Avaliação considera águas de rios no Brasil como ruim ou péssima
Um levantamento feito pela
Fundação SOS Mata Atlântica revelou que a qualidade da água de rios, córregos e
lagos do Brasil foi classificada como ruim ou péssima em 36,3% dos pontos de
coleta avaliados. A classificação foi regular em 59,2% das amostras e boa em
apenas 4,5% delas.
O estudo analisou amostras de
água coletadas em 289 pontos de 183 rios, córregos e lagos distribuídos em 76
municípios de 11 estados brasileiros. As coletas foram feitas entre março de
2015 e fevereiro de 2016.
Segundo Malu Ribeiro,
coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, os dados indicam
uma tendência de piora na qualidade da água na média nacional e em grandes
centros urbanos como a cidade de São Paulo.
Um comparativo feito pela
fundação levando em conta 125 pontos avaliados tanto no intervalo de 2014-2015
quanto no de 2015-2016 mostram que a porcentagem de locais com água de boa
qualidade se manteve estável, a de locais com água de qualidade regular
diminuiu e a de locais com água de qualidade ruim ou péssima aumentou.
São Paulo – De acordo com o levantamento, a cidade de São
Paulo perdeu os dois únicos pontos que tinham água de boa qualidade até 2015:
uma área de manancial da Represa Billings no Parque dos Búfalos e uma área das
Represas Billings e Guarapiranga em Parelheiros. Levando em conta 56 pontos que
foram analisados tanto no intervalo de 2014-2015 quanto no de 2015-2016, a
porcentagem de amostras de água ruins ou péssimas passou de 48,2% para 57,2%.
Malu observa que o longo período
de estiagem seguido por um período de chuvas teve impacto na qualidade das
águas de São Paulo. “Houve um impacto porque a quantidade de sujeira, de
poluição difusa carreada pelos rios foi muito grande depois de um longo período
de seca. Houve casos em que se perdeu dois ou três indicadores: o rio era bom e
caiu para regular, no limite para ruim.”
Outro fator que colaborou com a
piora dos índices da cidade foi a mudança do uso do solo, com novas ocupações
regulares e irregulares sobre áreas de mananciais.
Por outro lado, houve regiões no
estado de São Paulo que apresentaram melhora na qualidade da água, como a
região do Médio Tietê. “Neste trecho de Salto até Barra Bonita, houve uma
melhora nos indicadores de qualidade de água em comparação com o período de
2014-2015″, diz Malu. Se o período anterior foi marcado pela mortandade de
peixes e transferência de lama e lodo da região metropolitana para o interior,
hoje o rio está cheio de peixes.
Levando em conta todo o estado,
41,5% dos pontos analisados foram classificados como ruins ou péssimos, o que
significa que não há condições para uso múltiplo, que inclui abastecimento
humano, lazer, pesca, produção de alimentos, entre outras funções. Outros 52,4%
apresentaram índices regulares e só 6,1% apresentaram qualidade de água boa.
Rio de Janeiro – Outra região que apresentou melhora da qualidade
das águas foi a cidade do Rio de Janeiro. O comparativo entre 2014-2015 com
2015-2016, que levou em conta 15 pontos analisados nos dois períodos, constatou
uma diminuição de 66,7% para 40% dos pontos com água de qualidade ruim e um
aumento de 33,3% para 60% dos pontos com água de qualidade regular.
Segundo o relatório, áreas
preservadas de Mata Atlântica, como a Floresta da Tijuca, contribuem para o
resultado.
Já o estado do Rio de Janeiro não
teve nenhum ponto com qualidade de água boa e 73,3% dos pontos do estado foram
classificados como regulares.
Água não é vista como prioridade – Para Malu, os resultados mostram que as cidades
têm falhado no enfrentamento das mudanças climáticas. “Essa mudança extrema de
clima nas áreas urbanas trouxe um impacto muito mais rápido, fato que não
acontece nas áreas que tem vegetação”, diz.
“Dentro da questão do clima, a
água não é tratada como prioridade. Porém é o elemento da natureza que mais
enfrenta os impactos do clima. É preciso rever essas políticas, já que as metas
do Brasil para conter o desmatamento, minimizar impactos e universalizar o
saneamento estão muito aquém da necessidade para se chegar à sustentabilidade.”
Fonte: G1



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