domingo, 9 de dezembro de 2012

Ensinar e Aprender com a Educação Ambiental


A crescente preocupação em relacionar a educação com a vida do educando não é novidade. Ela é discutida especialmente desde a década de 60 no Brasil. Porém, a partir da década de 70, com o crescimento dos movimentos ambientalistas, passou-se a adotar a expressão Educação Ambiental para qualificar iniciativas de universidades, escolas, instituições governamentais e não governamentais pelas quais se busca conscientizar setores da sociedade para as questões ambientais. Um importante passo foi dado com a Constituição de 1988, quando a Educação Ambiental se tornou exigência constitucional a ser garantida pelos governos federal, estaduais e municipais.
”A principal função do trabalho com o tema Meio Ambiente em sala de aula é contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos para decidirem e atuarem na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global”.
Os conteúdos de Meio Ambiente são integrados ao currículo através da transversalidade, pois são tratados nas diversas áreas do conhecimento, de modo a impregnar toda a prática educativa e, ao mesmo tempo, criar uma visão global e abrangente da questão ambiental. As áreas de Ciências Naturais, História e Geografia são as principais parceiras para o desenvolvimento dos conteúdos relacionados, pela própria natureza dos seus objetos de estudo. As áreas de Língua Portuguesa, Matemática, Educação Física e Arte ganham importância fundamental por constituírem instrumentos básicos para que o educando possa conduzir o seu processo de construção do conhecimento sobre meio ambiente.
Realidade Atual
Vamos salvar a ecologia? Salve o verde! Respeite a Natureza.
Frases como estas, ouvimos todos os dias, principalmente nos meios de comunicação de massa. São expressões, no entanto, que na maioria das vezes, vêm nos indicar o modismo com que são tratadas as questões relacionadas ao meio ambiente.
Ecologia tornou-se moda. Mas será que Ecologia ou meio ambiente dizem respeito somente à natureza?
Nós, como professores, devemos explicar apenas como funcionam os ciclos naturais e incentivar nossos alunos a respeitarem a natureza, ou ensinar a fotossíntese e comemorar o Dia da Árvore?
Atualmente, com certeza, descobrimos que isto não nos basta. Sim, precisamos ir além no trabalho de educação escolar.
A preocupação com a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida tornou-se algo cotidiano e a Educação Ambiental se apresenta como um campo de estudos preocupados com a formação de pessoas conscientes do planeta em que vivem.
Quando trabalhos a Educação Ambiental, não significa que devemos apenas falar sobre meio ambiente, mas sim, abordar as complexas relações de interdependência entre os diversos elementos da natureza da qual fazemos parte e somos capazes de conhecer e transforma assim como, também, é preciso entender que nós não nos relacionamos com a natureza apenas como indivíduos, mas principalmente por meio do trabalho e de outras práticas sociais e que, portanto, as relações de todos nós com ela têm dimensões econômicas, políticas e éticas.
Desta forma, atualmente, quando nos dispomos a discutir temas do meio ambiente, significa que precisamos tratar de questões complexas como, por exemplo, indústria, miséria, desenvolvimento e saneamento básico.
Sabemos que, ao longo da caminhada do ser humano, em sua história, filósofos, cientistas, artistas, religiosos e o próprio povo, têm expressado sua admiração pela natureza que os rodeiam e uma crescente preocupação em protegê-la. Além disso, podemos observar atualmente que o agrupamento de uma série de questões relacionadas com as diversas formas de degradação do meio ambiente vêm despertando e motivando boas parcelas da população a um estado de alerta, no que diz respeito à problemática ambiental.
Falar em preservação, conservação do meio ambiente e melhoria da qualidade de vida tornou-se algo corriqueiro. É uma preocupação que está na ordem do dia segundo a sua importância.
Isso significa que, de uma forma ou de outra, as pessoas têm ouvido falar sobre questões de degradação e conservação ambiental. Algumas criticam tais questões, outras nelas acreditam, e outras ainda, nem se dignam a ouvir.
Mas, ao nosso redor, há provas de que a degradação da natureza, deterioração do meio ambiente e, consequentemente, a queda da qualidade de vida da população não podem mais ser tratadas com indiferença, tanto pela sociedade como pelos governantes e pela própria escola.
Nas últimas décadas, por exemplo, devido ao processo agroindustrial acelerado e descontrolado, centenas de rios foram contaminados pelo lixo e esgoto neles despejados e pelo despreparo da população e das instituições como um todo, rios estes que são fontes de abastecimento para várias cidades do país. Além desse fato, podemos flagrar dezenas de outros, que aparecem diariamente diante de nossos olhos, como a matança ilegal de animais, os desmatamentos, as queimadas, e outros fatos que acabam atingindo nossa própria qualidade de vida.
 Tais atividades predatórias, presentes em nossa história desde o \"descobrimento\" do Brasil, não vêm atingindo apenas a natureza, elas chegam a refletir, principalmente, nos centros urbanos. Neles, a falta de saneamento básico, a ocupação irregular do solo, além da poluição afetam diretamente a qualidade de vida de homem, mulheres e crianças, causando, por exemplo, diversos tipos de doenças e surtos epidêmicos. Desde o seu \"descobrimento\", em 22 de abril de 1500, pode se afirmar que se iniciou um largo processo de deterioração e exploração da natureza. No referido ano, em 1º de maio, para realizar a 2ª missa, foi feita uma cruz gigante de madeira e aberta uma clareira na floresta, marcando assim o início de devastação da natureza e aculturação indígena. Claro está que a grande maioria de nossos problemas ambientais apresenta sua raízes ligadas a fatores sócio econômicos, políticos e culturais, e tais problemas não podem, e nem devem ser previstos, e até resolvidos, apenas por meios tecnológicos. Ao abordarmos tais problemas, também sob o aspecto apenas ecológico que é uma confusão que ainda permeia muitos estudos brasileiros verificamos um profundo desconhecimento e uma visão simplista da realidade que nos cerca e que precisamos, com urgência, modificar.
Assim, diante de tais colocações, frisamos a emergência e a importância da Educação Ambiental nos dias de hoje, pois ela não se limita a ensinar apenas os mecanismos de equilíbrio da natureza. Ensinar Educação Ambiental é ir além. Além do amor à natureza e do conhecimento de seus mecanismos, é preciso aprender a fazer valer nossos ideais com relação aos destinos da sociedade em que vivemos e do planeta em que habitamos.
Em nossa sociedade, parte desses ideais estão relacionados à escola, a quem atribuímos a função de desenvolver certos conhecimentos considerados básicos, como, leitura, matemática, conceitos de ciências, entre outros. Tais conhecimentos são considerados fundamentais sobretudo para que as pessoas possam exercer a sua cidadania, ou seja, participar das decisões sobre os destinos de seu país, exigir seus direitos e cumprir seus deveres.
Nesse conjunto, as questões do meio ambiente, vistas do prisma meio ambiente, posso destacar a escola como um espaço importante e favorável para o desenvolvimento da Educação Ambiental.
 
Fonte: Rosimeire Maria Orlando Zeppone

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