos, com tendência para a auto-organização e auto renovação. Os ecossistemas são, no fundo, o objeto de estudo da Ecologia.
“Os ecossistemas fazem parte de um bioma e são definidos formalmente como: unidade funcional de base em ecologia, porque inclui, ao mesmo tempo, os seres vivos e o meio onde vivem, com todas as interações recíprocas entre o meio e os organismos” (Dajoz).

Muitas vezes, o termo bioma é utilizado como sinônimo de ecossistema, no entanto, ao contrário do segundo que implica nas inter-relações entre fatores bióticos e abióticos, o primeiro significa uma grande área de vida formada por um complexo de habitats e comunidades.

Fatores Bióticos
Ocasionados pela presença de seres vivos ou suas relações. Os fatores bióticos são todos os seres vivos da biosfera.
Fatores Abióticos
Também chamados de não vivos, são os fatores ambientais como a água, o solo, a temperatura, a luminosidade e as propriedades físicas e químicas da biosfera. São ausentes da presença de seres vivos.
BIOSFERA
Conjunto de todos os ecossistemas da terra incluindo as regiões da hidrosfera (as águas) da litosfera (o solo) e da atmosfera (camada gasosa onde existe alguma forma de vida). Os ecossistemas que compõem a biosfera são condicionados por sua posição geográfica, sua história geológica e pela evolução biológica do planeta. Os grandes ecossistemas contém comunidade clímax que chamamos de biomas, em equilíbrio dinâmico com as condições ambientais.
AMAZÔNIA
A grande maioria das florestas tropicais brasileiras está concentrada neste bioma que fica localizada a norte do continente sul-americano.
67% estão em território brasileiro, sendo o restante distribuído entre a Venezuela, Suriname, Guianas, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador.
A existência de uma expressiva diversidade biológica é determinada por fatores como a grande heterogeneidade ambiental e a sua dimensão. Existem de 5 a 30 milhões de plantas diferentes, a maioria não identificada.
30 mil espécies vegetais reconhecidas, ou 10% das plantas do mundo, espalhadas em 3,7 milhões de Km2 (parte brasileira).
A Floresta Amazônica está distribuída em diversos tipos de ecossistemas associados como: Florestas fechadas de terra firme, várzeas ribeirinhas, campos, campinas, igapós, campinaranas.

As matas alagadas possuem várias espécies arbóreas de importância econômica e estão ao alcance das enchentes anuais. As flutuações do nível da água podem chegar a 10 metros ou mais. As árvores das florestas alagadas têm várias adaptações morfológicas e fisiológicas para viverem submersas, como raízes respiratórias e sapopemas, raízes laterais situadas na base da árvore. Plantas e animais da floresta alagada vivem em função das suas diversas adaptações especiais para sobreviver durante as enchentes.
A vegetação das florestas de várzea é mais rica do que as da floresta de igapó devido à fertilidade oriunda dos sedimentos. As várzeas são especialmente ricas e produtivas. Concentrava grandes comunidades indígenas. Atualmente são desenvolvidos vários projetos agropecuários e industriais.

