Finanças Sustentaveis


Instituições financeiras costumam liderar as listas de empresas com menor emissão direta de gases de efeito estufa (GEE). De fato, bancos, empresas de investimento e seguradoras – atividades centrais do sistema financeiro – não apresentam problemas importantes nas emissões de suas operações internas. O ponto, entretanto, é que a contribuição do setor de finanças para o aquecimento global e padrões socioambientalmente insustentáveis nas atividades econômicas ocorre fundamentalmente por meio dos produtos que comercializam.
Ao longo da última década, a pressão de organizações da sociedade civil no mundo como a rede Bank Track, levou bancos, governos e instituições multilaterais a adotar procedimentos para evitar a concessão de crédito a projetos com elevado risco socioambiental. Também ganha terreno o lançamento de índices e produtos financeiros lastreados em ações e papéis de empresas com boa avaliação socioambiental, tais como o pioneiro Índice de Sustentabilidade Dow Jones (DJSI) na Bolsa de Nova York, em 1999, e o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), na BM&FBovespa, em São Paulo, em 2005.
Os documentos que guiam esse lento movimento de mudança na costumeira visão de curto prazo do setor financeiro são no plano internacional: a Declaração de Collevechio e os Princípios do Equador, assinados em 2003; os Princípios para o Investimento Responsável, adotados em 2006, no plano internacional; e o Protocolo Verde, com versões publicadas em 1995, 2008 e 2009. A primeira versão do Protocolo Verde foi assinada em novembro de 1995 pelos cinco bancos públicos federais – Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (CEF), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Nordeste (BNB) e Banco da Amazônia (Basa). Ela foi revisada em agosto de 2008 e ganhou uma versão específica para os bancos privados em abril de 2009.
Além da criação de linhas de crédito socioambiental para induzir boas práticas e incentivar projetos de eficiência energética e energia renovável, edifícios verdes, processos de produção limpa e produtos certificados, os bancos estão expandindo o microcrédito, inspirados em experiências como a do Grameen Bank, de Bangladesh.

Comentários

Postagens mais visitadas