quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Glifosato


"De um lado, a expectativa de crescimento econômico que envolve desde fabricantes de pesticidas até transações entre governos de vários países, a expectativa do lucro. De outro lado, a promessa de se reduzir a quantidade de herbicidas, controlar as pragas das plantações e promover maior produção agrícola. E, de outro lado ainda, as pessoas contaminadas por componentes do pesticida como o glifosato, que estão surgindo em número crescente. Os herbicidas saíram das lavouras e rumaram para a cidade, tendo amplo uso em inúmeras outras situações. Uma pessoa que nunca usou pesticida, pela transmissão aérea, pode se contaminar com o uso indevido de um pesticida ou herbicida de seu vizinho. As invenções humanas acumulam interrogações cada vez mais acentuadas sobre se estão sendo mesmo benéficas para a própria vida humana".
Glifosato - Herbicida, mas não só isso...
Dentre os pesticidas, substâncias tóxicas introduzidas no ambiente pelo homem, está o glifosato. Os pesticidas se dividem basicamente em três categorias, sendo o glifosfato um herbicida, e além desta existem ainda os inseticidas e os fungicidas.
Em alguns casos eles são considerados necessários, pois eliminam as pragas das lavouras, sendo a agricultura seu maior usuário. Em outros casos são utilizados no combate às drogas, pelo poder de eliminarem as plantações que originam as drogas como a coca. Mas os pesticidas já chegaram às cidades e às casas, sendo o uso doméstico bastante difundido e facilmente encontrado nas áreas urbanas.
O glifosato, que é um poderoso herbicida, vem sendo utilizado com ampla aceitação e intercâmbio entre governos de vários países, inclusive com exportação dos Estados Unidos para os países latino-americanos.
As pessoas de uma comunidade que não usam pesticidas não estão livres de seus efeitos, porque sofrem a ação dos produtos utilizados pelos seus vizinhos, pelo próprio poder municipal e pelas aplicações na agricultura e na indústria.
Enquanto isso, os fabricantes se defendem, apregoando as vantagens dos pesticidas e dos herbicidas, que incluem a exterminação de ervas daninhas, insetos, pragas, cupins, baratas, fungos e uma infinidade de pequenos seres indesejáveis para a vida e para a sobrevivência do homem.
Impactos no Ambiente
Produtos herbicidas como o glifosato foram criados exatamente para ser tóxicos e biocidas, isto é, para eliminar algumas espécies de seres vivos, cuja ação é danosa aos interesses do homem. Eles são encontrados por toda parte, porque sua ação vai mais além daquela para o qual ele foi originalmente fabricado: contamina o solo, o ar, a água (até mesmo as águas subterrâneas), a chuva, as plantas e tudo que estiver no ambiente. Seus resíduos exercem ação contaminadora sobre aves, peixes, animais e plantas silvestres, animais domésticos, até chegar nos seres humanos.
As pessoas mais diretamente atingidas têm sido as que vivem nas áreas agrícolas. Se inalado ou ingerido, o glifosato causa intoxicações graves, que podem até ter seus efeitos minimizados se o atendimento for imediato.
A ação do glifosato, segundo o Centro de Controle de Intoxicação da Unicamp, é cumulativa e o grau de intoxicação depende também do tempo de contato.
Para aumentar a controvérsia entre os interessados em manterem o glifosato no mercado e os que alertam sobre os danos que ele pode causar ao homem, as regras sobre seu uso, o controle governamental e os avisos à população, principalmente nas embalagens, são ainda um vir-a-ser.
Enquanto as discussões e as pesquisas continuam, o ambiente vai se modificando e tudo o que a população tem que fazer é procurar conhecer o mais possível sobre os efeitos do produto de modo a não sofrer danos maiores.
Uso no Combate às Drogas
O caso de Sierra Nevada, na Colômbia, vem sendo alvo da atenção de vários grupos de interesse, como produtores de herbicidas, o governo americano e ambientalistas. Sierra Nevada encerra uma comunidade multifacetada, que inclui indígenas, camponeses, descendentes de espanhóis e pessoas da área urbana. Ao longo do tempo, os camponeses e os indígenas foram sendo aculturados pelos espanhóis e hoje, acossados pela miséria, a maioria voltou seus braços para o trabalho na agricultura, mais precisamente na produção de coca, segundo Juan Mayr Maldonado, da Fundación Pró-Sierra Nevada de Santa Marta.