A região da bacia amazônica ostenta a maior variedade de aves, primatas, roedores, jacarés, sapos, insetos, lagartos e peixes de água doce de todo o planeta. Por ali circulam 324 espécies de mamíferos, como a onça-pintada, a ariranha, a preguiça e o macaco-uacari. Vivem cerca de 25% da população de primatas do globo e 70 das 334 espécies de papagaios existentes. Com relação a peixe de água doce, concentra de 2500 a 3000 espécies diferentes. Só no Rio Negro podem ser encontradas 450 espécies enquanto que na Europa não se contam mais de 200.
CERRADO
É o nome regional dado às savanas Brasileiras. Estende-se pela região central do País, compreendendo os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, o oeste da Bahia, o sul do Maranhão e parte de Piauí, chegando a Rondônia e Pará. Cerca de 85% do grande platô que ocupa o Brasil central era originalmente dominado pela paisagem do cerrado, representando cerca de 1,5 a 2 milhões de km2, ou aproximadamente 20% da superfície do País. O clima típico é quente, semi úmido, com verão chuvoso e inverno seco. A pluviosidade anual fica em torno de 800 a 1600 mm. A paisagem do cerrado é caracterizada por extensas formações de savana, com matas ciliares ao longo dos rios, no fundo de vale. Outras vegetações podem aparecer na região dos cerrados, como os campos úmidos e as veredas de buritis. Nas maiores altitudes podem ocorrer os campos rupestres.
As árvores do cerrado são muitos peculiares, com troncos tortos, cobertos por uma cortiça grossa, e de folhas geralmente grandes e rígidas. Muitas plantas herbáceas têm órgãos subterrâneos para armazenar água e nutrientes. Cortiça grossa e estruturas subterrâneas podem ser interpretadas como algumas das muitas adaptações desta vegetação às queimadas periódicas. Acredita-se que, como em muitas savanas do mundo, os ecossistemas de cerrado vêm coexistindo com o fogo desde tempos remotos, inicialmente como incêndios naturais causados por relâmpagos ou atividades vulcânicas e, posteriormente, causados pelo homem.
Mais de 1.600 espécies de mamíferos, aves e répteis já foram identificados nos ecossistemas de cerrado. Entre a diversidade de invertebrados, os mais notáveis são os térmitas (cupins) e as formigas cortadeiras (saúvas). São eles os principais herbívoros do cerrado, tendo uma grande importância no consumo e na decomposição da matéria orgânica, constituindo uma importante fonte alimentar para outras espécies animais.
Considerado até recentemente como um ambiente pobre, o cerrado é hoje reconhecido como a savana mais rica mundo com a presença de alta diversidade vegetal e animal.
A fauna apresenta diversas espécies de aves, mamíferos, anfíbios e répteis, sendo muitas delas endêmicas. Estima-se que existam no bioma 10.000 espécies plantas, sendo 4.400 endêmicas. O cerrado se constitui ainda, num verdadeiro pomar natural, em que frutos se destacam pela variedade de formas, cores, sabores e aromas. Centena de espécies vegetais dessa região fornecem ao homem frutas saborosas e nutritivas, e um número incalculável é utilizado pela fauna silvestre. Destacam-se a mangaba, cagaita, marmelada-de-cachorro, o batiputá ou bacupari, o baru, marolo, pequi, guabiroba, araçá, araticum, caju, jatobá e o murici.
Estudos recentes estimam o número de plantas vasculares em torno de 5 mil. O bioma permaneceu relativamente preservado até a década de 1950. A partir do início dos anos 60 iniciou-se um processo de ocupação e o estabelecimento de atividades agrícolas na região o que propiciou a rápida redução da biodiversidade. Nas décadas de 1970 e 1980 muitos programas governamentais foram lançados com o propósito de estimular o desenvolvimento da região do cerrado. Este acelerado crescimento da fronteira agrícola originou desmatamentos, queimadas, uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos que resultou em 67% de áreas do cerrado a serem consideradas altamente modificadas com voçorocas, assoreamento e envenenamento dos ecossistemas.
Atualmente, a região contribui com mais de 70% da produção de carne bovina do País. É também um importante centro de produção de grãos (soja, feijão, milho e arroz). Como uma atividade secundária, grandes extensões de cerrado são ainda utilizadas na produção de polpa de celulose para a indústria de papel. Outra atividade recentemente implantada é o turismo. No entanto, as introduções dessas atividades reduziram o cerrado a cerca de apenas 20% de área do bioma em estado conservado. A necessidade urgente de se criar e manejar adequadamente novas unidades de conservação representativas do cerrado, é de enorme importância para a preservação da rica e variada biodiversidade deste bioma.
CAATINGA
Considerado como o único bioma exclusivamente brasileiro, está localizado na faixa sub-equatorial, entre a floresta amazônica e a floresta atlântica, compreendendo quase 10% da área total do território brasileiro, com aproximadamente 740.000 km2. Abrange os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia, sul e leste do Piauí e norte de Minas Gerais. Possui um clima semi-árido com temperaturas médias anuais entre 27ºC e 29ºC, e índices pluviométricos irregulares variando de 250 a 1000mm por ano, concentrando-se durante 3 a 5 meses. Na estação seca a temperatura do solo, que é raso, pedregoso e alcalino, pode chegar a 60ºC. A vegetação da caatinga é extremamente diversificada proporcionando a ocorrência de espécies adaptadas às condições do ambiente (solo e clima). As espécies arbóreas e arbustivas apresentam folhas pequenas ou modificadas em espinhos, outras, com raízes superficiais para absorver o máximo de águas pluviais. Foram registradas cerca de 932 espécies vegetais, sendo 380 endêmicas. Algumas das espécies nativas da caatinga são: barriguda, amburana, aroeira, umbu, baraúna, maniçoba, macambira, mandacaru e juazeiro.
A paisagem mais comum da caatinga é aquela apresentada durante a seca. As plantas apresentam um aspecto seco porém não estão mortas, apenas perdem as suas folhas para suportar a ausência de água. Suas folhas são caducas ou caducifólias, ou seja, caem na época da seca.
Os rios são intermitentes, correm apenas durante o período de chuvas, tendo seus cursos interrompidos durante a estação seca. O escoamento superficial é intenso, pois os solos são rasos e situados acima de lajedos cristalinos. Após as chuvas as plantas florescem e os animais se reproduzem, deixando descendentes que já possuem adaptações para suportar o longo período de seca seguinte. Mesmo durante a seca, a vida animal também é rica e diversificada. Espalhados pela caatinga existem regiões úmidas e de solo fértil chamadas de “brejos”.
Vive na caatinga as duas espécies de aves mais ameaçadas de extinção do país a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) e a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari).
Alguns animais típicos da caatinga são o sapo cururu, asa-branca, cotia, preá, veado catingueiro, tatu-peba, sagüi-do-nordeste e cachorro-do-mato.
O sertão nordestino é uma das regiões semi-áridas mais populosas do mundo. Os principais problemas que ameaçam o bioma são: não utilização de técnicas adequadas em sistemas de irrigação o que resultou na salinização de determinadas áreas e tornou a agricultura impraticável, a contaminação da água por agrotóxicos e o corte ilegal da vegetação nativa para a produção de lenha e carvão por parte de siderúrgicas e olarias.
Todos esses fatores têm contribuído na transformação de aproximadamente 40mil km2 da caatinga em áreas desérticas.
MATA ATLÂNTICA
Os primeiros estudos e registros sobre a Mata Atlântica mostram que esta floresta cobria boa parte do litoral brasileiro, estendendo-se tanto na região litorânea como nos planaltos e serras do interior. Até 1850 foram devastadas enormes áreas de mata em busca dos recursos naturais existentes, o primeiro a ser explorado foi o Pau Brasil (Caesalpinia echinata) que ocorria em toda a extensão da Floresta. Fatores como a mineração, os ciclos da cana-de-açúcar, do café, a pecuária, o processo desordenado de ocupação e a industrialização, contribuíram para a redução desse bioma.
Localizada sobre uma imensa cadeia de montanhas, ao longo da costa brasileira, seu substrato dominante compreende rochas cristalinas. As montanhas mais antigas foram formadas por atividades tectônicas enquanto que os seus morros arredondados foram formados por grandes blocos normalmente de rochas magmáticas.
O solo apresenta pH ácido, é pouco ventilado, sempre úmido, bastante raso e extremamente pobre, recebendo pouca luz devido à absorção dos raios solares pelo extrato arbóreo. O solo raso e encharcado é favorável ao desbarrancamento e à erosão.
Apresenta um alto índice pluviométrico chegando a valores entre 1800 a 3600mm por ano, devido a condensação da brisa oceânica carregada de vapor que é empurrada para as regiões continentais.
Nesse bioma a maioria dos rios é perene, possuindo rios de águas claras e rios de águas pretas. Os rios alimentados pela chuva são chamados “rios de água clara” que com maior intensidade, contribuem para a sua mudança de curso, resultando na erosão de suas margens externas e acúmulo de sedimento nas margens internas. Os rios de “água preta”, que possuem lentos cursos de água, drenam as planícies das restingas e mangues, recebendo grande quantidade de matéria-orgânica ainda em decomposição, o que lhes confere a coloração escuta. São rios que formam os estuários e, portanto, possuem relação com a água salgada, dependendo das condições da maré e da época do ano. A partir da mudança de curso, também podem ser formadas lagoas de água doce, brejos e lagunas de água salobra (próximas ao mar).
A fauna da Floresta Atlântica é uma das mais ricas em diversidade de espécies, estando entre as cinco regiões do mundo com maior número de espécies endêmicas. Apresenta uma das mais elevadas riquezas de aves do planeta. Com a possibilidade de existirem diversas espécies desconhecidas, os mamíferos são os componentes que mais sofreram com os vastos desmatamentos e a caça. Possui alto grau de endemismo devido ao processo de evolução das espécies, em área isolada das demais bacias hidrográficas brasileiras. Aves: 1020 espécies, 188 endêmicas, 104 ameaçadas de extinção. Mamíferos: 250 espécies, 55 endêmicas. Anfíbios: 370 espécies, 90 são endêmicas. Répteis: 150 espécies. Peixes: 350 espécies, 133 são endêmicas.
A vegetação presente nos ecossistemas da Mata Atlântica são formações florestais e não florestais, tais como: Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual, Manguezais, Restingas, Campos de Altitude, Brejos Interioranos, Encraves Florestais do Nordeste.
Atualmente, os principais fatores de degradação da Mata Atlântica são o crescimento urbano e o consumo desordenado de seus recursos naturais.  Este bioma possui uma grande importância social, econômica e ambiental para o país. Restam apenas 8% da cobertura original.
É necessário que sejam adotadas medidas eficientes para a conservação, recuperação e o efetivo incentivo do seu uso sustentável.
PANTANAL
Com uma área aproximada de 496.000Km2 somente 140.000 km2 são áreas de planície alagável. A planície do pantanal é considerada a maior área úmida contínua do mundo.
Formada por uma grande bacia sedimentar, sua altitude varia de 75 a 100m acima do nível do mar. Este bioma engloba os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e ainda uma pequena parte do território da Bolívia e Paraguai. A planície do pantanal se insere na chamada bacia hidrográfica do alto Paraguai, formada por tributários do Rio Paraguai provenientes das cabeceiras do Planalto Central do Brasil. Os principais rios existentes no Pantanal são: o Rio Paraguai, Prata, Cuiabá, Taquari, Miranda, Aquidauana, Pantanal do Rio Negro e Taboco.
O clima da região é o tropical semi-úmido, e o índice pluviométrico médio gira em torno de 1500mm por ano, onde as chuvas se concentram no período do verão. A temperatura média anual varia entre 17ºC e 23ºC, podendo atingir mínimas de 0ºC no inverno devido a massas polares que penetram pelos vales do sistema Paraná-Paraguai. As maiores temperaturas, acima de 40ºC, são registradas nos arredores da cidade de Cuiabá.
Estima-se que existam 650 espécies de aves, 260 de peixes e 50 de répteis. Além de servir de habitat para várias espécies raras e ameaçadas, a região tem uma alta taxa de produtividade, permitindo inclusive o desfrute comercial de algumas essências nativas. A fauna é bastante rica e diversificada, porém, há muitas espécies ameaçadas de extinção como a capivara, tamanduá-bandeira, veado-mateiro, onça pintada, entre outros. O Tuiuiú ou Jaburu (Jabiru mycteria), ave-símbolo do Pantanal, com as asas abertas ultrapassa os 2 metros de envergadura. O maior peixe do Pantanal é o jaú que pode atingir 1,5m de comprimento e pesar até 120Kg.
Estimativas recentes indicam que cerca 20% da cobertura vegetal original da região já foi modificada. Apesar de todos os impactos que a região tem sofrido, grande parte dela permanece ainda intacta ou pouco alterada, mantendo populações significativas de espécies raras e ameaçadas. Desenvolveu-se na região uma cultura bastante sintonizada com o seu meio, conseguindo unir exploração econômica à manutenção do patrimônio natural da região.
Esse quadro que vem sendo alterado, em função da pressão pela intensificação de sua produtividade econômica.
A vegetação do Pantanal é um mosaico de matas, cerradões, savanas, campos inundáveis de diversos tipos, brejos e lagoas.
A flora pantaneira tem alto potencial econômico como as pastagens nativas, plantas apícolas, comestíveis, taníferas e medicinais.
Margeando os rios encontram-se as matas-ciliares ou matas de galeria, que são formadas por vegetais de grande e médio porte, intercalados por arbustos e ricas em trepadeiras ou lianas. Entre as espécies vegetais mais comuns nessas matas estão o tucum, o jenipapo, o cambará e o pau-de-novato.
Em regiões mais baixas e úmidas, onde as gramíneas predominam, encontram-se os campos limpos, pastagens ideais para a criação do gado que lá convive em harmonia com muitas espécies de animais silvestres.
Em pequenas elevações, quando o solo é rico, encontram-se capões de mato formados por árvores de porte elevado, como aroeira, imbiruçu, angico e ipês.
Durante as chuvas, a maioria dos campos limpos é inundada, mas os capões permanecem secos.
A região tem atraído a atenção de diversas organizações conservacionistas em função da riqueza de sua vida silvestre, e do importante papel que exerce como reguladora do hidrológico de toda a bacia do rio da Prata.
A maioria das ameaças ao equilíbrio da região está associada a formas de manejo e uso da terra baseada em técnicas não sustentáveis como: Poluição de sistemas aquáticos, monocultura, queimadas e desmatamentos, turismo praticado fora dos padrões ambientalmente adequados, assoreamentos provocados pelo desmatamento de matas ciliares, contaminação de peixes por mercúrio, caça predatória de animais silvestres.
PAMPAS OU CAMPOS SULINOS
Este bioma abrange uma área de 210mil km2, que se estende pelo Rio Grande do Sul e ultrapassa as fronteiras com o Uruguai e Argentina.  Marcados pelo clima subtropical, apresentam temperaturas amenas e chuvas regulares durante todo o ano. No verão pode alcançar altas temperaturas chegando a 35ºC, enquanto que o inverno é marcado por geadas e neve em algumas regiões, podendo marcar temperaturas negativas. A precipitação anual está em torno de 1200mm, com chuvas concentradas nos meses de inverno. O clima é frio e úmido. A vegetação é predominantemente herbácea, com alturas que variam de 10 a 50cm. A paisagem é homogênea e plana, assemelhando-se, a um imenso tapete verde.
No litoral do Rio Grande do Sul, a paisagem já se apresenta diferenciada, com ambientes alagados e com vegetação formada por espécies como o junco, gravatás e aguapés. Nas encostas do planalto, ocorrem os chamados campos altos, área de transição com predomínio de araucárias, sendo mais conhecida como Mata dos Pinhais.
Agricultores e pecuaristas foram atraídos para a região devido ao seu solo fértil e condições naturais favoráveis, o que ocasionou uma desordenada expansão, gerando um acelerado desgaste do solo e iniciando um processo de desertificação em algumas áreas desse bioma. A conversão dos campos em outros tipos de uso vem transformando profundamente sua paisagem e colocando suas espécies sob ameaça de extinção. As queimadas ilegais, praticadas anualmente, estão entre os principais problemas que afetam os Campos Sulinos. A expansão dos plantios de soja tem descaracterizado intensamente a paisagem.
Possuem uma diversidade de mais de 515 espécies vegetais, tendo as árvores de maior porte como fornecedoras de madeira.
Já os terrenos planos das planícies e planaltos gaúchos e as coxilhas, são colonizados por espécies pioneiras campestres que formam uma vegetação tipo savana aberta.
É um dos ecossistemas mais ricos em relação à biodiversidade de espécies animais, contando com espécies endêmicas, raras, ameaçadas de extinção, espécies migratórias, cinegéticas e de interesse econômico.
As principais espécies ameaçadas de extinção são: Onça-pintada, jaguatirica, macaco mono-carvoeiro, macaco-prego, guariba, mico-leão-dourado, preguiça-de-coleira, caxinguelê.
Entre as aves destacam-se o jacu, o macuco, a jacutinga, o tiê-sangue, a araponga, o sanhaço, numerosos beija-flores, tucanos, saíras e gaturamos.
Entre os mamíferos, 39% também são endêmicos, o mesmo ocorrendo com a maioria das borboletas, dos répteis, dos anfíbios e das aves nativas.
Neste bioma sobrevivem mais de 20 espécies de primatas, a maior parte delas endêmicas.
ZONA COSTEIRA E MARINHA
A costa brasileira abriga um mosaico de ecossistemas de alta relevância ambiental.
Ao longo do litoral brasileiro podemos encontrar manguezais, restingas, dunas, praias, ilhas, costões rochosos, baías, brejos, falésias, estuários, recifes de corais e outros ambientes importantes do ponto de vista ecológico. Devido às diferenças climáticas e geológicas da costa brasileira encontraremos diferentes espécies de animais e vegetais em cada ambiente. Os manguezais, de expressiva ocorrência na zona costeira, cumprem funções essenciais na reprodução biótica da vida marinha.  A maior presença residual de Mata Atlântica está situada na zona costeira.
Iniciando na foz do rio Oiapoque e estendendo-se até o delta do rio Parnaíba, o litoral amazônico apresenta grande extensão de manguezais exuberantes, assim como matas de várzeas de marés, campos de dunas e praias, abrigando uma rica biodiversidade de espécies de crustáceos, peixes e aves. Começando na foz do rio Parnaíba e indo até o Recôncavo Baiano, o litoral nordestino é marcado pela presença de recifes calcíferos e areníticos, além de dunas que quando perdem a cobertura vegetal que as fixam, movem-se com a ação do vento. Ocorrem também manguezais, restingas e matas.
Nas águas do litoral nordestino vivem o peixe-boi marinho e a tartaruga marinha, ambos ameaçados de extinção. O litoral sudeste segue do Recôncavo Baiano até o Estado de São Paulo,sendo a área mais densamente povoada e industrializada do País. Tem como característica áreas de falésias, recifes e praias de areias monazíticas (mineral de cor marrom-escura). É denominada pela Serra do Mar e tem a costa muito recortada, com várias baías e pequenas enseadas, cujo ecossistema mais importante vem a ser a Mata de Restinga com espécies ameaçadas de extinção como o mico-leão-dourado e a preguiça-de-coleira.
O litoral sul começa no Estado do Paraná e termina no Rio Grande do Sul. Conta com muitas áreas de banhados e manguezais, cujos ecossistemas proporcionam a presença de diversas espécies de aves e mamíferos como capivaras, além de espécies como o ratão-do-banhado e de lontras que estão ameaçadas de extinção.
A densidade demográfica média da zona costeira brasileira fica em torno de 87hab/km2, sendo cinco vezes superior à média nacional que é de 17hab/ km2. Nota-se através da densidade demográfica que a formação territorial foi estruturada a partir da costa, tendo o litoral como centro difusor de frentes povoadoras. Metade da população brasileira reside numa faixa de até duzentos quilômetros do mar, e sua forma de vida impacta diretamente os ecossistemas litorâneos. Os espaços litorâneos possuem riquezas significativas de recursos naturais e ambientais. Com a intensidade que o processo de ocupação desordenado vem ocorrendo, todos os ecossistemas presentes na costa litorânea do Brasil estão sob ameaça. A zona costeira apresenta situações que necessitam tanto de ações preventivas como corretivas para o seu planejamento e gestão, a fim de atingir padrões de sustentabilidade para estes ecossistemas.
O Brasil apresenta uma das maiores extensões de manguezais do mundo: desde o Cabo Orange no Amapá até o município de Laguna em Santa Catarina. O manguezal ocupa uma superfície total de mais de 10.000 km², a grande maioria na Costa Norte. No passado, a extensão dos manguezais brasileiros era muito maior, porém a construção de portos, indústrias, loteamentos e rodovias costeiras fez com que sua destruição fosse acelerada. Os manguezais não são muito ricos em espécies mas destacam-se pela grande abundância das populações que neles vivem, por isso podem ser considerados um dos mais produtivos ambientes naturais do Brasil.
Somente três árvores constituem as florestas de mangue: o mangue vermelho (Rhizophora mangle), o mangue seriba (Avicennia sp.) e o mangue branco (Laguncularia racemosa). As árvores são acompanhadas por um pequeno número de outras plantas, tais como a samambaia do mangue, o hibisco e as gramíneas. Ricas comunidades de algas crescem sobre as raízes aéreas das árvores na faixa coberta pela maré.
Quanto à fauna, destacam-se várias espécies de caranguejos, formando enormes populações nos fundos lodosos. Nos troncos submersos, vários animais filtradores alimentam-se de partículas suspensas na água, a exemplo as ostras. A maioria dos caranguejos são ativos na maré baixa, enquanto os moluscos alimentam-se durante a maré alta. Muitos dos peixes que constituem o estoque pesqueiro das águas costeiras dependem das fontes alimentares do manguezal. Diversas espécies de aves comedoras de peixes e de invertebrados marinhos nidificam nas árvores do manguezal, alimentam-se na maré baixa.
Os manguezais fornecem uma rica alimentação protéica para a população litorânea. A pesca artesanal de peixes, camarões, caranguejos e moluscos é para os moradores do litoral, a principal fonte de subsistência.
De grande importância econômica e social, o manguezal foi sempre considerado um ambiente pouco atrativo e menosprezado. No passado, a presença do mangue estava intimamente associada à febre amarela e à malária. Embora estas enfermidades já tenham sido controladas, a atitude negativa em relação a este ecossistema perdura em expressões populares onde a palavra mangue, infelizmente, adquiriu o sentido de desordem, sujeira ou local suspeito. A destruição gratuita, a poluição doméstica e química das águas, derramamentos de petróleo e aterros mal planejados, são os grandes inimigos do manguezal.
Alerta
Indubitavelmente o Brasil é um dos países mais ricos, em se tratando de biodiversidade. Porém o acelerado crescimento da população humana, aliado a ocupação inadequada do solo através da agricultura e da pecuária tem ocasionado a destruição desta riqueza. Cabe a nós e ao poder publico buscar meios de se conservar esta biodiversidade encontrada nos biomas brasileiros. O uso sustentável dos recursos naturais é uma ótima alternativa, pois desta forma teremos estes recursos por um período bem maior de tempo, que servirá para nós, aqui no presente, bem como para nossos descendentes no futuro.
 