Ao mesmo tempo, a biotecnologia mostrava seus avanços nas pesquisas, que resultaram no herbicida contendo glifosfato. O Instituto de Estudios Sociales Avanzados (CSIC) relata que um dos primeiros sucessos da biotecnologia foi obter a resistência de uma molécula - o glifosato - que hoje é incluída em uma enorme variedade de herbicidas. A primeira intenção para o uso do glifosato como herbicida foi realizada, isto é, a substância atua inibindo uma enzima que é essencial para o metabolismo de ervas daninhas. Mas sua ação foi mais além disso, pois os mesmos efeitos nocivos se estendem para as áreas cultivadas e também são um risco à saúde humana.
O resultado disto, segundo Juan Maldonado, é que o governo americano, exercendo intervenção na Colômbia no caso de combate às plantações de drogas, autorizou a exportação de glifosato para aquele país.
Em Caso de Intoxicação
O Centro de Controle de Intoxicação da Unicamp, que funciona 24 horas atendendo casos de intoxicação, dá as orientações pessoalmente e por telefone para as pessoas que desejam saber sobre o glifosato ou qualquer outro produto ou situação similar.
Segundo o Centro, o glifosato é um herbicida cuja absorção oral é de 33%, sendo a eliminação do produto de 99% em sete dias. Em relação à toxicidade humana, no adulto, ele depende de uma ingestão a partir de 0,5 ml / kg - e, neste caso, a pessoa intoxicada precisa de monitoração hospitalar.
O Centro informa também que a dose de 25 ml pode causar lesão gastroesofágica, sendo:
Caso de intoxicação considerado leve - de 5 ml.
Caso considerado moderado - a partir de 20 ml.
Casos graves - acima de 85 ml.
Na intoxicação aguda, a assimilação do glifosfato ocorre por via oral - a pessoa tem irritação de mucosa e trato gastrointestinal, pode ter hipotensão (queda da pressão), acidose metabólica, insuficiência pulmonar e oligúria (diminuição da urina).
O tratamento: assistência respiratória, com o uso de O2.
Estabelecer via venosa, por causa do risco de choque.
A lavagem gástrica é feita a partir da ingestão de 0,5 ml - que já é dose tóxica, com o cuidado da lavagem ser aplicada no paciente até 4 horas depois da ingerida. E, lembra o Centro, a lavagem só é feita se antes não ocorrer vômito espontâneo.
A entubação endotraquial é indicada em alguns casos para prevenir a aspiração. Se ela aspira, ela pode ter uma pneumonia química.
A pessoa intoxicada deve receber também monitoração cardiovascular, respiratória e renal.
Para prevenir a hipotensão, administra-se vasopressores e coloca-se o paciente na posição de trendelenburg (com as pernas elevadas).
Pode-se fazer endoscopia para avaliar lesão gastroesofágica.
O mecanismo de ação - herbicida, se dá por inibição competitiva de enzima essencial na síntese de aminoácidos necessários à síntese protéica da planta. A distribuição do herbicida, no ser humano, acontece nos tecidos orgânicos, sendo que a concentração mais elevada é nos ossos.
Medidas Alternativas ao seu Alcance
- Leia com cuidado todo rótulo ou embalagem de produto à base de glifosato que for indispensável utilizar.
- Em caso de dúvidas, localize na embalagem ou na loja o telefone do fabricante e peça ajuda de um responsável.
- Acompanhe as campanhas de defesa do meio ambiente em sua cidade e informe também seus vizinhos.
- Lave muito bem os alimentos antes de prepará-los e verifique sempre a procedência dos mesmos, até onde for possível.
- Tenha sempre à mão o endereço e o telefone do centro de intoxicação mais próximo de sua comunidade, para emergências.
- Procure ajuda de um médico ou de um posto de saúde.
- Preste socorro imediato a uma vítima de intoxicação por herbicida, pois cada minuto é importante para a vida da pessoa.
Curiosidades
Conforme publicado pelo NCAP - Northwest Coalition for Alternatives to Pesticides, o glifosato tem sido utilizado em áreas cada vez maiores, incluindo-se as áreas florestais e vários tipos de plantações como a soja, por exemplo. O NCAP relata que durante uma reunião para tratar do assunto, o gerente de um dos maiores plantadores florestais no Brasil, a Aracruz Celulose, defendeu o uso do glifosato ao dizer que "o glifosato é menos perigoso que o sal de mesa". Ao ouvir isso, o líder da Sinticel - Sindicato de Trabalhadores da Companhia - se ofereceu em seguida para beber ali mesmo um enorme jarro de água com sal de mesa a cada pequeno frasco de glifosato que o gerente tomasse, ao que este se recusou.
Enquanto isto, o Brasil afrouxa as leis de controle sobre os agrotóxicos e cuida dos interesses comerciais do Mercosul, permitindo a entrada de produtos argentinos no país, mesmo a Argentina não tendo uma legislação adequada para o uso de agrotóxicos. Segundo o NCAP, os produtos aprovados para circularem no Mercosul incluem vários princípios ativos que sofreram restrições ou foram vetados pela Comunidade Econômica Européia.

Um comentário:

  1. adorei.... muito interessante e proveitoso
    ALUNAS DA ESCOLA PROFISSIONAL DE TIANGUA

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