Fonte: Miguel Jeronymo Filho

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Corais e sua importância ao Meio Ambiente


O que são
Pequenos e frágeis animais marinhos do grupo dos cnidários que possuem esqueleto calcário (rígido) ou córneo (flexíveis). Durante muito tempo foram considerados plantas, por sua forma e hábito de viverem fixos no fundo do mar. No entanto, em estudos posteriores, observou-se que eles pertencem ao reino animal. Os cnidários incluem um grupo de organismos bem variados: águas-vivas, medusas, anêmonas do mar, octocorais, corais pétreos e corais de fogo. Esses organismos podem viver isoladamente ou, como a maioria, constituírem colônias que apresentam grande variedade de formas, cores e tamanhos.
Ambientes dominados por corais contribuem para o aumento da produtividade dos ecossistemas marinhos costeiros, pois realizam processos de produção de matéria orgânica e reciclagem de nutrientes que beneficiam não apenas a fauna local, mas também espécies transitórias que utilizam os corais para a reprodução, proteção ou alimentação.
Importância econômica
Esses ambientes são de extrema importância econômica, pois através da riqueza da fauna e da flora, são uma grande fonte de alimento para a pesca comercial e de subsistência. Possuem um grande potencial de compostos medicinais e industriais e oferecem oportunidades recreativas e educacionais que estimulam a indústria de turismo. Os ambientes de corais são, portanto, fonte de renda para populações que vivem nas áreas costeiras e que dependem diretamente de sua existência.
Condições ambientais
Os corais ocorrem em condições ambientais bem delimitadas: águas rasas e iluminadas com temperaturas entre 25 e 29ºC, salinidade próxima a 36 e baixo número de partículas em suspensão. Devido à sua estreita faixa de tolerância, pequenas mudanças na qualidade do ambiente podem afetar criticamente os processos biológicos das comunidades de corais. As maiores ameaças à vida dos corais estão divididas em dois grupos gerais: as causadas por agentes naturais e aquelas decorrentes da ação do Homem. Impactos naturais como efeitos de tempestades, epidemias de doenças em organismos recifais e aumentos maciços nas populações de predadores, geralmente não destroem os recifes quando isolados e pontuais no tempo e no espaço.
Os agentes mais comuns na degradação dos corais são o turismo e a recreação, a pesca predatória, a contaminação por poluentes tóxicos, o lançamento de esgoto "in natura", a produção de lixo e o uso do solo desordenado que gera uma grande carga de sedimento terrígeno no mar, sobretudo em decorrência do excesso de desmatamentos na zona litorânea.
As duas formas de reprodução dos corais
Existem duas formas de reprodução dos corais, a sexuada e a assexuada. Na reprodução sexuada, ocorre a fecundação do gameta masculino, espermatozóide, com o gameta feminino, ovócito, originando-se a plânula. Apesar da grande maioria dos corais serem hermafrodita, algumas colônias produzem gametas de apenas um sexo, que irão fecundar gametas de outras colônias. Na reprodução assexuada não a fertilização dos gametas, isso significa que cada novo indivíduo apresenta as mesmas características genéticas da colônia que o gerou, sendo que nesse caso os corais já são hermafroditos. O crescimento da colônia se dá por um tipo de reprodução assexuada, conhecida como brotamento, ou seja, as colônias crescem através de um processo de calcificação.
A importância dos corais para os outros seres marinhos
Uma das funções dos corais é servir de habitat para outros animais marinhos, como peixes e caranguejos, além de servirem de esconderijo para os mesmos, de seus predadores. Várias espécies de peixes e crustáceos com grande valor comercial tais como o Pargo, O Sirigado, a Lagosta e o Camarão, necessitam dos recifes de corais em várias fases de suas vidas, sendo eles ricos em espécie. Outra importante função dos corais é promover a separação do bicarbonato de cálcio presente na água marinha, com precipitação e formação do carbonato de cálcio, através de uma associação com algas verdes, que vivem no interior das células dos pólipos de corais, que se juntam e fazem fotossíntese, fornecem ao coral uma parte de seu alimento, e são de um modo geral a base de todo um ecossistema marinho.
No Brasil
Possui diversas espécies de corais que ocorrem unicamente em nosso país (espécies endêmicas) que são de grande importância biológica para o habitat marinho. Como ainda existem poucos estudos sobre corais, acredita-se que existam diversas espécies ainda desconhecidas. Até hoje, expedições de reconhecimento nos recifes da Bahia descobrem espécies desconhecidas pelos cientistas de todo o mundo ou que ainda não foram registradas em águas brasileiras.
Curiosidade
A princípio é bom lembrar que no estado do Ceará não existem importantes recifes de corais, No Brasil os recifes de corais estão distribuídos por aproximadamente três mil quilômetros da costa do estado do Maranhão ao sul da Bahia (Abrolhos), os quais representam as únicas formações de recifes do atlântico sul.
O maior recife de coral do mundo é A Grande Barreira de Recife Australiana. Lá tem uma paisagem exótica, o que faz ser um local turístico na Austrália. Por isso mesmo A Grande Barreira de Recife Australiana é um local muito ameaçado como todos os outros recifes de corais. 

Fonte: Projeto Ecorais

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Ameaça silenciosa aos polinizadores


Polinizadores como abelhas, borboletas, mariposas, besouros, aves e morcegos garantem a produção de um terço dos cultivos mundiais e a reprodução de plantas em ecossistemas inteiros, como as florestas tropicais. Sem polinizadores, a maioria das plantas nativas e das cultivadas que consumimos não sobreviveria. Entretanto, o número de polinizadores está declinando em todo o mundo e seu declínio implica em uma ameaça à manutenção da biodiversidade e à saúde e alimentação humana.
As principais causas desse declínio são o uso indiscriminado de pesticidas e herbicidas, a existência de espécies invasoras, a perda e fragmentação de ambientes naturais e a degradação ambiental (quando habitats perdem sua qualidade). Esses fatores reduzem tanto o número de espécies de plantas com flor, que são fontes de alimento para os polinizadores, quanto o número de locais disponíveis para reprodução, abrigo e migração dos polinizadores. Mas, há pouco, uma ameaça silenciosa começou a ser observada: as mudanças climáticas.
Em um estudo recente publicado na revista científica PLoS ONE mostramos que as mudanças climáticas deverão diminuir em muito os locais adequados para a sobrevivência de mariposas, um dos grupos de polinizadores mais diverso e importante para a manutenção dos ecossistemas naturais. Pior ainda, nem as Unidades de Conservação serão capazes de conter essa redução. Locais que satisfaziam as necessidades dos polinizadores começam a se tornar inabitáveis à medida que a temperatura aumenta ou varia muito, as chuvas tornam-se imprevisíveis e a vegetação muda.
Mude ou extinga-se
Na tentativa de acompanhar essas mudanças, as espécies podem fazer uma dessas três coisas: em primeiro lugar, elas podem migrar para outro local que tenha as condições adequadas para sua sobrevivência. Mas isso só é possível caso esse local exista e esteja dentro do alcance dos indivíduos. Porém, hoje, com o ambiente alterado, essa tarefa pode ser bem complicada. Imagine-se uma pequena borboleta, tendo que cruzar um "mar" de 10 km de plantação de soja ou cana-de-açúcar até encontrar abrigo em uma matinha ou floresta. Cansou? Pois é, eu também.
Além disso, elas podem se adaptar localmente. Isso é bem mais fácil de dizer do que fazer. A adaptação é um processo complexo que envolve desde a variabilidade genética encontrada na espécie até a mudança de seus padrões comportamentais. Há pesquisas sobre adaptação de espécies às mudanças climáticas, mas elas ainda são feitas para poucos organismos e os cientistas não conseguem extrapolar seus resultados para todas as espécies.
Finalmente, elas podem se extinguir. Ok, isso não é bem uma opção. Nenhuma espécie opta por desaparecer.
Tudo isso acontece com os polinizadores. O que a maioria das pessoas não entende é que a perda de polinizadores implica em uma perda econômica na agricultura, silvicultura e em um desequilíbrio na natureza.
Diversos estudos já mostraram a importância de se manter porções de habitat nativo dentro de propriedades particulares para garantir e inclusive aumentar a produção agrícola. Antes de tudo, o cumprimento da legislação ambiental sobre a proteção da vegetação nativa é uma questão de segurança alimentar (e hídrica), já que a maioria dos polinizadores, que garante e aumenta nossa produção de alimentos, vive em ambientes remanescentes como as reservas legais, áreas de proteção permanente e Unidades de Conservação.
Mas pelo menos dentro das Unidades de Conservação os polinizadores estão protegidos, certo? Errado.
Perigo maior na Mata Atlântica
Nossos estudos na Mata Atlântica mostram que em 2080, a maioria das Unidades de Conservação da Mata Atlântica não terá um clima adequado para mariposas, por exemplo. Cerca de 4% desses polinizadores (20 das 507 espécies estudadas) deverão ser extintos na Mata Atlântica e muitos deles só ocorrem nesse bioma. De fato, apenas algumas poucas UCs ao sul da Mata Atlântica, em locais altos e mais frios, serão capazes de manter condições ótimas para esses animais. Neste bioma a perda de polinizadores é particularmente crítica, uma vez que ele possui 8.000 espécies de plantas que só ocorrem ali e que 95% da produção de sementes por plantas depende dos polinizadores. Isso sem mencionar que o que resta da Mata Atlântica (só resta cerca de 11% deste bioma) provê água às cidades ao longo do litoral brasileiro e sustenta inúmeras comunidades rurais cuja subsistência depende da conservação dos recursos da floresta.
Mas nem tudo está perdido. Ecólogos e cientistas da conservação têm concentrado esforços para entender melhor como espécies respondem às mudanças climáticas. Esse entendimento pode guiar e antecipar a tomada de decisão para conservação de polinizadores. Melhor ainda, ele permite que mais informação biológica seja incluída em estudos que estimam perdas econômicas advindas da extinção de polinizadores, tanto em áreas cultivadas como em ambientes protegidos, como nos Parques Nacionais.
Em outro estudo recente, a ser publicado na revista Oikos, pesquisadores norte-americanos investigaram como borboletas escolhiam onde colocar seus ovos nas plantas em função da temperatura do ambiente. Por meio de observações feitas em campo, eles chegaram à conclusão de que as borboletas colocam seus ovos próximos ao chão quando estão em locais mais quentes, e na parte mais alta das plantas quando estão em locais mais frios, como no alto de montanhas. Ovos colocados a menos de 50 cm do chão são, em média, 3°C mais frios que aqueles colocados à 1metro do chão. Assim, as borboletas estudadas minimizam os efeitos do aquecimento local e interferem no local onde os ovos serão depositados por meio de uma alteração em seu comportamento. Isso nos dá pistas de que há espécies que poderão ser capazes de minimizar os efeitos de um aquecimento generalizado, pelo menos nos locais onde vivem.
Com tudo isso, espera-se que cientistas, ONGs, governo e atores locais reúnam-se e definam políticas públicas que visem à conservação de polinizadores dentro e fora de Unidades de Conservação. Isso já acontece no Brasil dentro da Iniciativa Brasileira de Polinizadores, uma ação que integra um projeto sobre conservação e uso sustentável de polinizadores liderado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Ajude também
Para quem quer se envolver com a questão, há inúmeras iniciativas para prevenir a extinção de polinizadores. Para o cidadão, essas iniciativas vão desde o cultivo de jardins nas cidades, com plantas nativas que atraem diferentes polinizadores como abelhas nativas, mariposas, borboletas e aves, até a construção de pequenos hotéis para insetos, passando pela participação em eventos sobre polinização. Você pode se inscrever do XI Curso Internacional de Polinização, que acontece de 8 a 20 de dezembro de 2014. Há também um livro publicado no ano passado com o qual você pode aprender mais sobre a importância da polinização e dos polinizadores para a nossa saúde e a dos ecossistemas.
Se você é um pesquisador ou estudante da área, pode contribuir bastante divulgando resultados de suas pesquisas para o público geral por meio das redes sociais, blogs e da imprensa. Se é um gestor de Unidade de Conservação pode identificar se polinizadores na área sob sua supervisão será impactada por mudanças climáticas e estimular ações de restauração da vegetação nativa, além de fomentar programas de educação ambiental voltados para comunidades locais e visitantes.
Se é um agente do governo, pode levantar a questão em fóruns apropriados e impulsionar a discussão e implementação de estratégias de ação nas instâncias competentes por meio de oficinas, reuniões e comissões.
Como você vê, há várias oportunidades de se envolver com o assunto e ajudar no problema. Vamos agir agora para que os polinizadores fiquem a salvo antes que seja tarde demais para eles e para nós mesmos. 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

LIXO - Inimigo invisível


O problema
Cada vez mais presente em nossas vidas e, ainda assim, muitas vezes invisível, o lixo é um dos maiores inimigos do mundo contemporâneo. É possível acabar com ele?
O ritual de colocar o lixo para fora de casa traz uma sensação irreal; a de que a nossa relação com aqueles resíduos termina ali, distante da intimidade dos nossos lares. Uma pesquisa do Ibope, há dois anos, apontava o tratamento e acúmulo de lixo como a quarta preocupação do brasileiro sobre o meio ambiente, atrás de desmatamento, poluição da água e aquecimento global. "Como na maior parte do Brasil existe coleta de lixo, ele parece ser objeto de um passe de mágica; você o coloca para fora de casa e alguém o leva", explica Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. "O problema vem de um impacto que não é perceptível", completa.
Como produzir menos lixo
Para Mattar, a falta de conhecimento sobre os impactos do lixo no meio ambiente ajuda nessa passividade. "Para as pessoas, uma vez que o lixo sai dos domicílios, alguém está cuidando dele. O suposto é que o problema está sendo resolvido. Mas o impacto da decomposição nos lixões, que gera enormes quantidades de chorume que entram pela terra e poluem lençóis freáticos, é algo que não é visto. É completamente invisível, opaco."
Em 2013, cada habitante do Brasil produziu em média pouco mais de 1 quilo de lixo ao dia. Esse número - que não considera, por exemplo, dejetos industriais - é parecido com a média de outros países, como Suécia e Estados Unidos. A diferença, entretanto, está no destino desse lixo.
Resolver a questão pode não ser simples, mas há alguns caminhos para isso. Afinal, a maior parte dos resíduos pode ser reaproveitada, especialmente na compostagem (para orgânicos), reciclagem e até na polêmica queima para geração de energia. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei aprovada em 2010 depois de mais de duas décadas de debate e impasse, é um marco nesse sentido.
Repensando o consumo - Analise se você precisa mesmo comprar um novo produto e avalie se pegá-lo emprestado de alguém ou alugá-lo não é viável e mais fácil - de repente você nem vai usá-lo muito: pense na durabilidade e qualidade: evite modismos, utilize até o fim da vida útil tudo o que você compra.
Aproveitando integralmente os alimentos - Muito do que vai para o lixo atualmente poderia facilmente ser usado em receitas variadas. O site da organização não governamental Banco de Alimentos, que atua no combate ao desperdício, tem várias recomendações de como aproveitar melhor a comida.
Reutilizando - O computador quebrou? É melhor arrumá-lo do que comprar outro novo. Acabou o sorvete? O pote pode virar embalagem para alimentos. Prefira consertar e dar novas utilidades às coisas do que enviá-las à reciclagem, que consome energia, ou ao aterro, onde podem contaminar o meio ambiente.
Avaliando o impacto negativo - Prefira produtos que tenham embalagens menores - 20% do lixo urbano gerado no Brasil vem daí. Use sacolas retornáveis todas as vezes que precisar ir ao mercado, pois isso reduz o consumo de sacolinhas plásticas descartáveis, que depois irão para o lixo.
Doando - Se algo ainda pode ser reaproveitado por outras pessoas e não tem mais utilidade para você, doe em vez de jogar no lixo. De roupas e aparelhos eletrônicos a sobras de alimento comprado em excesso, tente fazer o exercício de pensar em como aquilo pode ser útil para o próximo.
O destino do lixo
Anualmente o Brasil produz em torno de 62.730.096 toneladas de lixo urbano (IBGE 2012).
Central de Triagem para Reciclagem - Depois de recolhido separadamente pela coleta seletiva, o material reciclável segue para essas centrais - que podem ser mecanizadas ou de triagem manual. E, depois de segregado de acordo com a sua composição, cada tipo de material é vendido para empresas que reciclam materiais específicos - como plástico PET, papel branco e outros - para fazer novos produtos.
Lixões - Mesmo proibidos, eles continuam em atividade em mais da metade dos municípios brasileiros. E geram mais problemas do que soluções. O chorume, o líquido gerado pelo lixo, contamina o solo e pode chegar ao lençol freático, contaminando também a água: os gases da decomposição dos dejetos, como o metano, são liberados sem controle: a céu aberto, os detritos atraem animais e insetos.
Aterros controlados - Tomam alguns cuidados para diminuir o impacto ambiental dos resíduos ali depositados, mas apresentam pouca evolução em relação aos lixões. O chorume pode ser parcialmente captado, contaminando menos o solo e o lençol freático: parte do gás gerado na decomposição é queimado, mas sem controle: camadas de grama e/ou argila cobrem o lixo e controlam a concentração de animais e insetos.
Aterros sanitários - São construídos com controle dos gases gerados pelo lixo, além de evitarem a contaminação do solo e do lençol freático. A base é impermeabilizada com camadas que impedem o vazamento de chorume. Esse líquido vai para tratamento: os gases são eliminados por queima ou armazenados: a quantidade de lixo é calculada, e ele é disposto em camadas que vão sendo cobertas.
Como este problema já foi resolvido em outros lugares
"A culpa no crescimento de resíduos não é de quem lida com ele, e sim o resultado do consumo de todos", diz Anna-Carin Gripwall, diretora de comunicação da Avfall Sverige, associação que cuida da gestão de resíduos na Suécia. O país europeu virou referência na área ao reduzir para apenas 1% a quantidade de lixo que acaba em aterros sanitários. Ainda assim, é necessário fazer mais, acredita a porta-voz; "É preciso focar mais na redução, reutilização e reciclagem."
O projeto sueco começou nos anos 60 com uma campanha de conscientização quanto aos resíduos sólidos, destacando a importância da separação de recicláveis e a responsabilidade de cada um, conquistando assim a colaboração e a confiança do público. Esse esforço na educação ambiental é semelhante ao que foi aplicado no Japão no mesmo período - e que levou a cenas surpreendentes na Copa do Mundo no Brasil, quando torcedores japoneses se organizaram para recolher a sujeira das arquibancadas depois dos jogos.
Nos Estados Unidos, San Francisco é exemplo nessas ações. O programa Zero Waste tem um objetivo claro; não enviar material algum para aterros ou incineração, isso graças a uma série de ações que encaminham o resíduo sólido para a reciclagem e o orgânico para a compostagem, além de estimular a diminuição da produção de lixo em geral.
Para facilitar a coleta e o tratamento do lixo, a cidade criou um sistema que divide o lixo em três caçambas residenciais; recicláveis, material orgânico compostável e o que deve ser aterrado. E sim; além de separar o lixo, o consumidor paga um imposto específico, que varia entre R$ 58,50 e R$ 80,80, dependendo do tamanho das caçambas usadas. Ou seja, menos resíduo produzido equivale a menos dinheiro gasto.
Como resolver aqui no Brasil
Com a Política Nacional de Resíduos, as responsabilidades quanto ao lixo ficam bem mais claras. "Antes, os responsáveis pelo resíduo eram os municípios", explica Silvano Silvério da Costa, presidente da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana de São Paulo, que também já trabalhou no Ministério do Meio Ambiente. "Agora existe a chamada 'responsabilidade compartilhada'. Os fabricantes, indústria, importadores e comércio passaram a também ser responsáveis pelos resíduos gerados a partir de produtos que colocaram no mercado", completa.
"O grande desafio para fazer com que as pessoas se engajem na solução dos problemas é mostrar que elas de fato poderiam viver em uma sociedade muito melhor se todos se dedicassem, sem esperar que algo completamente abstrato, como 'o governo', fosse resolvê-los", afirma Helio Mattar. Para que o problema "invisível" do lixo brasileiro comece a ser solucionado, existem alguns caminhos possíveis.
Cada brasileiro produz em média 383 kilos de lixo por ano (IBGE 2012).
O conhecimento tem de ser espalhado
Fazer a população entender a necessidade de separar o lixo orgânico do reciclável já é um grande desafio, mas o que vai acontecer quando o Brasil chegar ao ponto de ter de separar orgânico, reciclável e rejeito (lixo que não pode ser reaproveitado, tendo de ser aterrado)?
Um exemplo brasileiro de sucesso com a educação sobre resíduos é o de Curitiba. Ações de conscientização entre 2005 e 2012, como a campanha SE-PA-RE, levaram a população a separar o material reciclável a ser coletado, gerando um aumento de 192% na reciclagem local. A Prefeitura também investe, desde o fim dos anos 80, em uma campanha chamada Câmbio Verde, na qual recicláveis são trocados por verduras, legumes e frutas.
Será preciso empenho de cada um
Por volta de 51% do lixo urbano é material orgânico, que acaba em aterros ou lixões. Se no campo de coleta seletiva de recicláveis é vista uma evolução constante, mesmo que lenta, os orgânicos ainda estão em segundo plano. O ideal é que eles sejam tratados em casa - e é nisso que alguns municípios começam a apostar.
Em São Paulo, que produz 6.300 mil toneladas diárias de resíduos orgânicos, a Prefeitura iniciou um programa de distribuição de composteiras caseiras, nas quais o cidadão pode transformar esse tipo de lixo em adubo. Dois mil desses equipamentos foram distribuídos, mas 10 mil pessoas se inscreveram no programa.
"Essa ação tem um prazo de 6 meses, é para entendermos o perfil do cidadão que adere a essa proposta de retenção do resíduo orgânico no domicílio, de forma que possamos ampliar isso para até 1 milhão de domicílios", conta Costa, que lembra que a cidade também tem uma iniciativa que pretende compostar os restos de alimentos das 880 feiras de rua na cidade.
Responsabilidade
Um ponto pouco debatido da Política Nacional de Resíduos Sólidos diz respeito a um incentivo direto à conscientização do valor gasto com a coleta e tratamento de lixo no Brasil; existe um prazo para que os municípios deixem claro que há um imposto dessa área. Cidades que têm essa "taxa do lixo" embutida em outros tributos, como IPTU, terão de separar essas cobranças. Isso tornará as responsabilidades sociais e financeiras de todos sobre esses serviços mais evidentes. São Paulo teve uma experiência conturbada com esse tipo de imposto durante a gestão de Marta Suplicy, mas especialistas acreditam que esse é o caminho correto.
O diretor-presidente do Instituto Akatu defende uma posição até mais incisiva na tentativa de conscientizar e determinar responsabilidades do cidadão. Para ele, a coleta de resíduos não deveria ser feita nas residências, mas sim a partir de pontos pré-determinados em cada bairro. Caberia a cada um levar o lixo até lá.
"Com isso se elimina uma parte grande do custo da coleta. Além de mais econômica, essa prática faria cada pessoa perceber mais o quanto de lixo ela realmente está gerando, porque terá de carregá-lo para cima e para baixo", afirma Mattar.
"Cada um de nós tem um papel, sim, de fazer escolhas mais conscientes para reduzir a pressão sobre os recursos naturais" - (Gustavo Lemos) 

Fonte: Paulo Terron

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Impacto de remédios na natureza


Nós, seres humanos, tomamos paracetamol para dor de cabeça, contraceptivos para evitar a gravidez e Prozac para a depressão.
Mas para onde vão os resíduos destas substâncias uma vez cumprida a sua função?
O corpo humano elimina muitos dos medicamentos que ingerimos através da urina. A urina vai para os esgotos e, depois de atravessar um sistema imperfeito de purificação, os resíduos desembocam nos rios que alimentam o planeta.
Embora as concentrações de drogas na água sejam baixas, as consequências destas para os ecossistemas não deixam de ser preocupantes: desde peixes machos que adquirem características femininas até aves selvagens que perdem a vontade de comer, além de populações inteiras de peixes e outros organismos aquáticos dizimadas.
Diversos estudos sobre o impacto da poluição farmacêutica sobre a vida selvagem apontam que o uso crescente de drogas projetadas para serem biologicamente ativas em baixas doses pode estar causando uma crise global da vida selvagem.
"As populações de muitas espécies que vivem em paisagens alteradas pelo homem estão encolhendo por razões que não podemos explicar completamente", disse a pesquisadora Kathryn Arnold, da Universidade de York, na Inglaterra.
"Acreditamos que é hora de explorar novas áreas, como a poluição farmacêutica."
Machos femininos
Para os seres humanos, no entanto, a presença de drogas em baixa concentração na água não é um problema: seria necessário tomar entre 10 milhões e 20 milhões de litros de água da torneira para ingerir medicação suficiente para, digamos, aliviar uma dor de cabeça.
No caso dos peixes, a história é outra.
O biólogo John Stumper, da universidade britânica de Brunel, foi um dos primeiros a estudar os peixes machos com características femininas descobertos na década de 90.
"A primeira coisa que descobrimos foi que havia muitos peixes nos rios que tinham proteína do sangue que é comumente conhecida como a gema. A síntese desta proteína no fígado é controlada pelo (hormônio) estrogênio", disse a Stumper à BBC.
Ele explica que mesmo os peixes machos - que não produzem quantidades significativas de estrogênio e, portanto, não têm gema - apresentavam uma alta concentração dessa proteína. "Especialmente aqueles que habitavam os rios perto de uma estação de tratamento ", notou Stumper.
"Uma vez que eram os machos que estavam se tornando mais femininos e não o contrário (fêmeas adotando características mais masculinas), achamos que a causa poderia ser o estrogênio."
Stumper estava certo: estudos posteriores confirmaram que essas mudanças estavam relacionadas à presença de resíduos de contraceptivos na água.
"Em nível molecular, os peixes são extremamente semelhantes a nós", disse o biólogo. Assim, quase todos os fármacos para seres humanos têm um efeito sobre os peixes.
Impactos
De acordo com um relatório da Agência Federal Ambiental da Alemanha, as drogas para os seres humanos que mais causam desequilíbrios ambientais são os hormônios, antibióticos, analgésicos, antidepressivos e drogas para combater o câncer.
Entre os medicamentos veterinários, o relatório destaca os hormônios, antibióticos e parasiticidas.
Assim como os hormônios sexuais sintéticos, os antidepressivos se dissolvem em gordura, não na água. Por isso, podem entrar na corrente sanguínea dos organismos expostos à água contaminada.
Um estudo de Kathryn Arnold que deve ser publicado no fim deste mês sugere que este fator está afetando o comportamento e a capacidade dos estorninhos, um tipo de pássaro, de se alimentar.
Arnold e colegas da Universidade de York analisaram como o Prozac impacta essas aves, que se alimentam de lagartas, vermes e moscas em áreas próximas a estações de tratamento de resíduos.
Estes organismos, por sua vez, se alimentam de alimentos encontrados na área - em geral, contendo altos níveis de fármacos, principalmente Prozac.
"No inverno, as aves tendem a consumir um bom café da manhã, beliscar ao longo do dia e comer bem antes de escurecer", disse a pesquisadora.
Sob o efeito do antidepressivo, elas não faziam isso: em vez de duas grandes refeições, elas comiam esporadicamente ao longo do dia e, no cômputo geral, comiam menos.
"Esse comportamento pode afetar o seu peso, os riscos que decidem correr ou não para obter alimentos e como se socializam", afirma a cientista.
"São variações pequenas e sutis mudanças que vão se somando e, no fim, podem comprometer a sobrevivência de uma espécie."
Uso excessivo
Se o problema tem origem na água de resíduos, talvez a solução passe por reduzir a presença de farmacêuticos que vai parar em rios e córregos.
Pode-se, por exemplo, desenvolver métodos mais eficientes de tratamento da água. Mas esta pode ser uma solução cara e gerar um gasto de energia muito elevado.
Ole Phal, professor da Universidade de Glasgow Caledonian, defende uma abordagem que inclua uma discussão sobre a produção e o uso de medicamentos.
"Estamos tomando (medicamentos) demais? Estamos utilizando-os corretamente? Existe alguma maneira de se desfazer deles que seja mais benéfica para o meio ambiente?", questiona Phal.
"Precisamos refletir sobre o nosso uso de drogas farmacêuticas." 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Como você pode ajudar o Meio Ambiente


A consciência ambiental e a conservação da natureza devem ser exercitadas não só pela sociedade, mas também por cada um de nós em nosso cotidiano. Ao fazer nossa parte em casa, no trabalho e mobilizando as pessoas que nos são próximas, estamos colaborando para um planeta mais saudável. Leia e repasse para amigos e familiares estas dicas simples de conservação. Ajude-nos neste esforço e contribua para a salvar a natureza no Brasil e no mundo!
Conheça os benefícios da coleta seletiva
Papel
•A cada 28 toneladas de papel reciclado evita-se o corte de 1 hectare de floresta (1 tonelada evita o corte de 30 ou mais árvores);
•A produção de uma tonelada de papel novo consome de 50 a 60 eucaliptos, 100 mil litros de água e 5 mil KW/h de energia. Já uma tonelada de papel reciclado consome 1.200 Kg de papel velho, 2 mil litros de água e 1.000 a 2.500 KW/h de energia;
•A produção de papel reciclado dispensa processos químicos e evita a poluição ambiental: reduz em 74% os poluentes liberados no ar e em 35% os despejados na água, além de poupar árvores;
•A reciclagem de uma tonelada de jornais evita a emissão de 2,5 toneladas de dióxido de carbono na atmosfera;
•O papel jornal produzido a partir das aparas requer 25% a 60% menos energia elétrica do que a necessária para obter papel da polpa da madeira.
Metais
•A reciclagem de 1 tonelada de aço economiza 1.140 Kg de minério de ferro, 155 Kg de carvão e 18 Kg de cal;
•Na reciclagem de 1 tonelada de alumínio economiza-se 95% de energia (são 17.600 kw/h para fabricar alumínio a partir de matéria-prima virgem, contra 750 kw/h a partir de alumínio reciclado) e 5 toneladas de bauxita, além de evitar a poluição causada pelo processo convencional, reduzindo 85% da poluição do ar e 76% do consumo de água;
•Uma tonelada de latinhas de alumínio, quando recicladas, economiza 200 metros cúbicos de aterros sanitários;
•Vale lembrar que 96% das latas no Brasil são recicladas, superando os índices de países como o Japão, Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal. Entretanto, este número pode chegar próximo a 100% dependendo de suas atitudes!
Vidro
•O vidro é 100% reciclável, portanto não é lixo: 1 kg de vidro reciclado produz 1 kg de vidro novo;
•As propriedades do vidro se mantêm mesmo depois de sucessivos processos de reciclagem, ao contrário do papel, que vai perdendo qualidade ao longo de algumas reciclagens;
•O vidro não se degrada facilmente, então não deve ser despejado no solo;
•O vidro, em seu processo de reciclagem, requer menos temperatura para ser fundido, economizando aproximadamente 70% de energia e permitindo maior durabilidade dos fornos;
•Uma tonelada de vidro reciclado evita a extração de 1,3 toneladas de areia, economiza 22% no consumo de barrilha (material importado) e 50% no consumo de água.
Plásticos
•Todos os plásticos são derivados do petróleo, um recurso natural não renovável e altamente poluente;
•A reciclagem do plástico economiza até 90% de energia e gera mão de obra pela implantação de pequenas e médias indústrias;
•100 toneladas de plástico reciclado evitam a extração de 1 tonelada de petróleo.
Cuide dos recursos hídricos
•Conserte torneiras que estiverem pingando. Isso poderá evitar o desperdício de até 45 litros de água por dia.
•Instale torneiras com aerador - "peneirinhas" ou "telinhas" - na saída da água. Assim você acaba utilizando menos água.
•Evite utilizar a mangueira para limpar jardins, calçadas, passeios e quintais. Use uma vassoura para executar essa tarefa. É mais rápido e não gasta água.
•Utilize um regador para molhar as plantas. Quando a mangueira é utilizada para este fim, muita água é desperdiçada.
•Substitua a mangueira por um balde e um pano para lavar seu veículo. O consumo de água será muito menor.
•Desligue a mangueira quando não estiver sendo usada. Isso evita o desperdício de água.
•Feche a torneira enquanto ensaboa as mãos, escova os dentes ou faz a barba. Não desperdice água.
•Colete água da chuva para regar suas plantas. Assim você não gasta água encanada. Mas lembre-se de armazená-la em um recipiente fechado para evitar a proliferação do mosquito da dengue.
•Lave a louça em uma bacia com água e sabão e abra a torneira só para enxaguar. É mais barato e melhor para o meio ambiente.
•Conserte vazamentos nos canos em sua casa assim que detectá-los. Sua conta de água diminuirá e o meio ambiente agradecerá.
•Junte as roupas para lavar e passar. Desta maneira, você gasta menos água e menos energia elétrica.
Economize água na sua casa
Vazamentos
Esta é uma das principais fontes de desperdício de água na residência. Eles podem ser evidentes (como uma torneira pingando) ou escondidos (no caso de canos furados ou de vaso sanitário). Uma torneira mal fechada pode desperdiçar 46 litros de água em um dia. Com uma abertura de 1 mililitro, o fiozinho de água escorrendo será responsável pela perda de 2068 litros de água em 24 horas.
No caso de vazamentos em vasos sanitários, verifique se há água escorrendo. Para isso, jogue cinzas, talco ou outro pó fino no fundo da privada e observe por alguns minutos. Se houver movimentação do pó ou se ela sumir, há vazamento. Outra forma de detectar um vazamento é através do hidrômetro (ou relógio de água) da casa. Para tanto, siga os seguintes passos:
•Feche todas as torneiras e desligue os aparelhos que usam água na casa (só não feche os registros na parede, que alimentam as saídas de água).
•Anote o número indicado no hidrômetro e confira depois de algumas horas para ver se houve alteração ou observe o círculo existente no meio do medidor (meia-lua, gravatinha, circunferência dentada) para ver se continua girando.
•Se houver alteração nos números ou movimento do medidor, há vazamento.
•Caso seja viável, instale redutores de vazão em torneiras e chuveiro.
Banho
Ao ensaboar-se, feche as torneiras. Não deixe a torneira aberta enquanto ensaboa as mãos, escova os dentes ou faz a barba. Evite banhos demorados. Reduzindo 1 minuto do seu banho você pode economizar de 3 a 6 litros de água. Imagine numa cidade onde vivem aproximadamente 2 milhões de habitantes. Poderíamos ter uma economia de, no mínimo, 6 milhões de litros.
Vaso sanitário
Quando construir ou reformar, dê preferência às caixas de descarga no lugar das válvulas; ou utilize aquelas de volume reduzido. Não deixe a descarga do banheiro disparar (no caso de acionados por válvulas).
Torneiras
Instale torneiras com aerador ("peneirinhas" ou "telinhas" na saída da água). Ele dá a sensação de maior vazão, mas, na verdade, faz exatamente o contrário.
Louça
Lave as louças em uma bacia com água e sabão e abra a torneira só para enxaguar. Use uma bacia ou a própria cuba da pia para deixar os pratos e talheres de molho por alguns minutos antes da lavagem, pois isto ajuda a soltar a sujeira. Utilize água corrente somente para enxaguar.
Verduras
Para lavar verduras use também uma bacia para deixá-las de molho (pode ser inclusive com algumas gotas de vinagre), passando-as depois por um pouco de água corrente para terminar de limpá-las.
Roupa
Lave de uma vez toda a roupa acumulada. Deixar as roupas de molho por algum tempo antes de lavar também ajuda. Ao esfregar a roupa com sabão use um balde com água, que pode ser a mesma usada para manter a roupa de molho. Enquanto isso, mantenha a torneira do tanque fechada. Enxague também utilizando o balde e não água corrente. Se você tiver máquina de lavar, use-a sempre com a carga máxima e tome cuidado com o excesso de sabão para evitar um número maior de enxágues. Caso opte por comprar uma lavadora, prefira as de abertura frontal que gastam menos água que as de abertura superior.
Jardins e plantas
Regar jardins e plantas durante 10 minutos significa um gasto de 186 litros. Você pode economizar 96 litros se tomar estes cuidados:
•Regue o jardim durante o verão pela manhã ou à noite, o que reduz a perda por evaporação;
•Durante o inverno, regue o jardim em dias alternados e prefira o período da manhã;
•Use uma mangueira com esguicho tipo revólver;
•Cultive plantas que necessitam de pouca água (bromélias, cactos, pinheiros, violetas);
•Molhe a base das plantas, não as folhas;
•Utilize cobertura morta (folhas, palha) sobre a terra de canteiros e jardins. Isso diminui a perda de água;
Água da chuva
Aproveite sempre que possível a água de chuva. Você pode armazená-la em recipientes colocados na saída das calhas ou na beirada do telhado e depois usá-la para regar as plantas. Só não se esqueça de deixá-los tampados depois para que não se tornem focos de mosquito da dengue!
Carro
Substitua a mangueira por um balde com pano para retirar a sujeira do veículo. Lavar o carro com a torneira aberta é uma das piores e mais comuns maneiras de desperdiçar água.
Calçada
Evite lavar a calçada. Limpe-a com uma vassoura, ou lave-a com a água já usada na lavagem das roupas. Utilize o resto da água com sabão para lavar o seu quintal. Depois, se quiser, jogue um pouco de água no chão, somente para "baixar a poeira". Para isto você pode usar aquela água que sobrou do tanque ou máquina de lavar roupas.
Mobilize seus amigos e vizinhos
Se você mora em apartamento, estimule seus vizinhos a economizar água e cobre vistorias do condomínio. Assim você gasta menos e ainda ajuda ao meio ambiente.
Energia
•Desligue as luzes dos ambientes vazios, evite o desperdício de energia.
•Procure utilizar a luz natural nos ambientes. Você economiza energia elétrica e torna o local mais agradável.
•Desligue todos os equipamentos que não estiverem em uso e evite o desperdício de energia.
•Troque as lâmpadas convencionais de sua casa por lâmpadas eficientes. Elas consomem até 75% menos e duram até dez vezes mais. Você verá a diferença já na próxima conta de luz.
•Retire os eletroeletrônicos como TV, som e micro ondas da tomada sempre que possível. As luzinhas vermelhas ou relógios digitais que indicam que o aparelho está em stand by, gastam bastante energia.
•Ligue o ar condicionado somente quando necessário. Se for usar o aparelho, programe-o para 25º C, uma temperatura agradável. Assim, você gasta menos energia e poupa o seu bolso e o meio ambiente.
•Verifique sempre se os filtros do aparelho de ar condicionados estão limpos. Faz bem à sua saúde, o aparelho trabalha de forma mais eficiente e economiza energia elétrica.
•Evite tomar banho entre 18h e 20h30 se utilizar chuveiro elétrico. Neste horário, 18% de toda a energia elétrica gerada no país é utilizada pelos chuveiros elétricos. Esse hábito torna necessária a construção de mais usinas elétricas.
•Evite utilizar o chuveiro elétrico na opção inverno, pois o consumo de energia é muito maior.
•Quando comprar eletrodomésticos, prefira aparelhos com o selo Procel. Isso indica que o aparelho consome menos energia.
•Troque a borracha da geladeira sempre que preciso. É uma medida que conserva seu eletrodoméstico e evita o desperdício de energia elétrica.
•Evite colocar alimentos quentes na geladeira, quando isso acontece, o refrigerador gasta mais energia elétrica.
•Tome banhos rápidos. Você economiza água e energia.
•Desligue o chuveiro ao se ensaboar e passar xampu. Ajuda a economizar água e energia.
•Procure utilizar as escadas em vez do elevador. Você economiza energia e gasta calorias.
•Retire o carregador de celular da parede quando não usado. Ele continua consumindo energia só por estar ligado na tomada.
•Dê preferência sempre à energia solar, que é limpa e eficiente, para aquecer a água de casa. A economia que você terá em sua conta de luz cobre o custo da instalação do equipamento em até três anos.
Consumo responsável
•Dê preferência a produtos de madeira com o selo FSC. Esta é a garantia de que a madeira foi retirada corretamente. O desmatamento é o principal responsável por nossas emissões de gases causadores do efeito estufa. Ao comprarmos produtos sustentáveis, diminuem os incentivos para desmatar a floresta.
•Consuma alimentos da estação e dê preferência aos orgânicos, que não utilizam agrotóxicos. Assim você cuida da sua saúde e do meio ambiente.
•Evite pegar sacolas plásticas desnecessariamente. Carregue uma sacola ou uma mochila com você quando for fazer compras. Assim estará gerando menos lixo.
•Dê preferência a produtos com pouca embalagem ou embalagem econômica que geram menos lixo.
•Procure comprar produtos fabricados perto de onde são vendidos. Desta maneira, os produtos não precisam ser transportados por longas distâncias e, consequentemente, não há emissões desnecessárias de gases causadores do aquecimento global.
•Use pilhas recarregáveis, Assim, você evita poluir o meio ambiente e gasta menos.
•Descarte as pilhas em locais apropriados de coleta e não no lixo comum.
•Leve as baterias usadas de celulares para as revendedoras. Elas não devem ser jogadas no lixo comum, pois contêm metais pesados altamente tóxicos para a saúde humana e o meio ambiente.
•Evite substituir seu aparelho celular desnecessariamente Além de gastar dinheiro, você estará contribuindo para uma maior poluição do planeta.
•Evite comprar o que você não precisa para não gerar mais lixo. Para facilitar, faça uma lista prévia. Além de economia, terá menos lixo.
•Procure melhorar seu computador ao invés de comprar um novo. Anualmente, mais de 20 milhões de toneladas de lixo eletrônico são descartados. A maioria ainda não é reciclada.
•Prefira comprar em lojas que adotem práticas sócio ambientais corretas.
•Use tintas a base de água para pintar sua casa. Elas são menos tóxicas e menos poluentes.
•Dê preferência a guardanapos e toalhas de pano ao invés de descartáveis.
•Use os dois lados da folha de papel.
•Imprima e-mails e documentos somente quando necessário.
•Não pegue panfletos entregues na rua a não ser que esteja interessado nas informações. Se pegar, não jogue na rua depois de tê-lo lido.
•Utilize calculadoras e lanternas que possam funcionar com energia solar ou dínamo. Desta maneira não é necessário usar pilhas.
Reutilização e reciclagem
Dicas gerais
•Seja solidário: doe roupas, sapatos e aparelhos que não usa mais. Eles podem ser úteis para outras pessoas.
•Conserte os eletroeletrônicos sempre que possível para evitar comprar novos e gerar mais lixo.
•Procure comprar produtos que permitam a reutilização das embalagens com refil.
•Dê preferência a produtos fabricados com materiais reciclados. Desta maneira, você estará reduzindo o uso da matéria-prima, gastando menos energia e ajudando o planeta.
•Guarde o lixo com você até encontrar um local adequado caso estiver na rua.
•Separe o lixo e mande-o para a reciclagem. Separando o lixo, você estará gerando emprego para catadores e dando oportunidade a reciclagem de materiais.
•Utilize talheres, copos e pratos de louça. Os descartáveis geram lixo e demoram a se decompor.
•Tenha em casa uma pequena composteira com restos orgânicos como cascas de frutas, legumes e folhas. Ela produz adubo natural para o seu jardim e de seus vizinhos.
Transportes
•Prefira o transporte público. Além de ser menos poluente, você evitará parte do estresse do dia-a-dia.
•Pegue carona com seus amigos e dê carona quando possível, assim você joga menos gases poluentes na atmosfera.
•Opte pela bicicleta ou caminhe sempre que possível. Você evita o desperdício de energia e ainda queima calorias!
•Faça revisões regulares do seu carro. Quando o carro está bem regulado, ele joga menos gases poluentes na atmosfera e ainda fica mais econômico.
•Mantenha os pneus do carro bem calibrados, pois diminui o consumo de combustível e isso ajuda a poluir menos o meio ambiente.
•Prefira veículos Flex quando comprar um carro novo. O álcool polui menos o meio ambiente e é melhor para o clima do planeta que a gasolina.
•Quando parar por mais de dois minutos, desligue o motor do seu carro e evite jogar gases poluentes no ar.
•Utilize o ônibus ao fazer viagens curtas, a trabalho ou turismo. Ele emite menos gases poluentes que o avião.